{"id":62449,"date":"2013-09-09T15:28:41","date_gmt":"2013-09-09T15:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/09\/09\/homilia-de-d-antonio-couto-na-solenidade-de-na-sa-dos-remedios\/"},"modified":"2013-09-09T15:28:41","modified_gmt":"2013-09-09T15:28:41","slug":"homilia-de-d-antonio-couto-na-solenidade-de-na-sa-dos-remedios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-antonio-couto-na-solenidade-de-na-sa-dos-remedios\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Ant\u00f3nio Couto na Solenidade de N\u00aa. S\u00aa. dos Rem\u00e9dios"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\">Miqueias 5,1-4<br \/>Salmo 13(12),6; Isa&iacute;as 61,10<br \/>Romanos 8,28-30<br \/>Mateus 1,1-16.18-24<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. O Salmo 13 que hoje cantamos como Salmo responsorial pediu emprestado a Isa&iacute;as 61,10 o refr&atilde;o que repetimos: &laquo;Exulto de ALEGRIA no Senhor!&raquo;. Traduzido mais literalmente soaria com mais for&ccedil;a ainda: &laquo;Transbordo de ALEGRIA no Senhor&raquo;! T&iacute;pico da gram&aacute;tica desta ALEGRIA, &eacute; que n&atilde;o se trata de uma alegria nossa, que em n&oacute;s nasce, que em n&oacute;s come&ccedil;a e em n&oacute;s acaba. Trata-se de uma ALEGRIA que vem de Deus, e por inteiro nos atravessa, nos enche a alma, nos enleva e nos eleva at&eacute; Deus. Sim, &eacute; em Deus que esta ALEGRIA tem o seu come&ccedil;o e o seu fim. Bonito &eacute; que a figura que celebramos neste Dia, Maria, tamb&eacute;m tenha pedido este vers&iacute;culo emprestado a Isa&iacute;as para conseguir compor, no <em>Magnificat<\/em>, a torrente da ALEGRIA que lhe inunda a alma e lhe faz pulsar a um ritmo novo o cora&ccedil;&atilde;o: &laquo;o meu esp&iacute;rito exulta de ALEGRIA em Deus, meu Salvador!&raquo; (Lucas 1,47), assim canta Maria. Quer isto dizer, meus amados irm&atilde;os, que a ALEGRIA verdadeira n&atilde;o &eacute; do nosso mundo, n&atilde;o &eacute; daqui, n&atilde;o se compra nem se vende em pacotes servidos em <em>shows<\/em>. T&iacute;pico do <em>show<\/em> &eacute; servir uma alegria l&iacute;quida e passageira, que tem a dura&ccedil;&atilde;o de um gelado a liquefazer-se nas m&atilde;os de uma crian&ccedil;a. Esta alegria t&eacute;nue e l&iacute;quida tem a dura&ccedil;&atilde;o de um grito hist&eacute;rico. A ALEGRIA que vem de Deus, que jorra do cora&ccedil;&atilde;o de Deus, n&atilde;o se compra nem se vende, n&atilde;o se liquefaz, ningu&eacute;m vo-la pode tirar (Jo&atilde;o 16,22), dura at&eacute; &agrave; vida eterna. &Eacute; a ALEGRIA que podeis serenamente contemplar, amados irm&atilde;os, no rosto, na voz e nos bra&ccedil;os de Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Sim, irm&atilde;os muito amados, a ALEGRIA que podeis contemplar no rosto de Maria vem de Deus, &eacute; Eterna como Deus, &eacute; a ALEGRIA que se vive na Casa de Deus, e &eacute; por isso que Maria vos encanta e me encanta, n&atilde;o um dia, mas sempre. Meus irm&atilde;os mais pequeninos, mais simples, mais humildes, vou revelar-vos um segredo que afinal v&oacute;s j&aacute; sabeis muito bem, t&atilde;o bem que foi convosco que o aprendi. Sim, v&oacute;s viestes aqui nove dias seguidos, &agrave;s seis da manh&atilde;, e enchestes completamente este Santu&aacute;rio, esta Casa de Deus e de Maria. Cheios de ALEGRIA viestes, cheios de ALEGRIA regressastes a vossas casas, cheios de ALEGRIA voltastes aqui no dia seguinte, no dia seguinte, no dia seguinte. Apetece-me glosar aqui um intenso dizer de Jesus &agrave;s multid&otilde;es, registado no Evangelho de Mateus: &laquo;O que viestes ver aqui, irm&atilde;os? Uma cana agitada pelo vento? Mas o