{"id":63260,"date":"2013-11-13T12:33:38","date_gmt":"2013-11-13T12:33:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/11\/13\/pessoas-antes-dos-numeros-sempre\/"},"modified":"2013-11-13T12:33:38","modified_gmt":"2013-11-13T12:33:38","slug":"pessoas-antes-dos-numeros-sempre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pessoas-antes-dos-numeros-sempre\/","title":{"rendered":"Pessoas antes dos n\u00fameros, sempre"},"content":{"rendered":"<p>Comunicado da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz <!--more--> <\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">1.Em Abril passado, passaram cinquenta anos sobre a data de publica&ccedil;&atilde;o da c&eacute;lebre enc&iacute;clica do Papa Jo&atilde;o XXIII sobre a PAZ (<em>Pacem in Terris<\/em>). Para comemorar t&atilde;o significativa data, a Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz (CNJP) organiza, em parceria com a Faculdade de Teologia da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, uma confer&ecirc;ncia sobre alguns fatores de paz[1].<\/p>\n<p>Comemorar n&atilde;o &eacute; apenas recordar. &Eacute;, tamb&eacute;m, e sobretudo, atualizar o empenhamento dos crist&atilde;os e dos homens e mulheres de boa vontade, no sentido de marcar a vida do pa&iacute;s, da Europa e do mundo com as s&aacute;bias orienta&ccedil;&otilde;es daquele documento memor&aacute;vel, na linha da constru&ccedil;&atilde;o da paz na justi&ccedil;a, e da intransigente defesa da dignidade humana, na sua dimens&atilde;o individual e na sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros. &Eacute;, ainda, perceber a atualidade e o sentido daquela interven&ccedil;&atilde;o; celebrar &eacute; colher o mesmo dinamismo de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade &#8211; lendo os sinais dos tempos, escutando os anseios e as esperan&ccedil;as dos nossos contempor&acirc;neos (&agrave; maneira do que, pouco depois, o Conc&iacute;lio Vaticano II havia de escrever na Constitui&ccedil;&atilde;o Pastoral <em>Gaudium et spes<\/em> (cf. n.1) &#8211; e procurando, com serenidade, propor uma palavra de esperan&ccedil;a que possa contribuir para a transforma&ccedil;&atilde;o da realidade que conhecemos, para a tornar lugar da presen&ccedil;a do Reino de paz e de Justi&ccedil;a, de um mundo fraterno.<\/p>\n<p>2. Em Setembro de 2012, a CNJP publicou um comunicado, intitulado &ldquo;<em>Os n&uacute;meros e as Pessoas<\/em>&rdquo;, em que dava conta das preocupa&ccedil;&otilde;es relativas &agrave; economia e &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de vida dos portugueses, e alertava para alguns pontos importantes: a) o falhan&ccedil;o no cumprimento dos objetivos fixados no Memorando de Entendimento, sem que se tirassem consequ&ecirc;ncias no respeitante &agrave; corre&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas adotadas; b) a degrada&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o social, com o consequente enfraquecimento do Estado de Direito; c) a falta de equidade na distribui&ccedil;&atilde;o dos sacrif&iacute;cios impostos; d) a excessiva passividade das autoridades face &agrave;s exig&ecirc;ncias dos credores e da Europa.