{"id":6302,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/familia-e-comunicacao-social-juntas-no-porto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"familia-e-comunicacao-social-juntas-no-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familia-e-comunicacao-social-juntas-no-porto\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia e Comunica\u00e7\u00e3o Social juntas no Porto"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto  <!--more--> Dia Diocesano da Fam\u00edlia e das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais Trofa, S. Gens de Cidai, 6 de Junho de 2004 Como no termo de qualquer discurso, tarefa ou caminhada nos habituamos a dizer uma express\u00e3o final de louvor, tamb\u00e9m a Igreja, num calend\u00e1rio de celebra\u00e7\u00f5es que evoca o projecto de Deus e a hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, celebra a Solenidade da Sant\u00edssima Trindade como s\u00edntese de f\u00e9 e express\u00e3o de louvor. Dizer \u201cgl\u00f3ria ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo\u201d \u00e9 formular a mais conhecida s\u00edntese da f\u00e9 e o mais antigo s\u00edmbolo de f\u00e9 trinit\u00e1ria. De facto n\u00f3s acreditamos em Deus-Trindade. Quer dizer: Sabemos que Deus \u00e9 um s\u00f3, e no entanto acreditamos tamb\u00e9m que Ele \u00e9 o Pai que criou o universo e o rege com amor e sabedoria. Acreditamos que Deus n\u00e3o est\u00e1 encerrado no infinito do c\u00e9u, mas no Filho que \u00e9 sua imagem veio ao nosso mundo e se fez um de n\u00f3s. E acreditamos que realizou historicamente o seu projecto de amor na e pela for\u00e7a do Esp\u00edrito que nos foi enviado. Esta f\u00e9, que dizemos crist\u00e3 porque teve no Filho, Jesus Cristo, o centro e o cume da revela\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o \u00e9 fruto da nossa intelig\u00eancia nem resulta da capacidade humana, mas \u00e9 resposta, \u00e9 o sim da totalidade do nosso ser \u00e0 revela\u00e7\u00e3o, \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o que Deus fez de si mesmo muitas vezes e de muitos modos. Numa linguagem t\u00e3o directa como simb\u00f3lica Deus manifestou-se progressivamente numa hist\u00f3ria que a Sagrada Escritura guarda e transmite, de tal modo que os conceitos se foram aperfei\u00e7oando e distinguindo at\u00e9 serem fixados pelo Magist\u00e9rio da Igreja, da qual somos membros fi\u00e9is, tanto como disc\u00edpulos atentos do Mestre que \u00e9 Cristo. Ali\u00e1s, o magist\u00e9rio da Igreja, que cumpre mandato institucional de Cristo, tem o leg\u00edtimo papel de int\u00e9rprete na leitura e compreens\u00e3o do que Deus revelou e consta da tradi\u00e7\u00e3o, oral e escrita, da Igreja. \u00c9 por este crit\u00e9rio que entendemos a Sabedoria de Deus como caracter\u00edstica da sua obra de cria\u00e7\u00e3o, de amor e benevol\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a todas as criaturas, entre as quais sobressai a pessoa humana. Identificada com Deus e personificada, esta Sabedoria \u00e9 a Imagem perfeita do Pai. Veio ao mundo para nos restituir a gra\u00e7a perdida pelo pecado e concretizar visivelmente o Amor de Deus partilhando connosco a sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de precaridade e fragilidade. Foi esta fraqueza nossa que, em vez de afastar, aproximou Deus de n\u00f3s. Fez-se Emanuel, Deus connosco. Presente no mundo e rodeado de disc\u00edpulos, Cristo, o Filho de Deus, ia