{"id":61503,"date":"2013-06-20T11:33:51","date_gmt":"2013-06-20T11:33:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/06\/20\/conferencia-de-d-jose-policarpo-nas-jornadas-pastorais-da-cep\/"},"modified":"2013-06-20T11:33:51","modified_gmt":"2013-06-20T11:33:51","slug":"conferencia-de-d-jose-policarpo-nas-jornadas-pastorais-da-cep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-jose-policarpo-nas-jornadas-pastorais-da-cep\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Jos\u00e9 Policarpo nas Jornadas Pastorais da CEP"},"content":{"rendered":"<p>A evolu\u00e7\u00e3o cultural e a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p>1. A evolu&ccedil;&atilde;o da cultura &eacute; um fator importante, porventura decisivo, na evolu&ccedil;&atilde;o da sociedade. &Eacute; uma influ&ecirc;ncia rec&iacute;proca: a cultura e a sua evolu&ccedil;&atilde;o, influencia ou mesmo decide da evolu&ccedil;&atilde;o da sociedade; mas as transforma&ccedil;&otilde;es da sociedade t&ecirc;m grande influ&ecirc;ncia na &ldquo;muta&ccedil;&atilde;o cultural&rdquo;, isto &eacute;, nas altera&ccedil;&otilde;es sucessivas da cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o h&aacute; sociedades sem cultura, pois trata-se do homem em comunidade, em conviv&ecirc;ncia com todos os outros homens, a qual &eacute; motivada por valores, isto &eacute;, por ideais de vida humana. As altera&ccedil;&otilde;es na compreens&atilde;o da vida em sociedade, s&atilde;o fator importante na evolu&ccedil;&atilde;o cultural. Quando essa compreens&atilde;o da vida humana se altera, pode perder-se a refer&ecirc;ncia &agrave; matriz cultural de um povo e navegarmos num quadro cultural que j&aacute; n&atilde;o promove a dignidade e a grandeza da pessoa humana.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para compreendermos as evolu&ccedil;&otilde;es cultuais temos de ter, como pano de fundo, uma no&ccedil;&atilde;o de cultura. Servimo-nos aqui da no&ccedil;&atilde;o de cultura do Conc&iacute;lio Vaticano II (cf. GS, nn. 53 e ss), que corresponde, nos seus tra&ccedil;os fundamentais, &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de cultura da pr&oacute;pria UNESCO.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Come&ccedil;a por afirmar-se que o homem s&oacute; pela cultura acede verdadeira e plenamente &agrave; sua humanidade, tendo como refer&ecirc;ncia a natureza humana. A verdade da natureza &eacute; um elemento decisivo na verdade da cultura. Diz o Conc&iacute;lio: &ldquo;sempre que se trata da vida humana, natureza e cultura est&atilde;o t&atilde;o estreitamente ligadas quanto poss&iacute;vel&rdquo; (1).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Afirma-se a seguir que a cultura &eacute; um conceito abrangente: &ldquo;A palavra cultura designa tudo o que &eacute; express&atilde;o humana, aquilo em que o homem afina e desenvolve as capacidades do seu esp&iacute;rito e do seu corpo; se esfor&ccedil;a por submeter o universo pelo conhecimento e pelo trabalho; humaniza a vida social, tanto a vida familiar, como o conjunto da vida civil, gra&ccedil;as ao progresso dos costumes e das institui&ccedil;&otilde;es; em suma, a maneira como traduz, comunica e conserva nas suas obras, ao longo do tempo, as grandes experi&ecirc;ncias espirituais e as grandes aspira&ccedil;&otilde;es do homem, para que estejam ao servi&ccedil;o do progresso de um grande n&uacute;mero e mesmo de todo o g&eacute;nero humano&rdquo; (2).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. Esta abrang&ecirc;ncia da cultura sup&otilde;e que ela se define ao longo do tempo. A evolu&ccedil;&atilde;o cultural tem mais o ritmo da hist&oacute;ria do que do presente, do momento que passa. S&oacute; ao longo do tempo cada comunidade humana vai afinando o seu patrim&oacute;nio cultural. Vai-se definindo um meio determinado e hist&oacute;rico no qual cada homem se insere, independentemente da na&ccedil;&atilde;o ou do s&eacute;culo, ao qual vai beber os valores que lhe permitem promover a civiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; (3).