<\/p>\n<p>Infelizmente, as considera&ccedil;&otilde;es ent&atilde;o feitas continuam v&aacute;lidas e devem mesmo ser refor&ccedil;adas. Com efeito, o progresso conseguido nalgumas vari&aacute;veis continua a ser claramente insuficiente, face aos objetivos, os quais v&atilde;o sendo progressivamente adiados. Neste entendimento, a CNJP expressa, uma vez mais, a sua profunda preocupa&ccedil;&atilde;o com a situa&ccedil;&atilde;o de muitos dos nosso concidad&atilde;os, arrastados para condi&ccedil;&otilde;es de vida impr&oacute;prias, mesmo em tempo de crise e emerg&ecirc;ncia. Reconhecemos que o pa&iacute;s est&aacute; sujeito ao cumprimento de metas financeiras e or&ccedil;amentais fixadas no Memorando de Entendimento. S&atilde;o <em>condicionantes<\/em> relevantes da pol&iacute;tica nacional, mas n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel que se transformem em <em>objetivos finais da governa&ccedil;&atilde;o<\/em>. Os governos existem, n&atilde;o para cumprir metas or&ccedil;amentais, mas para promover o bem-estar das pessoas e das fam&iacute;lias, de forma sustent&aacute;vel. Com os recursos existentes no pa&iacute;s, na Uni&atilde;o Europeia e nas institui&ccedil;&otilde;es internacionais envolvidas, n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel que sobre o povo portugu&ecirc;s se fa&ccedil;a desabar um tipo de austeridade objetivamente desumano, em resultado de objetivos financeiros transformados em finalidade &uacute;ltima e &uacute;nica das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>3. &Eacute; conhecida a alt&iacute;ssima taxa de desemprego entre n&oacute;s, com a agravante de metade dos desempregados n&atilde;o terem direito ao subs&iacute;dio de desemprego e mais de metade estarem em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego de longa dura&ccedil;&atilde;o (mais de um ano). A taxa de desemprego entre os jovens &eacute; de 36%, sabendo-se que cerca de 450 000 jovens n&atilde;o est&atilde;o empregados nem em educa&ccedil;&atilde;o ou forma&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o indicadores preocupantes, com a agravante de que as limita&ccedil;&otilde;es com que s&atilde;o definidos e interpretados n&atilde;o permitem refletem toda a realidade.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m s&atilde;o conhecidos os pronunciados cortes nos sal&aacute;rios e pens&otilde;es. O efeito comum deste conjunto de fatores &eacute; uma queda acentuada do poder de compra e, consequentemente, da procura interna, cujo crescimento a indispens&aacute;vel promo&ccedil;&atilde;o dos bens transacion&aacute;veis n&atilde;o dispensa. S&atilde;o vis&iacute;veis os efeitos recessivos daquelas realidades, com a gera&ccedil;&atilde;o de um aut&ecirc;ntico ciclo vicioso, mau grado o an&uacute;ncio de um &laquo;novo ciclo&raquo; virado para o crescimento econ&oacute;mico.<\/p>\n<p>4. A situa&ccedil;&atilde;o seria grave em qualquer caso, dada a natureza e a extens&atilde;o dos sacrif&iacute;cios, mas torna-se ainda mais injustific&aacute;vel quando se verifica que os principais objetivos do Memorando de Entendimento n&atilde;o t&ecirc;m sido atingidos: o d&eacute;fice p&uacute;blico deveria ser de 3% do PIB em 2013, prevendo que se situe entre 4 e 4.5%; e a trajet&oacute;ria descendente do r&aacute;cio da d&iacute;vida p&uacute;blica\/PIB a partir do corrente ano est&aacute; por verificar-se. Assim, os sacrif&iacute;cios impostos ao povo portugu&ecirc;s nem sequer conseguiram assegurar os objetivos que visavam. E chegados ao fim do per&iacute;odo de vig&ecirc;ncia do acordo, n&atilde;o &eacute; expect&aacute;vel que o pa&iacute;s esteja em condi&ccedil;&otilde;es de recorrer, por si s&oacute;, aos mercados. Tem de reconhecer-se que a despropor&ccedil;&atilde;o &eacute; inaceit&aacute;vel.