que viestes ver? Algu&eacute;m vestido com roupas finas? Mas os que se vestem com roupas finas vivem nos pal&aacute;cios dos reis. Ent&atilde;o, o que viestes ver? Um profeta? Sim, eu vos digo, e mais do que um profeta&raquo; (Mateus 11,7-9). Viestes ver Maria, M&atilde;e de Deus e nossa M&atilde;e, rainha dos Profetas. Viestes ver a ternura maternal de Deus, vis&iacute;vel no colo de Maria. Viestes rezar. Viestes entregar a Maria as vossas dores e as vossas flores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. O Evangelho deste Dia p&otilde;e diante de n&oacute;s um imenso desfile de nomes e de gera&ccedil;&otilde;es, desde Abra&atilde;o at&eacute; Jesus. Tantos nomes distribu&iacute;dos por muitos s&eacute;culos de hist&oacute;ria, mas que aqui, nesta admir&aacute;vel litania, aparecem lado a lado, como se fossem contempor&acirc;neos e irm&atilde;os e se pudessem mesmo dar as m&atilde;os. Oh admir&aacute;vel arte divina da Escritura Santa! Deus entretido a fazer miniaturas! Na verdade, Abra&atilde;o est&aacute; l&aacute; muito atr&aacute;s no tempo. Uns quatro mil anos atr&aacute;s de n&oacute;s. Dois mil anos depois surge Jesus. N&oacute;s, que estamos aqui hoje, vulgarmente dizemos que estamos dois mil anos depois de Cristo e quatro mil depois de Abra&atilde;o. E Deus diz-nos que n&atilde;o. Esta arte divina da miniatura, que &eacute; a Escritura Santa, faz-me, a mim e a ti, leitor e ouvinte de hoje, entrar na p&aacute;gina, e tomar lugar ao lado de Jesus e de Maria e de Abra&atilde;o. A miniatura &eacute; de quem ama. Por isso Deus, que &eacute; amor e ama e nos ama, meteu numa pequena partitura tantos nomes, os seus filhos queridos todos. Pode assim Deus estar sempre a olhar para os seus filhos e pelos seus filhos, e podemos n&oacute;s sentir a ALEGRIA de sabermos que Deus olha por n&oacute;s e que temos afinal muito mais irm&atilde;os do que pens&aacute;vamos! A miniatura &eacute; de quem ama. &Eacute; assim que os pais transportam na carteira, em formato pequeno, a fotografia dos seus filhos, mas o mesmo acontece com os amigos, os namorados, aqueles que se amam. E o mesmo sucede, quando nas paredes da nossa sala vamos dependurando quadros de familiares de s&eacute;culos diferentes. Sim, irm&atilde;os amados, &eacute; esta a t&eacute;cnica, &eacute; este o amor, que faz com que hoje, apare&ccedil;amos lado a lado com Abra&atilde;o, David, mas tamb&eacute;m com Jesus, Maria e Jos&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. A B&iacute;blia &eacute; um livro cheio de nascimentos. Hoje &eacute; o dia de anos de Maria, o anivers&aacute;rio de Maria, que aqui, nesta sua Casa, saudamos de perto sob a invoca&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios. O humilde profeta Miqueias, saudou-a de longe, &agrave; dist&acirc;ncia de oito s&eacute;culos no tempo, e de trinta quil&oacute;metros no espa&ccedil;o, l&aacute; do meio dos seus campos de <em>Moreshet-Gat<\/em>, a sua aldeia natal. Da&iacute;, levantou os seus olhos puros, carregados de verdade como &aacute;rvores carregadas de frutos, e viu a cidade capital, Jerusal&eacute;m, cheia de v&iacute;cios, de vazio religioso, explora&ccedil;&atilde;o dos pobres pelo rei e pelos poderosos. Miqueias denuncia esta situa&ccedil;&atilde;o escandalosa com uma linguagem dur&iacute;ssima. Escreve ele: &laquo;Por acaso, n&atilde;o cabe a v&oacute;s, chefes de Jacob, dirigentes de Israel, conhecer o direito, v&oacute;s que odiais o bem e amais o mal, que arrancais a pele do meu Povo, que lhe comeis a carne, cortando-a em peda&ccedil;os e cozendo-a na panela, e lhe roeis os ossos?