{"id":6360,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/bencao-a-cidade-e-diocese-do-porto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"bencao-a-cidade-e-diocese-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bencao-a-cidade-e-diocese-do-porto\/","title":{"rendered":"B\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade e diocese do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Alocu\u00e7\u00e3o do Bispo do Porto no final da Prociss\u00e3o do Corpo de Deus <!--more--> Chegamos ao termo da prociss\u00e3o do Corpo de Deus, na continuidade de uma tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, tamb\u00e9m no nosso pa\u00eds, em v\u00e1rios locais da Diocese e nesta cidade do Porto especialmente. Desta devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento e desta pr\u00e1tica foram escritas p\u00e1ginas de interesse religioso, cultural e popular, que a Hist\u00f3ria regista. Neste cen\u00e1rio de hist\u00f3ria religiosa, c\u00edvica e popular, conjuga-se o passado que esmoreceu ou esqueceu para renascer com novo vigor e disciplina diferente. A cidade guarda mem\u00f3ria da Festa do Corpo de Deus e da respectiva prociss\u00e3o, e as ruas e ruelas, pra\u00e7as, vest\u00edgios e recantos do centro hist\u00f3rico s\u00e3o refer\u00eancias que ainda permitem reconstituir o itiner\u00e1rio da prociss\u00e3o que em tempos passados e alternadamente sa\u00eda at\u00e9 ao termo de Santo Ildefonso ou da Ribeira e Miragaia. A Solenidade do Corpo de Deus e Sangue de Cristo, como hoje se diz, foi celebrada pela primeira vez na B\u00e9lgica em 1246, mas em 1264 come\u00e7ou a ser celebrada em toda a Igreja. Em Portugal h\u00e1 mem\u00f3ria da Festa e prociss\u00e3o desde o tempo de D. Jo\u00e3o I, e no Porto a partir de 1417. \u00c9 a mem\u00f3ria do culto e devo\u00e7\u00e3o, de usos e costumes que se intrometeram, de desvarios, abusos e extravag\u00e2ncias, denunciados por alguns mas mantidos, apreciados e at\u00e9 exigidos por muitos para quem, como \u00e9 frequente, vale menos o rigor e a ortodoxia do que a alegria, o entusiasmo, a festa contagiosa, a tradi\u00e7\u00e3o atraente. Mas esta mem\u00f3ria que explica as transforma\u00e7\u00f5es realizadas para a dignidade do culto e para a imagem recuperada da Igreja, \u00e9 a hist\u00f3ria que o povo faz para viver no seu esp\u00edrito e neste esp\u00edrito sentir \u00e2nimo e impulso, isto \u00e9, ser agente e actor da hist\u00f3ria que os outros escrevem. \u00c9 a hist\u00f3ria de um povo que tem f\u00e9 em Deus. E tem na devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento uma das refer\u00eancias e um dos sinais mais antigos da sua f\u00e9 crist\u00e3, de tal modo que, sendo pr\u00e1tica e devo\u00e7\u00e3o da Igreja universal, a devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento pode dizer-se apropriada pelo sentimento crist\u00e3o do povo portugu\u00eas. Este povo devoto do Sant\u00edssimo Sacramento esteve hoje reunido em assembleia, na Igreja da Sant\u00edssima Trindade, para celebrar em Eucaristia a sua f\u00e9, e preparou-se em ora\u00e7\u00e3o de louvor e adora\u00e7\u00e3o para a prociss\u00e3o que acaba de percorrer um itiner\u00e1rio convencionado. Assim lig\u00e1mos a f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade da vida e suas vicissitudes, peregrin\u00e1mos, como caminheiros que somos, pelas ruas que simbolizam a nossa peregrina\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o em que vivemos e no tempo que Deus nos concede como o nosso tempo de salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o viemos por rotina, porque de cada vez renov\u00e1mos inten\u00e7\u00e3o, prop\u00f3sito e finalidade, consci\u00eancia e sentido do comportamento. N\u00e3o nos reunimos para nos isolarmos. N\u00e3o sa\u00edmos \u00e0 rua por triunfalismo. A Eucaristia \u00e9 sinal e sacramento de unidade, n\u00e3o apenas de um grupo ou uma elite, mas da cidade, da sociedade, da humanidade. E mesmo se alguma vez organizar prociss\u00f5es teve a inten\u00e7\u00e3o e a finalidade de lutar contra ideias e de testemunhar convic\u00e7\u00f5es de f\u00e9, cada vez menos a prociss\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de lutar ou a veleidade de triunfar. Basta, basta-nos, o dever e a possibilidade do testemunho p\u00fablico, em condi\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00e3o de liberdade que tornam mais premente a miss\u00e3o apost\u00f3lica e eclesial de proclamar publicamente a f\u00e9 que se professa. Acreditamos que o Sant\u00edssimo Sacramento \u00e9 sinal e fonte de unidade, acreditamos e queremos que seja impulso, motiva\u00e7\u00e3o, est\u00edmulo, para a unidade, a reuni\u00e3o e a Comunh\u00e3o. Porque todos, independentemente de ideias, ideologias, modelos, prop\u00f3sitos, temos algo que \u00e9 comum como fundo e campo de unidade e de fraternidade. Acreditamos que o mundo tem salva\u00e7\u00e3o. O Senhor que veio ao mundo para o salvar e n\u00e3o para o condenar, \u00e9 o Salvador que quis ficar connosco, que est\u00e1 connosco no Sacramento de si mesmo, o Sant\u00edssimo Sacramento. Acreditamos e proclamamos que importa fazer da Sua Palavra e da Sua Vida o nosso alimento, a nossa vida. Isto mesmo quisemos testemunhar na Solenidade do Sant\u00edssimo Corpo e Sangue de Cristo. Vamos dar a b\u00ean\u00e7\u00e3o com o Sant\u00edssimo Sacramento: \u00e0 cidade, \u00e0s autoridades e institui\u00e7\u00f5es, \u00e0 Diocese, ao povo todo, aqui presente sobretudo no povo an\u00f3nimo que connosco exprime o sentido da f\u00e9 que nos move e que explica a nossa fidelidade. Que na b\u00ean\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento encontremos reconforto, \u00e2nimo, esperan\u00e7a, fraternidade e paz. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.  Porto, Terreiro da S\u00e9, 10 de Junho de 2004  D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alocu\u00e7\u00e3o do Bispo do Porto no final da Prociss\u00e3o do Corpo de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[160,168,187],"class_list":["post-6360","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6360"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6360\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}