{"id":62948,"date":"2013-10-17T17:40:58","date_gmt":"2013-10-17T17:40:58","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/10\/17\/uma-crise-com-impacto-sobre-todas-as-familias\/"},"modified":"2013-10-17T17:40:58","modified_gmt":"2013-10-17T17:40:58","slug":"uma-crise-com-impacto-sobre-todas-as-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uma-crise-com-impacto-sobre-todas-as-familias\/","title":{"rendered":"Uma crise com impacto sobre todas as fam\u00edlias"},"content":{"rendered":"<p>Manuel Braga da Cruz, antigo reitor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, \u00e9 o orador principal das XXV Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar que se v\u00e3o realizar no Semin\u00e1rio do Verbo Divino, em F\u00e1tima <!--more--> <\/p>\n<p>Manuel Braga da Cruz recorda nesta entrevista que para a Igreja o trabalho &eacute; fundamental no desenvolvimento da personalidade e que uma das suas dimens&otilde;es mais importantes &eacute; &ldquo;a remunera&ccedil;&atilde;o salarial&rdquo;. O respons&aacute;vel entende que a crise na fam&iacute;lia n&atilde;o se restringe ao atual contexto de crise financeira, mas tem de ser observada num &ldquo;sentido bastante mais lato&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE): De que forma &eacute; que o contexto de crise financeira afeta ou pode afetar o ambiente familiar?<\/em><\/p>\n<p><em>Manuel Braga da Cruz (MBC) &#8211; <\/em>Eu creio que podemos falar de crise da fam&iacute;lia num sentido bastante mais lato. N&oacute;s temos vindo a assistir &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, das suas express&otilde;es concretas j&aacute; h&aacute; muito tempo, creio que a grande transforma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia se operou com o advento das sociedades industriais em que as fam&iacute;lias deixaram de ser unidades de produ&ccedil;&atilde;o para passarem a ser t&atilde;o s&oacute; unidades de consumo, ou seja, a revolu&ccedil;&atilde;o industrial separou o local de trabalho do local de habita&ccedil;&atilde;o e essa foi a grande transforma&ccedil;&atilde;o que mudou e muito as fam&iacute;lias desde as sociedades do antigo regime para as sociedades industriais e para os industriais. &Eacute; evidente que as fam&iacute;lias t&ecirc;m a sua vida econ&oacute;mica pr&oacute;pria tamb&eacute;m e uma crise econ&oacute;mica e financeira com repercuss&otilde;es sociais t&atilde;o fortes como aquela que n&oacute;s estamos a viver &eacute; evidente que afeta e afeta profundamente a vida das fam&iacute;lias. Os or&ccedil;amentos familiares s&atilde;o particularmente afetados por esta crise econ&oacute;mica e social, desde logo porque uma das consequ&ecirc;ncias mais graves da crise tem sido o desemprego e h&aacute; portanto muitas fam&iacute;lias que est&atilde;o a passar por momentos muito aflitivos porque t&ecirc;m ou um dos seus elementos ou &agrave;s vezes at&eacute; mais do que um elemento est&atilde;o a passar pelo desemprego. Portanto, esta crise tem repercuss&otilde;es muito fortes sobre todas as fam&iacute;lias porque est&aacute; a afetar o rendimento de todas as fam&iacute;lias, desde logo do ponto de vista fiscal mas tamb&eacute;m do ponto de vista das redu&ccedil;&otilde;es salariais. Claro que h&aacute; umas fam&iacute;lias mais afetadas do que outras mas eu ousaria dizer que a totalidade das fam&iacute;lias &eacute; atingida pela crise.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE: Existe hoje uma defini&ccedil;&atilde;o &uacute;nica de fam&iacute;lia?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> A fam&iacute;lia tem uma grande diversidade de manifesta&ccedil;&otilde;es mas h&aacute; uma realidade que remete para um conceito de fam&iacute;lia. A fam&iacute;lia tal como n&oacute;s a entendemos h&aacute; muitos s&eacute;culos baseia-se na consanguinidade, n&oacute;s dizemos que uma pessoa &eacute; da nossa fam&iacute;lia quando tem o nosso sangue e, por isso, a fam&iacute;lia &eacute; composta por uma rela&ccedil;&atilde;o conjugal, entre um homem e uma mulher, e composta tamb&eacute;m por uma rela&ccedil;&atilde;o pais-filhos porque &eacute; da pr&oacute;pria natureza e fins da fam&iacute;lia a procria&ccedil;&atilde;o, ou seja, o garantir o desenvolvimento da esp&eacute;cie. Portanto, embora haja uma grande variedade e uma grande diversidade de fam&iacute;lias, a fam&iacute;lia &eacute; uma realidade que tem um significado muito pr&oacute;prio e que existe em todas as sociedades contempor&acirc;neas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: Ser&aacute; que as fam&iacute;lias continuam a ser o ref&uacute;gio e o suporte de situa&ccedil;&otilde;es de car&ecirc;ncia ou n&atilde;o h&aacute; la&ccedil;os familiares que aguentem tanto desemprego e pobreza?