{"id":63227,"date":"2013-11-11T16:31:00","date_gmt":"2013-11-11T16:31:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/11\/11\/discurso-de-abertura-da-183a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa\/"},"modified":"2013-11-11T16:31:00","modified_gmt":"2013-11-11T16:31:00","slug":"discurso-de-abertura-da-183a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-abertura-da-183a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa\/","title":{"rendered":"Discurso de abertura da 183\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os no Episcopado e demais participantes nesta Assembleia Plen&aacute;ria<\/p>\n<p>1. Saudando cordialmente a todos v&oacute;s, iniciarei os nossos trabalhos com o apontamento tem&aacute;tico do que principalmente nos ocupar&aacute; estes dias. Sem esquecer o falecimento de D. Jo&atilde;o Alves, Bispo Em&eacute;rito de Coimbra, que foi Presidente da nossa Confer&ecirc;ncia Episcopal e serviu por muitos anos a Igreja em Portugal, com grande dedica&ccedil;&atilde;o e acerto. E que perdemos entretanto a grata conviv&ecirc;ncia de D. Ant&oacute;nio Marcelino, Bispo Em&eacute;rito de Aveiro, que sempre nos trouxe o apoio e o est&iacute;mulo da sua grande alma pastoral. A ambos lembraremos em ora&ccedil;&atilde;o confiante.<\/p>\n<p>No passado m&ecirc;s, o Papa Francisco nomeou D. Manuel Linda para suceder a D. Janu&aacute;rio Torgal Ferreira como Bispo das For&ccedil;as Armadas e de Seguran&ccedil;a. Assim como desejamos ao primeiro as maiores felicidades na sua nova miss&atilde;o pastoral, tamb&eacute;m sublinhamos e agradecemos a muita dedica&ccedil;&atilde;o e entrega com que o Senhor D. Janu&aacute;rio desempenhou, por tantos anos, o relevante cargo que lhe foi cometido.<\/p>\n<p>2. A Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa &eacute;, por excel&ecirc;ncia, ocasi&atilde;o de encontro e partilha dos Bispos que servem a Igreja em Portugal, na correlacionada autonomia das suas Dioceses, em permanente comunh&atilde;o com o Sucessor de Pedro. Encontro e partilha que redundam depois em a&ccedil;&otilde;es conjugadas, m&uacute;tuo apoio e servi&ccedil;os de suporte, como s&atilde;o o Conselho Permanente, o Secretariado Geral e as Comiss&otilde;es Episcopais. Por isso mesmo, cada Assembleia Plen&aacute;ria reserva tempos preciosos para a ora&ccedil;&atilde;o comum e o conv&iacute;vio fraterno. Por isso tamb&eacute;m, relevam na agenda as informa&ccedil;&otilde;es dos Presidentes das Comiss&otilde;es sobre o sector pastoral que acompanham. Mesmo sem ter grande eco externo, este ponto da agenda, substancial e recorrente, &eacute; certamente dos mais conformes com a finalidade espec&iacute;fica da Confer&ecirc;ncia Episcopal e devemos prestar-lhe uma redobrada aten&ccedil;&atilde;o, tendo em vista o servi&ccedil;o direto &agrave;s nossas Igrejas particulares e apoiando-as o mais competentemente poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>3. N&atilde;o esqueceremos tamb&eacute;m que, no passado m&ecirc;s de abril, aprov&aacute;mos uma Nota, intitulada <em>Promover a renova&ccedil;&atilde;o da pastoral da Igreja em Portugal<\/em>, que dar&aacute; certamente o tom a quanto fizermos, Diocese a Diocese. Fruto duma reflex&atilde;o alargada e at&eacute; in&eacute;dita nas nossas Igrejas e Institutos, indicou-nos sete &ldquo;rumos&rdquo; que vamos seguindo e havemos de incrementar, n&atilde;o sendo demais record&aacute;-los: a) Primado da gra&ccedil;a e nova mentalidade [intensificando consequentemente a ora&ccedil;&atilde;o, a vida sacramental e a escuta e partilha da Palavra de Deus]; b) Comunh&atilde;o para a miss&atilde;o; c) Miss&atilde;o de todos para todos; d) Testemunhar a f&eacute; revitalizada; e) Fomentar iniciativas de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e de forma&ccedil;&atilde;o; f) Comprometidos com as iniciativas pastorais em curso; g) A ter sempre diante dos olhos e no cora&ccedil;&atilde;o [a centralidade de Jesus Cristo e do seu Evangelho, iniciando e formando com renovado empenho todos e cada um dos membros do Povo de Deus, nas respetivas concretiza&ccedil;&otilde;es vocacionais e existenciais].