{"id":6159,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-festa-dos-povos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-festa-dos-povos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-festa-dos-povos\/","title":{"rendered":"A Festa dos Povos"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de D. Ant\u00f3nio Sousa Braga <!--more--> O pr\u00f3ximo 30 de Maio, Solenidade de Pentecostes, \u00e9 Dia Diocesano do Imigrante. \u00c9 a Festa dos Povos, a assinalar, com oportunas iniciativas, a n\u00edvel de Ouvidoria ou de Par\u00f3quia, envolvendo os imigrantes, como tem acontecido nos \u00faltimos anos. Em Pentecostes, a Igreja \u00abcomemora\u00bb, isto \u00e9, \u00abfaz mem\u00f3ria\u00bb &#8211; e, portanto, torna actual e actuante &#8211; a vinda do Esp\u00edrito Santo. Nesse dia, como relatam os Actos dos Ap\u00f3stolos, povos de diversas ra\u00e7as&#8221; e l\u00ednguas \u00abentenderam-se\u00bb, pela comum linguagem do amor, que a presen\u00e7a e ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo torna poss\u00edvel. \u00c9 o \u00abImp\u00e9rio do Esp\u00edrito Santo\u00bb, que os a\u00e7orianos celebram, neste Tempo Pascal, com in\u00fameras \u00abfun\u00e7\u00f5es, bodos e coroa\u00e7\u00f5es\u00bb, como express\u00e3o de partilha e de gratuidade, de conviv\u00eancia fraterna e de solidariedade. Atitudes estas que n\u00e3o se podem reduzir a um dia de festa, mas que devem ser uma constante da vida em comunidade. E, dentro do esp\u00edrito cat\u00f3lico, que caracteriza \u00e0 nossa matriz cultural, essa conviv\u00eancia comunit\u00e1ria, fraterna e solid\u00e1ria, tem de estar aberta, n\u00e3o apenas aos \u00abnossos\u00bb &#8211; membros da pr\u00f3pria fam\u00edlia, freguesia e ilha &#8211; mas a todos, tamb\u00e9m aos estrangeiros. S\u00e3o claras as palavras de Jesus: \u00ab\u00c9 por isto que todos saber\u00e3o que sois Meus disc\u00edpulos: Se vos amardes uns aos outros\u00bb (Jo 13, 35). Nas Visitas Pastorais, costumo encontrar-me com trabalhadores imigrantes. Tenho verificado que eles mostram-se reconhecidos pelo acolhimento recebido: Apreciam muito o apoio assistencial, mas sobretudo jur\u00eddico. \u00c9 que \u00e0s vezes v\u00eaem-se perdidos nas teias da burocracia. Mas n\u00e3o falta quem lamente alguma explora\u00e7\u00e3o da parte, n\u00e3o s\u00f3 de um ou outro empres\u00e1rio, mas tamb\u00e9m de crist\u00e3os, que, por exemplo, alugam casas, por pre\u00e7os exorbitantes e em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es. Ficam escandalizados que isso aconte\u00e7a, numa Regi\u00e3o de maioria cat\u00f3lica. \u00c9 caso, para p\u00f4r a m\u00e3o na consci\u00eancia! Isso n\u00e3o \u00e9 catolicismo. Contradiz o \u00abImp\u00e9rio do Esp\u00edrito Santo\u00bb, que \u00e9 o imp\u00e9rio do amor. E o amor aut\u00eantico \u00e9, antes de mais, justi\u00e7a. Nesse sentido, \u00e9 bem-vinda a medida do Registo Pr\u00e9vio dos Cidad\u00e3os Imigrantes, em situa\u00e7\u00e3o de trabalho dependente, com vista a obter a autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia ou de perman\u00eancia. \u00c9 uma boa medida. Mas n\u00e3o \u00e9 garantia de legaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um pressuposto. Seja como for, o que se espera \u00e9 que muitos imigrantes possam recorrer a esta medida e a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica se mostre eficiente. Fica, por\u00e9m, uma pergunta no ar: o que vai acontecer aos trabalhadores imigrantes sem contrato de trabalho? E porque ainda n\u00e3o t\u00eam contrato de trabalho? \u00c9 verdade que alguns vieram por a\u00ed abaixo \u00e0 aventura, envolvidos em redes de gente sem escr\u00fapulos. Mas n\u00e3o ser\u00e1 que alguns j\u00e1 poderiam ter contratos de trabalho? .. N\u00e3o quero ser simplista. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa. Mas urge romper este c\u00edrculo vicioso: n\u00e3o t\u00eam contrato de trabalho, porque n\u00e3o est\u00e3o legalizados; n\u00e3o podem ser legalizados, porque n\u00e3o t\u00eam contrato de trabalho. Um acolhimento digno e dignificante exige regulamenta\u00e7\u00e3o legal, mas, antes de mais e acima de tudo, est\u00e1 a pessoa humana, com a sua inviol\u00e1vel dignidade. J\u00e1 \u00e9 tempo de sair de uma situa\u00e7\u00e3o de \u00abemerg\u00eancia\u00bb. Para al\u00e9m das interven\u00e7\u00f5es pontuais de diversas entidades, p\u00fablicas e privadas, tem de haver uma ac\u00e7\u00e3o concertada, inspirada no humanismo, que n\u00e3o s\u00f3 em pol\u00edticas economicistas. Os fluxos migrat6rios sempre fizeram parte da civiliza\u00e7\u00e3o humana e tamb\u00e9m da nossa hist\u00f3ria. S\u00e3o factor d_ progresso. A presen\u00e7a de trabalhadores imigrantes na nossa terra, mais do que problema, \u00e9 &#8220;&#8216;Uma oportunidade. Eles d\u00e3o um contributo positivo para o nosso desenvolvimento, n\u00e3o s\u00f3 a n\u00edvel material, mas tamb\u00e9m cultural. Integrar n\u00e3o \u00e9 \u00abassimilar\u00bb. Importa dar espa\u00e7o e criar as condi\u00e7\u00f5es, para que os imigrantes sejam cidad\u00e3os de pleno direito, tamb\u00e9m com a riqueza da sua cultura. O Servi\u00e7o Diocesano de Apoio \u00e0 Pastoral da Mobilidade Humana tem estado aberto a todo o tipo de colabora\u00e7\u00e3o e de parceria, para ajudar os trabalhadores imigrantes. Vai continuar a trilhar esse caminho. Mas \u00e9; sobretudo no terreno &#8211; e, portanto, nas comunidades onde h\u00e1 imigrantes &#8211; que a ac\u00e7\u00e3o deve ser imediata e eficaz. Para al\u00e9m de encontros, conv\u00edvios, gabinetes e linhas verdes, o que \u00e9 preciso \u00e9 ajudar a resolver os problemas das pessoas. Assim reza a B\u00edblia: \u00abSe um estrangeiro vier residir contigo na tua terra, n\u00e3o o oprimir\u00e1s. O estrangeiro que reside convosco ser\u00e1 tratado como um dos vossos compatriotas e am\u00e1-lo-\u00e1s como a ti mesmo, porque fostes estrangeiros na terra do Egipto\u00bb (Lv 19, 33-34).  D. Ant\u00f3nio Sousa Braga, Bispo de Angra     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de D. 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