{"id":62458,"date":"2013-09-09T20:37:34","date_gmt":"2013-09-09T20:37:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/09\/09\/inicio-do-ano-pastoral-na-diocese-do-porto\/"},"modified":"2013-09-09T20:37:34","modified_gmt":"2013-09-09T20:37:34","slug":"inicio-do-ano-pastoral-na-diocese-do-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/inicio-do-ano-pastoral-na-diocese-do-porto\/","title":{"rendered":"In\u00edcio do Ano Pastoral na Diocese do Porto"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do administrador apost\u00f3lico, D. Pio Alves <!--more--> <\/p>\n<p>1. Como vem sendo habitual, com a celebra&ccedil;&atilde;o, neste dia, da solenidade da Dedica&ccedil;&atilde;o da Catedral damos in&iacute;cio, formalmente, ao novo ano pastoral.<\/p>\n<p>Nesta ocasi&atilde;o, vivemos a importante particularidade de estarmos na expetativa da nomea&ccedil;&atilde;o, por parte do Santo Padre, de um novo Bispo para a nossa Diocese. Aguardamos que isso aconte&ccedil;a num tempo t&atilde;o breve quanto poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Entretanto, a vida da Diocese &ndash; das pessoas e das comunidades que a integram &ndash; n&atilde;o para. N&atilde;o &eacute; tempo, contudo, de assumir ou propor iniciativas de fundo que alterem significativamente o rumo pastoral dos &uacute;ltimos anos. Mas &eacute; sempre tempo de, entre todos, responder com generosidade e responsabilidade redobradas ao que, no dia-a-dia, a Igreja e a Sociedade nos v&atilde;o solicitando. &Eacute; tempo tamb&eacute;m de sublinhar alguma nota de continuidade que ajude a centrar os programas pastorais parcelares das comunidades e dos servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>2. Mas, antes disso, e como alicerce de quaisquer considera&ccedil;&otilde;es, escutemos no nosso cora&ccedil;&atilde;o a Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Como n&atilde;o podia nem pode deixar de ser, o centro &eacute; Cristo: Jesus Cristo que ensina e atua (Lc 6,&nbsp;6-11); Cristo que Paulo anuncia (Col 1, 24-2, 3).<\/p>\n<p>&ldquo;Jesus entrou numa sinagoga a um s&aacute;bado e come&ccedil;ou a ensinar&rdquo;. Curiosamente, o texto de Lucas n&atilde;o refere se Jesus Cristo fez um discurso tem&aacute;tico. Relata t&atilde;o s&oacute; um gesto de miseric&oacute;rdia e as palavras que o acompanham. Ensina, assim, que as obras est&atilde;o antes que as palavras; que as leis n&atilde;o subjugam as pessoas; que o s&aacute;bado (o domingo) &eacute;, por excel&ecirc;ncia, o dia da bondade, da proximidade, da miseric&oacute;rdia. Ontem como hoje, como ao longo dos s&eacute;culos, haver&aacute;, contudo, quem n&atilde;o entenda estas prioridades: &ldquo;os escribas e fariseus ficaram furiosos e come&ccedil;aram a falar entre si do que haviam de fazer a Jesus&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas nada disto p&ocirc;de (nem pode) impedir a aten&ccedil;&atilde;o ao gesto de s&uacute;plica que se encerra na&nbsp;<em>m&atilde;o estendida<\/em>. &Eacute; igual a m&atilde;o que fica &agrave; vista de Jesus Cristo e dos escribas e fariseus; mas s&atilde;o bem diferentes os olhos que a veem. &ldquo;Tu, que cr&ecirc;s ter a m&atilde;o s&atilde;, comenta Santo Ambr&oacute;sio (Ambr&oacute;sio,&nbsp;<em>Exposi&ccedil;&atilde;o sobre o Evangelho de Lucas<\/em>, 5, 40), cuida-te de que a avareza e o sacril&eacute;gio n&atilde;o a contraiam. Estende-a com frequ&ecirc;ncia: estende-a para o pobre que te implora; estende-a para ajudar o pr&oacute;ximo, para levar socorro &agrave; vi&uacute;va, para arrancar da injusti&ccedil;a o que est&aacute; submetido a uma vexa&ccedil;&atilde;o in&iacute;qua; estende-a para Deus pelos teus pecados. Tal como se estende a m&atilde;o, assim &eacute; como se cura&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute; este Cristo que Paulo anuncia, sem ace&ccedil;&atilde;o de pessoas, e de quem &eacute; servidor na Igreja: &ldquo;Cristo no meio de v&oacute;s, esperan&ccedil;a da gl&oacute;ria&rdquo;. &ldquo;Luto, ouv&iacute;amos tamb&eacute;m de S. Paulo, para que os seus cora&ccedil;&otilde;es sejam confortados e, estreitamente unidos na caridade, alcancem em toda a sua riqueza a plenitude da intelig&ecirc;ncia, o conhecimento do mist&eacute;rio de Deus, que &eacute; Cristo, no qual est&atilde;o escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ci&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>3. Com o pretexto de reflex&otilde;es aprofundadas ou de aplica&ccedil;&otilde;es pastorais precisas perdemo-nos, demasiadas vezes, no que &eacute; acidental. Transformamos o cristianismo numa ideologia e a sua pr&aacute;tica num c&oacute;digo que, usando o referencial do relato do evangelho de hoje,&nbsp;<em>pro&iacute;be as curas ao s&aacute;bado<\/em>. Mas, na realidade, o que se nos pede &eacute; algo bem diferente. Com efeito, escreve Bento XVI na&nbsp;<em>Porta Fidei<\/em> ( Bento XVI,&nbsp;<em>Porta Fidei<\/em>, 11), &ldquo;repassando as p&aacute;ginas (do&nbsp;<em>Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica<\/em>), descobre-se que o que ali se apresenta n&atilde;o &eacute; uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja&rdquo;. &ldquo;Possa este&nbsp;<em>Ano da F&eacute;<\/em>&nbsp;tornar cada vez mais firme a rela&ccedil;&atilde;o com Cristo Senhor, dado que s&oacute; nele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor aut&ecirc;ntico e duradouro&rdquo; <em>(Ibidem<\/em>, 15).