<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; a este patrim&oacute;nio, definido ao longo do tempo, que se pode chamar &ldquo;matriz cultural&rdquo; de um povo, a qual deve ser salvaguardada em toda a evolu&ccedil;&atilde;o cultural e em toda a evolu&ccedil;&atilde;o da sociedade. Quando a evolu&ccedil;&atilde;o das sociedades se decide ao ritmo do presente ef&eacute;mero, afasta-se da matriz cultural e deixa de promover e enquadrar o aut&ecirc;ntico progresso da pessoa e da sociedade humanas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S&oacute; uma cultura assim concebida desabrocha em sabedoria e esta &eacute; a compreens&atilde;o radical da exist&ecirc;ncia humana, fonte de inspira&ccedil;&atilde;o &eacute;tica. Na vis&atilde;o crist&atilde; da cultura, a sabedoria &eacute; desafio de eternidade e de santidade. &Eacute; na sabedoria que a cultura se torna a fonte do sentido aut&ecirc;ntico da exist&ecirc;ncia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A cultura e a realidade humana<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. Para podermos avaliar a evolu&ccedil;&atilde;o cultural, da sociedade e da pr&oacute;pria Igreja, conv&eacute;m ter presentes aquelas dimens&otilde;es da realidade, pessoal e social, que mais incid&ecirc;ncia t&ecirc;m na constitui&ccedil;&atilde;o da cultura e na sua evolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * <strong>A dignidade da pessoa humana<\/strong>, &eacute; elemento decisivo da evolu&ccedil;&atilde;o cultural. Viol&aacute;-la significa sempre um retrocesso da cultura. Os elementos fundamentais desta dignidade s&atilde;o: o respeito pela vida humana, desde a conce&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; morte natural; o sentido nobre da liberdade; a justi&ccedil;a expressa nas circunst&acirc;ncias concretas da vida; um culto da igualdade que respeite o direito &agrave; diferen&ccedil;a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * <strong>A voca&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria da pessoa humana<\/strong>, a complementaridade entre o &ldquo;eu&rdquo; e o &ldquo;n&oacute;s&rdquo;. O ser humano, criado &agrave; imagem de Deus, &eacute;, por ess&ecirc;ncia, um ser relacional. A dimens&atilde;o comunit&aacute;ria &eacute; t&atilde;o importante como a realiza&ccedil;&atilde;o individual. Todos os ego&iacute;smos e individualismos significam um retrocesso na evolu&ccedil;&atilde;o cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * <strong>A busca da verdade e suas express&otilde;es<\/strong>. &Eacute; uma das grandes aventuras da cultura. Procurar a verdade &eacute; buscar o sentido da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia. A verdade n&atilde;o se encontra no horizonte da vida individual. Encontra-se no &acirc;mbito da comunidade, tem a ver com uma tradi&ccedil;&atilde;o viva, tem a sua principal express&atilde;o na sabedoria. No caso do crist&atilde;o a &uacute;ltima refer&ecirc;ncia da verdade &eacute; a &ldquo;f&eacute; da Igreja&rdquo;, alicer&ccedil;ada na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica sobre o mist&eacute;rio do homem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * <strong>A dimens&atilde;o transcendente da vida<\/strong>. Aqui entra o papel das religi&otilde;es na cultura. A religi&atilde;o oferece uma compreens&atilde;o do homem, da sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros homens, com a tradi&ccedil;&atilde;o e com a hist&oacute;ria, com o universo. Todas estas dimens&otilde;es est&atilde;o enraizadas na f&eacute; em Deus e na inter-rela&ccedil;&atilde;o entre os homens e Ele. Acreditar em Deus &eacute; elemento decisivo da cultura. A compreens&atilde;o da interpenetra&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o transcendente e da dimens&atilde;o imanente &eacute; essencial. Se a cultura se reduzir &agrave; compreens&atilde;o da realidade imanente, fica truncada no seu horizonte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * <strong>O conceito de felicidade<\/strong>. Espontaneamente todos os homens buscam a felicidade. Mas o que &eacute; a felicidade? &Eacute; preciso superar a tens&atilde;o entre o &ldquo;ser&rdquo; e o &ldquo;ter&rdquo;. A compreens&atilde;o do amor, em todas as suas express&otilde;es, &eacute; decisiva na compreens&atilde;o da felicidade que se deseja. A compreens&atilde;o da vida como dom tem de ser pr&eacute;via &agrave; compreens&atilde;o da vida como frui&ccedil;&atilde;o. Essa &eacute; a grande ousadia do cristianismo: quem aceitar oferecer a sua vida por amor, acabar&aacute; por descobri-la e encontr&aacute;-la. A coincid&ecirc;ncia