{"id":6371,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-dignidade-da-eucaristia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-dignidade-da-eucaristia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-dignidade-da-eucaristia\/","title":{"rendered":"A dignidade da Eucaristia"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga na Eucaristia do Corpo de Deus <!--more--> A Solenidade do Corpo de Deus conduz-nos \u00e0 centralidade do amor de Cristo pela humanidade. Ele, para amar, quis ficar connosco e \u00e9 com Ele que nos podemos encontrar. N\u00e3o se trata dum rito mais ou menos complicado. A Eucaristia \u00e9 o mist\u00e9rio por excel\u00eancia. S\u00f3 em atitude de contempla\u00e7\u00e3o o compreenderemos. Aceitemos a \u201cgra\u00e7a\u201d dum dia santo, talvez por pouco tempo ainda, para repensarmos este dom maravilhoso. Sabemos que a sua institui\u00e7\u00e3o aconteceu durante um banquete, uma festa. Isto tem suscitado, e bem, uma experi\u00eancia de familiaridade onde, como irm\u00e3os, nos encontramos ao redor da mesma mesa. Se importa n\u00e3o desconsiderar esta vertente e torn\u00e1-la cada vez mais concreta, expressiva, alegre nunca a poderemos confundir com a banaliza\u00e7\u00e3o ou acontecimento sem densidade de conte\u00fados. H\u00e1 um elevado sentido de mist\u00e9rio que exige uma atitude interior de devo\u00e7\u00e3o perante o sagrado. A carta enc\u00edclica \u201cEcclesia de Eucharistia\u201d de Jo\u00e3o Paulo II recorda a necessidade de \u201ccelebrar a Eucaristia num ambiente digno de t\u00e3o grande mist\u00e9rio\u201d. Estamos a concluir um per\u00edodo em que nos concentramos, como Programa Pastoral, na aten\u00e7\u00e3o a dar aos jovens. Por outro lado, sabemos que, em Outubro, acontecer\u00e1 o Congresso Eucar\u00edstico no M\u00e9xico. S\u00e3o duas realidades que nos convocam para entrar nesta verdadeira dimens\u00e3o da Eucaristia. \u00c9 nela que os jovens, n\u00e3o colocando de lado os adultos, devem ser introduzidos e \u00e9 este testemunho que teremos de dar.  N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil aperceber-se, mesmo nos ritmos diversificados, dum ambiente de recolhimento e de esfor\u00e7o por viver dignamente os santos mist\u00e9rios. Creio, por\u00e9m, que nos tem faltado uma verdadeira inicia\u00e7\u00e3o para celebrar, consequentemente, com dignidade. Entramos em contacto com a Eucaristia na inf\u00e2ncia e n\u00e3o percorremos os itiner\u00e1rios duma caminhada de ir \u201cmergulhando\u201d em todas as dimens\u00f5es dum verdadeiro encontro com Deus. Quando se deseja e se investe na experi\u00eancia com o divino, o ambiente exterior transforma-se e, em certo sentido, respira-se. Como nos sentimos bem quando queremos esta festa de interioridade! Como nos cansa quando n\u00e3o oferecemos o m\u00ednimo esfor\u00e7o para o viver! Repito, os crist\u00e3os adultos necessitam desta reinicia\u00e7\u00e3o nos mist\u00e9rios. T\u00eam assistido a eucaristias demasiadas vezes e experimentado o sentido do sagrado muito poucas. Ouso solicitar esta nova solicitude no cuidado a atribuir \u00e0s Eucaristias. H\u00e1 aqui muita revis\u00e3o e rectifica\u00e7\u00e3o a fazer atrav\u00e9s dum trabalho que envolve sacerdotes e crist\u00e3os. Sejamos capazes de intuir esta sublimidade e de n\u00e3o a trair com a neglig\u00eancia ou apego \u00e0s perspectivas pessoais. Para saborear o mist\u00e9rio eucar\u00edstico teremos de dar import\u00e2ncia ao Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o direi nenhuma novidade se afirmar que a viv\u00eancia eucar\u00edstica depende da tranquilidade de uma consci\u00eancia purificada pela gra\u00e7a sacramental. Num mundo de relativismo moral e de aus\u00eancia de valores come\u00e7amos por esquecer um preceito da Igreja que ordena a reconcilia\u00e7\u00e3o \u201cpela P\u00e1scoa\u201d e vamos colocando de lado, criando uma insensibilidade religiosa onde parece valer tudo, a exig\u00eancia duma