{"id":6318,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/as-sombras-e-luzes-da-familia-contemporanea\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"as-sombras-e-luzes-da-familia-contemporanea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-sombras-e-luzes-da-familia-contemporanea\/","title":{"rendered":"As sombras e luzes da fam\u00edlia contempor\u00e2nea"},"content":{"rendered":"<p>Linhas orientadoras da \u00faltima carta pastoral da CEP <!--more--> No ano em que se comemora o 10\u00ba anivers\u00e1rio do Ano Internacional da Fam\u00edlia, a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa (CEP) publicou, dia 2 de Junho, uma carta pastoral sobre \u201cA Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\u201d. Um documento dividido em sete cap\u00edtulos que tra\u00e7a linhas de rumos para as fam\u00edlias e aponta obst\u00e1culos na viv\u00eancia plena desta c\u00e9lula da sociedade. As \u201cimportantes mudan\u00e7as sociais registadas\u201d nos \u00faltimos anos t\u00eam submetido a fam\u00edlia \u201ca fortes tens\u00f5es e provocado alguma inquieta\u00e7\u00e3o entre aqueles que se preocupam com a estabilidade da realidade familiar. A cultura dominante parece apostada em impor um conjunto de atitudes que desfiguram e debilitam o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia\u201d \u2013 denuncia o documento da CEP, logo na introdu\u00e7\u00e3o. Com o intuito de alterar este panorama, a Igreja prop\u00f5e-se \u201canunciar, com renovado vigor, \u00abaquilo que diz o Evangelho sobre o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia, para individuar o seu significado e valor no des\u00edgnio salv\u00edfico de Deus\u00bb\u201d. Um trabalho que os bispos portugueses, conscientes de que a fam\u00edlia \u00e9 o ponto de partida para a realiza\u00e7\u00e3o da pessoa e para a humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade, \u201cqueremos, uma vez mais, proclamar o Evangelho do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia e lembrar a todos que a grande miss\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 ser, na Igreja e no mundo, o rosto vivo do Deus que ama\u201d \u2013 sublinha a carta pastoral. No \u201cLuzes e sombras da fam\u00edlia na sociedade contempor\u00e2nea\u201d &#8211; tema do segundo cap\u00edtulo da \u00abFam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\u00bb &#8211;  refere-se: mesmo que muitas fam\u00edlias \u201cn\u00e3o estejam em crise\u201d, a cultura actual \u201cprovocou uma crises da institui\u00e7\u00e3o familiar\u201d. Consequ\u00eancias da descoberta da individualidade que \u201cconduziu ao individualismo\u201d \u2013 afirmam. A cultura, marcada pelas tend\u00eancias do \u201cego\u00edsmo e de egocentrismo\u201d, apresenta sinais de \u201cdegrada\u00e7\u00e3o preocupante quanto a alguns valores fundamentais\u201d. Modos de vida que prop\u00f5em o \u201csabor do imediato e do momento\u201d e subalternizam \u201cas op\u00e7\u00f5es definitivas e os valores duradouros\u201d \u2013 denuncia a carta dos bispos.   A expans\u00e3o econ\u00f3mica acompanhada por uma \u201cforte especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que encareceu significativamente o pre\u00e7o da habita\u00e7\u00e3o\u201d; o desemprego e o trabalho prec\u00e1rio; o regime fiscal vigente que \u201cdesencoraja a natalidade e penaliza as fam\u00edlias numerosas\u201d e a \u201cpouca protec\u00e7\u00e3o dada \u00e0 maternidade\u201d &#8211;  s\u00e3o algumas dificuldades resultantes das estruturas sociais apontadas pela \u00abA Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\u00bb. Pontos negativos para a fam\u00edlia visto que estas instabilidades s\u00e3o respons\u00e1veis \u201cpelo adiamento do matrim\u00f3nio e por desequil\u00edbrios que afectam a unidade familiar\u201d. E lamenta: \u201cfalta, na realidade, uma pol\u00edtica que centre o sistema fiscal na fam\u00edlia e que privilegie o tratamento fiscal dos rendimentos integrados num agregado familiar. Falta, igualmente, uma pol\u00edtica de incentivos \u00e0s empresas que desenvolvam uma pol\u00edtica de apoio \u00e0s fam\u00edlias dos seus trabalhadores, nomeadamente atrav\u00e9s de creches, infant\u00e1rios e presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade\u201d.  Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00abfragilidades internas \u00e0 pr\u00f3pria fam\u00edlia\u00bb, a carta pastoral refere que o \u201cindividualismo trouxe a corrup\u00e7\u00e3o do conceito e exerc\u00edcio da liberdade\u201d. Perante este facto, os prelados portugueses salientam que a fam\u00edlia torna-se, assim, \u201cum conjunto de indiv\u00edduos com direitos e deveres regulados pela Lei, e n\u00e3o uma comunidade de vida e amor, onde o exerc\u00edcio da liberdade se traduz no dom de si pr\u00f3prio, na partilha, na solidariedade e no servi\u00e7o feito por amor\u201d. Pelo compromisso matrimonial, os c\u00f4njuges ligam-se um ao outro por um amor fiel, exclusivo e indissol\u00favel que os compromete \u201cpara sempre numa vida de partilha\u201d. Contudo &#8211; menciona o documento &#8211; diversas situa\u00e7\u00f5es vividas nas fam\u00edlias \u201catentam contra este compromisso: o individualismo, a infidelidade, a promiscuidade sexual, a mentira, a incapacidade para se dar totalmente, a procura do pr\u00f3prio prazer e dos pr\u00f3prios interesses por cima dos interesses comuns, a ruptura do compromisso matrimonial. S\u00e3o trai\u00e7\u00f5es ao amor que fracturam e, muitas vezes, ferem de morte a comunidade familiar. O div\u00f3rcio aparece, neste contexto, como uma das mais graves formas de trai\u00e7\u00e3o ao amor\u201d. \u00abAs fam\u00edlias em situa\u00e7\u00f5es especiais\u00bb n\u00e3o s\u00e3o esquecidas pela carta pastoral da CEP: quando um dos c\u00f4njuges \u00e9 \u00abrecasado\u00bb &#8211; \u201co div\u00f3rcio \u00e9 sempre uma crise extremamente dolorosa\u201d -; com filhos portadores de defici\u00eancia \u2013 \u201ctrata-se de uma quest\u00e3o que ainda n\u00e3o encontrou uma resposta satisfat\u00f3ria por parte dos poderes p\u00fablicos\u201d -; fam\u00edlias monoparentais \u2013 \u201ca falta da imagem do pai ou da m\u00e3e como figura de refer\u00eancia pode constituir, para a educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, uma grave lacuna\u201d -; situa\u00e7\u00e3o dos idosos \u2013 \u201cpor vezes, essa realidade significa pobreza, isolamento, solid\u00e3o, esquecimento, tristeza e desamparo, apesar do apoio e do acompanhamento das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade social p\u00fablicas ou privadas\u201d \u2013 e as fam\u00edlias deslocadas (migrantes) \u2013 \u201ca separa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, al\u00e9m de aumentar o seu sofrimento e solid\u00e3o, enfraquece as rela\u00e7\u00f5es familiares e contribui para a desagrega\u00e7\u00e3o da comunidade familiar\u201d. Este quadro significa, para a realidade familiar, um enorme desafio. Contudo, os bispos encaram o futuro \u201ccom confian\u00e7a e esperan\u00e7a, convictos de que as fam\u00edlias saber\u00e3o encontrar o seu caminho, realizar as necess\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es, conservar os valores perenes e continuar a desempenhar, com fidelidade, o seu papel e a sua miss\u00e3o na Igreja e no mundo\u201d. O Domingo \u00e9 o tempo prop\u00edcio para a \u201cconstru\u00e7\u00e3o familiar como realidade de comunh\u00e3o\u201d. Um dia para lan\u00e7ar \u201cum olhar repleto de jubilosa complac\u00eancia sobre o amor, a vida, a rela\u00e7\u00e3o e o trabalho realizado ao longo da semana\u201d. E acentuam: \u201c\u00e9 um dia \u201csantificado\u201d por Deus para o homem se lembrar que Deus \u00e9 a fonte da vida e do amor, que a Ele pertencem o universo e a hist\u00f3ria, tamb\u00e9m o universo da fam\u00edlia e a sua realidade quotidiana de alegrias e sofrimentos\u201d. Sendo o dia da Igreja, o Domingo \u00e9, tamb\u00e9m, \u201co dia da fam\u00edlia, o dia da \u00abIgreja dom\u00e9stica\u00bb, em que, \u00e0 volta da Eucaristia, s\u00e3o purificados e refor\u00e7ados os la\u00e7os do amor e da unidade\u201d. O Domingo \u00e9, tamb\u00e9m, \u201co dia do repouso, da alegria, da celebra\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rios, do conv\u00edvio, do di\u00e1logo entre os esposos e entre pais e filhos, da solidariedade (com os parentes doentes, com os mais idosos, com as fam\u00edlias em dificuldades, com as fam\u00edlias imigradas)\u201d. A celebra\u00e7\u00e3o e a viv\u00eancia do Domingo crist\u00e3o ser\u00e1 \u201cuma fonte de permanente renova\u00e7\u00e3o do amor que impedir\u00e1 o desgaste, o cansa\u00e7o e o desencanto a que poder\u00e1 estar sujeita a vida conjugal e familiar\u201d \u2013 real\u00e7a \u00abA Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\u00bb Como o matrim\u00f3nio \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a carta pastoral apela para \u201cum processo de discernimento, uma prepara\u00e7\u00e3o remota, uma forma\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima e uma prepara\u00e7\u00e3o imediata\u201d. A interven\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia na sociedade e na Igreja, \u201csendo um direito que lhe assiste em ordem a salvaguardar os seus leg\u00edtimos interesses\u201d, \u00e9, sobretudo, \u201cum dever indeclin\u00e1vel que nasce da sua miss\u00e3o de \u00abguardar, revelar e comunicar o amor\u00bb. Conscientes de que a fam\u00edlia \u00e9 a esperan\u00e7a da Igreja e do mundo, os bispos portugueses exortam \u201cas fam\u00edlias crist\u00e3s a viverem na fidelidade \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o e a serem, na Igreja e no mundo, testemunhas do amor de Deus, sal e luz, fermento que leveda a massa, testemunhas do Evangelho, sinal de esperan\u00e7a e de vida nova\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Linhas orientadoras da \u00faltima carta pastoral da CEP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[147,154,168,193,206,267,314],"class_list":["post-6318","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-conferencia-episcopal-portuguesa","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-familia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6318\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}