falando do regresso ao Pai mas garantia que n\u00e3o deixaria \u00f3rf\u00e3os aqueles que estavam e andavam com Ele: \u201cN\u00e3o vos deixarei \u00f3rf\u00e3os\u2026 O Consolador, o Esp\u00edrito Santo, que o Pai enviar\u00e1 em meu nome, Esse ensinar-vos-\u00e1 todas as coisas e vos recordar\u00e1 tudo o que vos tenho dito\u201d (Jo. 14, 18 e 26). Ensinar e recordar ou sugerir s\u00e3o fun\u00e7\u00f5es do Pedagogo que Cristo prometeu. Entretanto o mesmo Cristo declara: \u201cTenho ainda muitas coisas para vos dizer, mas n\u00e3o as podeis compreender agora. Quando vier o Esp\u00edrito da verdade, Ele vos guiar\u00e1 para a verdade plena\u201d (Jo. 16, 12). Foi de facto o Esp\u00edrito Santo que orientou e levou os disc\u00edpulos \u00e0 compreens\u00e3o da Verdade plena sobre o projecto de salva\u00e7\u00e3o de Deus. Sem a for\u00e7a e luz do Esp\u00edrito os crist\u00e3os n\u00e3o poderiam compreender que o projecto de Salva\u00e7\u00e3o passou pela derrota, pela morte, pelo dom da vida de Cristo.  S\u00f3 o Esp\u00edrito pode continuar a convencer-nos da ades\u00e3o a este projecto, isto \u00e9, \u00e0 f\u00e9 na Revela\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das Palavras explicativas e dos Factos ocorridos; numa palavra, s\u00f3 a F\u00e9 nos permite aceitar este Facto hist\u00f3rico que \u00e9 a Salva\u00e7\u00e3o da Humanidade como projecto de Deus, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. \u00c9 na concretiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica deste projecto que o Deus \u00fanico se nos revela como Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. O mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o \u00e9 mist\u00e9rio de Deus em comunh\u00e3o de Amor.    O Amor e o Matrim\u00f3nio Criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, o homem \u00e9 imagem deste Deus Amor. Porque \u201cDeus \u00e9 amor e vive em si mesmo um mist\u00e9rio de comunh\u00e3o pessoal de amor. Criando-a \u00e0 sua imagem e conservando-a continuamente no ser, Deus inscreve na humanidade do homem e da mulher a voca\u00e7\u00e3o, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunh\u00e3o\u201d (Fam. Cons. 11). Categoricamente se pode afirmar que \u201co pr\u00f3prio Deus \u00e9 o autor do matrim\u00f3nio\u201d (G.S. 48), e que \u201co amor \u00e9, portanto, a fundamental e original voca\u00e7\u00e3o do ser humano\u201d (Fam. Cons. 11). Na mais esclarecida antropologia crist\u00e3 diremos que o homem \u00e9 um esp\u00edrito incarnado, quer dizer, uma alma que se exprime e realiza no corpo informado por um esp\u00edrito imortal. \u00c9 por isso chamado ao amor nesta sua \u201ctotalidade unificada\u201d, seja no Matrim\u00f3nio seja na Virgindade (Cf. Fam. Cons.11). Se o homem e a mulher escolhem a via do Matrim\u00f3nio, mediante a qual se d\u00e3o um ao outro como esposos, a sexualidade de ambos n\u00e3o pode reduzir-se \u00e0 dimens\u00e3o puramente biol\u00f3gica, mas diz respeito ao n\u00facleo mais \u00edntimo da pessoa humana como tal, enquanto imagem de Deus, em amor e fecundidade. Segundo a Revela\u00e7\u00e3o Divina, interpretada pela Igreja, \u201co lugar \u00fanico que torna poss\u00edvel esta doa\u00e7\u00e3o segundo a sua vontade total \u00e9 o matrim\u00f3nio, \u2026 enquanto exig\u00eancia interior do pacto de amor conjugal que publicamente se afirma como \u00fanico e exclusivo, para que seja vivida assim a plena fidelidade ao des\u00edgnio