<\/p>\n<p>Sem querer fugir &agrave; quest&atilde;o da necessidade ou da conveni&ecirc;ncia de um programa, este deve ser sempre o seu n&uacute;cleo imprescind&iacute;vel: Jesus Cristo no centro da nossa f&eacute; e, por isso, da nossa vida; Jesus Cristo no centro do nosso minist&eacute;rio, da nossa mensagem.<\/p>\n<p>4. Isto n&atilde;o obsta, contudo, a que, com as limita&ccedil;&otilde;es que o realismo da nossa situa&ccedil;&atilde;o sugere, privilegiemos alguma dimens&atilde;o operativa concreta. E o razo&aacute;vel &eacute; o refor&ccedil;o da continuidade.<\/p>\n<p>Vimos, em tempos mais pr&oacute;ximos, da&nbsp;<em>Miss&atilde;o 2010<\/em>: em palavras do Senhor D. Manuel, &ldquo;tempo largo e pleno para que a Diocese do Porto e cada uma das suas comunidades se apliquem sobremaneira no an&uacute;ncio evang&eacute;lico, com &lsquo;novo ardor, novos m&eacute;todos e novas express&otilde;es&rsquo;&rdquo;(D. Manuel Clemente,&nbsp;<em>De Deus para Deus, no sacerd&oacute;cio de Cristo<\/em>,&nbsp;5, in&nbsp;<em>Igreja Portucalense<\/em>&nbsp;7, 20 (2009) 62). A sua concretiza&ccedil;&atilde;o deu realce &agrave; unidade da Diocese na sua diversidade.<\/p>\n<p>Na sequ&ecirc;ncia da&nbsp;<em>Miss&atilde;o&nbsp;2010<\/em>, a&nbsp;viv&ecirc;ncia do&nbsp;<em>Ano da F&eacute;<\/em>&nbsp;foi ocasi&atilde;o para um programa diocesano, em que a dimens&atilde;o celebrativa esteve centrada nas vigararias. Partindo de um esquema-base comum, as programa&ccedil;&otilde;es locais espelharam uma s&atilde; diversidade de potencialidades e necessidades. Percebeu-se mais claramente que essa <em>unidade pastoral<\/em>&nbsp;(no sentido mais amplo da express&atilde;o) configura uma realidade sociol&oacute;gica e pastoral cujas potencialidades t&ecirc;m que ser mais e melhor aproveitadas.<\/p>\n<p>N&atilde;o se chega a&iacute;, em primeiro lugar, pela circunst&acirc;ncia, em agravamento crescente, da escassez de presb&iacute;teros: ainda que tamb&eacute;m. Sem p&ocirc;r em causa a realidade jur&iacute;dica das par&oacute;quias, torna-se cada vez mais evidente &ndash; por raz&otilde;es diferentes em ambiente urbano e em ambiente rural &ndash; que as fronteiras geogr&aacute;ficas s&atilde;o, e podem ser, cada vez mais fluidas. Torna-se cada vez menos justificada a dispers&atilde;o de energias e as correrias improdutivas a que est&atilde;o submetidos cl&eacute;rigos e leigos em a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o e celebrativas. Cada caso &eacute; um caso e cada situa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o. Mas todas as necessidades e projetos pastorais dever&atilde;o ser olhados, cada vez mais, com ousada prud&ecirc;ncia, num horizonte mais amplo, mormente no horizonte vicarial. Repito: a viv&ecirc;ncia vicarial do&nbsp;<em>Ano da F&eacute;<\/em>&nbsp;foi, tamb&eacute;m neste aspeto, um magn&iacute;fico ensaio e concretiza&ccedil;&atilde;o de possibilidades.<\/p>\n<p>Este &eacute; tamb&eacute;m um desafio &agrave;s estruturas diocesanas no seu servi&ccedil;o &agrave;s diferentes comunidades.<\/p>\n<p>A celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica da solenidade da Dedica&ccedil;&atilde;o da Catedral recorda-nos, com palavras de S. Paulo (Ef 2, 19-22), que o alicerce &eacute; Jesus Cristo e todos n&oacute;s estamos integrados nessa constru&ccedil;&atilde;o. Como &ldquo;morada de Deus&rdquo;, teremos que ser, na Igreja e na Sociedade, refer&ecirc;ncia viva da perene novidade do Evangelho.<\/p>\n<p>5. Uma palavra final aos professores de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica. Sei que, profissionalmente, n&atilde;o passais por momentos f&aacute;ceis. Quase ningu&eacute;m passa por momentos f&aacute;ceis!<\/p>\n<p>Este desafio &eacute; tamb&eacute;m para v&oacute;s. Sem interferir na vossa leg&iacute;tima autonomia, contamos com a vossa conex&atilde;o com as estruturas vicariais.<\/p>\n<p>Confiamos os frutos deste novo ano pastoral &agrave; intercess&atilde;o da Sant&iacute;ssima Virgem, Nossa Senhora da Assun&ccedil;&atilde;o, M&atilde;e de Jesus Cristo e nossa M&atilde;e.<\/p>\n<p>S&eacute; do Porto, 09 de setembro de 2013<\/p>\n<p>+Pio Alves,&nbsp;<em>Administrador Apost&oacute;lico<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do administrador apost\u00f3lico, D. Pio Alves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,168,187],"class_list":["post-62458","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}