{"id":6358,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/peregrinando-pela-bretanha\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"peregrinando-pela-bretanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/peregrinando-pela-bretanha\/","title":{"rendered":"Peregrinando pela Bretanha"},"content":{"rendered":"<p>Relato do Pe. Aires Gameiro sobre  as peregrina\u00e7\u00f5es em Honra de Nossa Senhora de F\u00e1tima <!--more--> Peregrinando pela Bretanha em honra de Nossa Senhora de F\u00e1tima \u2013 Maio, (14 a 25) 2004 Nota: convidado pela Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es (OCPM) a animar com prega\u00e7\u00e3o duas festas de Nossa Senhora de F\u00e1tima em Saint-Brieuc e Rennes passei este per\u00edodo com o P. Andr\u00e9 Daugan respons\u00e1vel da pastoral dos emigrantes portugueses na Diocese de Rennes e o P. Daniel da Diocese de St. Brieuc. No dia 14 e 15 tive ocasi\u00e3o de estar com os meus sobrinhos e seus filhos no norte de Paris com almo\u00e7o de 15 pessoas, alguns dos quais a preparar o regresso a Portugal.          \u00c0s 15.00 na esta\u00e7\u00e3o de Monparnasse onde me esperava o P. Andr\u00e9 conversei com Jo\u00e3o Heitor dono da livraria Lusophone (Paris). No dia 15 \u00e0 noite participa\u00e7\u00e3o na Festa em St. Brieuc com o P. Andr\u00e9 e outros sacerdotes no ter\u00e7o, em que comentei um mist\u00e9rio, na prociss\u00e3o das velas e no arraial com sardinhas e caldo verde. O c\u00f4nsul portugu\u00eas de Nantes, Antero Aires Alves e esposa Ad\u00e9lia, acompanharam-nos \u00e0 mesa. Participaram no ter\u00e7o cerca de 200 pessoas, na prociss\u00e3o 300 e no arraial da noite cerca de 600. Um quadro muito original de S. Jo\u00e3o de Deus do P. Andr\u00e9 esteve exposto nesta noite e no dia seguinte.         Dia 16 (domingo) preguei na missa da festa das 11.00 na mesma igreja de S\u00e3o Gu\u00e9nelon em portugu\u00eas e franc\u00eas, que foi seguida de prociss\u00e3o de adeus e arraial com dois grupos de folclore e conjunto. Participaram cerca de 1500 pessoas, segundo o Jornal Ouest-France. N\u00e3o faltou o frango assado e o bacalhau. Participou na festa, al\u00e9m doutros, o P. Daniel j\u00e1 mission\u00e1rio no Brasil e Vig\u00e1rio Geral da Diocese de Saint-Brieuc o qual foi o meu hospedeiro no Centro-Semin\u00e1rio de St. Yves, agora centro pastoral de forma\u00e7\u00e3o e col\u00e9gio sem seminaristas. O P. Daniel foi nosso guia durante aqueles dias. De tarde ap\u00f3s o meu passeio a p\u00e9 at\u00e9 ao centro da cidade ele levou-nos a passeio ao porto e \u00e0 ponta do Roselier com bela vista sobre toda a imensa baia de Saint-Brieuc.         Dia 17.05.04. Encontro de informa\u00e7\u00e3o sobre Psiquiatria de Sector com a Dra. Suzane Duch\u00e8ne, psic\u00f3loga do Hospital de S. Jo\u00e3o de Deus (Dinan) na reforma. Criou a associa\u00e7\u00e3o Vivre au Pluriel para atendimento gratuito de pessoas com problemas psicol\u00f3gicos e trabalha no Centro (Presbit\u00e9rio) Pastoral da Par\u00f3quia da Catedral. Vivre au Pluriel \u201catende as pessoas quando elas querem, enquanto querem\u201d.         Foi um encontro muito elucidativo sobre a Rede Vivre, D\u00e9couvrir, Partager que engloba cerca de cinquenta estruturas a que as pessoas podem recorrer por problemas sociais e sa\u00fade, a maior parte gratuitos e ainda outros 25 para ocupa\u00e7\u00f5es de lazer, ocupa\u00e7\u00f5es, ateliers, desporto&#8230; N\u00e3o se trata de hospitais. Esta vis\u00e3o da Sa\u00fade Mental de Sector ia ser completada nas duas visitas ao Hospital de S. Jo\u00e3o de Deus de Dinan que coordena todo o sector.         