{"id":62680,"date":"2013-09-27T11:22:36","date_gmt":"2013-09-27T11:22:36","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/09\/27\/cinema-like-someone-in-love\/"},"modified":"2013-09-27T11:22:36","modified_gmt":"2013-09-27T11:22:36","slug":"cinema-like-someone-in-love","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-like-someone-in-love\/","title":{"rendered":"Cinema: like someone in love"},"content":{"rendered":"<p>Num clube noturno de T&oacute;quio, uma rapariga fala ao telem&oacute;vel. Fala com o namorado da jovem e bela Akiko que, n&atilde;o obstante a insist&ecirc;ncia do rapaz, se esquiva a precisar sobre o local exato onde est&aacute;.<\/p>\n<p>O dono do clube dirige-se a Akiko para lhe endere&ccedil;ar um novo &lsquo;cliente&rsquo;, um amigo especial que mora longe dali. Ela resiste pois nessa noite dever&aacute; encontrar-se com a Av&oacute; que veio propositadamente &agrave; capital para a ver, mas acabar&aacute; por ceder. N&atilde;o sem a dor de avistar, ao largo, a Av&oacute; esperando por si em v&atilde;o.<\/p>\n<p>Chegada a casa do tal amigo a quem foi endere&ccedil;ada, Akiko surpreende-se: Takashi Watanabe &eacute; um senhor de idade, vi&uacute;vo, soci&oacute;logo, de ar simultaneamente respeit&aacute;vel e jovial, modos extremamente finos e um not&oacute;rio alheamento da perspetiva de uma liga&ccedil;&atilde;o amorosa, menos ainda carnal, com a jovem rapariga.<\/p>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o entre ambos tece-se delicadamente e em breve Akiko vislumbra novos horizontes na sua vida. Ser&aacute; inteiramente livre de os escolher?&#8230;<\/p>\n<p>Pela segunda vez na sua carreira, depois de &lsquo;C&oacute;pia Certificada&rsquo; (2010), Abbas Kiarostami filma fora do seu pa&iacute;s, o Ir&atilde;o. Desta vez no Jap&atilde;o.<\/p>\n<p>Cineasta das grandes interroga&ccedil;&otilde;es, dito apol&iacute;tico e &lsquo;informe&rsquo; &#8211; dif&iacute;cil de espartilhar num estilo cinematogr&aacute;fico -,&nbsp; que recusa seguir os trilhos do cinema militante &#8211; como &eacute; mister de alguns conterr&acirc;neos na redu&ccedil;&atilde;o de arte a manifesto, n&atilde;o escusa a sua filmografia ao mais profundo olhar sobre o mundo quotidiano e nesse sentido, sim, prov&aacute;vel e profundamente pol&iacute;tico no seu mais nobre sentido.<\/p>\n<p>Surpresa, filme a filme, no seu modo de perscrutar, envolve-nos fina e profundamente neste &lsquo;Like Someone in Love&rsquo; num Jap&atilde;o cuja heran&ccedil;a material e imaterial conhecemos e um Jap&atilde;o atual ainda muito desconhecido: duas gera&ccedil;&otilde;es, dois tempos e tr&ecirc;s modos (o velho Takashi e os jovens Akiko e o seu namorado) de ser japon&ecirc;s. &nbsp;A uma medida de tempo e espa&ccedil;o, a secular afabilidade, a s&oacute;lida educa&ccedil;&atilde;o e a riqueza cultural; a outro tempo e espa&ccedil;o, a atabafante press&atilde;o do meio urbano, a perspetiva redutora de futuro e a aus&ecirc;ncia de sonho e ideal que abre lugar a solu&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas de vida, como a prostitui&ccedil;&atilde;o; a&nbsp; ced&ecirc;ncia do &iacute;mpeto e do fulgor da juventude &agrave; viol&ecirc;ncia, na aus&ecirc;ncia de ideal.<\/p>\n<p>Akiko personifica o rio que flui fr&aacute;gil e forte, cheio e vazio, entre estas duas margens, numa obra extraordinariamente bem filmada, a que uma aparente tranquilidade e simplicidade narrativas nada retiram do que de mais belo, mais duro ou mais tr&aacute;gico a hist&oacute;ria cont&eacute;m: quest&otilde;es relevantes e profundas sobre o amor, o seu lugar no mundo e a sua polimorfia, sua for&ccedil;a e vulnerabilidade, o que suscita &#8211; Um sentido para a vida? Um sentimento de posse? Sobre a cultura, entendida como capacidade de integrar passado, presente e proje&ccedil;&atilde;o de futuro. Ou sobre a perda- a do outro, por morte ou rejei&ccedil;&atilde;o; a perda de refer&ecirc;ncias identit&aacute;rias e afetivas com o vazio que tal desenraizamento importa.<\/p>\n<p>Nomeado para a Palma de Ouro de Cannes, &lsquo;Like Someone In Love&rsquo; &eacute;, sem sombra de d&uacute;vida, pela sua qualidade est&eacute;tica e capacidade de interpela&ccedil;&atilde;o humana, o melhor filme a estrear esta semana.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num clube noturno de T&oacute;quio, uma rapariga fala ao telem&oacute;vel. Fala com o namorado da jovem e bela Akiko que, n&atilde;o obstante a insist&ecirc;ncia do rapaz, se esquiva a precisar sobre o local exato onde est&aacute;. O dono do clube dirige-se a Akiko para lhe endere&ccedil;ar um novo &lsquo;cliente&rsquo;, um amigo especial que mora longe [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-62680","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-multimedia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62680\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}