entre felicidade e intimidade com Deus &eacute; mais dif&iacute;cil mas &eacute; o testemunho da santidade. E os Santos influenciam a cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * <strong>A busca e express&atilde;o da beleza<\/strong>. &Eacute; outro dinamismo cong&eacute;nito ao ser humano, a busca da beleza. Desde a contempla&ccedil;&atilde;o do universo, &agrave; frui&ccedil;&atilde;o do amor, &agrave; tranquilidade da consci&ecirc;ncia, ao encontro com Deus, a beleza brota como a &uacute;ltima linguagem da verdade. As artes n&atilde;o s&atilde;o a &uacute;nica express&atilde;o da beleza com impacto na cultura. A beleza &eacute; sempre express&atilde;o da harmonia, e expressa no dia a dia da vida das pessoas, acaba por deixar marcas culturais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>T&oacute;picos da evolu&ccedil;&atilde;o cultural na sociedade portuguesa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. &Eacute; campo de an&aacute;lise vasto de que s&oacute; posso enunciar alguns t&oacute;picos. Portugal tem uma cultura, porque tem uma forte identifica&ccedil;&atilde;o com a sua tradi&ccedil;&atilde;o e com a sua hist&oacute;ria, onde entra, como componente importante, o cristianismo. Poder-se-&aacute; falar de uma &ldquo;matriz crist&atilde;&rdquo; da nossa cultura? Penso que sim, se n&atilde;o esquecermos a influ&ecirc;ncia das migra&ccedil;&otilde;es a partir da &Aacute;sia Central, a influ&ecirc;ncia greco-romana, do juda&iacute;smo sempre presente ao longo da nossa hist&oacute;ria, do islamismo devido ao longo dom&iacute;nio de parte do que &eacute; hoje o territ&oacute;rio de Portugal e das correntes filos&oacute;ficas europeias, desde o renascimento, ao racionalismo iluminista, &agrave;s filosofias do indiv&iacute;duo, ao marxismo como teoria de interpreta&ccedil;&atilde;o da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As grandes express&otilde;es desta cultura foram a ousadia na aventura e na criatividade, a atra&ccedil;&atilde;o pela universalidade e pelo desconhecido, o f&aacute;cil contacto com os outros povos e culturas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A composi&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio nacional, cuja origem foi marcada pelo esp&iacute;rito de cruzada e de reconquista crist&atilde;, n&atilde;o facilita a unidade cultural. Um dos sinais deste facto &eacute; a dificuldade ancestral de construir uma unidade como povo. &Eacute; c&eacute;lebre a an&aacute;lise do governador romano j&aacute; no s&eacute;culo terceiro da nossa era: &ldquo;N&atilde;o compreendo este povo, nem se governa, nem se deixa governar&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A marca do catolicismo na cultura portuguesa foi constante desde o in&iacute;cio da nacionalidade. Vale a pena referir duas express&otilde;es institucionais: o ardor mission&aacute;rio, sempre presente na epopeia dos descobrimentos e as rela&ccedil;&otilde;es do Estado Portugu&ecirc;s com a Igreja, expressas na forte rela&ccedil;&atilde;o com o Papa, na colabora&ccedil;&atilde;o estrutural das grandes ordens religiosas, e na oficializa&ccedil;&atilde;o do catolicismo como religi&atilde;o oficial da Na&ccedil;&atilde;o Portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5. A componente que mais influenciou a cultura foi, sem d&uacute;vida, o ardor mission&aacute;rio, que se manteve vivo mesmo depois da viragem, anunciada j&aacute; na segunda metade do s&eacute;c. XIX e confirmada com a revolu&ccedil;&atilde;o republicana e a lei da separa&ccedil;&atilde;o da Igreja e do Estado. Esta lei, inaceit&aacute;vel e agressiva na sua primeira express&atilde;o, abre para uma evolu&ccedil;&atilde;o cultural tanto no Estado como na pr&oacute;pria Igreja: o princ&iacute;pio da laicidade do Estado, hoje presente na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa e aceite pela Concordata, abre o horizonte para a liberdade religiosa, para o respeito pela dignidade de todas as religi&otilde;es s&eacute;rias e a garantia de que o Estado, ao servi&ccedil;o de todos os portugueses, na sua variedade, n&atilde;o se identifica com nenhum credo religioso. No caso da Igreja esta perspetiva, depois de uma evolu&ccedil;&atilde;o ao ritmo dos acontecimentos, foi consagrada pelo Conc&iacute;lio Vaticano II.