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC: <\/em>Estas crises sobretudo com altas taxas de desemprego normalmente p&otilde;em em manifesto a import&acirc;ncia da solidariedade familiar. A fam&iacute;lia &eacute; a grande estrutura que apoia estas situa&ccedil;&otilde;es de desemprego muito avultado, tem sido assim no estrangeiro, tem sido assim entre n&oacute;s e o que verificamos &eacute; que o grande suporte para estas crises de emprego &eacute; a fam&iacute;lia. Claro que h&aacute; tamb&eacute;m contributos relevantes das pol&iacute;ticas sociais, nomeadamente dos subs&iacute;dios de desemprego e outros apoios sociais mas sem o apoio familiar este fen&oacute;meno tinha uma gravidade que felizmente s&oacute; n&atilde;o tem porque h&aacute; fam&iacute;lias solid&aacute;rias e h&aacute; uma solidariedade no interior das fam&iacute;lias que esbate e muito os efeitos da crise econ&oacute;mico-social e particularmente o desemprego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: Normalmente as crises econ&oacute;micas e sociais geram situa&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias no trabalho. Ser&aacute; que essas situa&ccedil;&otilde;es de precariedade no trabalho n&atilde;o afetam a estabilidade da fam&iacute;lia?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> A precariedade seguramente que tem repercuss&otilde;es sobre a vida familiar, desde logo porque a programa&ccedil;&atilde;o a longo prazo &eacute; afetada por la&ccedil;os ou v&iacute;nculos laborais n&atilde;o t&atilde;o est&aacute;veis como seria para desejar mas temos de pensar tamb&eacute;m que mais importante do que a perenidade dos v&iacute;nculos laborais &eacute; a exist&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o laboral. E, portanto, entre o ter trabalho e n&atilde;o ter e a ter um trabalho que tem alguma instabilidade, claro que &eacute; prefer&iacute;vel ter trabalho apesar da instabilidade. Muito embora, temos de reconhecer que esta aus&ecirc;ncia de um v&iacute;nculo mais est&aacute;vel impede as fam&iacute;lias muitas vezes de fazer programa&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e sociais que muitas vezes s&atilde;o muito importante para o desenvolvimento da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE: O que dizem os documentos da Igreja sobre esta rela&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-trabalho?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> A Igreja considera o trabalho como algo que &eacute; fundamental ao desenvolvimento da personalidade e uma das dimens&otilde;es mais importantes do trabalho &eacute; a remunera&ccedil;&atilde;o salarial. A Igreja sempre defendeu que o sal&aacute;rio n&atilde;o deve ser apenas uma remunera&ccedil;&atilde;o individual mas que deve ter em considera&ccedil;&atilde;o a necessidade de o sal&aacute;rio prover &agrave;s necessidades familiares. Ou seja, quem trabalha nunca trabalha s&oacute;, trabalha integrado numa fam&iacute;lia e portanto a remunera&ccedil;&atilde;o salarial nunca &eacute; uma remunera&ccedil;&atilde;o apenas pelo seu trabalho mas &eacute; uma remunera&ccedil;&atilde;o social. Isto quer dizer que deve ter presente a dimens&atilde;o familiar do trabalhador e deve ter presente as necessidades que est&atilde;o para al&eacute;m da mera subsist&ecirc;ncia de quem trabalha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: Como &eacute; que a Igreja Cat&oacute;lica consegue dialogar com um conceito mais generalizado de fam&iacute;lia, muitas vezes plural e diversificado?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> Disse h&aacute; pouco que n&oacute;s hoje confrontamo-nos com uma grande variedade de tipos familiares, alias a variedade de tipos familiares n&atilde;o &eacute; de hoje, sempre houve ao longo da hist&oacute;ria uma grande variedade de fam&iacute;lias. A forma de organiza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia varia muito de sociedade para sociedade, a forma de organiza&ccedil;&atilde;o social, de organiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, as fun&ccedil;&otilde;es sociais e econ&oacute;micas atribu&iacute;das &agrave;s fam&iacute;lias sempre variaram muito ao longo dos tempos. N&oacute;s hoje confrontamo-nos com fam&iacute;lias muito diversificadas, na sua composi&ccedil;&atilde;o, no seu papel social, na sua