{"id":62788,"date":"2013-10-07T13:09:34","date_gmt":"2013-10-07T13:09:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/10\/07\/cinema-a-delicada-situacao-do-cinema-portugues\/"},"modified":"2013-10-07T13:09:34","modified_gmt":"2013-10-07T13:09:34","slug":"cinema-a-delicada-situacao-do-cinema-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-a-delicada-situacao-do-cinema-portugues\/","title":{"rendered":"Cinema: A delicada situa\u00e7\u00e3o do cinema portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Depois de alguns artigos aqui dedicados &agrave; vitalidade do cinema portugu&ecirc;s, em termos de impulso criador, produtores, distribuidores, profissionais e criadores do cinema nacional reunem-se para debater a sua fr&aacute;gil situa&ccedil;&atilde;o. Em causa, est&aacute; a significativa redu&ccedil;&atilde;o dos apoios estatais &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;ficas, impacto de um &lsquo;ano zero&rsquo; em 2012 e do n&atilde;o cumprimento &#8211; sobretudo em tempo &uacute;til para a sobreviv&ecirc;ncia de alguns dos subscritores deste protesto,&nbsp; da taxa de contribui&ccedil;&atilde;o prevista pela nova&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.ica-ip.pt\/Admin\/Files\/Documents\/contentdoc2315.pdf\" target=\"_blank\">Lei do Cinema<\/a>&nbsp;&nbsp;por parte dos operadores de telecomunica&ccedil;&otilde;es e televis&atilde;o por subscri&ccedil;&atilde;o. Estima-se que o montante global desta contribui&ccedil;&atilde;o, cujos termos e legalidade s&atilde;o postos em causa por alguns dos operadores e que reverteria a favor do cinema nacional, ronde os onze milh&otilde;es de euros.<\/p>\n<p>Independentemente do que em concreto aqui se discute, com uma crise global e nacional a provocar maior convuls&atilde;o entre partes que lutam, de forma desigual mas&nbsp;cada qual ao seu modo de fazer face ora &agrave; sobreviv&ecirc;ncia ora &agrave; queda de receita, a crise no cinema portugu&ecirc;s tem um alcance que &nbsp;nos obriga a refletir sobre a ainda incipiente ades&atilde;o ou mobiliza&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica para a sua causa. E &eacute;&nbsp;tamb&eacute;m por isso, por n&atilde;o constituir for&ccedil;a suficiente para corrigir a inoper&acirc;ncia do estado ou acelerar o ritmo das inst&acirc;ncias legais para resolver diferendos como este, que os mesmos tardam em resolver-se. Com manifesto preju&iacute;zo do cinema e do pr&oacute;prio p&uacute;blico. Se a ades&atilde;o fosse significativa,&nbsp;<a href=\"http:\/\/peticaopublica.com\/pview.aspx?pi=P2010N1571\" target=\"_blank\">manifestos como este<\/a>&nbsp;&nbsp;n&atilde;o renderiam o escasso n&uacute;mero de assinaturas ali declarados. Se a ades&atilde;o fosse significativa, o investimento dos maiores operadores do audiovisual no cinema portugu&ecirc;s seria bem maior, dependendo menos da imposi&ccedil;&atilde;o de taxas e mais da receita diretamente criada pela bilheteira.<\/p>\n<p>No momento em que criadores e obras nacionais, sobretudo jovens, merecem reconhecimento e aplauso nos mais prestigiados&nbsp;festivais internacionais de cinema, como tem sido sobejamente noticiado nos media, n&atilde;o &eacute; de falta de qualidade que o cinema portugu&ecirc;s padece.<\/p>\n<p>Os filmes premiados abordam universos e tem&aacute;ticas t&atilde;o diferentes quanto a diversidade de p&uacute;blico que t&ecirc;m tocado: &lsquo;Rafa&rsquo;, &lsquo;Tabu&rsquo; ou &lsquo;&Eacute; na Terra n&atilde;o &eacute; na Lua&rsquo; s&atilde;o disso prova e a ades&atilde;o<\/p>\n<p>do p&uacute;blico a que as obras t&ecirc;m&nbsp;<\/p>\n<p>chegado, na propor&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o que lhes &eacute; feita, tem sido bastante positiva. O caso de &lsquo;A Gaiola Dourada&rsquo;, n&atilde;o sendo um galardoado, revela uma ampla &lsquo;premia&ccedil;&atilde;o&rsquo; por receita direta de bilheteira. Significa que o p&uacute;blico reage aos universos familiares.