reconcilia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica. A dignidade do mist\u00e9rio eucar\u00edstico exige que retornemos, sem escr\u00fapulos exagerados, \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o do confessar-se. Trata-se duma verdade que poder\u00e1 custar a ouvir. Todos os fi\u00e9is devem questionar-se e os sacerdotes devem sentir-se interpelados para uma disponibilidade permanente. O mist\u00e9rio sacerdotal \u00e9 completo na medida em que se dedica, num esquema de vida pessoal, algumas horas a este ben\u00e9fico servi\u00e7o \u00e0s nossas comunidades. Interpretemos, por isso,, esta responsabilidade que afecta os sacerdotes para que os fi\u00e9is possam viver a gra\u00e7a eucar\u00edstica com outra profundidade. Dar dignidade ao mist\u00e9rio eucar\u00edstico faz com que, seguindo o pensamento do Santo Padre, olhemos para um aspecto material mas important\u00edssimo. Refiro-me \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e adorno dos edif\u00edcios sacros. Quando come\u00e7amos a recordar o cuidado e a aten\u00e7\u00e3o que a Igreja sempre dedicou a este aspecto, verificamos que muitos n\u00e3o nos querem entender e n\u00e3o posso calar a exist\u00eancia de demasiada superficialidade no abordar as interven\u00e7\u00f5es nos espa\u00e7os novos ou a restaurar. Gra\u00e7as a Deus que muitos Conselhos Econ\u00f3micos e Confrarias come\u00e7am a reconhecer a import\u00e2ncia duma aprova\u00e7\u00e3o pr\u00e9via por parte dos nossos Servi\u00e7os centrais. Mas, reconhe\u00e7amo-lo, ainda h\u00e1 algu\u00e9m que pretende, por um lado, as celebra\u00e7\u00f5es em qualquer lugar sem o m\u00ednimo de dignidade e qualidade e, por outro, sem um estudo m\u00ednimo por parte de pessoas que procuram interiorizar a din\u00e2mica dum espa\u00e7o sagrado. Rezo para que n\u00e3o interpretem as nossas orienta\u00e7\u00f5es como teimosia. Quero ser fiel \u00e0 hist\u00f3ria e seguir as orienta\u00e7\u00f5es da Igreja Universal. Recorda o Santo Padre: \u201cA Arte sacra deve caracterizar-se pela capacidade de exprimir adequadamente o mist\u00e9rio lido na plenitude de f\u00e9 da Igreja e segundo as indica\u00e7\u00f5es pastorais oportunamente dadas pela competente autoridade\u201d. Estas palavras devem tornar-se program\u00e1ticas e incidirem em atitudes dum cuidado maior a dedicar aos espa\u00e7os a construir ou j\u00e1 constru\u00eddos.  Por outro lado, precisamos de artistas que queiram dar o seu contributo precioso investindo a sua criatividade e provocando um novo modo de elaborar os espa\u00e7os, a decora\u00e7\u00e3o e as imagens. \u201cOs artistas devem conceber o seu empenho na produ\u00e7\u00e3o do belo n\u00e3o apenas como express\u00e3o do seu g\u00e9nio mas tamb\u00e9m como aut\u00eantico servi\u00e7o \u00e0 f\u00e9\u201d. Deus passa pelo belo e este \u00e9 a linguagem que o mundo entende e muita coisa tem de passar por aqui. Como gostaria que fossemos capazes de aliar estas duas componentes: a capacidade art\u00edstica com a miss\u00e3o tutelar da Comiss\u00e3o de Arte Sacra. Far\u00edamos obras de presente com certeza de perenidade. Se o Congresso Eucar\u00edstico ser\u00e1 subordinado \u00e0 responsabilidade de tornar a Eucaristia luz e vida para o novo mil\u00e9nio, estes dois elementos, devidamente considerados, s\u00e3o indispens\u00e1veis. A dignidade com que tratamos o mist\u00e9rio torna a liturgia mais sublime e dota-a da capacidade da incid\u00eancia na vida das pessoas e do mundo. N\u00e3o \u00e9 o modernismo que convence. O sobrenatural sacia e orienta.  S\u00e9 Catedral, 10.06.04 + Jorge Ortiga, A. P.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. Jorge Ortiga na Eucaristia do Corpo de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[119,237,246,275],"class_list":["post-6371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-arte-sacra","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6371\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}