{"id":63196,"date":"2013-11-07T22:21:08","date_gmt":"2013-11-07T22:21:08","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/11\/07\/albert-camus-um-hospede-privilegiado-do-atrio-dos-gentios\/"},"modified":"2013-11-07T22:21:08","modified_gmt":"2013-11-07T22:21:08","slug":"albert-camus-um-hospede-privilegiado-do-atrio-dos-gentios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/albert-camus-um-hospede-privilegiado-do-atrio-dos-gentios\/","title":{"rendered":"Albert Camus: Um h\u00f3spede privilegiado do \u00ab\u00c1trio dos Gentios\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Ao fazer uma an\u00e1lise do cristianismo da primeira metade do s\u00e9culo XX, o bispo do Porto da altura, D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, afirma que a \u201creligi\u00e3o de Cristo\u201d tem de partir das \u201cconsci\u00eancias para a sociedade e para o Estado e que a marcha contr\u00e1ria \u00e9 pag\u00e3\u201d. Nessa entrevista concedida ao Boletim de Informa\u00e7\u00e3o Pastoral D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes disse que o conc\u00edlio \u201cnunca poder\u00e1 perder de vista\u201d as solu\u00e7\u00f5es das perguntas postas \u00e0 Igreja: \u201cPelo homem desta segunda metade j\u00e1 adiantada do s\u00e9culo XX, num mundo materialmente uno, mas dilacerado por fortes tens\u00f5es de dissolu\u00e7\u00e3o em conflito com as for\u00e7as morais coesivas\u201d. <!--more--> <\/p>\n<p>Ao fazer uma an&aacute;lise do cristianismo da primeira metade do s&eacute;culo XX, o bispo do Porto da altura, D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes, afirma que a &ldquo;religi&atilde;o de Cristo&rdquo; tem de partir das &ldquo;consci&ecirc;ncias para a sociedade e para o Estado e que a marcha contr&aacute;ria &eacute; pag&atilde;&rdquo;. Nessa entrevista concedida ao Boletim de Informa&ccedil;&atilde;o Pastoral (BIP) de setembro-outubro de 1962, D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes disse que o conc&iacute;lio &ldquo;nunca poder&aacute; perder de vista&rdquo; as solu&ccedil;&otilde;es das perguntas postas &agrave; Igreja: &ldquo;Pelo homem desta segunda metade j&aacute; adiantada do s&eacute;culo XX, num mundo materialmente uno, mas dilacerado por fortes tens&otilde;es de dissolu&ccedil;&atilde;o em conflito com as for&ccedil;as morais coesivas&rdquo;.<\/p>\n<p>Estas respostas denotam que o prelado do Porto estava atento &agrave;s quest&otilde;es que o &laquo;mundo&raquo; colocava &agrave; Igreja. Neste contexto, o pensador franc&ecirc;s, Albert Camus (1913-1960) foi um dos agitadores das consci&ecirc;ncias eclesiais. &ldquo;N&atilde;o procurarei tornar-me crist&atilde;o diante de v&oacute;s. Compartilho convosco o mesmo horror diante do mal, mas n&atilde;o partilho a vossa esperan&ccedil;a, apesar de continuar a lutar contra este universo no qual h&aacute; crian&ccedil;as que sofrem e morrem&rdquo;, escreveu Albert Camus que completaria, hoje, (7 de novembro), o centen&aacute;rio do seu nascimento.<\/p>\n<p>A efem&eacute;ride obrigou-me a revisitar alguns textos deste franc&ecirc;s nascido na Arg&eacute;lia. Na busca encontrei uma aut&ecirc;ntica p&eacute;rola sobre o pensamento do autor das obras &laquo;O Estrangeiro&raquo;; &laquo;A Peste&raquo;; &laquo;Os justos&raquo;, &laquo;O Mito de S&iacute;sifo&raquo; entre outras. Essa pedra preciosa &eacute; da autoria do cardeal italiano, Gianfranco Ravasi, numa comunica&ccedil;&atilde;o proferida na etapa de Marselha (Fran&ccedil;a) do &laquo;&Aacute;trio dos Gentios&raquo;. Na prelec&ccedil;&atilde;o, o cardeal sublinha que &ldquo;a pergunta acerca do mal na hist&oacute;ria e resistente a qualquer solu&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica dilacerar&aacute; sempre a alma deste escritor&rdquo;. Ao falar sobre a obra &laquo;A Peste&raquo;, o cardeal Ravasi acrescenta que esta &ldquo;&eacute; a ponta do iceberg liter&aacute;rio e espiritual do mar interior de Camus, &eacute; o seu Job intenso e tr&aacute;gico&rdquo; (In: L&acute;Osservatore Romano, 30 de junho de 2013).<\/p>\n<p>Quando lhe atribuiu o pr&eacute;mio Nobel da Literatura, em 1957, a Academia sueca premiou acima de tudo um empenhamento c&iacute;vico e uma consci&ecirc;ncia &eacute;tica. &ldquo;Era um inimigo da injusti&ccedil;a&rdquo; e &ldquo;nunca aceitou que se combatesse um totalitarismo &agrave; custa de outro totalitarismo&rdquo;, escreveu Pedro Mexia no jornal &laquo;P&uacute;blico&raquo; a 19 de junho de 2010.<\/p>\n<p>Os seus artigos do jornal &laquo;Combat&raquo; (recolhidos em tr&ecirc;s volumes chamados &laquo;Actuelles&raquo;) s&atilde;o uma escola de liberdade. Albert Camus foi um mal amado. &ldquo;Ser uma voz moral num tempo moralmente comprometido tem o seu pre&ccedil;o&rdquo;, escreveu Clara Ferreira Alves no jornal &laquo;Expresso&raquo; a 02 de novembro de 2013.<\/p>\n<p>O fil&oacute;sofo franc&ecirc;s considerava que &ldquo;a incredulidade contempor&acirc;nea j&aacute; n&atilde;o se baseia na ci&ecirc;ncia como no final do s&eacute;culo XVIII. Ela nega a ci&ecirc;ncia e ao mesmo tempo a religi&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o &eacute; o cepticismo diante do milagre. &Eacute; uma incredulidade apaixonada&rdquo;. Precisamente esta paix&atilde;o faz com que Camus seja &ldquo;um h&oacute;spede privilegiado do &laquo;&Aacute;trio dos Gentios&raquo;&rdquo;, disse o cardeal Ravasi.  &ldquo;S&oacute; conhe&ccedil;o um dever e &eacute; o amar&rdquo;, escreveu o Nobel nos &laquo;Cadernos&raquo; e conclui: &ldquo;este mundo sem amor &eacute; um mundo morto&rdquo;.<\/p>\n<p>No sua obra &laquo;Homem Revoltado&raquo;, Albert Camus afirma: &ldquo;A beleza n&atilde;o faz revolu&ccedil;&otilde;es. Mas chegar&aacute; o dia em que as revolu&ccedil;&otilde;es precisar&atilde;o da beleza&rdquo;. O II Concilio do Vaticano n&atilde;o foi uma revolu&ccedil;&atilde;o feita com beleza?<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao fazer uma an\u00e1lise do cristianismo da primeira metade do s\u00e9culo XX, o bispo do Porto da altura, D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes, afirma que a \u201creligi\u00e3o de Cristo\u201d tem de partir das \u201cconsci\u00eancias para a sociedade e para o Estado e que a marcha contr\u00e1ria \u00e9 pag\u00e3\u201d. Nessa entrevista concedida ao Boletim de Informa\u00e7\u00e3o Pastoral [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187],"class_list":["post-63196","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63196"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63196\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}