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A viv&ecirc;ncia pr&aacute;tica desta laicidade do Estado &eacute;, hoje, ferida por algumas ambiguidades culturais. A laicidade do Estado n&atilde;o pode significar a laicidade da sociedade, onde o catolicismo continua a ser maiorit&aacute;rio, no contexto de uma grande variedade de credos religiosos, de ateus e descrentes e de crentes sem religi&atilde;o. Um Estado laico n&atilde;o significa uma sociedade laica. A pr&oacute;pria Lei da Liberdade Religiosa limita-se, muitas vezes, &agrave; liberdade de culto. H&aacute; tend&ecirc;ncia de privar a Igreja de espa&ccedil;o na interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Seria importante para a evolu&ccedil;&atilde;o da cultura um debate s&eacute;rio e dialogante entre a dimens&atilde;o religiosa e a pol&iacute;tica, social, cultural, empresarial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6. Um dos elementos particularmente significativos na evolu&ccedil;&atilde;o cultural, tanto da sociedade, como da Igreja, &eacute; a compreens&atilde;o do tempo e sua import&acirc;ncia na vida humana. A partir de um determinado momento, esta maneira de exprimir a import&acirc;ncia do tempo acentuou duas tend&ecirc;ncias: uma compreens&atilde;o do tempo que exclui a eternidade e a sua redu&ccedil;&atilde;o do tempo ao presente, relativizando a hist&oacute;ria e o futuro. &Eacute; como se o tempo se limitasse ao nosso tempo, quase ao per&iacute;odo que dominamos na nossa experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A dificuldade de integrar a eternidade na compreens&atilde;o do tempo humano, enfraquece a import&acirc;ncia do transcendente na compreens&atilde;o do homem. &Eacute; certo que alguns falam da transcendentalidade da vida humana, sem que isso signifique aceitar a transcend&ecirc;ncia de Deus e da f&eacute; religiosa. &Eacute; certo que os sinais da transcend&ecirc;ncia est&atilde;o gravados no cora&ccedil;&atilde;o humano e a&iacute; s&atilde;o a marca da rela&ccedil;&atilde;o do homem com Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A compreens&atilde;o b&iacute;blica do tempo marcou profundamente a nossa cultura. Todo o sentido do tempo se passa entre o &ldquo;protos&rdquo; e o &ldquo;eschatom&rdquo;, numa unidade da compreens&atilde;o do mist&eacute;rio do tempo, que engloba o pr&oacute;prio tempo divino. Desde a cria&ccedil;&atilde;o que Deus faz parte do tempo humano. Na vis&atilde;o crist&atilde; da vida o tempo presente encontrar&aacute; a sua plenitude numa &ldquo;meta-hist&oacute;rica&rdquo;, na Jerusal&eacute;m Celeste. &ldquo;N&atilde;o temos aqui morada permanente&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este sentido da vida como caminhada para o tempo definitivo tamb&eacute;m enfraqueceu na mentalidade de muitos crist&atilde;os. &Eacute; preciso acentuar pastoralmente esta centralidade da esperan&ccedil;a crist&atilde;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 7. O enfraquecimento do sentido de eternidade, repercutiu-se na perce&ccedil;&atilde;o da realidade, e o horizonte da realidade &eacute; o espa&ccedil;o do exerc&iacute;cio da liberdade. Quais s&atilde;o as fronteiras da realidade humana? &Eacute; s&oacute; o que posso tocar, sentir, verificar? O progresso cient&iacute;fico levou a uma teoria segundo a qual s&oacute; a verifica&ccedil;&atilde;o situa o homem perante o que &eacute; real. O pr&oacute;prio sentido da linguagem &eacute; decidido pela verifica&ccedil;&atilde;o de que o que exprime &eacute; verific&aacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto levou a um &ldquo;positivismo&rdquo; na an&aacute;lise da realidade, que pode tender para uma limita&ccedil;&atilde;o desse horizonte da realidade. A pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia nos mostra que o horizonte da realidade humana se alarga continuamente. O homem &eacute; um ser espiritual e esta qualidade alarga o horizonte da realidade. A f&eacute; alarga-o para o mist&eacute;rio transcendente, a f&eacute; torna Deus real. Nas express&otilde;es da criatividade humana a busca da beleza &eacute; a express&atilde;o deste alargar do horizonte da realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 8. O positivismo na defini&ccedil;&atilde;o do que &eacute; real tem v&aacute;rias consequ&ecirc;ncias na evolu&ccedil;&atilde;o cultural. Antes de mais a tend&ecirc;ncia em tratar todas