<\/p>\n<p>5. Alguns governantes t&ecirc;m sublinhado a preocupa&ccedil;&atilde;o com a equidade na distribui&ccedil;&atilde;o dos sacrif&iacute;cios. Os elementos dispon&iacute;veis revelam que se trata de uma preocupa&ccedil;&atilde;o inconsequente. Na verdade, embora os dados dispon&iacute;veis sejam escassos, sabe-se que os multimilion&aacute;rios portugueses s&atilde;o mais e est&atilde;o mais ricos. De 785 em 2012, passaram para 870 em 2013, tendo a respetiva fortuna crescido, em m&eacute;dia, 11.1% no mesmo per&iacute;odo. S&atilde;o valores que contrastam com a situa&ccedil;&atilde;o geral da sociedade portuguesa e que revelam uma forma profunda de injusti&ccedil;a social, precisamente no momento em que s&atilde;o maiores as exig&ecirc;ncias da justi&ccedil;a e da equidade.[2]<\/p>\n<p>7. N&atilde;o h&aacute; sociedade que resista &agrave; supress&atilde;o dos pilares em que assenta a coes&atilde;o social: confian&ccedil;a na rela&ccedil;&atilde;o entre os cidad&atilde;os e o Estado, designadamente num Estado de direito; respeito pelos direitos decorrentes da dignidade humana; limites &agrave; incerteza quanto ao futuro. &Eacute; geralmente reconhecido que estas realidades devem ter em conta as condi&ccedil;&otilde;es de contexto em que se aplicam. N&atilde;o &eacute; isto o que se tem verificado entre n&oacute;s, mas a pura e simples elimina&ccedil;&atilde;o das regras b&aacute;sicas de conviv&ecirc;ncia e confian&ccedil;a entre as pessoas e as institui&ccedil;&otilde;es, como se o pa&iacute;s fosse uma folha em branco, onde caberia ao poder pol&iacute;tico come&ccedil;ar a escrever a hist&oacute;ria nacional.<\/p>\n<p>8. Numa confer&ecirc;ncia pronunciada nos EUA, afirmou o cardeal Maradiaga (Honduras), coordenador do grupo de cardeais para aconselhar o Papa no governo da Igreja:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Os efeitos e consequ&ecirc;ncias das ditaduras neoliberais que governam as democracias n&atilde;o s&atilde;o dif&iacute;ceis de descobrir: eles invadem-nos com a ind&uacute;stria do entretenimento, fazem-nos esquecer dos direitos humanos, convencem-nos de que nada se pode fazer, de que n&atilde;o existe alternativa poss&iacute;vel. Para mudar o sistema, seria necess&aacute;rio destruir o poder dos novos senhores feudais.&rdquo; <\/em><\/p>\n<p>E, mais adiante, acrescenta:<\/p>\n<p><em>&ldquo;Se Jesus chamou &ldquo;aben&ccedil;oados&rdquo; aos pobres &eacute; porque est&aacute; a assegurar-lhes de que a sua situa&ccedil;&atilde;o vai mudar, e, consequentemente, &eacute; necess&aacute;rio criar um movimento que possa suscitar isso, restituindo-lhes a dignidade e a esperan&ccedil;a.&rdquo;<\/em>[3]<\/p>\n<p>Em v&eacute;speras do Advento, propomos aos nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s na f&eacute; que estas linhas do pensamento do Cardeal Maradiaga fa&ccedil;am parte da reflex&atilde;o com que ir&atilde;o preparar a celebra&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;ximo Natal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lisboa, 14 de Novembro de 2013.<\/p>\n<p><em>A Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<p>[1] Dia 23 de Novembro, a iniciar &agrave;s 10.00 h, no audit&oacute;rio principal da Universidade Cat&oacute;lica. Para mais informa&ccedil;&otilde;es, consultar o site da CNJP: http:\/\/www.ecclesia.pt\/cnjp\/.<\/p>\n<p>[2] WEALTH-X (2013), <em>World Ultra Wealth Report 2013<\/em>.<\/p>\n<p>[3] The Tablet: http:\/\/www.thetablet.co.uk\/blogs\/684\/18.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunicado da Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[100,134,189,191,203,267,272],"class_list":["post-63260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-advento","tag-cnjp","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-europa","tag-natal","tag-pacem-in-terris"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63260\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}