apresenta&ccedil;&atilde;o social, para a Igreja que tem ao ver na fam&iacute;lia uma c&eacute;lula base da sociedade e uma Igreja em miniatura &eacute; &oacute;bvio que a fam&iacute;lia tem que ser defendida, promovida. Tem que ser defendida de muitos riscos que afetam a sua estabilidade e afetam a sua exist&ecirc;ncia e portanto apesar da diversidade h&aacute; um como que denominador comum a todas as fam&iacute;lias que pede que as fam&iacute;lias sejam respeitadas, que a vida familiar seja promovida e que se deem condi&ccedil;&otilde;es &agrave;s fam&iacute;lias para que elas desempenhem o papel insubstitu&iacute;vel que t&ecirc;m na sociedade e portanto, n&atilde;o &eacute; a variedade que constitui um problema para a Igreja, &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o como tal que deve de ser acarinhada, protegida, incentivada e desenvolvida.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE: Para conseguir desenvolver uma pastoral familiar n&atilde;o &eacute; preciso alterar ou mudar algumas atitudes da Igreja Cat&oacute;lica?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC: <\/em>Eu penso que h&aacute; hoje novos desafios &agrave; pastoral da fam&iacute;lia que surgem das novas realidades familiares, desde logo os problemas que est&atilde;o a afetar a estabilidade da fam&iacute;lia, os problemas que est&atilde;o a afetar o papel social da fam&iacute;lia, sobretudo o papel educativo, e os problemas que est&atilde;o a impedir o papel nomeadamente educativo da fam&iacute;lia. O mundo tem evolu&iacute;do muito intensamente, muito fortemente, as realidades familiares de hoje oferecem grandes novidades, muitos riscos, alguns perigos, algumas situa&ccedil;&otilde;es que precisam de ser corrigidas e a Igreja tem de estar atenta e ajudar a fam&iacute;lia a retomar o seu papel e a sua fun&ccedil;&atilde;o. Para al&eacute;m de que &eacute; na fam&iacute;lia que a f&eacute; melhor se transmite e portanto o grande desafio tamb&eacute;m &agrave; pastoral da fam&iacute;lia &eacute; saber ou ajudar a fam&iacute;lia a reencontrar aquelas condi&ccedil;&otilde;es para fazer aquela primeira catequese que &eacute; necessariamente uma catequese familiar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: Em Portugal, a pastoral familiar est&aacute; muito associada &agrave; defesa da vida. Ser&aacute; que n&atilde;o est&aacute; a esquecer tamb&eacute;m outros problemas sociais que afetam gravemente a fam&iacute;lia como o desemprego e o isolamento das fam&iacute;lias em ambiente urbano?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC: <\/em>Eu acho que o problema da vida &eacute; dos maiores problemas com que hoje se confronta a sociedade, se confrontam os cat&oacute;licos e se confrontam as fam&iacute;lias. Portanto o dar um lugar de grande destaque ao problema da vida &eacute; a meu ver uma posi&ccedil;&atilde;o correta e que releva de uma perce&ccedil;&atilde;o aguda da import&acirc;ncia da vida na sociedade. Agora, a pastoral da fam&iacute;lia n&atilde;o se esgota de maneira nenhuma na defesa da vida, a pastoral da fam&iacute;lia tem que prestar aten&ccedil;&atilde;o e muita &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de vida das fam&iacute;lias, ao papel que a fam&iacute;lia tem nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e tamb&eacute;m aos problemas econ&oacute;micos que afetam de uma forma muito forte as fam&iacute;lias e os seus or&ccedil;amentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: Como entende a afirma&ccedil;&atilde;o do Papa Francisco que diz que n&atilde;o se deve insistir somente em quest&otilde;es ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e ao uso do contracetivo.<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> Porque a vida n&atilde;o se reduz a isso, a vida &eacute; muito mais do que isso, claro que o Papa n&atilde;o disse para n&atilde;o prestarmos aten&ccedil;&atilde;o a essas coisas, disse para n&atilde;o nos atermos apenas a esses problemas. O que significa que h&aacute; uma aten&ccedil;&atilde;o que tem de ser dada a aspetos pedag&oacute;gicos, a aspetos de transmiss&atilde;o de valores, a aspetos de apoio e ajuda das pessoas nos seus m&uacute;ltiplos problemas que t&ecirc;m que ir de par e passo com a preocupa&ccedil;&atilde;o que temos pela defesa da vida, pela preocupa&ccedil;&atilde;o de defesa do matrim&oacute;nio como base na constitui&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia e que temos pela pr&oacute;pria vida familiar naquilo que ela tem de mais importante.