Houve visita \u00e0 Catedral que \u00e9 de v\u00e1rias \u00e9pocas mas principalmente do s\u00e9c. XII e XIII. Pelas 15.00 encontro muito frutuoso com o P. Campion ligado \u00e0 pastoral da sa\u00fade na Diocese. O longo col\u00f3quio centrou-se na pastoral  em sa\u00fade mental. Esta passa por uma encruzilhada devido \u00e0 desinstitucionaliza\u00e7\u00e3o. Cedeu-me um texto muito elucidativo das quest\u00f5es a enfrentar pela pastoral de sa\u00fade mental do leigo delegado diocesano de toda a Pastoral da Sa\u00fade Jean Claude Lemercier. Como organizar esta pastoral para doentes que s\u00f3 ficam duas ou tr\u00eas semanas internadas e para pessoas que recorrem a 30 ou 40 estruturas diferentes?         Pelas 16.00 fomos cumprimentar o Bispo D. Luciano que nos recebeu com muita cordialidade. O P. Daniel ofereceu-me a seguir um passeio ao lado nascente da baia de Saint-Brieuc, Ponta des Guettes, Hillion, Igreja romana de St. Gobrian em Morieux com frescos recentemente descobertos. Na porta lateral de p\u00e9 tocava o cimo com a cabe\u00e7a! De passagem vimos o Centre M\u00e9dico-Psychologique St. Benoit Menni para adultos aberto recentemente pelo Hospital St. Jean de Dieu que fica a 50 quil\u00f3metros e que coordena aquele.         No dia 18. Tive a agrad\u00e1vel oportunidade de ir com o P. Daniel e Andr\u00e9 a Dinan. Ali visit\u00e1mos junto ao moderno lar das Irm\u00e3zinhas dos Pobres a casa rural onde entre 1849 e 1852 Joana Jugan recebeu do Irm\u00e3o F\u00e9lix Masson, Provincial dos Irm\u00e3os de S. Jo\u00e3o de Deus, sugest\u00f5es, conselhos e apoio para a Regra das Irm\u00e3zinhas dos Pobres que ficaram como que afiliadas ao carisma de S. Jo\u00e3o de Deus. Acompanhou-nos um amigo o Dr. Michel Corneille descendente do famoso dramaturgo e que \u00e9 um apaixonado pela literatura portuguesa, mormente Gil Vicente.         Visit\u00e1mos o nosso \u201cHospital S. Jo\u00e3o de Deus\u201d (Psiquiatria) e a Exposi\u00e7\u00e3o permanente de S. Bento Menni que conta os \u201cgolpes\u201d de sofrimento que suportou nos \u00faltimos anos de vida, alguns ocasionados por Irm\u00e3os, vividos precisamente nesta casa onde faleceu a 24 de Abril de 1914. Almo\u00e7\u00e1mos com os tr\u00eas Irm\u00e3os da Comunidade: Francis, Basil e Flavien. \u00c0s 15.00 celebrei na Capela da Comunidade para os Irm\u00e3os e as tr\u00eas Irm\u00e3s Hospitaleiras do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus que trabalham no Hospital, sendo uma delas, Teresa, madeirense de Boaventura. A Superiora Irm\u00e3 Estrella \u00e9 a que assegura a capelania do Hospital e das suas 25 estruturas no terreno espalhadas por uma \u00e1rea imensa dif\u00edcil de abranger. Fiz uma pequena homilia em franc\u00eas valorizando a fidelidade e esperan\u00e7a dos religiosos mesmo poucos e idosos como come\u00e7amos a ser quase todos.         Soube que no s\u00e1bado a seguir dia 22 o Irm\u00e3o Flavien, presidente do Conselho Hospitalar, iria celebrar as suas bodas de ouro e logo ficou decidido virmos participar.         \u00c0 noite de regresso a St. Brieuc realizou-se uma reuni\u00e3o com o respons\u00e1vel diocesano dos emigrantes da Diocese de S. Brieuc e mais algumas pessoas sobre a problem\u00e1tica dos mesmos e poss\u00edveis linhas de ac\u00e7\u00e3o. Foi muito rica pela troca de experi\u00eancias e opini\u00f5es.         No dia 19 desloc\u00e1mo-nos, eu e P. Andr\u00e9, de St. Brieuc para Rennes onde ia colaborar noutra festa de Nossa Senhora de F\u00e1tima de emigrantes desta Diocese em La Peini\u00e8re.         No caminho o P. Andr\u00e9 quis que conhecesse a sua aldeia junto de St. Pern (S. Paterno), que se chama La Rosais onde almo\u00e7\u00e1mos uma sopa bret\u00e3 preparada pelo seu irm\u00e3o doente mas ainda com sa\u00fade e onde o P. Andr\u00e9 est\u00e1 a criar uma rede rural de entreajuda com pessoas s\u00f3s, idosas e sofredoras. Nesta rede n\u00e3o circula dinheiro mas troca de g\u00e9neros cultivados por cada um. Antes, por\u00e9m, visit\u00e1mos a casa dos pais de Chateaubriand em La Ouches perto de Guitt\u00e9s e ainda a casa Generalicia e de forma\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3zinhas dos Pobres. Tem uma impressionante Igreja neo-g\u00f3tica dedicada a St. Joseph em plena \u00e1rea rural rodeada de enormes edif\u00edcios do s\u00e9culo XIX. Ap\u00f3s um caf\u00e9 de uma italiana na pra\u00e7a de St. Pern visit\u00e1mos a pequena cidade de La Becherel, toda ela, desde h\u00e1 anos, animada por 25 livrarias de alfarrabistas. No lar de idosos visit\u00e1mos uma senhora portuguesa bastante doente de Calend\u00e1rio (Famalic\u00e3o) que conhecia a nossa Casa de Barcelos.         