{"id":62854,"date":"2013-10-11T12:09:17","date_gmt":"2013-10-11T12:09:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/10\/11\/d-antonio-marcelino-um-bispo-que-nao-deixou-apodrecer-o-ii-concilio-do-vaticano\/"},"modified":"2013-10-11T12:09:17","modified_gmt":"2013-10-11T12:09:17","slug":"d-antonio-marcelino-um-bispo-que-nao-deixou-apodrecer-o-ii-concilio-do-vaticano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-antonio-marcelino-um-bispo-que-nao-deixou-apodrecer-o-ii-concilio-do-vaticano\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Marcelino &#8211; Um bispo que n\u00e3o deixou apodrecer o II Conc\u00edlio do Vaticano"},"content":{"rendered":"<p>A not\u00edcia do falecimento de D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro, obrigou-me a revisitar o pensamento e alguns textos do prelado sobre o grande acontecimento eclesial do s\u00e9culo XX. N\u00e3o esteve presente na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro durante os trabalhos conciliares (1962-1965), mas intuiu que algo estava a mudar na din\u00e2mica eclesial. Estudou em Roma (voltou em 1958) e sentia a efervesc\u00eancia embrion\u00e1ria da convoca\u00e7\u00e3o conciliar. Um dia confessou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que \u201cestava tudo a abanar\u201d. <!--more--> <\/p>\n<p>A not&iacute;cia do falecimento de D. Ant&oacute;nio Marcelino, bispo em&eacute;rito de Aveiro, obrigou-me a revisitar o pensamento e alguns textos do prelado sobre o grande acontecimento eclesial do s&eacute;culo XX.<\/p>\n<p>N&atilde;o esteve presente na Bas&iacute;lica de S&atilde;o Pedro durante os trabalhos conciliares (1962-1965), mas intuiu que algo estava a mudar na din&acirc;mica eclesial. Estudou em Roma (voltou em 1958) e sentia a efervesc&ecirc;ncia embrion&aacute;ria da convoca&ccedil;&atilde;o conciliar. Um dia confessou &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA que &ldquo;estava tudo a abanar&rdquo;. Pio XII morre em setembro, &eacute; eleito, em outubro, Jo&atilde;o XXIII.<\/p>\n<p>&ldquo;Vivi esta transi&ccedil;&atilde;o toda. Em Roma, t&iacute;nhamos um grupo de padres que se reunia a sonhar com Portugal&rdquo;. Depois daquela experi&ecirc;ncia foi para o Semin&aacute;rio com uma &ldquo;mentalidade aberta. Escrevi sobre preparar pessoas para o catecumenato e alguns colegas ficaram muito ofendidos, porque pensaram que eu estava a p&ocirc;r problemas que ainda n&atilde;o se sentiam. O meu bispo apoiou-me sempre muito&rdquo;.<\/p>\n<p>A seguir ao conc&iacute;lio, viajou pelo pa&iacute;s de norte a sul para &ldquo;falar dos documentos conciliares&rdquo;, relatou com um brilho nos olhos. Com o II Conc&iacute;lio do Vaticano, abriu-se um novo horizonte. &ldquo;Na altura senti que o fruto estava maduro: era altura de o comer ou dele apodrecer&rdquo;. Viveu esses anos de forma apaixonada e empenhou-se, fortemente, na sua divulga&ccedil;&atilde;o. Chefiou uma equipa que passou pelas dioceses portuguesas &ldquo;oferecendo cursos novos sobre temas conciliares&rdquo; &ndash; disse.<\/p>\n<p>Passados 50 anos do in&iacute;cio dos trabalhos conciliares, D. Ant&oacute;nio Marcelino continuava a falar do magno acontecimento convocado por Jo&atilde;o XXIII e terminado com Paulo VI com palavras vivenciais que lhe saiam naturalmente. Da sua pena fluida e profunda &ndash; lia religiosamente os artigos que publicava semanalmente no &laquo;Correio do Vouga&raquo; &#8211; D. Ant&oacute;nio Marcelino alertava consci&ecirc;ncias, ancorado nas traves mestras do II Conc&iacute;lio do Vaticano.<\/p>\n<p>No episcopado portugu&ecirc;s, D. Ant&oacute;nio Marcelino era considerado um dos bispos mais inovadores. Perante esta qualifica&ccedil;&atilde;o, o prelado de Aveiro referiu que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; uma bitola para dizer que se &eacute; mais inovador ou menos. Temos que nos p&ocirc;r sempre ao n&iacute;vel das dioceses, das capacidades e servi&ccedil;os. Posso dar mais nas vistas em rela&ccedil;&atilde;o a algum tipo de coisas e a alguns riscos que sempre corri. Porque &eacute; que fui o primeiro bispo a fazer um s&iacute;nodo diocesano? Andava tudo com muito medo. Eu falava da ideia e diziam-me: &laquo;Faz tu primeiro&raquo;. Vivi sempre esta preocupa&ccedil;&atilde;o: que a Igreja fosse um servi&ccedil;o para o mundo e que aprendesse de facto a dialogar com o mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Ao olhar para a Igreja portuguesa (soma das dioceses), D. Ant&oacute;nio Marcelino real&ccedil;ou que esta &ldquo;n&atilde;o tem um plano em grandes linhas para poder enfrentar os problemas. E n&atilde;o tem porqu&ecirc;? N&atilde;o v&ecirc; os problemas? Claro que os v&ecirc;. Simplesmente, a perce&ccedil;&atilde;o &eacute; totalmente diferente numa diocese do norte ou no sul, no interior ou litoral. Com perce&ccedil;&otilde;es t&atilde;o diversas, &eacute; muito complicado ter planos que enfrentem as situa&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/p>\n<p>Vou sentir saudades suas e das ideias que deixava semanalmente. Recordo o &uacute;ltimo encontro &ndash; ajudei-o a transportar a pasta durante o trajeto &ndash; onde o prelado conciliar e conciliador me confessou: &ldquo;Agora tenho mais tempo para ler e aprofundar a realidade &agrave; luz do II Conc&iacute;lio do Vaticano&rdquo;.<\/p>\n<p><em>LFS&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A not\u00edcia do falecimento de D. Ant\u00f3nio Marcelino, bispo em\u00e9rito de Aveiro, obrigou-me a revisitar o pensamento e alguns textos do prelado sobre o grande acontecimento eclesial do s\u00e9culo XX. 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