de Deus Criador\u201d(Fam. Cons. 11). Por isso, a comunh\u00e3o de amor entre Deus e os homens encontra um exemplo significativo e uma express\u00e3o forte na alian\u00e7a nupcial, que evoca e significa as sucessivas Alian\u00e7as entre Deus e o Seu povo e que culmina com a nova e definitiva Alian\u00e7a entre Cristo e o Novo Povo de Deus. \u201cO homem deixar\u00e1 pai e m\u00e3e, ligar-se-\u00e1 \u00e0 mulher e passar\u00e3o os dois a ser uma s\u00f3 carne. \u00c9 grande este mist\u00e9rio; digo-o, por\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o a Cristo e \u00e0 Igreja\u201d (Ef. 5, 31-32). Quando S. Paulo cita palavras de Cristo e as relaciona com a Igreja, est\u00e1 a reafirmar a institui\u00e7\u00e3o matrimonial como des\u00edgnio de Deus desde o in\u00edcio, e a afirmar o seu definitivo cumprimento em Jesus Cristo: \u201cO matrim\u00f3nio dos baptizados torna-se assim o s\u00edmbolo real da Nova e Eterna Alian\u00e7a, decretada no Sangue de Cristo\u201d(Fam. Cons. 13), e os esposos s\u00e3o um para o outro, e para os filhos, testemunhas da Salva\u00e7\u00e3o que Cristo realizou: o matrim\u00f3nio \u00e9, para a nossa f\u00e9 crist\u00e3, um dos sete sacramentos da nova Alian\u00e7a.  A Fam\u00edlia O magist\u00e9rio da Igreja ensina que \u201csegundo o des\u00edgnio de Deus, o matrim\u00f3nio \u00e9 o fundamento da mais ampla comunidade da fam\u00edlia\u201d (Fam. Cons. 14): dos pais e dos filhos, dos irm\u00e3os e das irm\u00e3s entre si, dos parentes e de outros familiares. Jo\u00e3o Paulo II disse um dia que \u201ca fam\u00edlia se torna um laborat\u00f3rio de humaniza\u00e7\u00e3o e de verdadeira solidariedade\u201d (Jubileu das Fam\u00edlias, 5). E \u00e9 por isso natural que a Igreja considere que a fam\u00edlia nascida do sacramento do matrim\u00f3nio \u00e9 o ber\u00e7o e o lugar onde pode encontrar mais facilmente as pessoas e onde as pessoas, alimentadas no ambiente do sacramento, se abrem mais avidamente \u00e0 maternidade e solicitude da Igreja. Certamente que todos fix\u00e1mos um apelo objectivo e feliz que consta da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cFamiliaris Consortio\u201d a prop\u00f3sito dos deveres da fam\u00edlia crist\u00e3, da sua dignidade e resposabilidade: \u201cFam\u00edlia, torna-te aquilo que \u00e9s\u201d!(n\u00ba 17). A verdade \u00e9 que, tendo presente o projecto de Deus \u00e0 base do Amor intratrinit\u00e1rio, e reflectindo sobre a igreja enquanto projec\u00e7\u00e3o da Trindade, e sobre o matrim\u00f3nio como institui\u00e7\u00e3o divina e como sacramento, a Fam\u00edlia descobre a sua identidade, o que \u00e9, e a sua miss\u00e3o, o que pode e deve fazer (Cf. Fam. Cons. 17). \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d, a Fam\u00edlia \u00e9 reflexo do amor trinit\u00e1rio, \u00e9 comunh\u00e3o de pessoas que n\u00e3o podem dispensar-se do amor m\u00fatuo, indissol\u00favel entre os c\u00f4njuges e abrangente em rela\u00e7\u00e3o ao complexo familiar, sendo certo que em rela\u00e7\u00e3o aos filhos o amor paterno assume o dever e fun\u00e7\u00e3o do verdadeiro \u201cminist\u00e9rio de educa\u00e7\u00e3o\u201d. Porque toda a paternidade vem de Deus Criador, \u00e0 Fam\u00edlia compete assumir o servi\u00e7o \u00e0 vida mediante a fecundidade que \u00e9 sinal e fruto do amor conjugal. Na responsabilidade generosa e sensata de transmitir a vida e na clarivid\u00eancia e determina\u00e7\u00e3o com que definem os