{"id":63198,"date":"2013-11-08T11:08:33","date_gmt":"2013-11-08T11:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/11\/08\/seminarios-coracao-das-dioceses\/"},"modified":"2013-11-08T11:08:33","modified_gmt":"2013-11-08T11:08:33","slug":"seminarios-coracao-das-dioceses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/seminarios-coracao-das-dioceses\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rios, cora\u00e7\u00e3o das dioceses"},"content":{"rendered":"<p>O padre Jos\u00e9 Miguel Barata Pereira, reitor do semin\u00e1rio dos Olivais de Lisboa, explica os objetivos da Semana dos Semin\u00e1rios, que decorre de 10 a 17 de novembro <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &#8211; O que pretende a Igreja ao propor uma semana de reflex&atilde;o especificamente nesta institui&ccedil;&atilde;o semin&aacute;rio?<\/em><\/p>\n<p><em>Padre Jos&eacute; Miguel Barata Pereira (JMBP) &ndash; <\/em>&Eacute; uma chamada de aten&ccedil;&atilde;o para uma realidade que &eacute; de todo o ano e de todos os dias, o semin&aacute;rio como casa de forma&ccedil;&atilde;o que os documentos da Igreja chama de &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o da diocese&rdquo;, onde se formam os sacerdotes para o servi&ccedil;o em cada tempo do povo de Deus mas chamar a aten&ccedil;&atilde;o de uma forma mais cuidada para a necessidade de rezarmos pelos semin&aacute;rios, de cuidarmos do sentido vocacional na vida, nas fam&iacute;lias e nas comunidades.<\/p>\n<p>De partilharmos os bens espirituais e materiais com estas casas de forma&ccedil;&atilde;o que vivem da generosidade do povo de Deus e portanto de cuidarmos de uma forma mais atenta desta realidade importante na vida da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A inten&ccedil;&atilde;o &eacute; mesmo envolver as comunidades crist&atilde;s para que elas tenham presente ainda mais esta realidade semin&aacute;rio?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Sim, atrav&eacute;s das iniciativas seja de oferecer alguns subs&iacute;dios para ajudarmos localmente que se lembre, se cuide, se reze, se pe&ccedil;a pelas voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais, seja &agrave;s vezes abrindo tamb&eacute;m as portas e fazendo atividades de convidar as pessoas a vir aos semin&aacute;rios e durante esta semana a passar algum tempo com o semin&aacute;rio, a conhecer, a tirar &agrave;s vezes algumas ideias menos certas acerca do que &eacute; um semin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; At&eacute; porque &eacute; no seio da comunidade crist&atilde; que naturalmente dever&atilde;o despontar as voca&ccedil;&otilde;es consagradas?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Natural e sobrenaturalmente (risos) porque &eacute; uma realidade do chamamento de Deus que &eacute; sobrenatural mas sim, &eacute; no seio da comunidade crist&atilde;, da fam&iacute;lia crist&atilde; que surgem aqueles que o Senhor chama ao sacerd&oacute;cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Referia que ainda h&aacute; por vezes mentalidades algo distorcidas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; realidade semin&aacute;rio, pesa uma tradi&ccedil;&atilde;o, ideias do passado. O Semin&aacute;rio teve de adaptar-se e fazer esta leitura cont&iacute;nua?