{"id":63745,"date":"2013-12-13T12:36:25","date_gmt":"2013-12-13T12:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/12\/13\/cinema-mandela-longo-caminho-para-a-liberdade\/"},"modified":"2013-12-13T12:36:25","modified_gmt":"2013-12-13T12:36:25","slug":"cinema-mandela-longo-caminho-para-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-mandela-longo-caminho-para-a-liberdade\/","title":{"rendered":"Cinema: Mandela: longo caminho para a liberdade"},"content":{"rendered":"<p>A 18 de Julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela nasce em Mvezo, aldeia situada nas margens do rio Mbashe prov&iacute;ncia do Cabo Oriental, na jovem Uni&atilde;o Sul Africana (1910-1961) e no seio de uma fam&iacute;lia nobre de etnia Xhosa. D&eacute;cimo terceiro filho do chefe da aldeia, foi desde cedo preparado para a lideran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Revelando desde cedo um esp&iacute;rito desacomodado e um obstinado sentido de justi&ccedil;a, aliado a um gosto particular pelas artes, Mandela ser&aacute; expulso por ativismo pol&iacute;tico (na defesa de direitos da popula&ccedil;&atilde;o negra) da universidade de Fort Hare (a primeira universidade sul africana para negros), dois anos ap&oacute;s iniciar a licenciatura em Artes em 1939.<\/p>\n<p>Em Joanesburgo, aceita diversos trabalhos, incluindo no escrit&oacute;rio de advocacia do futuro primeiro presidente do Botswana e estuda de noite, at&eacute; se formar em direito. Em 1944 casa-se e enceta carreira pol&iacute;tica juntando-se ao Congresso Nacional Africano, dentro do qual funda, com Sisulu e Oliver Tambo, a liga juvenil com o fim de mudar o que consideravam ser a postura subserviente do partido face ao dom&iacute;nio branco. N&atilde;o obstante, mant&eacute;m-se defensor da n&atilde;o viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Com a vit&oacute;ria do Partido Nacional, de extrema-direita branca, nas elei&ccedil;&otilde;es de 1948 e sequente instaura&ccedil;&atilde;o do Apartheid, regime segregacionista que perdurar&aacute; at&eacute; 1994, Mandela enceta uma longa e acirrada caminhada pol&iacute;tica na lideran&ccedil;a da luta pelos direitos da popula&ccedil;&atilde;o negra. Nesta longa caminhada, ser&aacute; presidente do Congresso Nacional Africano, enfrentar&aacute; acusa&ccedil;&otilde;es de trai&ccedil;&atilde;o e a persegui&ccedil;&atilde;o das autoridades e do governo enquanto percorre o pa&iacute;s, o continente e o mundo, procurando apoios e estabelecendo alian&ccedil;as. Em 1961, em resposta &agrave; repress&atilde;o crescente de um governo amea&ccedil;ado pelo seu carisma, lidera o bra&ccedil;o armado do CNA, MK (Umkhonto we Sizwe. Lan&ccedil;a da Na&ccedil;&atilde;o) colocando do lado do governo a responsabilidade de dar o primeiro passo para uma conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica.<\/p>\n<p>Em 1964 &eacute; capturado, julgado e condenado a pris&atilde;o perp&eacute;tua. Em cativeiro, nunca abandona, por mais escassos os meios, a luta. Com a crescente for&ccedil;a do movimento, recusa tentativas de negocia&ccedil;&atilde;o que, permitindo a sua liberdade individual, n&atilde;o confiram direitos, liberdades e garantias aos demais.<\/p>\n<p>Em 1990, a liberta&ccedil;&atilde;o de Nelson Mandela torna-se inevit&aacute;vel e a luta continua, contra o radicalismo branco e o radicalismo negro.<\/p>\n<p>A uma semana da sua morte, estreia nas salas de cinema portuguesas o primeiro filme baseado na sua autobiografia: &lsquo;Mandela. Longo caminho para a liberdade&rsquo;. Um &lsquo;timming&rsquo; que tem tanto de pertinente como de arriscado, tendo em conta a envergadura do l&iacute;der africano &ndash; tamb&eacute;m f&iacute;sica mas sobretudo psicol&oacute;gica, espiritual e moral, a emo&ccedil;&atilde;o geral provocada pela sua perda e a multiplicidade de informa&ccedil;&atilde;o que circula sobre a sua vida e obra, o que garantir&aacute; um p&uacute;blico mais atento e cr&iacute;tico a esta vers&atilde;o.<\/p>\n<p>Razoavelmente protagonizado por Idris Elba (pap&eacute;is secund&aacute;rios em Thor e Prometheus, entre outros), o argumento cumpre um relato pouco aprofundado dos epis&oacute;dios mais significativos do percurso de Mandela. A figura est&aacute; l&aacute; e no entanto falta-lhe dimens&atilde;o e identidade. A for&ccedil;a interior, o &iacute;mpeto, o seu carisma, a qualidade das suas rela&ccedil;&otilde;es, com os outros, com as geografias e a profundidade do seu pensamento, alicerces fundamentais para o entendimento de quem foi, s&atilde;o t&eacute;nues.<\/p>\n<p>Uma esp&eacute;cie de &lsquo;panor&acirc;mica&rsquo;, &uacute;til e cativante para quem procure uma ilustra&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica do que est&aacute; j&aacute; sobejamente dispon&iacute;vel nos media e redes sociais, ou para os mais novos que ficar&atilde;o com uma ideia geral de quem foi Nelson Mandela. Mais pela mat&eacute;ria que pela ess&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Para todos os efeitos, uma figura pol&iacute;tica fortemente empenhada no bem comum e apostada na defesa da paz, mesmo em modo panor&acirc;mico e nos tempos que correm, sobretudo para os mais novos, n&atilde;o ser&aacute; pouco&hellip;<\/p>\n<p>Margarida Ata&iacute;de<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 18 de Julho de 1918, Nelson Rolihlahla Mandela nasce em Mvezo, aldeia situada nas margens do rio Mbashe prov&iacute;ncia do Cabo Oriental, na jovem Uni&atilde;o Sul Africana (1910-1961) e no seio de uma fam&iacute;lia nobre de etnia Xhosa. D&eacute;cimo terceiro filho do chefe da aldeia, foi desde cedo preparado para a lideran&ccedil;a. 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