valores e optam pelo modelo de educa\u00e7\u00e3o para os filhos, os casais revelam a sua mentalidade crist\u00e3 e a condi\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a (livre, consciente e colaborante) \u00e0 Igreja de que s\u00e3o membros, filhos e testemunhas. Primeiro, porque \u201cpara os crist\u00e3os, o sacramento do matrim\u00f3nio, sinal concreto das n\u00fapcias de Cristo com a Igreja, \u00e9 a fonte de toda a luz e de toda a gra\u00e7a de que os esposos precisam para viver o casamento como caminho de santidade, ou seja, de fidelidade um ao outro e de amor a Cristo ressuscitado\u201d (Carta Pastoral \u201c Fam\u00edlia, esperan\u00e7a da Igreja e do mundo\u201d, n\u00ba 29). E, consequentemente, pela confian\u00e7a que deve inspirar a solicitude da Igreja que, al\u00e9m de uma vasta doutrina\u00e7\u00e3o sobre a Fam\u00edlia e seus problemas, procura ter \u201cpara todas as fam\u00edlias uma palavra de verdade, de bondade, de compreens\u00e3o, de esperan\u00e7a, de participa\u00e7\u00e3o viva nas suas dificuldades por vezes dram\u00e1ticas; a todos procura oferecer ajuda desinteressada, a fim de que possam aproximar-se do modelo de fam\u00edlia que o Criador quis desde o princ\u00edpio e que Cristo renovou com a gra\u00e7a redentora\u201d (Ibid. N\u00ba 41; Cf. Fam. Cons. N\u00ba 65). \u00c9 hoje um axioma consensual e ineg\u00e1vel que a fam\u00edlia \u00e9 a \u201cc\u00e9lula primeira e vital da sociedade\u201d (Dec. Apostolic. Act., n\u00ba 11) e, \u201cuma sociedade que goza de direito pr\u00f3prio e primordial\u201d (Dignit. Hum., n\u00ba 5), raz\u00e3o pela qual a sociedade em geral e o Estado devem, tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Fam\u00edlia, respeitar o principio de subsidiariedade. Sabemos que por parte do Estado n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o tem sido f\u00e1cil, respeitar este direito em qualquer \u00e1rea, mas por isso mesmo nos compete reclamar e insistir. Se a fam\u00edlia \u00e9 a esperan\u00e7a do mundo, tamb\u00e9m \u00e9 a esperan\u00e7a da Igreja, como dizemos, os Bispos, na Carta Pastoral que tem data de 31 de Maio passado. Como \u201cuma igreja em miniatura\u201d ou \u201cIgreja dom\u00e9stica\u201d, a fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9 chamada, como tal e n\u00e3o apenas na singularidade de cada membro, a participar na vida e miss\u00e3o da Igreja, \u201cenquanto comunidade intima de vida e de amor\u201d (Fam. Cons., n\u00ba 50). Compete-lhe colaborar activamente na miss\u00e3o prof\u00e9tica de Cristo e da Igreja, como inst\u00e2ncia evangelizadora; santificar-se e santificar, como povo sacerdotal na particularidade da sua dimens\u00e3o e na universalidade que define a Igreja, e pelos modos e caminhos que s\u00e3o pr\u00f3prios da mesma Igreja; estar ao servi\u00e7o da liberta\u00e7\u00e3o da comunidade humana, hoje de modo premente e urgente, ao servi\u00e7o da dignidade humana, da fraternidade e da paz.  