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Sim, n&atilde;o no sentido de se adaptar para estar igual ao mundo mas no sentido de responder &agrave;s realidades concretas que o mundo precisa porque os sacerdotes existem para servir a Deus e ao povo de Deus nas realidades concretas que as pessoas vivem e crescem. E portanto com certeza que o semin&aacute;rio recebe todas as influ&ecirc;ncias e indica&ccedil;&otilde;es que veem com os jovens deste tempo e procura responder dando-lhes uma estrutura de f&eacute; e vida eclesial adequada ao minist&eacute;rio mas a responder &agrave; realidade que t&ecirc;m &agrave; frente e n&atilde;o apenas a modelos te&oacute;ricos ou ficcistas do que quer que seja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para que esta Semana dos Semin&aacute;rios seja vivida de forma intensa h&aacute; a publica&ccedil;&atilde;o &#8211; Para que Cristo se forme em n&oacute;s &#8211; com o tema que preside esta semana.<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> O tema surge na sequ&ecirc;ncia da reuni&atilde;o de formadores dos semin&aacute;rios, que todos os anos acontece no fim de agosto, princ&iacute;pio de setembro, e que este ano fio centrado no crescer at&eacute; &agrave; estatura de Cristo e que depois deu esta tradu&ccedil;&atilde;o de forma mais comum e inspirada numa passagem de S&atilde;o Paulo &ndash; &ldquo;para que Cristo se forme em v&oacute;s, sofro as dores de parto e maternidade at&eacute; que Cristo se forme em v&oacute;s&rdquo; &ndash; e que depois deu este tema. E que de facto tem um conjunto de ajudas, seja do n&iacute;vel e ora&ccedil;&atilde;o da catequese ou at&eacute; de propostas, de visitas e de outras atividades para ajudar a refletir e meditar um bocadinho acerca da voca&ccedil;&atilde;o, da voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal, do lugar do sacerd&oacute;cio na vida da Igreja e como isso desabrocha e desponta no seio da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; No gui&atilde;o que &eacute; distribu&iacute;do pelas comunidades crist&atilde;s e tamb&eacute;m pode ser consultado <a href=\"http:\/\/www.ecclesia.pt\/semanaseminarios2013\/\" target=\"_blank\">online<\/a>, fala-se da voca&ccedil;&atilde;o logo nos bancos da catequese&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Sim, Deus chama na hora que quer e pode chamar desde pequenino e pode chamar numa fase mais tardia, agora, se a f&eacute; crist&atilde; &eacute; a vida de Cristo que vai sendo chamada na exist&ecirc;ncia concreta de cada fiel, desde pequenino que Cristo tem um projeto e um sonho que vai fazendo acontecer na vida de cada pessoa a sua pr&oacute;pria santidade, a sua pr&oacute;pria plenitude de vida pela qual ele veio, pregou, morreu e ressuscitou para que n&oacute;s tenhamos a vida Dele. E isto acontece desde a mais tenra idade, claro que n&atilde;o se espera que uma crian&ccedil;a j&aacute; tome decis&otilde;es vocacionais nessa idade mas &eacute; nessa idade que aprende a conhecer a Jesus Cristo, aprende a escut&aacute;-Lo, aprende a confiar Nele, aprende a querer o que Ele quer, aprende a descobrir que quem est&aacute; com Cristo e em Cristo d&aacute; uma vida nova, tem uma forma nova de estar na vida e isso vai-se ganhando na confian&ccedil;a da rela&ccedil;&atilde;o desde a mais tenra idade. E por isso as propostas s&atilde;o para todas as idades. Tem de facto alguns subs&iacute;dios para a catequese da primeira inf&acirc;ncia, tem outro para adolescentes e jovens, tem outro para adultos e fam&iacute;lias, procuramos abarcar o leque variado das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Os jovens que chegam s&atilde;o diferentes dos que chegavam h&aacute; 20, 30 anos?