Em Rennes j\u00e1 pelas 20.00 tivemos um encontro informal, \u00e0 volta de petiscos, de busca sobre humaniza\u00e7\u00e3o na sa\u00fade com duas m\u00e9dicas e um m\u00e9dico de Comores (Pac\u00edfico) especializado na China em medicina chinesa. A dist\u00e2ncia de posi\u00e7\u00f5es foi abissal mas a reuni\u00e3o constituiu passo importante. Subjacente aos discursos pressentiam-se problemas e sofrimentos que n\u00e3o chegaram a aflorar muito.         Nessa noite fui dormir a casa do sobrinho do Irm\u00e3o Amadeu Cabral em Betton a uns 15 quil\u00f3metros a norte de Rennes, onde vive com a mulher francesa, duas filhas e um filho, ela enfermeira e o sobrinho inform\u00e1tico.         No dia 20 (5\u00aa feira da Ascens\u00e3o que \u00e9 feriado e dia Santo) para aceder ao convite do c\u00f4nsul para o almo\u00e7o em sua casa, fomos a Nantes. J\u00e1 na cidade tivemos missa na Igreja-Bas\u00edlica de S. Teresinha. O almo\u00e7o decorreu em clima comunicativo em que de parte a parte houve conversa\u00e7\u00e3o franca e agrad\u00e1vel sobre in\u00fameros problemas actuais de emigrantes, da sociedade e da Igreja. O regresso a Rennes sugeri que fosse por St. Nazaire, La Baule e Croisic para visitar o Centro S. Jo\u00e3o de Deus da Ordem para setenta deficientes f\u00edsicos graves. Encontr\u00e1mo-nos com o Irm\u00e3o Pierre, com quem nos entretivemos \u00e0 volta de um refresco. O Irm\u00e3o Didier tinha ido \u00e0 esta\u00e7\u00e3o \u00e0 procura de um visitante. Todo o Centro foi reconstru\u00eddo h\u00e1 poucos anos por troca de terrenos para os destinat\u00e1rios actuais. Admir\u00e1mos o tamanho dos quartos individuais e corredores largu\u00edssimos para permitirem a circula\u00e7\u00e3o de carros\/cadeiras el\u00e9ctricas que quase todos os residentes utilizam dentro e fora de casa, pois todo ele funciona ao n\u00edvel da estrada.         O regresso deu-se por Redon a caminho de Betton onde tivemos jantar oferecido pela fam\u00edlia Monteiro em sua casa.         No dia 21 (6\u00aafeira) foi a vez de aceitarmos a hospitalidade do amigo Dr. Michel Corneille em St. Malo onde tem uma \u201cVila\u201d antiga constru\u00edda no passado por ingleses do lado sul do Canal da Mancha. Ali vive com a esposa, filha, genro e neto. Esta cidade, constitu\u00edda por tr\u00eas n\u00facleos, sendo o mais antigo muralhado com o porto que teve grande preponder\u00e2ncia na hist\u00f3ria das viagens mar\u00edtimas e no com\u00e9rcio triangular: fornecimento de abastecimentos a barcos portugueses e espanh\u00f3is que eram trocados por especiarias e escravos nos portos da \u00c1frica e do Oriente. Hoje \u00e9 um grande centro de turismo para franceses e ingleses. O Senhor Corneille levou-nos a visitar a casa onde Joana Jugan come\u00e7ou a sua miss\u00e3o de acolher pobres, \u00e0s ru\u00ednas da primeira Catedral chamada de Aleth, s\u00e9c. XII, a Catedral actual dos s\u00e9culos XII-XIII que foi grandemente destru\u00edda na \u00faltima guerra (Agosto de 1944) e j\u00e1 reconstru\u00edda, a Grande Muralha e infinidade de ruas estreitas. Da muralha espreit\u00e1mos a ilha Grande B\u00e9 onde Chateaubriand est\u00e1 sepultado.         