O Meio Ambiente N\u00e3o ignoramos que, evocando o d\u00e9cimo anivers\u00e1rio do Ano Internacional da Fam\u00edlia (1994-2004) e na sequ\u00eancia do Congresso da Fam\u00edlia que celebrou o vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Familiaris Consortio; este Dia Diocesano da Fam\u00edlia tem um sentido de afirma\u00e7\u00e3o que precisa de ser sublinhado no ambiente da cultura e at\u00e9 da mentalidade p\u00fablica que nos envolve e que constitui o que se chama, o que chamamos, crise da fam\u00edlia. Na Carta Pastoral que a Confer\u00eancia Episcopal acaba de publicar denuncia-se uma cultura do provis\u00f3rio, do prazer, do consumo e do bem-estar material, da facilidade e do individualismo, do irrespons\u00e1vel e da morte, e de tantos outros elementos que v\u00e3o contra o que chamam valores tradicionais na pretens\u00e3o de imporem outros modelos de fam\u00edlia e contraporem valores que s\u00e3o contra o Evangelho, contra a Igreja e contra as melhores tradi\u00e7\u00f5es da nossa sociedade. A pr\u00e1tica do div\u00f3rcio e a contracep\u00e7\u00e3o s\u00e3o certamente dois dos elementos que mais profundamente ferem o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia. Sobre a mentalidade que vai vegetando e sobre a opini\u00e3o p\u00fablica que se desenvolve e alastra, \u00e9 oportuno reflectir na Mensagem do Santo Padre para o 38\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, celebrado em 23 de Maio passado. \u00c9 que esta Mensagem tem o seguinte tema, que trouxemos para esta celebra\u00e7\u00e3o do Dia da Fam\u00edlia: \u201cOs Meios de Comunica\u00e7\u00e3o social na Fam\u00edlia: Um Risco e uma Riqueza\u201d Trata-se de reflectir sobre o uso que as fam\u00edlias fazem dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, e tamb\u00e9m de nos interrogarmos sobre o modo como os meios de comunica\u00e7\u00e3o tratam a fam\u00edlia, as suas dificuldades e problemas, esperan\u00e7as e valores. Constantemente a Igreja diz que \u201cos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, em qualquer forma que seja, devem inspirar-se sempre no crit\u00e9rio \u00e9tico do respeito pela verdade e pela dignidade da pessoa humana\u201d (Mensagem, n\u00ba 2). Porque toda a comunica\u00e7\u00e3o tem uma dimens\u00e3o moral, \u00e9 necess\u00e1rio que haja sabedoria e discernimento no seu uso, quer por parte dos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o quer por parte dos pais e educadores, e entre estes ocupam lugar importante os professores. Com efeito s\u00e3o praticamente ilimitadas as possibilidades e virtualidades que as comunica\u00e7\u00f5es sociais t\u00eam no \u00e2mbito da informa\u00e7\u00e3o, da educa\u00e7\u00e3o, da cultura, da cidadania, do crescimento espiritual e at\u00e9 da voca\u00e7\u00e3o para a vida, o que \u00e9 determinante para a realiza\u00e7\u00e3o pessoal ou para o fracasso e frustra\u00e7\u00e3o. A Mensagem do Papa vai ao ponto de pedir tanto quanto exigir \u00e0s autoridades p\u00fablicas que procurem promover o matrim\u00f3nio e a fam\u00edlia. Se tal pedido ou exig\u00eancia diz respeito \u00e0 qualidade da legisla\u00e7\u00e3o e actua\u00e7\u00e3o politica, n\u00e3o deixa de aplicar-se, na medida mais conveniente, \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o social: \u201cSem recorrer \u00e0 censura, \u00e9 imperativo que as autoridades definam politicas de regula\u00e7\u00e3o e procedimentos para garantir que os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o ajam contra o bem da fam\u00edlia: os representantes da fam\u00edlia deveriam fazer parte deste empreendimento pol\u00edtico\u201d (n\u00ba 4). Sendo os termos desta Mensagem extremamente objectivos, serenos, respeitosos para a comunica\u00e7\u00e3o e apelativos para os pais e para as fam\u00edlias, n\u00e3o deixa o Papa (n\u00e3o deixamos n\u00f3s com o Papa) de tocar na ferida que afecta o nosso tempo, e na esperan\u00e7a de n\u00e3o