{"id":62595,"date":"2013-09-20T15:51:51","date_gmt":"2013-09-20T15:51:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/09\/20\/cinema-shun-li-e-o-poeta\/"},"modified":"2013-09-20T15:51:51","modified_gmt":"2013-09-20T15:51:51","slug":"cinema-shun-li-e-o-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-shun-li-e-o-poeta\/","title":{"rendered":"Cinema: Shun Li e o Poeta"},"content":{"rendered":"<p>Shun Li, uma jovem m&atilde;e de origem chinesa a viver em It&aacute;lia, &eacute; informada pelo patr&atilde;o da f&aacute;brica onde trabalha de que ser&aacute; transferida para o caf&eacute; de uma pequena vila piscat&oacute;ria pr&oacute;xima de Veneza. A&iacute; continuar&aacute; a descontar o necess&aacute;rio para pagar as suas despesas e a viagem do filho, que deixou na China e anseia trazer para junto de si.<\/p>\n<p>&nbsp;J&aacute; em Chioggia, Shun Li esfor&ccedil;a-se por aprender o vocabul&aacute;rio local e atender da melhor forma os clientes, na maioria velhos pescadores, vencendo com otimismo a alguma ignor&acirc;ncia e desconfian&ccedil;a que existe em rela&ccedil;&atilde;o a si e &agrave; sua cultura. De entre os clientes, destaca-se Bepi, um eslavo imigrado h&aacute; trinta anos, conhecido entre os amigos como O Poeta, que desde o primeiro momento se mostra particularmente af&aacute;vel, dispon&iacute;vel para conhecer Li e ajud&aacute;-la a conhecer os costumes locais.<\/p>\n<p>As diferen&ccedil;as entre ambos s&atilde;o grandes: Li &eacute; jovem, de apar&ecirc;ncia fina e a sua presen&ccedil;a leve e discreta, enquanto Bepi &eacute; um velho pescador, de forte estatura e postura assertiva, vi&uacute;vo e de fei&ccedil;&otilde;es marcadas pelo tempo e pela vida. No entanto, alguns la&ccedil;os os unem: a liga&ccedil;&atilde;o ao mar, o facto de ambos serem estrangeiros&#8230; e a poesia.<\/p>\n<p>Num mundo separado por culturas t&atilde;o distintas, haver&aacute; lugar para Li e Bepi?&#8230;<\/p>\n<p>Primeira longa metragem de fic&ccedil;&atilde;o do realizador italiano Andrea Segre, &lsquo;Shun Li e o Poeta&rsquo; &eacute; mais uma clara prova de que h&aacute; um p&uacute;blico cansado do ru&iacute;do da ind&uacute;stria cinematogr&aacute;fica e &aacute;vido de um cinema que lhe toque genuinamente a alma &ndash; levantando quest&otilde;es pr&oacute;ximas da sua realidade, que interpelem de forma profunda ora o que somos, ora o que queremos ser em n&oacute;s mesmos e para os outros. Imigrantes inclu&iacute;dos. A prova est&aacute; na receptividade que o filme tem tido em j&aacute; mais de quarenta pa&iacute;ses, contrariando a renit&ecirc;ncia inicial de uma ou outra produtora a quem o projeto foi inicialmente apresentado e, nas palavras de Segre, n&atilde;o vislumbrou grande interesse na <em>hist&oacute;ria de uma rela&ccedil;&atilde;o improv&aacute;vel ambientada numa rec&ocirc;ndita vila italiana<\/em>.<\/p>\n<p>Acontece, por&eacute;m, que desde o argumento o projeto tem s&oacute;lidas bases para interessar, pelo menos (e n&atilde;o seria t&atilde;o pouco assim&#8230;) a um p&uacute;blico do sul da europa que pouco acesso tem tido a abordagens cinematogr&aacute;ficas que explorem, neste registo estreito, s&oacute;lido e relacional, o encontro entre duas culturas que, afinal, se cruzam diariamente nas ruas de qualquer das suas cidades de h&aacute; uns anos a esta parte.<\/p>\n<p>Mas o alcance do filme vai mais longe: o encontro de culturas &eacute; incarnado por duas pessoas que constr&oacute;em uma rela&ccedil;&atilde;o sustentada pela beleza da poesia, pela esperan&ccedil;a, pela aceita&ccedil;&atilde;o das d&aacute;divas de cada dia, fortalecendo a capacidade de transcender as diferen&ccedil;as que os separam, a aus&ecirc;ncia dos que mais amam, as adversidades do quotidiano. Quest&otilde;es pertinentes e pr&oacute;ximas de todos n&oacute;s, num mundo atual entrecruzado por movimentos migrat&oacute;rios, encontros e choques de culturas e marcado por adversidades para as quais urge o desejo de as transcender.<\/p>\n<p>A poesia n&atilde;o se basta nas refer&ecirc;ncias a um dos mais celebrados poetas chineses, Qu Yuan, pilar da narrativa, nem nos versos de Bepi, mas povoa o filme no seu estilo visual, despojado, natural e bel&iacute;ssimo, tirando o melhor partido da regi&atilde;o onde o filme &eacute; ambientado e revelando, tamb&eacute;m nos interiores, a grande sensibilidade fotogr&aacute;fica de Luca Bigazzi (&lsquo;Este &Eacute; o Meu Lugar&rsquo;, &lsquo;P&atilde;o e T&uacute;lipas&rsquo;). &Agrave; sensibilidade na dire&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica junta-se uma igualmente bela, justa e bem coordenada banda sonora que valeu a Fran&ccedil;ois Coutourier a nomea&ccedil;&atilde;o para os Pr&eacute;mios de Cinema Europeus.<\/p>\n<p>Marcado pela naturalidade dos desempenhos do elenco, com aplauso particular para os atores Tao Zhao e Rade Serbedzija, &lsquo;Shun Li e o Poeta&rsquo;, visto em sala cheia de uma Cinemateca a bra&ccedil;os com a dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental, numa noite que pouco ou nada rende aos multiplex, tem&nbsp; al&eacute;m do mais algo a dizer sobre o cinema que o p&uacute;blico realmente quer e precisa nos tempos que correm.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Shun Li, uma jovem m&atilde;e de origem chinesa a viver em It&aacute;lia, &eacute; informada pelo patr&atilde;o da f&aacute;brica onde trabalha de que ser&aacute; transferida para o caf&eacute; de uma pequena vila piscat&oacute;ria pr&oacute;xima de Veneza. 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