<\/p>\n<p>Por outro lado, a crescente ades&atilde;o do p&uacute;blico aos festivais de cinema, mostra, claramente, a sua apet&ecirc;ncia para g&eacute;neros, registos, formatos, est&eacute;ticas e sobretudo conte&uacute;dos muito plurais e muito diferentes dos que o circuito comercial maioritariamente oferece. Os investimentos que t&ecirc;m sido feitos para fomentar a qualidade e diversidade da experi&ecirc;ncia cinematogr&aacute;fica em si mesma, por quase oposi&ccedil;&atilde;o ao&nbsp;impulso dos multiplex de comercializar comidas e bebidas com filmes &ndash; no in&iacute;cio era contr&aacute;rio&#8230;, valorizando mais a experi&ecirc;ncia de cinema em si mesma, prov&ecirc;m, nos &uacute;ltimos anos, do circuito cultural, maioritariamente protagonizados pelos festivais. Os seus bons resultados n&atilde;o se revelam apenas em aflu&ecirc;ncia de p&uacute;blico mas tamb&eacute;m na mobiliza&ccedil;&atilde;o da comunidade cinematogr&aacute;fica nacional e internacional, na liga&ccedil;&atilde;o direta entre um e outra e, ainda, na valoriza&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es em que se inserem. Com a vantagem, ainda, de refor&ccedil;ar o cinema na sua componente de viv&ecirc;ncia comunit&aacute;ria, criando verdadeiras&nbsp;comunidades de gente que se conhece, fideliza, congrega e debate em torno dos filmes, refletindo em conjunto sobre quest&otilde;es do meio e do mundo. Cinema portugu&ecirc;s inclu&iacute;do.<\/p>\n<p>Novos p&uacute;blicos est&atilde;o por isso a revelar-se e, de tal forma, que aos poucos n&atilde;o s&oacute; t&ecirc;m surgido novas distribuidoras, investimento de gente nova, a apostar corajosamente e com pertinente vis&atilde;o em registos cinematogr&aacute;ficos alheados do &lsquo;<em>mainstream<\/em>&rsquo; como se v&ecirc; as grandes distribuidoras ainda que timidamente, a amplificar a oferta nas suas agendas. Nestes registos inclui-se o cinema portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>&Eacute; no entanto, ainda, um progresso lento e com pouco impacto. Na verdade, h&aacute; uma quest&atilde;o fulcral e antiga por detr&aacute;s da rela&ccedil;&atilde;o entre o cinema portugu&ecirc;s e o p&uacute;blico que &eacute; cultural e educativa. Enquanto n&atilde;o houver investimento numa educa&ccedil;&atilde;o para o audiovisual, para a comunica&ccedil;&atilde;o, para a arte, pegando no que de muito bom se fez e se faz desde que o cinema nacional existe, n&atilde;o haver&aacute; uma cultura cinematogr&aacute;fica. N&atilde;o haver&aacute; nem mobiliza&ccedil;&atilde;o nem receita garantidas. &Eacute; uma corrida de fundo e mesmo a &uacute;nica capaz de reduzir o impacto dos altos e baixos das dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais e os diferendos com cobran&ccedil;a coerciva. Mesmo que o cinema, como a cultura em geral, nunca deixem de poder ou dever ser subsidiados. Um investimento que tamb&eacute;m nos cabe a n&oacute;s protagonizar, como p&uacute;blico, pais, educadores, membros e l&iacute;deres de comunidades.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de alguns artigos aqui dedicados &agrave; vitalidade do cinema portugu&ecirc;s, em termos de impulso criador, produtores, distribuidores, profissionais e criadores do cinema nacional reunem-se para debater a sua fr&aacute;gil situa&ccedil;&atilde;o. 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