agravar esta ferida ou a tornar cr\u00f3nica: \u201cOs meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveriam parecer ter uma agenda hostil aos valores familiares s\u00f3lidos das culturas tradicionais, ou a finalidade de substituir tais valores, como parte de um processo de globaliza\u00e7\u00e3o, com os valores secularizados da sociedade consumista\u201d (n\u00ba 4). Reconhecemos a enorme potencialidade positiva dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, pedimos-lhes que reconhe\u00e7am a responsabilidade moral que lhes cabe na administra\u00e7\u00e3o de um poder espiritual enorme, que pertence ao patrim\u00f3nio da humanidade e que est\u00e1 destinado a enriquecer toda a comunidade humana (Jo\u00e3o Paulo II aos especialistas das comunica\u00e7\u00f5es, 1987. Cf. n\u00ba 6).  Os meios de comunica\u00e7\u00e3o social entram diariamente nas nossas casas, nas nossas fam\u00edlias, como h\u00f3spedes que desejamos receber com amizade, de quem desejamos despedir-nos sempre com gratid\u00e3o.   Meus Caros fi\u00e9is: A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal \u201cPastores gregis\u201d de 16 de Outubro de 2003 (25\u00ba anivers\u00e1rio da elei\u00e7\u00e3o do Papa para o Supremo Pontificado) diz o seguinte (n\u00ba 52): \u201cPertence ao Bispo fazer com que sejam sustentados e defendidos os valores do matrim\u00f3nio na sociedade civil, atrav\u00e9s de justas decis\u00f5es politicas e econ\u00f3micas. Depois, no \u00e2mbito da comunidade crist\u00e3, n\u00e3o deixar\u00e1 de encorajar a prepara\u00e7\u00e3o dos noivos para o matrim\u00f3nio, o acompanhamento dos jovens casais e a forma\u00e7\u00e3o de grupos de fam\u00edlias que apoiem a pastoral familiar e, n\u00e3o menos importante, sejam capazes de ajudar as fam\u00edlias em dificuldade. A proximidade do Bispo aos c\u00f4njuges e aos seus filhos, inclusive atrav\u00e9s de iniciativas de v\u00e1rio g\u00e9nero com car\u00e1cter diocesano, ser\u00e1 para eles de seguro conforto\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 de conforto para mim a vossa presen\u00e7a neste Dia Diocesano da Fam\u00edlia. Agrade\u00e7o ao Senhor D. Jo\u00e3o Miranda Teixeira a solicitude com que tem acompanhado e fomentado a Pastoral familiar na Diocese. Agrade\u00e7o ao Casal Presidente, ao Assistente e a todos os casais do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar a entrega sacrificada e alegre ao servi\u00e7o das fam\u00edlias. Felicito todos os Casais que quiseram fazer desta celebra\u00e7\u00e3o um momento de jubileu e de renova\u00e7\u00e3o espiritual. \u00c0 maneira de testemunho, com confian\u00e7a e esperan\u00e7a, digamos com a Igreja: \u201cA fam\u00edlia crist\u00e3, igreja dom\u00e9stica, \u00e9 espa\u00e7o aberto \u00e0 presen\u00e7a do Senhor Jesus, santu\u00e1rio da vida. \u00c9 comunidade apost\u00f3lica, aberta \u00e0 miss\u00e3o\u201d (Past. Greg., n\u00ba 52).  Trofa, S. Gens, 6 de Junho de 2004 D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,140,160,168,187,193,206,237,256,285,294,314],"class_list":["post-6302","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-comunicacoes-sociais","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-educacao","tag-familia","tag-joao-paulo-ii","tag-meio-ambiente","tag-patrimonio","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6302"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6302\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}