{"id":61606,"date":"2013-06-29T11:44:00","date_gmt":"2013-06-29T11:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/06\/29\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-celebracao-de-ordenacoes-sacerdotais\/"},"modified":"2013-06-29T11:44:00","modified_gmt":"2013-06-29T11:44:00","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-celebracao-de-ordenacoes-sacerdotais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-celebracao-de-ordenacoes-sacerdotais\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na celebra\u00e7\u00e3o de ordena\u00e7\u00f5es sacerdotais"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Creio na Igreja Apost&oacute;lica&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. Esta solene celebra&ccedil;&atilde;o na Solenidade dos Ap&oacute;stolos Pedro e Paulo, em que ordenaremos novos presb&iacute;teros, &eacute; a &uacute;ltima a que presido no meu minist&eacute;rio apost&oacute;lico de Bispo de Lisboa. Esta celebra&ccedil;&atilde;o est&aacute; mais voltada para o futuro do que para o passado. Seis novos presb&iacute;teros encarnam a esperan&ccedil;a de futuro desta Igreja, que todos amamos e que servi, de diversas formas, durante toda a minha vida. N&atilde;o podemos esquecer que estamos no Ano da F&eacute;. Estar&aacute;, certamente, no nosso cora&ccedil;&atilde;o o Credo em que acreditamos: &ldquo;Creio na Igreja, una, santa, cat&oacute;lica e apost&oacute;lica&rdquo;.<\/p>\n<p>Algu&eacute;m me sugeriu que seria melhor que estes presb&iacute;teros fossem ordenados j&aacute; pelo novo Patriarca de Lisboa, que tomar&aacute; posse daqui a uma semana e sob cuja orienta&ccedil;&atilde;o pastoral exercer&atilde;o o seu minist&eacute;rio sacerdotal, como membros do presbit&eacute;rio a que ele presidir&aacute;. Decidiu ele e n&oacute;s aceit&aacute;mos, que se seguisse a normalidade da programa&ccedil;&atilde;o pastoral da Diocese. Isso ajudar-vos-&aacute;, queridos ordinandos, a n&atilde;o fazerdes da rela&ccedil;&atilde;o com o vosso Bispo apenas uma rela&ccedil;&atilde;o humana, &agrave; pessoa, mas ao minist&eacute;rio apost&oacute;lico, que hoje ainda eu, amanh&atilde; ele, exercemos na Igreja de Lisboa. Os Ap&oacute;stolos, de modo particular Pedro e Paulo, preocuparam-se que este minist&eacute;rio apost&oacute;lico, alicerce da autenticidade da Igreja, n&atilde;o ficasse prisioneiro das suas pessoas, da sua hist&oacute;ria, da maneira como foram Ap&oacute;stolos. Preocuparam-se em garantir sucessores no minist&eacute;rio, tantas vezes ainda em sua vida, na consci&ecirc;ncia de que o minist&eacute;rio apost&oacute;lico &eacute; maior do que as suas pessoas e a sua hist&oacute;ria, &eacute; fidelidade a Jesus Cristo e garantia da perenidade da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Quando h&aacute; 42 anos o Senhor D. Ant&oacute;nio Ribeiro sucedeu ao Cardeal Manuel Gon&ccedil;alves Cerejeira, este, na homilia da tomada de posse do seu sucessor, dirigindo-se aos seus diocesanos, afirmou, evocando a afirma&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Batista em rela&ccedil;&atilde;o a Jesus, o Messias, que iniciava a sua miss&atilde;o p&uacute;blica: &ldquo;&Eacute; preciso que ele cres&ccedil;a e eu diminua&rdquo;. Neste momento exprimo a atitude a&iacute; enunciada com outras palavras: o Senhor D. Manuel, novo Patriarca, e eu pr&oacute;prio, s&oacute; desejamos uma coisa: que a Igreja de Lisboa cres&ccedil;a, se consolide como povo crente, que quer ser no meio da nossa sociedade um testemunho da esperan&ccedil;a, da vis&atilde;o da vida como ela brota da sua uni&atilde;o a Cristo. E para esse fortalecimento da Igreja de Lisboa ambos queremos contribuir, cada um na verdade do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, cuja plenitude ambos recebemos, e das circunst&acirc;ncias concretas da miss&atilde;o recebida. Ambos amamos bastante esta Igreja para tudo fazermos, na verdade das nossas vidas, para que ela cres&ccedil;a na verdade e na fidelidade, at&eacute; ao dia em que nos seja dada a coroa de justi&ccedil;a que o Senhor tem reservada para todos aqueles que gastaram a vida ao servi&ccedil;o da sua Igreja. Essa esperan&ccedil;a fortaleceu Paulo quando sentiu que a sua miss&atilde;o humana chegava ao fim, um fim que &eacute; um princ&iacute;pio, porque compete tamb&eacute;m aos Ap&oacute;stolos e seus sucessores exprimirem nas suas vidas esta rela&ccedil;&atilde;o viva da Igreja peregrina com a Igreja triunfante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Queridos ordinandos, irm&atilde;os e irm&atilde;s, na intensidade dos nossos sentimentos presentes demos hoje prioridade &agrave; confiss&atilde;o da f&eacute; da Igreja: &ldquo;Creio na Igreja una, santa, cat&oacute;lica e apost&oacute;lica&rdquo;. Como acontece com as virtudes da f&eacute;, da esperan&ccedil;a e da caridade, cada uma destas notas constitutivas da Igreja s&oacute; s&atilde;o poss&iacute;veis se inclu&iacute;rem todas as outras. A Igreja s&oacute; ser&aacute; una se for santa, s&oacute; ser&aacute; cat&oacute;lica se for apost&oacute;lica.