<\/p>\n<p>Este articulado pode condensar-se nos temas maiores do reencontro de Cristo e do mundo, para o servi&ccedil;o deste a partir d&rsquo;Aquele. Foi essa tamb&eacute;m a inten&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II, em cujo cinquenten&aacute;rio estamos, como nas palavras reiteradas de Jo&atilde;o XXIII e Paulo VI. E assim prosseguiremos agora, com o Papa Francisco, que t&atilde;o quotidianamente nos estimula a todos, ilustrando superlativamente o que escrevemos na referida Nota Pastoral, visando &laquo;formar comunidades que sejam aut&ecirc;nticas escolas de viv&ecirc;ncia da f&eacute; e da comunh&atilde;o, gerando entre todos os seus membros la&ccedil;os de fidelidade, de proximidade e de confian&ccedil;a, que se traduzam no servi&ccedil;o humilde da caridade fraterna&raquo;.<\/p>\n<p>4. Dedicaremos ainda uma particular aten&ccedil;&atilde;o a dois pontos da agenda que o momento social que vivemos com os nossos diocesanos e concidad&atilde;os particularmente requer: a vis&atilde;o crist&atilde; da sexualidade, a prop&oacute;sito da ideologia do g&eacute;nero; e os desafios &eacute;ticos do trabalho humano.<\/p>\n<p>O cristianismo que professamos retira da revela&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e da experi&ecirc;ncia geral da humanidade um conjunto de no&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas que sempre o definem como viv&ecirc;ncia e proposta. V&ecirc; na complementaridade homem &ndash; mulher a base imprescind&iacute;vel do que a humanidade h&aacute; de ser, como alteridade em comunh&atilde;o. Tempos recentes permitiram viv&ecirc;ncias mais individualistas e desvinculadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;queles padr&otilde;es b&aacute;sicos da humanidade herdada, passando da &ldquo;natureza&rdquo; fixa para a &ldquo;cultura&rdquo; mais a gosto a determina&ccedil;&atilde;o exclusiva do que cada qual queira ser&#8230;<\/p>\n<p>Servidores por miss&atilde;o das convic&ccedil;&otilde;es que mantemos &ndash; e neste ponto compartilhamos com tantos outros, crentes e n&atilde;o crentes &ndash; n&atilde;o podemos deixar de contribuir para o debate cultural em curso com a exposi&ccedil;&atilde;o clara e sucinta das raz&otilde;es que nos movem. E nisto mesmo concretizamos o que Bento XVI disse no Porto, a 14 de maio de 2010: &laquo;Nada impomos, mas sempre propomos&raquo;. Tratando-se da verdade, enquanto adequa&ccedil;&atilde;o racional &agrave; realidade, cremos que ela far&aacute; o seu curso nas consci&ecirc;ncias e nas atitudes dos nossos concidad&atilde;os, quer nos costumes quer na pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o, mais ou menos cedo, mas certamente.<\/p>\n<p>Outro ponto que n&atilde;o poder&iacute;amos esquecer prende-se com a grave problem&aacute;tica que envolve o trabalho e a sua necessidade para o sustento e a realiza&ccedil;&atilde;o da humanidade de todos e de cada um. Vivemos e sofremos tempos dif&iacute;ceis a este respeito. Teremos at&eacute; a consci&ecirc;ncia de que se trata dum aut&ecirc;ntico desafio civilizacional, rumo &agrave;quela sociedade que urge construir, com menos ganhos e disp&ecirc;ndios de alguns em contraste com a imerecida pen&uacute;ria de muitos; com outra organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho face &agrave;s profundas mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, que tantas vezes o reduzem ou dispensam; face ainda &agrave;s exig&ecirc;ncias irrecus&aacute;veis de popula&ccedil;&otilde;es inteiras que, na Europa ou batendo &agrave; sua porta, pretendem basicamente trabalhar e viver, sen&atilde;o mesmo sobreviver&hellip;<\/p>\n<p>Sabemos como tudo isto pesa na reflex&atilde;o e na responsabilidade de governantes e pol&iacute;ticos, organiza&ccedil;&otilde;es profissionais e laborais, investigadores econ&oacute;micos e sociais, bem como de todos n&oacute;s em cidadania comprometida e atenta. Enquanto respons&aacute;veis eclesiais que somos, cabe-nos uma palavra, mesmo que sucinta, para iluminar evangelicamente esta nova &ldquo;quest&atilde;o social&rdquo;, que t&atilde;o arduamente nos desafia a todos.<\/p>\n<p>5. Entre outros, estes ser&atilde;o t&oacute;picos maiores da nossa presente Assembleia Plen&aacute;ria. &ndash; Que Deus nos ilumine e a M&atilde;e de Cristo nos acompanhe, no servi&ccedil;o apost&oacute;lico &agrave; Igreja e ao mundo!<\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa e Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/em><\/p>\n<p>F&aacute;tima, 11 de novembro de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimos irm&atilde;os no Episcopado e demais participantes nesta Assembleia Plen&aacute;ria 1. Saudando cordialmente a todos v&oacute;s, iniciarei os nossos trabalhos com o apontamento tem&aacute;tico do que principalmente nos ocupar&aacute; estes dias. Sem esquecer o falecimento de D. 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