No caminho para o Monte St. Michel paramos para ver e fotografar a casa onde nasceu Joana Jugan em Concale .Entretanto foi comentadoa a interpreta\u00e7\u00e3o de que Jugan ser\u00e1 uma corruptela de Jo\u00e3o e que ela seria de ascend\u00eancia portuguesa o que a sua cara morena emeridional confirmaria. Mais adiante, por altura de Roz  par\u00e1mos para um almo\u00e7o de pescaria \u00e0 beira da estrada. Monte St. Michel, sempre aquela maravilha e patrim\u00f3nio mundial, enxameava de centenas de carros, autocarros e motas no vast\u00edssimo estacionamento. Nas ruas e escadas apertadas do Monte, enxameavam as pessoas que s\u00f3 avan\u00e7avam \u00e0 custa de cotoveladas e pedidos de desculpa por encontr\u00f5es involunt\u00e1rios. Raz\u00e3o: \u00e9 o ponto mais visitado de Fran\u00e7a logo a seguir a Paris. Durante uma hora o Senhor Corneille tentou mostrar-nos o essencial deste monte-cidade-mosteiro que ao contr\u00e1rio de h\u00e1 quarenta anos quando o visitei a primeira vez j\u00e1 tem alguns monges e monjas. Na grande e imponente Bas\u00edlica impressionou-me uma adoradora diante do Sant\u00edssimo Sacramento exposto na capelinha da \u00e1bice, alheia a todo o movimento atr\u00e1s dela na charola. Um s\u00edmbolo da espiritualidade do s\u00e9culo XXI que vai ser? Assim o espero. Obrigado Senhor Corneille pelo dom desta visita-peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Idade M\u00e9dia.         No dia 22 (s\u00e1bado) ia colaborar de forma mais efectiva na segunda peregrina\u00e7\u00e3o de Nossa Senhor de F\u00e1tima dos emigrantes portugueses, mas a manh\u00e3 reservou-me uma surpresa-gra\u00e7a do Senhor. T\u00ednhamos sabido, como disse, que o Irm\u00e3o Flavien celebrava nesta manh\u00e3 os 50 anos de profiss\u00e3o em Dinan e logo o P. Andr\u00e9 decidiu irmos participar na celebra\u00e7\u00e3o. Conhe\u00e7o o Irm\u00e3o Flavien de h\u00e1 longos anos, sendo no Congresso de Pastoral do Vaticano que nos encontramos a \u00faltima vez. Pelo caminho ainda visit\u00e1mos de novo a casa do P. Andr\u00e9, um emigrante portugu\u00eas e o seu bar. O P. Andr\u00e9 quis que admirasse as casas grandes dos artes\u00e3os de retaguarda que forneciam o porto de St. Malo.         Foi uma festa bem preparada e celebrada com dignidade. Havia Irm\u00e3os de todas as Casas da Prov\u00edncia, Irm\u00e3s Hospitaleiras, Irm\u00e3zinhas dos Pobres, alguns Sacerdotes da Regi\u00e3o. Irm\u00e3os, irm\u00e3s e sobrinhos e sobrinhos-netos do festejado vieram da Als\u00e1cia. Os sobrinhos participaram na prociss\u00e3o com lamparinas acesas. O canto estava \u00e0 altura com participa\u00e7\u00e3o de toda a assembleia e at\u00e9 teve um canto da Als\u00e1cia em alem\u00e3o. A Igreja neo-g\u00f3tica em cruz com a sua impon\u00eancia emprestou esplendor \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o. Ao almo\u00e7o ap\u00f3s as fotografias (diante da primeira capela da casa) n\u00e3o faltaram presentes, discursos e can\u00e7\u00e3o pelo respons\u00e1vel da pastoral da Prov\u00edncia, o Senhor Bidan. Foi manh\u00e3 bem reconfortante e espiritual. Deu ainda para trocar impress\u00f5es sobre o Hospital que h\u00e1 40 anos quando o visitei a primeira vez tinha 1300 doentes, hoje tem 270 e vai reduzir para 150. Mas em contrapartida coordena 25 estruturas diversificadas em territ\u00f3rio de 250.000 habitantes. O op\u00fasculo que me foi facilitado \u00e9 muito elucidativo e deixou-nos impress\u00e3o, ou eu me engano que dentro de 20 anos estaremos quase a atingir esta fase.         A tarde ia j\u00e1 ser peregrina\u00e7\u00e3o no Santu\u00e1rio de La Peini\u00e8re (Chateaubourg-St. Didier) a uns 20 quil\u00f3metros a leste de Rennes. Pelas 20.00 andor de Nossa Senhora de F\u00e1tima, estandartes, quadro de S. Jo\u00e3o de Deus muito original, altar, coro, som, tudo estava enfeitado, pronto na grande Sala-Capela de mil lugares sentados. Ap\u00f3s o ter\u00e7o com leitura, canto e prega\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas e franc\u00eas em cada mist\u00e9rio, que me foi pedida, seguiu-se a prociss\u00e3o das velas com c\u00e2nticos apoiados por altifalantes. Mais de 500 pessoas se inseriram nesta vig\u00edlia de ora\u00e7\u00e3o em honra de Nossa Senhora de F\u00e1tima. A vig\u00edlia terminou com uma sess\u00e3o de 15 minutos de fogo de artif\u00edcio.         