&raquo; (Miqueias 3,1-3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Visto isto e dito isto, Miqueias levanta ainda mais os seus olhos muito claros, lancinantes, como estremes facas de dois gumes, e eis que v&ecirc; nascer, ainda que &agrave; dist&acirc;ncia e em claro contraponto, um futuro novo, um mundo novo, que se condensa, n&atilde;o na figura de um rei, rico, viciado, explorador, mas no puro recorte de uma m&atilde;e que h&aacute;-de dar &agrave; luz e amamenta um menino (Miqueias 5,2). Uma m&atilde;e que amamenta um menino. Este quadro, v&ecirc;-o Miqueias, n&atilde;o a surgir da viciada capital, Jerusal&eacute;m, mas dos campos da humilde terra de Bel&eacute;m (Miqueias 5,1). Por isso tamb&eacute;m, n&atilde;o se atreve Miqueias a dar o t&iacute;tulo de rei (<em>melek<\/em>) ao senhor desse mundo novo, a raiar; em vez de rei, ser&aacute; um guia s&aacute;bio, que o profeta chama <em>m&ocirc;shel<\/em>, portanto, um contador de par&aacute;bolas (<em>m<sup>e<\/sup>shal&icirc;m<\/em>, sing. <em>mashal<\/em>). Parece mesmo que, &agrave; dist&acirc;ncia de oito s&eacute;culos, Miqueias est&aacute; a pintar o retrato de Jesus. Pobre, humilde, despojado, feliz, apaixonado, ousado, pr&oacute;ximo e dedicado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. Uma M&atilde;e que amamenta um menino. Se vejo bem, estou mesmo a ver o quadro luminoso de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios. E compreendo melhor a raz&atilde;o porque a amamos tanto. Est&aacute; ali, bem &agrave; vista, a M&atilde;e e o Menino, mas tamb&eacute;m o cora&ccedil;&atilde;o,\/ a respira&ccedil;&atilde;o,\/ a pulsa&ccedil;&atilde;o,\/ a lala&ccedil;&atilde;o,\/ a embala&ccedil;&atilde;o,\/ a aleita&ccedil;&atilde;o.\/ Vida recebida,\/ amada,\/ mimada,\/ acariciada.\/ Nunca enlatada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. N&atilde;o h&aacute; no mundo bra&ccedil;os t&atilde;o fortes como os de uma M&atilde;e. Da nossa M&atilde;e. Por isso vimos aqui de dia e de noite. Respira-se aqui outra cultura, outro amor, outra ALEGRIA. Por isso vimos aqui, de noite e de dia, entregar a Maria as nossas dores e as nossas flores. Aqui encontramos a cura do amor verdadeiro e sem ruga. Daqui sa&iacute;mos sempre renovados, porque aqui sentimo-nos amados e embalados nos teus bra&ccedil;os maternais, M&atilde;e. Aqui, aqui, aqui come&ccedil;a o mundo, M&atilde;e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8. Senhor Reitor deste Santu&aacute;rio, Senhor Comiss&aacute;rio da Irmandade de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios, Car&iacute;ssimas Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, enchei esta Casa de Amor e de Alegria. Car&iacute;ssimos irm&atilde;os e amigos que aqui vindes tantas vezes saudar Maria. Bem sabeis que esta Casa &eacute; vossa. S&oacute; tendes de a partilhar mesmo com Maria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9. Senhora dos Rem&eacute;dios, Senhora da Embala&ccedil;&atilde;o e da Aleita&ccedil;&atilde;o, pega em n&oacute;s ao colo, vela por n&oacute;s, fica &agrave; nossa beira. &Eacute; bom ter uma M&atilde;e como companheira.<\/p>\n<p>Lamego, 08 de Setembro de 2013, Solenidade de Nossa Senhora dos Rem&eacute;dios<\/p>\n<p>+ Ant&oacute;nio, vosso bispo e vosso irm&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miqueias 5,1-4Salmo 13(12),6; Isa&iacute;as 61,10Romanos 8,28-30Mateus 1,1-16.18-24 &nbsp; 1. O Salmo 13 que hoje cantamos como Salmo responsorial pediu emprestado a Isa&iacute;as 61,10 o refr&atilde;o que repetimos: &laquo;Exulto de ALEGRIA no Senhor!&raquo;. Traduzido mais literalmente soaria com mais for&ccedil;a ainda: &laquo;Transbordo de ALEGRIA no Senhor&raquo;! 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