{"id":62856,"date":"2013-10-11T12:15:34","date_gmt":"2013-10-11T12:15:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/10\/11\/ensino-publico-com-escola-estatal-privada-e-cooperativa\/"},"modified":"2013-10-11T12:15:34","modified_gmt":"2013-10-11T12:15:34","slug":"ensino-publico-com-escola-estatal-privada-e-cooperativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ensino-publico-com-escola-estatal-privada-e-cooperativa\/","title":{"rendered":"Ensino p\u00fablico com escola estatal, privada e cooperativa"},"content":{"rendered":"<p>Cada dia, em alguns aspetos, a democracia vem amea&ccedil;ando virar ditadura. Em rela&ccedil;&atilde;o a um problema nacional importante, finalmente h&aacute; coragem para romper o muro do sectarismo e dos interesses partid&aacute;rios e corporativos, para que a democracia se afirme. O problema n&atilde;o &eacute; novo. Com v&aacute;rios resistentes, a luta pelo ensino p&uacute;blico nas escolas privadas, trava-se h&aacute; mais de quarenta anos.<\/p>\n<p>O dever do estado social n&atilde;o &eacute; ser estado provid&ecirc;ncia e, no caso, n&atilde;o &eacute; criar escolas pr&oacute;prias, desconhecendo as existentes, mas garantir que todos os cidad&atilde;os tenham, progressivamente, em regime de liberdade e em clima de proposta qualificada um ensino p&uacute;blico de qualidade, acess&iacute;vel a todos. O estado deve garantir a todos os pais este ensino seja ele ministrado em escolas estatais ou privadas e cooperativas. A nomenclatura constitucional n&atilde;o respeita neste ponto a democracia.<\/p>\n<p>Os pais pagam os seus impostos, mas t&ecirc;m-lhes sido negado este direito. Em contradi&ccedil;&atilde;o com pa&iacute;ses evolu&iacute;dos da UE, espalhou-se a ideia de que o ensino privado &eacute; elitista e para os ricos. S&oacute; a escola estatal, diz-se, &eacute; para os pobres e nela se garante, sem discrimina&ccedil;&otilde;es, o ensino para todos. A hist&oacute;ria desmente por completo este preconceito em rela&ccedil;&atilde;o a escolas com contrato de associa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; destas que falo. Os estados socialistas, extremos ou moderados, &agrave; revelia do direito constitucional de ensinar e de aprender, acorrentam a liberdade a projetos ideol&oacute;gicos, fazendo do estado o dono e patr&atilde;o das crian&ccedil;as e dos jovens. N&atilde;o se chegou a export&aacute;-las. Outros o fizeram. Foi sempre este o rumo dos governos totalit&aacute;rios e dos que o desejam ser.<\/p>\n<p>A escola privada, situada durante d&eacute;cadas no meio do povo, foi destru&iacute;da pelo furor v&acirc;ndalo do PREC, incapaz de respeitar o mesmo povo, a sua hist&oacute;ria e cultura, a iniciativa privada, a entrega &agrave; causa de quem levava, generosamente, o saber escolar ao povo, esquecido e abandonado no interior do pa&iacute;s. Sou testemunha viva de casos escandalosos de destrui&ccedil;&atilde;o e asfixia programada de projetos s&eacute;rios e apaixonantes a favor do povo, para gente que se n&atilde;o assim n&atilde;o iria al&eacute;m da instru&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria.<\/p>\n<p>Sem escolas do estado, depressa surgiu a necessidade de recorrer &agrave;s escolas privadas que ainda restavam. Fizeram-se contratos de associa&ccedil;&atilde;o com exig&ecirc;ncias normais de escolas para todos. Por&eacute;m, o bichinho estatizante permaneceu. A medida era um mal menor e os contratos s&oacute; tinham raz&atilde;o de ser, dizia-se onde as escolas estatais ainda n&atilde;o atingiam toda a popula&ccedil;&atilde;o escolar. O ensino privado era apenas supletivo. Para estrangular o que restava acelerou-se a constru&ccedil;&atilde;o escolas estatais em todo o lado. Esbanjou-se o modesto er&aacute;rio modesto, edificando edif&iacute;cios novos onde havia escolas privadas com &oacute;timas instala&ccedil;&otilde;es, com prest&iacute;gio, bem apetrechadas, a funcionar em pleno, cada ano desde a abertura das aulas. Como se n&atilde;o chegasse, reduziram-se turmas a estas escolas e diminuiu-se, arbitrariamente, o contributo por turma, &agrave; revelia do acordo feito. Parecia urgente inviabilizar o seu normal funcionamento. As zonas escolares eram sempre favor&aacute;veis &agrave;s escolas estatais, em detrimento das outras que existiam no territ&oacute;rio. O rumo para o socialismo, desprezou a liberdade constitucional. O espirito democr&aacute;tico foi abafado. Esqueceu-se a sociedade civil com suas capacidades e legitimas iniciativas. Marcou-se, a prazo, o termo das escolas com acordos de associa&ccedil;&atilde;o&hellip; Em momentos de pron&uacute;ncia festiva, os governantes, por&eacute;m, louvavam as escolas privadas. As suas associa&ccedil;&otilde;es representativas nunca se calaram na defesa dos direitos dos pais e dos alunos. Mas eram interlocutores menores&hellip;<\/p>\n<p>&Eacute; dever do estado garantir, por meios adequados e justos, todo o ensino p&uacute;blico, qualquer que seja a escola que o ministre. Compete estabelecer regras de justi&ccedil;a que garantam a seriedade, tanto do ensino p&uacute;blico, estatal ou privado, dos respons&aacute;veis da escola, de quem a&iacute; &eacute; professor educador. &Eacute; preciso deixar espa&ccedil;o &agrave; leg&iacute;tima concorr&ecirc;ncia dos projetos educativos e dos meios pedag&oacute;gicos, &agrave; capacidade de inova&ccedil;&atilde;o, &agrave; exigente apresenta&ccedil;&atilde;o de contas dos dinheiros investidos, qualquer que seja a natureza da escola. Por defesa da escola estatal e por press&otilde;es corporativas dos partidos pol&iacute;ticos ou dos sindicatos de professores, o pa&iacute;s n&atilde;o pode passar ao lado de nega&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e de injusti&ccedil;as discriminat&oacute;rias.<\/p>\n<p>As medidas anunciadas pelo Ministro da Educa&ccedil;&atilde;o j&aacute; come&ccedil;aram a ser contestadas por cr&iacute;ticos e pol&iacute;ticos, partidos e sindicatos, e por entrevistas manipuladas nos media. Tudo com preconceitos e ideias feitas &agrave; base de slogans bafientos. Era inevit&aacute;vel. Do seu dever democr&aacute;tico, neste e noutros campos, um governo respons&aacute;vel n&atilde;o pode desistir, nem ter medo de avan&ccedil;ar, pese embora aos habituais cr&iacute;ticos de pensar unidimensional.<\/p>\n<p><strong>Ant&oacute;nio Marcelino<br \/><\/strong><em style=\"font-family: Calibri, CAL, Arial, Helvetica, sans-serif;\">(O texto do bispo em&eacute;rito foi escrito propositadamente para esta edi&ccedil;&atilde;o e &eacute; publicado a t&iacute;tulo p&oacute;stumo)<\/em><\/p>\n<p style=\"margin: 0px; font-family: Calibri, CAL, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin: 0px; font-family: Calibri, CAL, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\">Nota da reda&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n<p style=\"margin: 0px; font-family: Calibri, CAL, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px;\"><em>D. Ant&oacute;nio Marcelino sempre colaborou, com enorme disponibilidade, com a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA. Agradecemos-lhe muito e prometemos levar por diante o desafio que sempre nos colocou: promover o di&aacute;logo e o debate de ideias.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada dia, em alguns aspetos, a democracia vem amea&ccedil;ando virar ditadura. Em rela&ccedil;&atilde;o a um problema nacional importante, finalmente h&aacute; coragem para romper o muro do sectarismo e dos interesses partid&aacute;rios e corporativos, para que a democracia se afirme. O problema n&atilde;o &eacute; novo. 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