No dia 23 (domingo) a peregrina\u00e7\u00e3o de tantos emigrantes vindos de Rennes, St. Brieuc, Vitr\u00e9 e doutros s\u00edtios ia continuar. Pelas onze horas j\u00e1 haveria cerca de 600 pessoas na Sala-Capela em que se misturavam jovens, crian\u00e7as, adultos entre os quais bastantes franceses. A missa foi concelebrada por tr\u00eas sacerdotes e a prega\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas e franc\u00eas pelo que escreve. A prociss\u00e3o teve uma grande participa\u00e7\u00e3o sendo seguida do canto do \u201cAdeus oh Virgem\u201d. Seguiram-se os piqueniques de bacalhau e frango. A tarde foi preenchida com folclore (dois ranchos) e m\u00fasica de conjunto prolongando at\u00e9 \u00e0 noite. N\u00e3o faltaram o carrocel para os mais pequenos.         O dia 24 foi destinado a visitar o Centro de Rennes, Catedral, Igreja de Todos os Santos onde os emigrantes j\u00e1 tiveram uma capela de perman\u00eancia, a Casa Episcopal para saudar o Bispo que n\u00e3o nos p\u00f4de receber e ainda o Semin\u00e1rio.         Aqui demor\u00e1mo-nos em conversa\u00e7\u00e3o muito rica com um professor de moral e \u00e9tica o P. Pierre em que os temas de bio\u00e9tica e de rela\u00e7\u00f5es crist\u00e3os-judeus se tornaram acalorados e estimulantes. Acrescento que grande parte das nossas trocas de impress\u00f5es giraram \u00e0 volta de presen\u00e7a dos judeus em Portugal e nas suas rela\u00e7\u00f5es com o norte da Fran\u00e7a e sobre S. Jo\u00e3o de Deus. J\u00e1 com o Dr. Michel Corneille foram igualmente os temas de literatura cl\u00e1ssica portuguesa dado que ele defendeu recentemente uma tese de doutoramento sobre \u201cAs Mulheres em Gil Vicente\u201d. O Senhor Michel Corneille \u00e9 descendente do grande dramaturgo franc\u00eas Pierre Corneille (s\u00e9c. XVII) sobre o qual os descendentes actuais est\u00e3o a descobrir surpresas na sua vida e escritos relacionadas com os portugueses que viviam em Ronen.         Ainda em Rennes visit\u00e1mos a faculdade de letras em que o P. Andr\u00e9 d\u00e1 aulas de literatura portuguesa e se dedica nos tempos livres \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o  sobre as viagens mar\u00edtimas dos portugueses e em especial o \u201cmito\u201d do Prestes Jo\u00e3o da Eti\u00f3pia sobre o qual prepara uma tese.         De regresso a Paris \u00e0 tarde, fiquei com a Comunidade dos Irm\u00e3os de S. Jo\u00e3o de Deus na rua Oudinot (Cl\u00ednica Cir\u00fargica) at\u00e9 \u00e0 ida para o aeroporto no dia seguinte. Troquei impress\u00f5es como o Irm\u00e3o Doutor Marc Masson, Psiquiatra sobre a sua tese que j\u00e1 folheei desde que ela foi defendida. Investiga as condi\u00e7\u00f5es dos doentes mentais assistidos no Antigo Regime, antes da revolu\u00e7\u00e3o contrariando algumas posi\u00e7\u00f5es de Michel Foucauld. Actualmente este Irm\u00e3o est\u00e1 a estudar teologia no Institut Catholic (Universidade), cuida do arquivo da Prov\u00edncia e ainda dedica tr\u00eas meios-dias por semana para a pr\u00e1tica cl\u00ednica psiqui\u00e1trica na Casa de rua Lecourbe igualmente em Paris. A manh\u00e3 ainda deu para um passeio a p\u00e9 pelo Quartier Latin. Visitei a Igreja de S. Vicente de Paulo, a Capela da Medalha Milagrosa que me dizem \u00e9 o lugar mais visitado de Paris, livrarias, a Escola e o Instituto Cat\u00f3lico onde fiz os cursos de f\u00e9rias, a \u00e1rea da Sorbona onde estive inscrito nos anos 70 para uma tese que interrompi, a Igreja de Santa Genoveva, a livraria Lusophone, a Igreja Saint Germain des Pr\u00e8s. Enfim vivi um passeio agrad\u00e1vel a p\u00e9 e revivi recorda\u00e7\u00f5es muito significativas das muitas vezes que estive em ou passei por Paris. E imaginei este bairro quando eram pouco mais que campos de cultura nos tempos antigos. Almocei com a Comunidade, o novo Provincial, e dois dos colaboradores da C\u00faria, o das finan\u00e7as e da pastoral de sa\u00fade, trocando impress\u00f5es sobre projectos da Prov\u00edncia Francesa e o programa capitular, de poucas p\u00e1ginas, para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos j\u00e1 dispon\u00edvel na sala. \u00c0s 18.00 estava no aeroporto de Orly por RER e comboizinho sem condutor para regresso ao Funchal.          