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> A Igreja foi encontrando v&aacute;rias propostas de acompanhamento exatamente para responder a esta pluralidade de origens e de proveni&ecirc;ncias. Foram desenvolvidos os pr&eacute;-semin&aacute;rios que s&atilde;o formas de acompanhamento em ritmo externo mas que v&atilde;o desde a segunda inf&acirc;ncia, a adolesc&ecirc;ncia e da juventude v&atilde;o ajudando a olhar a vida em chave vocacional, em termos de escuta e de decis&atilde;o como resposta e n&atilde;o apenas como constru&ccedil;&atilde;o a partir de mim, da minha pr&oacute;pria vida. E isso acontece muitas vezes com os jovens inseridos no seio familiar, na comunidade crist&atilde;, na sua escola, na sua terra. Ao mesmo tempo coexistem os semin&aacute;rios menores que em Portugal e nas dioceses portuguesas variam, uns ainda recebem na fase do ensino b&aacute;sico, outros do ensino secund&aacute;rio mas que &eacute; uma proposta de uma primeira comunidade crist&atilde; com outros la&ccedil;os que n&atilde;o os familiares onde se pode estruturar a f&eacute; e a vida eclesial naqueles onde porventura a hist&oacute;ria familiar e comunit&aacute;ria &eacute; mais debilitada para ajudar a isso ou outros onde j&aacute; houve um caminho com alguma consist&ecirc;ncia e pedem um passo mais. Ainda existem estes semin&aacute;rios menores que caso a caso v&atilde;o oferecendo resposta. Depois existe o tempo proped&ecirc;utico de inicia&ccedil;&atilde;o, para uns j&aacute; &eacute; inicia&ccedil;&atilde;o do semin&aacute;rio maior, outros &eacute; pr&eacute;vio ou semin&aacute;rio maior, varia um pouco de diocese para diocese, mas que procura dar a cada hist&oacute;ria, a cada itiner&aacute;rio crist&atilde;o e vocacional que hoje &eacute; muito variado e plural algum sentido de comunh&atilde;o, de sentir comum e de alguma fundamenta&ccedil;&atilde;o catequ&eacute;tica acerca do que &eacute; que &eacute; a voca&ccedil;&atilde;o, como &eacute; que a Igreja entende, o que &eacute; que &eacute; sacerd&oacute;cio e o sacerd&oacute;cio para os tempos de hoje. E estas formas de acompanhamento podem demorar mais ou menos tempo de acompanhamento antes de entrar no semin&aacute;rio, podem ser numa primeira fase mais pessoal e numa segunda fase com um grupo vocacional ou j&aacute; numa resid&ecirc;ncia de ano proped&ecirc;utico ou tempo casa e depois o semin&aacute;rio maior onde a par da forma&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica nas Universidades Cat&oacute;licas ou nos Institutos de Teologia, onde ainda existem, depois existe tamb&eacute;m a vida comunit&aacute;ria, a solidez da vida espiritual, a inicia&ccedil;&atilde;o pastoral que procura ir acompanhando e dando essa forma&ccedil;&atilde;o adequada aos tempos de hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Hoje em dia ainda faz sentido falar de crise de voca&ccedil;&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Eu creio que os tempos s&atilde;o diferentes e que era bom n&oacute;s ultrapassarmos essa linguagem. De facto a palavra crise apareceu muito de compara&ccedil;&atilde;o ao tempo que os semin&aacute;rios estavam cheios e as pessoas iam para o semin&aacute;rio para continuarem os estudos e depois alguns ganhavam ai mesmo dinamismos e consist&ecirc;ncia vocacional, outros nem por isso mas havia um tempo cheio e depois houve um esvaziar dos semin&aacute;rios e esse tempo de crise.<\/p>\n<p>Eu penso que j&aacute; estamos noutra fase, n&atilde;o temos de facto o n&uacute;mero de voca&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ou adequadas &agrave;s necessidades do acompanhamento efetivo dos crist&atilde;os, n&oacute;s temos muitas vezes par&oacute;quias sem p&aacute;roco e a terem de o partilhar por vezes at&eacute; seis par&oacute;quias, depende das zonas de Portugal, mais do interior ou litoral, e temos falta de sacerdotes. N&atilde;o creio que podemos falar de crise, pelo menos de voca&ccedil;&otilde;es porque a haver alguma crise &eacute; de civiliza&ccedil;&atilde;o de nos reentendermos outra vez, j&aacute; n&atilde;o estamos em cristandade, e porventura, &agrave;s vezes, uma crise de solidez da f&eacute;, uma f&eacute; que &eacute; inspiradora dos valores mas que depois n&atilde;o se traduz numa convers&atilde;o