{"id":61768,"date":"2013-07-12T11:08:06","date_gmt":"2013-07-12T11:08:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/07\/12\/cinema-a-batalha-de-tabato\/"},"modified":"2013-07-12T11:08:06","modified_gmt":"2013-07-12T11:08:06","slug":"cinema-a-batalha-de-tabato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-a-batalha-de-tabato\/","title":{"rendered":"Cinema: A batalha de Tabat\u00f4"},"content":{"rendered":"<p>&lsquo;<em>H&aacute; 4500 anos, enquanto tu fazias a tua guerra, cri&aacute;mos a agricultura. H&aacute; 2000 anos, enquanto tu fazias a tua guerra, cri&aacute;mos a boa governa&ccedil;&atilde;o dos reinos. H&aacute; 1000 anos,enquanto tu fazias a tua guerra, cri&aacute;mos as bases do reggae e do jazz. Hoje, superando a tua guerra, construiremos contigo a tua paz.<\/em>&rsquo;<\/p>\n<p>Assim come&ccedil;a &lsquo;A Batalha de Tabat&ocirc;&rsquo;, galardoado em Cannes com uma Men&ccedil;&atilde;o Honrosa na categoria de primeira obra, reafirmando Jo&atilde;o Viana (realizador de &lsquo;A Piscina&rsquo;, 2004) como um dos mais interessantes realizadores do cinema de express&atilde;o portuguesa do nosso tempo.<\/p>\n<p>Nascido em Angola em 1966 e filho de pais portugueses, Jo&atilde;o Viana escolheu a Guin&eacute; para, simultaneamente, sua primeira longa e a sua quarta curta metragem, ambas selecionadas, por diferentes comit&eacute;s, para competi&ccedil;&atilde;o em Cannes. A extraordin&aacute;ria riqueza cultural da Guin&eacute; e a diversidade de grupos &eacute;tnicos &ndash; mais de trinta &ndash; com os seus h&aacute;bitos e costumes at&eacute; hoje t&atilde;o preservados, s&atilde;o, nas palavras do pr&oacute;prio, um fator de atra&ccedil;&atilde;o determinante para um contador de hist&oacute;rias como &nbsp;se considera. Formado em direito, desbrava os caminhos do cinema como autodidata, defendendo que o mais importante a fazer num filme n&atilde;o se aprende nas escolas de cinema.<\/p>\n<p>&lsquo;A Batalha de Tabat&ocirc;&rsquo;, uma obra entre o documental e a fic&ccedil;&atilde;o, fortemente enra&iacute;zada na ess&ecirc;ncia identit&aacute;ria de uma aldeia de m&uacute;sicos que cumpre a arte musical como viv&ecirc;ncia e garante da harmonia entre as pessoas &ndash; cada qual com seu lugar, todas juntas numa sintonia poss&iacute;vel &ndash; &eacute; uma incr&iacute;vel met&aacute;fora da atual situa&ccedil;&atilde;o da Guin&eacute;: inclui o peso e o horror da guerra, explicitado no trauma, tamb&eacute;m ele enra&iacute;zado, de uma personagem que n&atilde;o se consegue libertar dessa mem&oacute;ria e aponta o amor e a arte como claros caminhos de resgate, se n&atilde;o de cada personagem, da alma de um povo.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria &eacute; a de Fatu, do seu noivo Idrissa e do seu pai, Baio. Fatu &eacute; professora universit&aacute;ria e o noivo, Idrissa, um m&uacute;sico de Tabat&ocirc; &ndash; uma aldeia de m&uacute;sicos, aristocratas que entendem a m&uacute;sica como fiel da justi&ccedil;a e da conc&oacute;rdia entre os povos. Regressado de Portugal, Baio chega &agrave; Guin&eacute; para o casamento da filha. Consigo traz apenas uma mala. O seu regresso, ap&oacute;s d&eacute;cadas de aus&ecirc;ncia, f&aacute;-lo reencontrar-se com as mem&oacute;rias horr&iacute;ficas da guerra que ali viveu. Apesar das tentativas de Fatu, e enquanto Idrissa e os m&uacute;sicos de Tabat&ocirc; se preparam para a celebra&ccedil;&atilde;o de um sacramento que fecundar&aacute; um futuro selado pelo amor, a esperan&ccedil;a, a conc&oacute;rdia e a paz, Baio trava uma tr&aacute;gica batalha com os seus dem&oacute;nios, arriscando sacrificar o futuro dos jovens&#8230;<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria destas tr&ecirc;s personagens &eacute; evidentemente a da pr&oacute;pria Guin&eacute; (poderia ser a do mundo): uma batalha onde o seu presente e futuro se jogam, entre o peso de dois passados identit&aacute;rios que exprimem as possibilidade de Bem e de Mal (a arte e a guerra), da edifica&ccedil;&atilde;o ou da destrui&ccedil;&atilde;o&#8230; filmado a preto e branco, os contrastes s&atilde;o evidentes e apenas pontuados por um gritante vermelho que evidencia o grau de trag&eacute;dia do que se joga nesta hist&oacute;ria, como na hist&oacute;ria do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Pelo pulsar de uma cinematografia bem viva e atenta ao mundo que somos, &lsquo;A Batalha de Tabat&ocirc;&rsquo; vem, mais uma vez, provar a qualidade do cinema portugu&ecirc;s para o qual urge divulga&ccedil;&atilde;o, reflex&atilde;o, mobiliza&ccedil;&atilde;o e investimento, n&atilde;o apenas nos apoios monet&aacute;rios concedidos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o nacional e internacional, mas sobretudo no acesso de novos p&uacute;blicos que o possam apreciar e genuinamente CRESCER consigo!<\/p>\n<p>E se tarda a sua inclus&atilde;o nos <em>curricula<\/em> escolares, a que a exist&ecirc;ncia de um Plano Nacional de Cinema abriria alguma esperan&ccedil;a, cabe a cada um de n&oacute;s, comunicadores, educadores, animadores ou gestores de comunidades familiares, pastorais ou qualquer outra facilitar esse acesso.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n<p><em>  <object style=\"width: 425px; height: 350px;\" width=\"425\" height=\"350\" data=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z0uSZUAF5C8<param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/Z0uSZUAF5C8\" \/><\/object> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&lsquo;H&aacute; 4500 anos, enquanto tu fazias a tua guerra, cri&aacute;mos a agricultura. 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