Segue-se uma breve avalia\u00e7\u00e3o das peregrina\u00e7\u00f5es redigida a pedido do P. Andr\u00e9.                          Pequena avalia\u00e7\u00e3o  Festas de Nossa Senhora de F\u00e1tima dos emigrantes portugueses em Saint Brieuc (15 e 16)  e Rennes (La Peini\u00e8re), 22 e 23 Maio 2004          As mais de duzentas pessoas que rezaram o ter\u00e7o, comentado e cantado na Igreja Saint-Gu\u00e9nol\u00e9 e as cerca de quatrocentas que participaram na prociss\u00e3o das velas pelo parque de Ginglin constitu\u00edram um ponto alto de ora\u00e7\u00e3o e f\u00e9. Esta vig\u00edlia de grande viv\u00eancia religiosa foi continuada no dia seguinte com a Eucaristia e a prociss\u00e3o em honra de Nossa Senhora de F\u00e1tima. O adeus final ficou a vibrar nos cora\u00e7\u00f5es dos participantes pelos tempos adiante at\u00e9 nova festa.         O conv\u00edvio de arraial que se seguiu pela noite adiante e na tarde do domingo com folclore e concerto, sardinhas e caldo verde, revigorou e deu apoio da cultura m\u00e3e para retemperar e sanar algumas agruras do viver em continua adapta\u00e7\u00e3o a outra cultura e l\u00edngua. Constitui ainda para os filhos novos e alguns j\u00e1 de nova cultura, exerc\u00edcio intercultural e experi\u00eancia de caracter\u00edsticas e riquezas dos pais, tios e av\u00f3s, desconhecidas desses jovens.         Este lado cultural, religioso e convivial dos emigrantes constituiu tamb\u00e9m uma partilha com as dezenas de franceses que foram atra\u00eddos e participaram na festa. Podemos dizer que esta interculturalidade  de religiosidade popular de pa\u00edses irm\u00e3os na Uni\u00e3o Europeia pode bem ser considerada como constru\u00e7\u00e3o de uma nova identidade emergente fraterna, t\u00e3o necess\u00e1ria na Uni\u00e3o Europeia. E mesmo de nova evangeliza\u00e7\u00e3o pelas novidades em que obriga a reflectir. A visibilidade desta riqueza concorre tamb\u00e9m para os emigrantes se verem e sentirem mais auto-estima na sua identidade cultural de n\u00e3o apenas acabrunhados oper\u00e1rios em tarefas repetitivas que outros j\u00e1 n\u00e3o aceitam. Nessa express\u00e3o religiosa e cultural convidam os outros a v\u00ea-los e conhec\u00ea-los mais plenamente, e, porque n\u00e3o, admir\u00e1-los no seu poder criativo e organizador e n\u00e3o apenas como trabalhadores de fato sujo e tarefas mec\u00e2nicas.          Essa nota de organizar, buscar fundos, conseguir colaboradores, ensaiar c\u00e2nticos, ornamentar, preparar comes e bebes, numa  palavra participar com responsabilidade deve tamb\u00e9m ser valorizada nestas festas como forma\u00e7\u00e3o permanente. S\u00e3o festas de forma\u00e7\u00e3o permanente que capacitam para a responsabilidade na Igreja e na cidadania. S\u00e3o aspectos muito v\u00e1lidos se queremos vir a ter comunidades crist\u00e3s com iniciativa e capazes de se organizarem.         Tudo isto que acabo de descrever se aplica \u00e0 festa de La Peini\u00e8re, com a vantagem de agrupar mais pessoas e de virem de mais lugares e mais distantes e por isso de exigir mais esfor\u00e7o de organiza\u00e7\u00e3o. Na vig\u00edlia as celebra\u00e7\u00f5es ter\u00e3o atingido cerca de quinhentas pessoas a rezar o ter\u00e7o e mais ainda na prociss\u00e3o. Aqui o canto foi dado por altifalantes ao longo do grande parque e a prociss\u00e3o foi seguida de fogo durante um quarto de hora. Na missa do domingo estariam cerca de 600 pessoas e no arraial teriam chegado a cerca de duas mil contando-se entre os presentes muitos franceses dos arredores (Saint Didier).         