de vida concreta a partir desses valores que ficam apenas no campo da inspira&ccedil;&atilde;o. Portanto, n&atilde;o creio que haja uma crise de voca&ccedil;&otilde;es, pode haver e h&aacute; algumas debilidades de uma estrutura comunit&aacute;ria, hoje &eacute; muito dif&iacute;cil a estrutura institucional e &eacute; preciso que as comunidades crist&atilde;s muitas vezes se repensem, as fam&iacute;lias tamb&eacute;m est&atilde;o muitas vezes em fase de se entenderem. A Igreja tem um projeto claro sobre o que pensa ser a fam&iacute;lia mas depois h&aacute; a realidade concreta das fam&iacute;lias que caminham com as suas vicissitudes e isso tamb&eacute;m traz perturba&ccedil;&otilde;es a uma decis&atilde;o definitiva, a uma decis&atilde;o de uma entrega gratuita com medo de n&atilde;o ser retribu&iacute;do. H&aacute; uma conting&ecirc;ncia de fatores que fazem com que n&atilde;o tenhamos as respostas que gost&aacute;vamos de ter em n&uacute;mero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Esta provisoriedade dos dias, dos tempos que vivemos afetam tamb&eacute;m grandemente os candidatos?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Essas dificuldades n&atilde;o s&atilde;o mal intencionadas. As pessoas muitas vezes, no momento de decidir desejam que seja para sempre mas sempre com a ressalva &ldquo;se der&rdquo;. E esta ressalva permite ou dificulta muitas vezes que depois diante das tens&otilde;es normais, diante das euforias ou das dificuldades permite que se esque&ccedil;a quais s&atilde;o as ferramentas que ajudam a levar por diante aquilo que entrou numa fase de dificuldade mas em v&aacute;rias dimens&otilde;es da nossa vida e por isso tamb&eacute;m muitas vezes no tempo de discernimento vocacional pr&eacute;vio &agrave; ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal as dificuldades muitas vezes levam a n&atilde;o perseverar outras vezes at&eacute; j&aacute; depois da ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal e algumas situa&ccedil;&otilde;es de abandono que sofrem dessa mesma dificuldade de confiar de que as ferramentas que se aprendeu que respondiam de facto respondem no momento da necessidade e n&atilde;o apenas quando tudo est&aacute; bem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; comum dizer que o semin&aacute;rio &eacute; a sementeira, que as voca&ccedil;&otilde;es est&atilde;o a despontar, enfim, est&atilde;o num clima protegido de alguma forma mas depois os candidatos n&atilde;o ser&atilde;o candidatos depois da ordena&ccedil;&atilde;o j&aacute; ser&atilde;o presb&iacute;teros. Ser&atilde;o enviados &agrave;s comunidades, at&eacute; j&aacute; antes, t&ecirc;m essa experi&ecirc;ncia mas depois ter&atilde;o embates com realidades diversas. A realidade do semin&aacute;rio tamb&eacute;m est&atilde;o atenta e vai trabalhando estas quest&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Sim, procura estar. Primeiro porque tentando manter alguma oferta de recolhimento e ambiente de centra&ccedil;&atilde;o no essencial antes do envio o semin&aacute;rio n&atilde;o &eacute; uma realidade fechada, seja porque os seminaristas frequentam uma universidade que sendo a Cat&oacute;lica est&aacute; no espa&ccedil;o p&uacute;blico e portanto com outras faculdades e outros estudantes, seja porque frequentam na sua forma&ccedil;&atilde;o pastoral as realidades paroquiais dos jovens e dos adultos do seu tempo, seja da par&oacute;quia propriamente seja depois dos &acirc;mbitos familiares e sociais &agrave; volta daqueles com quem se encontram no trabalho pastoral e nas par&oacute;quias, seja porque a internet e a comunica&ccedil;&atilde;o hoje &eacute; global e entra no semin&aacute;rio, est&aacute; no semin&aacute;rio, tamb&eacute;m condiciona a pr&oacute;pria