{"id":62381,"date":"2013-09-06T10:18:35","date_gmt":"2013-09-06T10:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/09\/06\/o-mordomo\/"},"modified":"2013-09-06T10:18:35","modified_gmt":"2013-09-06T10:18:35","slug":"o-mordomo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-mordomo\/","title":{"rendered":"O Mordomo"},"content":{"rendered":"<p>Em 2010, o realizador norte-americano Lee Daniels comoveu milhares com a adapta&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica do romance biogr&aacute;fico de Sapphire, &lsquo;Precious&rsquo;, contando a comovente e inspiradora hist&oacute;ria de uma adolescente negra a quem a extrema dureza da vida n&atilde;o roubou a capacidade de amar, esperar e realizar um futuro sorridente para si e a sua filha.<\/p>\n<p>Este ano, &eacute; o realizador encarregue de levar ao grande ecr&atilde; nova adapta&ccedil;&atilde;o de uma biografia, desta feita de um mordomo da Casa Branca, partindo n&atilde;o de um romance mas de um artigo assinado em 2008 por Wil Haygood no Washington Post que popularizou a hist&oacute;ria de vida de Eugene Allen, posteriormente seguida e aprofundada pela imprensa.<\/p>\n<p>O filme chega agora a Portugal com um cunho particularmente saboroso: o de Rodrigo Le&atilde;o na composi&ccedil;&atilde;o da banda sonora!<\/p>\n<p>Nascido numa planta&ccedil;&atilde;o de algod&atilde;o do sudoeste dos Estados Unidos, Ge&oacute;rgia, nos anos vinte do s&eacute;culo passado, Cecil Gaines (o nome que adota na vers&atilde;o cinematogr&aacute;fica) conhece desde cedo o significado da iniquidade ao testemunhar a brutalidade a que os pais e outros trabalhadores s&atilde;o sujeitos pelo dono da planta&ccedil;&atilde;o. Uma oportunidade de vida diferente da que os pais tiveram surge quando a matriarca da fam&iacute;lia o escolhe para servir em casa, ensinando-lhe todos os preceitos do servi&ccedil;o dom&eacute;stico que lhe ser&atilde;o preciosos, primeiro para ser um bom criado e mais tarde um mordomo exemplar. Oportunidade diferente mas ainda sem direito a exist&ecirc;ncia pr&oacute;pria, como fica bem claro nos primeiros ensinamentos da matriarca: onde estiver, a sua presen&ccedil;a n&atilde;o deve ser notada.<\/p>\n<p>Os seus anos de servi&ccedil;o &agrave; Casa Branca servem como modesto bastidor dos mais significativos momentos da hist&oacute;ria dos Estados Unidos na segunda metade do s&eacute;culo XX, ao longo de trinta e quatro anos &ndash; de 1952 a 1986 &ndash; e oito presid&ecirc;ncias &ndash; de Truman a Ronald Reagan. Um registo que faz lembrar &lsquo;Forrest Gump&rsquo;, mas com uma gest&atilde;o menos h&aacute;bil na forma de olhar os grandes eventos hist&oacute;ricos pelo prisma de um simples homem, recomendado ao anonimato.<\/p>\n<p>Bastante ficcionado e nem sempre exato no seu reconto hist&oacute;rico, sem grandes meios de produ&ccedil;&atilde;o nem grande rasgo art&iacute;stico e narrativo, &lsquo;O Mordomo&rsquo; vale sobretudo pelo elenco, pela extraordin&aacute;ria banda sonora de Rodrigo Le&atilde;o e pela simpatia que esse mesmo olhar simples arrecada do mais comum espetador: o que est&aacute; j&aacute; muito familiarizado com a hist&oacute;ria dos Estados Unidos, pol&iacute;tica e socialmente falando, e um pouco de todos n&oacute;s, que facilmente nos identificamos com o desejo de ser &lsquo;um&rsquo; e n&atilde;o apenas &lsquo;mais um&rsquo; na hist&oacute;ria do nosso pa&iacute;s e da humanidade.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2010, o realizador norte-americano Lee Daniels comoveu milhares com a adapta&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica do romance biogr&aacute;fico de Sapphire, &lsquo;Precious&rsquo;, contando a comovente e inspiradora hist&oacute;ria de uma adolescente negra a quem a extrema dureza da vida n&atilde;o roubou a capacidade de amar, esperar e realizar um futuro sorridente para si e a sua filha. 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