{"id":629,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/imigrantes-debaixo-da-lei\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"imigrantes-debaixo-da-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/imigrantes-debaixo-da-lei\/","title":{"rendered":"Imigrantes debaixo da Lei"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA Lei 38\/2003 ignora, pura e simplesmente, aqueles que est\u00e3o irregulares, os indocumentados, e essa \u00e9 a maior e mais grave lacuna que eu vejo na lei. Estamos a falar de 50.000 a 60.000 pessoas, temos de denunciar esta situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque essas pessoas come\u00e7am a sentir-se intimidadas, com os rumores de expuls\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 muitos indocumentados que est\u00e3o a trabalhar: se a lei vai punir com coimas os empregadores, os trabalhadores clandestinos ser\u00e3o despedidos, porque n\u00e3o acredito que os empregadores v\u00e3o custear os tr\u00e2mites da legaliza\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta o Pe. Ver\u00edssimo Teles, mission\u00e1rio espiritano, do Centro Padre Alves Correia (CPAV). Segundo este sacerdote, empenhado no trabalho junto dos imigrantes, a lei, que entrou em vigor na \u00faltima quarta-feira, n\u00e3o apresenta respostas, n\u00e3o abre possibilidades para que os imigrantes se possam \u201cdocumentar\u201d \u2013 como gosta de dizer. Entretanto, o telem\u00f3vel do Pe. Ver\u00edssimo Teles toca. As preocupa\u00e7\u00f5es que exponha \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia ganham um rosto: \u00e9 o Manuel, um trabalhador com medo de que a qualquer momento \u201cvenham busc\u00e1-lo\u201d, explica o Pe. Teles. \u201cQuem entrou em Agosto de 2001 est\u00e1 dentro dos prazos marcados, mas n\u00e3o quer dizer que a legaliza\u00e7\u00e3o se fa\u00e7a imediatamente\u201d, responde-lhe para o sossegar. O nosso entrevistado faz quest\u00e3o de que continuemos a ouvir esta conversa: \u201cest\u00e1s preocupado, mas ele vai-te fazer esse contrato, tenho a certeza. Eu pr\u00f3prio vou falar com ele, est\u00e1 bem? N\u00e3o fiques preocupado nem com medo, ningu\u00e9m te vai mandar do pa\u00eds para fora\u201d, assegura o Pe. Teles. O exemplo n\u00e3o poderia ter sido mais cristalino: \u201ctodos estamos de acordo no combate \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o clandestina que puna os mafiosos e os traficantes, os empregadores menos honestos. O que n\u00e3o se pode admitir \u00e9 que se potencie o aumento de indocumentados, que ficar\u00e3o sem as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida\u201d, sublinha. O Pe Teles n\u00e3o sust\u00e9m o desabafo: \u201cresta-nos esperar que a regulamenta\u00e7\u00e3o da nova lei seja humanista, que n\u00e3o expulse do pa\u00eds pessoas honestas e trabalhadoras de que todos somos respons\u00e1veis\u201d. Estes \u201cindocumentados\u201d s\u00e3o considerado os cidad\u00e3os mais fr\u00e1geis: \u201cvivem em situa\u00e7\u00e3o infra-humana, n\u00e3o t\u00eam direito a ser acolhidos nas institui\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia social, n\u00e3o podem aceder a cuidados m\u00e9dicos a n\u00e3o ser as urg\u00eancias, est\u00e3o \u00e0 margem dos nosso servi\u00e7os de apoio e da Seguran\u00e7a Social\u201d, revela este respons\u00e1vel. Outra premissa contestada na nova lei por quem trabalha directamente com os imigrantes \u00e9 a de se condicionar a entrada no pa\u00eds ao mercado de trabalho: \u201cse fundamentalmente todos estamos de acordo com isso, temos de lembrar que h\u00e1 outras maneiras de ser imigrantes. H\u00e1 quem venha juntar-se \u00e0 fam\u00edlia, h\u00e1 quem chegue por raz\u00f5es humanit\u00e1rias, pessoas que n\u00e3o v\u00eam directamente para trabalhar, mas que devem ser acolhidas\u201d. Uma esperan\u00e7a que a lei 38\/2003 traz consigo \u00e9 a de se facilitar o reagrupamento familiar: \u201cse a esposa de um imigrante chegar, tem direito a entrar no mercado de trabalho, algo que n\u00e3o era assim no passado. O que n\u00e3o est\u00e1 resolvido \u00e9 o problema dos menores de pais indocumentados. \u00c9 de direito universal que cada pessoa tenha uma p\u00e1tria e temos de acolher esses meninos\u201d, refere o nosso entrevistado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Lei 38\/2003 ignora, pura e simplesmente, aqueles que est\u00e3o irregulares, os indocumentados, e essa \u00e9 a maior e mais grave lacuna que eu vejo na lei. 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