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>AE: Que oportunidade constituir&aacute; o s&iacute;nodo que o Papa convocou para outubro de 2014?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> Eu acho que o s&iacute;nodo &eacute; uma excelente oportunidade para a Igreja refletir sobre a import&acirc;ncia da fam&iacute;lia na transmiss&atilde;o do Evangelho e para uma reorganiza&ccedil;&atilde;o social com base em valores crist&atilde;os. A fam&iacute;lia est&aacute; a ser objeto de uma, h&aacute; fatores de instabiliza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, h&aacute; fatores de empobrecimento da fam&iacute;lia, h&aacute; at&eacute; estrat&eacute;gias que tendem a destruir a fam&iacute;lia, nos vivemos em sociedades que s&atilde;o profundamente individualistas, e h&aacute; estrat&eacute;gias de afirma&ccedil;&atilde;o do individuo em detrimento da fam&iacute;lia e dos corpos interm&eacute;dios da sociedade. &Eacute; muito importante que a Igreja assuma as suas responsabilidades em defesa da fam&iacute;lia e assuma a sua responsabilidade em defesa do papel insubstitu&iacute;vel que a fam&iacute;lia tem na reconstru&ccedil;&atilde;o das sociedades de uma forma mais justa e equitativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: O s&iacute;nodo tem como tema &lsquo;os desafios pastorais da fam&iacute;lia no contexto da envangeliza&ccedil;&atilde;o&rsquo;. Qual a urg&ecirc;ncia de debater estes temas?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> Julgo que estamos hoje a assistir &agrave; necessidade de reafirma&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia nas sociedades mais desenvolvidas, combatendo o individualismo, combatendo o relativismo, combatendo o hedonismo, e a Igreja tem um papel muito importante que &eacute; o de com a sua longa experi&ecirc;ncia, com a sua longa sabedoria chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o papel insubstitu&iacute;vel da fam&iacute;lia. A Igreja pode faz&ecirc;-lo at&eacute; porque &eacute; a institui&ccedil;&atilde;o, de todas as institui&ccedil;&otilde;es sociais e mundiais, aquela que em melhores condi&ccedil;&otilde;es est&aacute; para propor uma revaloriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia nas sociedades modernas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE: Poder&aacute; o s&iacute;nodo ser oportunidade de debater o acolhimento de pessoas divorciadas e recasadas na Igreja?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> A Igreja nunca disse que aqueles que tiveram a infelicidades de verem as suas vidas familiares interrompidas e as suas rela&ccedil;&otilde;es conjugais interrompidas, nunca disse que essas pessoas deviam ser exclu&iacute;das da comunidade. Uma coisa &eacute; a exclus&atilde;o da comunh&atilde;o outra &eacute; a exclus&atilde;o da comunidade. A Igreja nunca defendeu a marginaliza&ccedil;&atilde;o dessas pessoas, n&oacute;s devemos ter uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o pela inclus&atilde;o e pela integra&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria desses nossos irm&atilde;os que tiveram a infelicidade de verem a vida familiar afetadas por m&uacute;ltiplos problemas. A integra&ccedil;&atilde;o dessas pessoas numa vida espiritual e numa vida comunit&aacute;ria crist&atilde; &eacute; muito importante e penso que todos temos obriga&ccedil;&atilde;o de pensar nas melhores formas de os integrar a todos comunitariamente.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE: Que acolhimento interessa promover nestes casos se n&atilde;o podem ser exclu&iacute;dos da comunidade?<\/em><\/p>\n<p><em>MBC:<\/em> &Eacute; isso mesmo, se n&atilde;o devem ser exclu&iacute;dos da comunidade devemos por todas as formas procurar que eles vivam connosco e trabalhem connosco pela difus&atilde;o da mensagem evang&eacute;lica e pela tradu&ccedil;&atilde;o dos valores do Evangelho muito embora sabendo que muitos deles t&ecirc;m problemas que merecem a nossa compreens&atilde;o e merecem a nossa ajuda porque em muitos casos essas situa&ccedil;&otilde;es podem ter as suas evolu&ccedil;&otilde;es e as suas evolu&ccedil;&otilde;es. &Eacute; para eles que temos de olhar com olhar atento, fraterno e integrador.<\/p>\n<p><em>CP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Braga da Cruz, antigo reitor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, \u00e9 o orador principal das XXV Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar que se v\u00e3o realizar no Semin\u00e1rio do Verbo Divino, em 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