vida do semin&aacute;rio at&eacute; muitas das vezes as provoca&ccedil;&otilde;es &agrave; fidelidade e &agrave; vida dos seminaristas tem a ver com essas sugest&otilde;es que se v&atilde;o recebendo naturalmente e espontaneamente e depois com &eacute; que se aprende a lidar com isso e a canalizar tudo isso para um projeto definido e portanto neste realismo os seminaristas apesar de alguma prote&ccedil;&atilde;o est&atilde;o tamb&eacute;m expostos aquilo que depois ser&atilde;o os desafios da vida pastoral. Claro que depois h&aacute; sempre uma transi&ccedil;&atilde;o que ai j&aacute; n&atilde;o ser&aacute; o semin&aacute;rio mas o presbit&eacute;rio enquanto corpo fraterno de irm&atilde;os unidos na mesma consagra&ccedil;&atilde;o e com v&iacute;nculos de fraternidade que depois ajudar&aacute; tamb&eacute;m a lidar com esses desafios. Assim como, e ai &eacute; muito importante que o semin&aacute;rio ajude a estruturar para um sentido de comunh&atilde;o na forma de viver o minist&eacute;rio, de comunh&atilde;o entre os padres mas de comunh&atilde;o entre os demais crist&atilde;os, com os demais carismas e voca&ccedil;&otilde;es, portanto comunh&atilde;o eclesial, que fazem com que o sacerdote tamb&eacute;m encontre as respostas aos desafios na pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia do minist&eacute;rio com a comunidade onde cresce, quer dizer, que a comunidade n&atilde;o seja s&oacute; a fonte de problemas, porque n&atilde;o &eacute;, mas que seja tamb&eacute;m a fam&iacute;lia dos irm&atilde;os na f&eacute; que encontra a resposta para a dificuldade. E ai &eacute; importante que o padre e o seminarista aprendam que h&aacute; respostas que se encontram nesta comunidade alargada dos irm&atilde;os e outras que se encontram na comunidade do presbit&eacute;rio, da fraternidade sacerdotal com o seu bispo e aprender a usar e depois h&aacute; sempre aquelas respostas que se encontram na intimidade a s&oacute;s com Deus e ai tem que haver uma estrutura de vida espiritual e solidez de encontro com Jesus, que &eacute; um realidade pessoal, que &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal e n&atilde;o &eacute; apenas uma ideia que depois estrutura tamb&eacute;m o enfrentar dificuldades. H&aacute; sempre dificuldades que s&atilde;o dessa ordem e &eacute; ai que se encontram as repostas e o semin&aacute;rio por muito que prepare n&atilde;o substitui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O candidato j&aacute; depois de ser sacerdote e estar numa comunidade nunca termina oprocesso de configura&ccedil;&atilde;o com o pr&oacute;prio Cristo&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JMBP &ndash;<\/em> Claro, e por isso ele chama a aten&ccedil;&atilde;o, logo no in&iacute;cio que o primeiro ponto, &eacute; o encontro verdadeiro com o pr&oacute;prio Jesus Cristo. A configura&ccedil;&atilde;o s&oacute; acontece se me encontrar com Jesus se n&atilde;o &eacute; uma colagem de caracter&iacute;sticas posti&ccedil;as que depois n&atilde;o configuram nada, podem perfeitamente at&eacute; me iludir, sem maldade, sem m&aacute; intens&atilde;o mas at&eacute; me iludir durante o caminho do semin&aacute;rio: Vou fazendo isto, vou cumprindo aqui, vou fazendo bem feito isto aqui mas no fundo n&atilde;o h&aacute; uma transforma&ccedil;&atilde;o interior fruto desse encontro com Jesus Cristo mas que n&atilde;o &eacute; apenas um encontro eu-tu. &Eacute; um encontro que gera uma unidade de vida. Deixe-me dizer um bocadinho que aquilo que se passa, que aquilo que a Igreja acredita na rela&ccedil;&atilde;o esponsal, que os dois passam a ser um s&oacute;, mudando tudo o quer deve ser mudado mas h&aacute; qualquer coisa aqui que importa que no futuro sacerdote tamb&eacute;m aconte&ccedil;a