{"id":63509,"date":"2013-11-29T11:09:32","date_gmt":"2013-11-29T11:09:32","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/11\/29\/cinema-redemption-e-terra-de-ninguem-duas-obras-nacionais-em-estreia\/"},"modified":"2013-11-29T11:09:32","modified_gmt":"2013-11-29T11:09:32","slug":"cinema-redemption-e-terra-de-ninguem-duas-obras-nacionais-em-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-redemption-e-terra-de-ninguem-duas-obras-nacionais-em-estreia\/","title":{"rendered":"Cinema: Redemption e terra de ningu\u00e9m \u2013 duas obras nacionais em estreia"},"content":{"rendered":"<p>&lsquo;Redemption&rsquo;, a curta metragem de Miguel Gomes, um dos mais aclamados realizadores portugueses da atualidade, estreia esta semana em complemento de &lsquo;Terra de Ningu&eacute;m&rsquo;, longa metragem de Salom&eacute; Lamas. Duas obras nacionais que comportam profundas reflex&otilde;es sobre a nossa identidade, nacional e europeia, com Miguel Gomes a pegar em pessoas reais e a transform&aacute;-las em personagens ficcionadas, com grandes interroga&ccedil;&otilde;es para o nosso tempo.<\/p>\n<p>Em &lsquo;Redemption&rsquo;, real e imagin&aacute;rio tocam-se a partir de material de arquivo que catapulta quatro hist&oacute;rias poss&iacute;veis em diferentes tempos:<\/p>\n<p>A 21 de janeiro de 1975, de uma aldeia rec&ocirc;ndita no norte da metr&oacute;pole para Angola, uma crian&ccedil;a escreve uma carta aos pais retratando um Portugal separado dos horrores&nbsp; da guerra por uma inf&acirc;ncia ainda poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>A 3 de setembro de 1977, em Leipzig, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica Alem&atilde;, uma noiva debela-se simultaneamente com o sentimento de felicidade que n&atilde;o lhe &eacute; &oacute;bvio naquele que deveria ser o dia mais feliz da sua vida e com a evoca&ccedil;&atilde;o de Parsifal, obra de Wagner que o pr&oacute;prio classificou de &lsquo;festa de consagra&ccedil;&atilde;o do palco&rsquo; e em tudo aprofunda o tema da reden&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A 13 de julho de 2011, Mil&atilde;o, um idoso mergulha na sua mem&oacute;ria, como a do primeiro amor, e emerge na contradi&ccedil;&atilde;o de ter tornado a sua vida p&uacute;blica sem que no entanto se lhe conhe&ccedil;a a intimidade.<\/p>\n<p>Finalmente, em Paris, a 6 de maio de 2012, um pai interroga-se sobre o futuro da sua filha e sobre a vulnerabilidade do seu papel paternal.<\/p>\n<p>Quatro grandes interroga&ccedil;&otilde;es que ficam da h&aacute;bil e extraordinariamente sens&iacute;vel combina&ccedil;&atilde;o de imagens reais com a narra&ccedil;&atilde;o em voz-off, onde nos vemos e revemos como portugueses e europeus em hist&oacute;ria recente, com datas e lugares precisos capazes ainda de nos surpreender com um mist&eacute;rio: a quem reportam, concretamente aquelas personagens e de que reden&ccedil;&atilde;o fala Miguel Gomes?&#8230;<\/p>\n<p>Na longa metragem de Salom&eacute; Lamas, &lsquo;Terra de Ningu&eacute;m&rsquo;, &eacute; Paulo quem conta a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria: um homem sentado numa cadeira encarando a camara e habitando um espa&ccedil;o vazio que aos poucos se vai preenchendo com o reconto de si pr&oacute;prio. Importa menos a verdade dos factos que a forma como se l&ecirc; a si mesmo, como busca e perde e torna a buscar a sua exist&ecirc;ncia real e ficcionada. Uma hist&oacute;ria de vida e de morte, uma perpassando a outra, narrada e constru&iacute;da ao longo de quase oitenta minutos, em camadas que sobrep&otilde;em (e de onde &agrave;s vezes caem) afirma&ccedil;&otilde;es, interroga&ccedil;&otilde;es, d&uacute;vidas, contradi&ccedil;&otilde;es. A vida de um mercen&aacute;rio portugu&ecirc;s olhada por dentro, numa hist&oacute;ria humana e desumana cujo registo, documental, nem moraliza, nem condena, nem legitima e que certamente n&atilde;o interessar&aacute; a todo o espetador. No entanto, encerra em si a grande riqueza de perscrutar a ideia de um homicida sobre si mesmo, a consci&ecirc;ncia de si, e, ao faz&ecirc;-lo, inevitavelmente verificar a possibilidade do pr&oacute;prio determinar ou escusar-se a uma &eacute;tica dos seus atos.<\/p>\n<p>Ser&aacute; por aqui que, com tudo de diferente uma da outra, duas obras de dois realizadores nacionais que escrevem o nosso tempo se encontram: na possibilidade de reden&ccedil;&atilde;o humana, na consci&ecirc;ncia de si e da sua hist&oacute;ria.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&lsquo;Redemption&rsquo;, a curta metragem de Miguel Gomes, um dos mais aclamados realizadores portugueses da atualidade, estreia esta semana em complemento de &lsquo;Terra de Ningu&eacute;m&rsquo;, longa metragem de Salom&eacute; Lamas. 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