A presen\u00e7a de pessoas (sacerdotes) de refer\u00eancia da cultura de origem dos emigrantes e da cultura de acolhimento, constitui factor igualmente importante como liga\u00e7\u00e3o \u00e0 l\u00edngua e aos conte\u00fados formativos de inf\u00e2ncia e juventude e \u00e0 integra\u00e7\u00e3o bi-cultural. Dado que as crian\u00e7as e jovens franceses tamb\u00e9m est\u00e3o l\u00e1 \u00e9 muito positivo que as celebra\u00e7\u00f5es sejam bilingues e bi-culturais. O facto de se tratar de Nossa Senhora de F\u00e1tima com a visibilidade da sua imagem, estandartes e a integra\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as-pastorinhos d\u00e1 afirma\u00e7\u00e3o forte do s\u00edmbolo religioso mais marcante para os portugueses e a que os franceses n\u00e3o s\u00e3o alheios.         Achei muito positivo o facto de o P. Andr\u00e9 ter exposto durante as celebra\u00e7\u00f5es um quadro muito original de S. Jo\u00e3o de Deus. Este Santo Portugu\u00eas da Hospitalidade Universal constitui tamb\u00e9m um s\u00edmbolo forte da cultura religiosa portuguesa e mundial que importa propor como modelo.         Importa relevar tamb\u00e9m a dimens\u00e3o religiosa espiritual que levou alguns peregrinos a cumprir promessas, a acender velas, a permanecer em ora\u00e7\u00e3o diante da imagem de Nossa Senhora de F\u00e1tima mesmo durante a tarde de arraial. O tempo de sol aberto durante estes oito dias foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o acrescida do c\u00e9u para as duas peregrina\u00e7\u00f5es.         Tanto numa festa como noutra houve algumas ramifica\u00e7\u00f5es com visitas a doentes e pessoas s\u00f3s, pequenos encontros e algumas entrevistas individuais de emigrantes das \u00e1reas circunvizinhas que por vezes vivem crises de sa\u00fade e fracturas familiares e culturais.         Dado que algumas fam\u00edlias de emigrantes da primeira gera\u00e7\u00e3o preparam o regresso e outras v\u00e3o dando sinais de desgaste, sofrimento e fracturas humanas, estas festas ajudam a  mitigar essas situa\u00e7\u00f5es e at\u00e9 a sanar algumas feridas.         Concluo com algumas sugest\u00f5es: 1.\tFestas como estas s\u00e3o de manter e at\u00e9 melhorar e multiplicar. 2.\tConviria complement\u00e1-las com actividades continuadas: &#8211;\tMissas bilingues mensais em igrejas paroquiais fixas em que se encoraje alguma mistura entre portugueses, franceses e mesmo cat\u00f3licos doutras culturas. 3.\tUma Folha (A4) de liga\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios grupos com not\u00edcias, pequena nota doutrinal (e porque, n\u00e3o, com pequenos an\u00fancios de firmas de portugueses e outras que a suportassem) podia servir de elo entre comunidades de cada regi\u00e3o.         E deixo um ponto de reflex\u00e3o:         A Europa est\u00e1 a mudar e \u00e9 importante que todos tenham um lugar dignificante na sua constru\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as v\u00e3o dar lugar, a longo prazo, a mistura e integra\u00e7\u00e3o de elementos de muitas culturas, na futura cultura da Uni\u00e3o Europeia que vai permitir aos cidad\u00e3os afirmar que s\u00e3o \u201cnovos\u201d europeus e gostam de ser algo de novo como cat\u00f3licos e crist\u00e3os.         Ser\u00e1 que a Pastoral da Igreja se vai esquecer de facilitar e promover esta constru\u00e7\u00e3o de nova identidade atrav\u00e9s da integra\u00e7\u00e3o rec\u00edproca de culturas de conte\u00fados crist\u00e3os e cat\u00f3licos s\u00f3 por serem doutro pa\u00eds e doutra l\u00edngua? No avi\u00e3o Paris-Madeira, 25 de Maio de 2004 P. Aires Gameiro, O.H.   