{"id":61675,"date":"2013-07-05T11:31:16","date_gmt":"2013-07-05T11:31:16","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/07\/05\/cinema-post-tenebras-lux\/"},"modified":"2013-07-05T11:31:16","modified_gmt":"2013-07-05T11:31:16","slug":"cinema-post-tenebras-lux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-post-tenebras-lux\/","title":{"rendered":"Cinema: Post tenebras lux"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 um filme f\u00e1cil, o seu resultado n\u00e3o ser\u00e1 consensual, nem aspira \u00e0 coer\u00eancia, no sentido da conformidade ou equil\u00edbrio. <!--more--> <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; um filme f&aacute;cil, o seu resultado n&atilde;o ser&aacute; consensual, nem aspira &agrave; coer&ecirc;ncia, no sentido da conformidade ou equil&iacute;brio. E no entanto, tudo tem sentido. N&atilde;o &agrave; primeira vista.<\/p>\n<p>Com  &lsquo;Jap&oacute;n &lsquo; e Luz Silenciosa&rsquo;, Pr&eacute;mio do J&uacute;ri na edi&ccedil;&atilde;o de 2007 de Cannes, Carlos Reygadas j&aacute; nos tinha demonstrado um invulgar grau de exig&ecirc;ncia para  o pleno acesso aos seus filmes, no sentido mais amplo e profundo dessa acessibilidade, que n&atilde;o resulta sen&atilde;o da mesma exig&ecirc;ncia, na sua sempre liberdade criativa, que imp&otilde;e a si pr&oacute;prio enquanto cineasta.<\/p>\n<p>Na sua primeira longa metragem, &lsquo;Jap&oacute;n&rsquo; &#8211; partindo da desilus&atilde;o de um homem que &agrave; beira do suic&iacute;dio encontra no campo e numa mulher, Ascen, a possibilidade de redescoberta do sentido da vida -, a extraordin&aacute;ria combina&ccedil;&atilde;o de realismo e misticismo, entre paisagens agrestes e de uma rara beleza, gerindo narrativa e document&aacute;rio, afirmaram-no como um realizador a reter no panorama cinematogr&aacute;fico mexicano, refor&ccedil;ando a capacidade interrogativa e asc&eacute;tica da s&eacute;tima arte. Essa nova cinematografia mexicana, que nasce com o advento do s&eacute;culo XXI, &eacute; acompanhada por outros da sua gera&ccedil;&atilde;o (nascidos em 60\/70) como Lucrecia Martel ou Fernando Eimbcke. &lsquo;Batalha no C&eacute;u&rsquo; e &lsquo;Luz Silenciosa&rsquo;, obras seguintes de Reygadas, prosseguem o seu estilo livre, comprometido e imprevis&iacute;vel, fortemente empenhado no pleno uso dos recursos narrativos do cinema, que pedem muito menos meios de produ&ccedil;&atilde;o do que g&eacute;nio e destemor na explora&ccedil;&atilde;o, nada gratuita, nada facilitista e nada linear, do humano e do transcendente, do tr&aacute;gico e do belo, com uma evidente marca religiosa &ndash; menos no que afirma do que no que questiona.<\/p>\n<p>Inspirado no Livro de Job 17,12 &lsquo;Post Tenebras Lux&rsquo; (depois das trevas, a luz, segundo a Vulgata) &eacute; o grito (e)levado ao cinema de uma humanidade desgastada pelo seu pr&oacute;prio ritmo e &lsquo;progresso&rsquo;, pela perda de sentido de vida, de lugar no mundo. Grito seguido de um &lsquo;di&aacute;logo&rsquo; estabelecido entre uma fam&iacute;lia, Juan, Natalia e os filhos Rut e Eleazar, na sua experi&ecirc;ncia de deserto, e o novo espa&ccedil;o, interior e exterior, individual e comunit&aacute;rio,  o novo conceito de casa, de &lsquo;ser&rsquo; e de &lsquo;estar&rsquo;, em que se redimensionam ao partir da cidade para o campo, onde procuram nova vida.<\/p>\n<p>Uma sequ&ecirc;ncia de interpela&ccedil;&otilde;es &agrave; vez enigm&aacute;ticas, harmoniosas, estridentes, belas, inc&oacute;modas, tocantes e cruas, que v&atilde;o ganhando progressivo significado como num puzzle e que trazem aos nossos dias, &agrave; possibilidade simb&oacute;lica do cinema e &agrave; nossa capacidade de reflex&atilde;o e ascese, o caminho desde a devastadora experi&ecirc;ncia do mal ou do sofrimento, de que nenhum humano est&aacute; isento, &agrave; portentosa capacidade de supera&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o, no sentido da transcend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Com a mesma coragem com que o Livro de Job exp&otilde;e o dramatismo da experi&ecirc;ncia humana e atrav&eacute;s dele descobre uma renovada experi&ecirc;ncia religiosa, Carlos Reygadas pretere as lei da conveni&ecirc;ncia e da rentabilidade, que assistem a abordagens cinematogr&aacute;ficas ora ass&eacute;pticas, ora visualmente chocantes da pretensa experi&ecirc;ncia de Deus, em favor de uma profunda medita&ccedil;&atilde;o, sem concess&otilde;es, questionante e modificadora. Uma obra nascida do seu inconsciente e com muito de autobiogr&aacute;fico, dando corpo ao que considera ser o seu realismo, constru&iacute;do, nas palavras do pr&oacute;prio, sobre sonhos, mem&oacute;rias, fantasias e projec&ccedil;&otilde;es do futuro que nunca acontecem.<\/p>\n<p>Um filme definitivamente destinado a adultos, que exige uma maturidade e uma leitura muito para al&eacute;m do &oacute;bvio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 um filme f\u00e1cil, o seu resultado n\u00e3o ser\u00e1 consensual, nem aspira \u00e0 coer\u00eancia, no sentido da conformidade ou equil\u00edbrio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[100,267],"class_list":["post-61675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-multimedia","tag-advento","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61675\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}