<\/p>\n<p>H&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca entre unidade e apostolicidade da Igreja. E a express&atilde;o sacramental da apostolicidade &eacute;, na Igreja particular, o minist&eacute;rio do Bispo, sucessor dos Ap&oacute;stolos, minist&eacute;rio em que, aqueles que o exercem, s&atilde;o mais do que as suas qualidade e caracter&iacute;sticas pessoais. Eles exprimem e garantem, desde o in&iacute;cio, a unidade da Igreja. Unidade da mesma f&eacute;, recebida dos Ap&oacute;stolos de Jesus. Eles garantem, na sua miss&atilde;o, que a nossa f&eacute; seja sempre a f&eacute; da Igreja, de toda a Igreja como povo crente e n&atilde;o a express&atilde;o da maneira individual de acreditar. A confiss&atilde;o da f&eacute; da Igreja exige tanta ren&uacute;ncia, tanta humildade da intelig&ecirc;ncia, tanto sentido de corpo e de comunh&atilde;o. Queridos ordinandos, como membros do presbit&eacute;rio, o vosso minist&eacute;rio exige esta grandeza de horizonte, de que a uni&atilde;o ao vosso Bispo &eacute; a garantia, quando celebrais, quando anunciais o Evangelho, quando orientais as consci&ecirc;ncias nas dificuldades concretas com que os crist&atilde;os se deparam. Em tudo o vosso minist&eacute;rio &eacute; um servi&ccedil;o da f&eacute; da Igreja.<\/p>\n<p>Numa Igreja particular, como a nossa querida Igreja de Lisboa, esta unidade da f&eacute; est&aacute; ligada &agrave; comunh&atilde;o apost&oacute;lica do Col&eacute;gio Episcopal, a que preside o Bispo de Roma, o Pastor de toda a Igreja. &Eacute; ele que marca o ritmo da apostolicidade e da unidade. Tamb&eacute;m nele o minist&eacute;rio que recebeu &eacute; infinitamente mais do que a sua pessoa. A nossa uni&atilde;o ao Papa &eacute; express&atilde;o da apostolicidade e da unidade.<\/p>\n<p>Na minha longa vida de minist&eacute;rio sacerdotal cultivei sempre esta uni&atilde;o ao Sucessor de Pedro. A sua palavra ensinou-me o caminho da f&eacute; e da verdade e, por vezes, levou-me a corrigir perspetivas pessoais na compreens&atilde;o da complexa realidade crist&atilde;.<\/p>\n<p>Hoje louvo o Senhor pela grandeza dos Papas da minha vida, pela sua santidade, pela riqueza do seu Magist&eacute;rio, pela aten&ccedil;&atilde;o aos sinais dos tempos n&atilde;o hesitando inovar quando a verdade da hist&oacute;ria o exigia, inovar na fidelidade &agrave; f&eacute; recebida dos Ap&oacute;stolos. O Magist&eacute;rio dos Papas foi farol a guiar a Igreja na evolu&ccedil;&atilde;o do tempo, numa express&atilde;o dupla de fidelidade: &agrave; f&eacute; dos Ap&oacute;stolos e &agrave;s vozes profundas da humanidade, mostrando &agrave; Igreja as aberturas do cora&ccedil;&atilde;o humano &agrave; surpresa do amor de Cristo, Bom Pastor, que &eacute; de ontem, de hoje e de sempre; &agrave; surpresa, essa muito grande, do Esp&iacute;rito Santo, o amor personalizado e que garante &agrave; Igreja que na sua busca da atualidade da mensagem, nunca se desviar&aacute; da f&eacute; apost&oacute;lica.<\/p>\n<p>Neste momento da minha vida, em que deixo o minist&eacute;rio de Bispo diocesano, mas n&atilde;o deixo o Col&eacute;gio Apost&oacute;lico e de partilhar a responsabilidade de garantir que a Igreja ser&aacute; fiel &agrave; apostolicidade, vai a minha express&atilde;o de f&eacute; e de caridade fraterna para com o atual Bispo de Roma, o Papa Francisco. E na comunh&atilde;o com ele, exprimo a minha gratid&atilde;o por todos os Papas da minha vida sacerdotal, que muito me ajudaram a manter sempre viva esta consci&ecirc;ncia da f&eacute; da Igreja, apesar das minhas fragilidades. Acolho, com cora&ccedil;&atilde;o humilde, tudo o que o Papa Francisco decidir a meu respeito, aceito tudo o que me pedir, e ofere&ccedil;o-lhe a ele, e atrav&eacute;s dele &agrave; Igreja, o sil&ecirc;ncio da minha ora&ccedil;&atilde;o, a busca da contempla&ccedil;&atilde;o, a procura cont&iacute;nua da verdade.<\/p>\n<p>Mosteiro dos Jer&oacute;nimos,29 de junho de 2013<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; da Cruz Policarpo, cardeal<\/em><\/p>\n<p><em>Administrador Apost&oacute;lico do Patriarcado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Creio na Igreja Apost&oacute;lica&rdquo; 1. 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