Concluindo: Mosaico de Situa\u00e7\u00f5es          N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel descrever todas as situa\u00e7\u00f5es em que os emigrantes portugueses em Fran\u00e7a v\u00e3o vivendo, cinquenta anos ap\u00f3s a primeira leva do p\u00f3s-guerra. Longe vai o 1957 em que vi ainda alguns emigrantes, entre os quais um dos meus irm\u00e3os a viver num Foyer du B\u00e2timent e vi destruir as \u00faltimas \u201cbidonvilles\u201d. Muitos j\u00e1 regressaram e muitos preparam o regresso. Grande parte sem problemas de casa em Portugal onde constru\u00edram  grandes vivendas e \u00e0s vezes uma segunda \u00e0 beira-mar ou na cidade. Os problemas maiores vem dos la\u00e7os e vantagens de residir l\u00e1. Um casal j\u00e1 vendeu a casa mas acautelou-se com um pequeno apartamento para estar c\u00e1 e estar l\u00e1. Outro vai vender a casa grande l\u00e1 mas ainda n\u00e3o decidiu vir porque um filho ainda est\u00e1 em casa. Vai passar para casa mais pequena.          Para os lados da Bretanha os problemas s\u00e3o parecidos embora a emigra\u00e7\u00e3o seja mais recente. O Jo\u00e3o fez estudos e casou com francesa, tem tr\u00eas filhos, tem casa nova fora de Rennes e j\u00e1 n\u00e3o pensa deixar a Fran\u00e7a. S\u00f3 vir c\u00e1 de f\u00e9rias. Em lar modelar da cidade das livrarias alfarrabistas B\u00e9cherel a senhora de Famalic\u00e3o vai passando a velhice e falando do que conhece \u00e0 volta da sua terra de origem com quem a visita.         Mais adiante perto de Tr\u00e9fumel o senhor Ferreira ap\u00f3s bastantes anos de taxista em Paris ao visitar esta terra da sua mulher afei\u00e7oou-se, arrendou caf\u00e9 e casa, construiu vivenda para a fam\u00edlia, tornou-se vogal da Junta da terra e n\u00e3o tem ideia de regressar. At\u00e9 j\u00e1 descobriu uma esta\u00e7\u00e3o arqueol\u00f3gica romana que promete ser das mais importantes da Bretanha. Parece bem adaptado \u00e0 cultura.         Nas festas de Nossa Senhora de F\u00e1tima em St. Brieuc e La Peini\u00e8re (Rennes) na Comiss\u00e3o houve pequenos construtores emigrantes que emprestaram os seus meios e carrinhas para organizarem a festa. O Ant\u00f3nio j\u00e1 teve empregados mas agora o empregado da firma \u00e9 ele porque diz que os sal\u00e1rios e impostos levam tudo, \u201cn\u00e3o \u00e9 como em Portugal\u201d(?).         N\u00e3o faltam entre os emigrantes cora\u00e7\u00f5es feridos por casamentos mal sucedidos, talvez mais quando s\u00e3o inter-culturais e n\u00e3o foram bem preparados. \u00c0 primeira vista as diferen\u00e7as culturais entre franceses e emigrantes portugueses h\u00e1 longos anos a viver em Fran\u00e7a parecem pequenas mas n\u00e3o \u00e9 tanto assim. Quando os casados constr\u00f3em a sua vida mais afastados das fam\u00edlias de origem, o risco \u00e9 menor. Quando o portugu\u00eas casa com francesa e vivem longe das fam\u00edlias \u00e9 mais f\u00e1cil. N\u00e3o se esque\u00e7a que a primeira gera\u00e7\u00e3o \u00e9 emigrante para ganhar dinheiro em pouco tempo poupando muito. E se n\u00e3o consegue sente-se fracassado. Com os filhos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 assim. N\u00e3o concordam com a gan\u00e2ncia dos pais. As perturba\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as do \u00e1lcool sempre muito presentes tamb\u00e9m acabam por complicar a vida de alguns casais. O brio e a  vaidade de um emigrante  como conseguiu construir casa na Fran\u00e7a, e em Portugal, troca de carro com frequ\u00eancia e gosta de ostentar sucesso em f\u00e9rias n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com os que se metem no \u00e1lcool.   Passaram-se rapidadamente dez dias de pastoral com emigrantes, visitas a amigos contactos de partilha hospitaleira com tr\u00eas comunidades de Irm\u00e3os de S.. Jo\u00e3o de Deus, forma\u00e7\u00e3o  permanente, visitas tur\u00edsticas,  partilha fraterna com amigos e familiares. Enfim um recargamento espiritual muito enriquecedor.   Tudo raz\u00f5s para dar gra\u00e7as ao Senhor, a Nossa Senhora de F\u00e1tima, a S. Jo\u00e3o de Deus, S. Bento  Menni e `Beata Joana Jugan.  Funchal, 31.05.04 Aires Gameiro  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relato do Pe. 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