na sua rela&ccedil;&atilde;o com Cristo. N&atilde;o h&aacute; uma fus&atilde;o, eu n&atilde;o me fundo em Jesus Cristo, nem Jesus me anula mas &eacute; importante que em muitas coisas eu perceba que &eacute; Cristo a ser em mim e a fazer-me ser mais verdadeiramente. E essa experi&ecirc;ncia &eacute; fundamental que aconte&ccedil;a no semin&aacute;rio, que tenha come&ccedil;ado porventura se for poss&iacute;vel antes mas se n&atilde;o foi que aconte&ccedil;a no semin&aacute;rio e depois &eacute; um desafio para a vida toda tamb&eacute;m no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio sacerdotal onde ai depois alguns dinamismos diante do Cristo cruxificado, diante do mundo s&oacute; tem os bra&ccedil;os abertos para se oferecer confiado no Pai e nessa solid&atilde;o profundamente habitada de uma vida que passa por n&oacute;s para o mundo, isso depois tamb&eacute;m h&atilde;o-de ser formas permanentes de configura&ccedil;&atilde;o. Depois tamb&eacute;m da cruz, tudo o resto do preenchimento das rela&ccedil;&otilde;es, do entrar na vida das fam&iacute;lias, das comunidades, dos grupos de oferecer este ou aquele instrumento, esta ou aquela ferramenta, isso depois h&atilde;o-de ser as formas como no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio o sacerdote se vai configurando com Jesus pela caridade pastoral de Jesus.<\/p>\n<p>AE &ndash; Nota que os candidatos quem chega ao semin&aacute;rio e estou a recordar-me particularmente e vai sendo significativo nas diversas dioceses gente que chega mais velha, j&aacute; no final de um curso universit&aacute;rio chega-se com as op&ccedil;&otilde;es mais amadurecidas?<\/p>\n<p>JMBP &ndash; N&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o liquido ter&aacute; alguma rela&ccedil;&atilde;o direta com a idade mas n&atilde;o &eacute; t&atilde;o imediata at&eacute; porque algumas vezes as motiva&ccedil;&otilde;es com que se chega ao semin&aacute;rio &eacute; mais de um sentimento que eu alimentei durante tanto tempo e que durante tanto tempo n&atilde;o me permitiu pensar em mais nada afinal n&atilde;o respondeu aquilo que eu esperava e agora preciso de ir &agrave; procura de outra coisa. Portanto, n&atilde;o &eacute; ainda t&atilde;o amadurecida pelo sacerd&oacute;cio ainda que apare&ccedil;a claramente que eu quero ser padre mas eu quero ser padre a partir de uma imagem de padre que tenho a partir de uma ideia que fui aprendendo a construir a partir das rela&ccedil;&otilde;es que fui lidando mas que muitas vezes ainda &eacute; muito a procura &agrave; resposta da minha realiza&ccedil;&atilde;o pessoal porque aqueles sonhos que durante tanto tempo alimentei afinal n&atilde;o corresponderam, n&atilde;o &eacute; frustra&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o falo de frustra&ccedil;&atilde;o mas hoje por exemplo a entrada numa universidade, o medo de n&atilde;o entrar numa universidade ou a entrada no mercado de trabalho ou o medo de n&atilde;o entrar o mercado de trabalho faz com que muitas vezes &agrave;s intens&otilde;es, as energias, o melhor de si esteja focado no que &eacute; preciso preparar e garantir para que depois n&atilde;o me falte e depois quando l&aacute; chego, quando chego &agrave; universidade ou at&eacute; quando chego ao trabalho n&atilde;o era aquilo que eu pensava que ia encontrar.<\/p>\n<p><em>HM\/CB<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O padre Jos\u00e9 Miguel Barata Pereira, reitor do semin\u00e1rio dos Olivais de Lisboa, explica os objetivos da Semana dos Semin\u00e1rios, que decorre de 10 a 17 de novembro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127],"class_list":["post-63198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63198\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}