as realidades humanas com o mesmo sentido &eacute;tico, e o diluir da fronteira entre o bem e o mal. Toda a realidade humana, independentemente do seu sentido &eacute;tico, passa a ter direitos de cidade, regulados pela lei. Este positivismo influencia as pr&oacute;prias leis, que n&atilde;o s&atilde;o tanto propostas &eacute;ticas dos caminhos da verdade e do bem, mas regula&ccedil;&atilde;o da realidade humana, seja ela qual for. Exemplos deste fen&oacute;meno:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * O aborto clandestino era uma realidade preocupante? Legaliza-se a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez, relativizando o sentido &eacute;tico da interrup&ccedil;&atilde;o violenta da vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; * A homossexualidade &eacute; uma realidade, pessoas do mesmo sexo estabelecem rela&ccedil;&otilde;es amorosas que na antropologia cultural s&atilde;o pr&oacute;prias da rela&ccedil;&atilde;o do homem com a mulher? Estabelece-se a igualdade de g&eacute;nero, sendo a op&ccedil;&atilde;o homossexual tao verdadeira como a heterossexual, permite-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo e est&aacute;-se &agrave; beira de permitir ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as por esses pares de pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dou estes exemplos, os mais chocantes numa evolu&ccedil;&atilde;o cultural, de total rutura com a vis&atilde;o do homem em sociedade, enraizada no direito natural e aprofundada na vis&atilde;o crist&atilde; da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma outra concretiza&ccedil;&atilde;o do positivismo na evolu&ccedil;&atilde;o da cultura &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o ao econ&oacute;mico, ao lucro, aos bens materiais das realidades que os homens buscam e pelas quais lutam. A felicidade do homem n&atilde;o passa s&oacute; por a&iacute;, mas pela busca do amor, da beleza, da conviv&ecirc;ncia fraterna. O economicismo, os mecanismos financeiros, a &acirc;nsia do lucro atrofiam o horizonte da beleza da vida na variedade das suas express&otilde;es. E quantas vezes os crist&atilde;os pactuam com essa redu&ccedil;&atilde;o positiva da vida. O Magist&eacute;rio da Igreja, sobre a fam&iacute;lia e sobre a dimens&atilde;o social do homem &eacute; uma proposta cont&iacute;nua a influenciar, num sentido reto, a evolu&ccedil;&atilde;o cultural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 9. Um outro elemento que influi na evolu&ccedil;&atilde;o cultural, tanto da Igreja como da sociedade, s&atilde;o as novas linguagens. &Eacute; ainda dif&iacute;cil de avaliar o seu efeito na muta&ccedil;&atilde;o cultural. Antes de mais trata-se de um elemento intercultural, atravessa todas as culturas, proporciona uma vis&atilde;o universal da compreens&atilde;o do homem e da hist&oacute;ria. A prova disso s&atilde;o as not&iacute;cias de pa&iacute;ses que, para defenderem as suas vis&otilde;es culturais procuram impedir as diversas redes de comunica&ccedil;&atilde;o, ali&aacute;s com pouco sucesso, pois entr&aacute;mos num mundo em que n&atilde;o h&aacute; barreiras &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata apenas de comunica&ccedil;&atilde;o, mas de categorias de compreens&atilde;o da realidade. Este fen&oacute;meno j&aacute; est&aacute; a originar dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o entre gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A considera&ccedil;&atilde;o desta realidade deve empenhar as diversas estruturas da sociedade: a educa&ccedil;&atilde;o, a chamada comunica&ccedil;&atilde;o social, a pr&oacute;pria Igreja. Um cuidado particular se tem de ter com as crian&ccedil;as e os jovens, pois a exposi&ccedil;&atilde;o a estas novas linguagens e o acesso f&aacute;cil &agrave;s novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o, podem alterar a compreens&atilde;o dos valores tradicionais das diversas culturas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Igreja deveria estar na primeira linha da educa&ccedil;&atilde;o para estas novas linguagens, e tamb&eacute;m aqui a fam&iacute;lia se revela como o ambiente base da educa&ccedil;&atilde;o. Sinto que a Igreja, na sua atitude e nas suas estruturas, se j&aacute; utiliza os mecanismos destas novas linguagens, ainda n&atilde;o foi capaz de um di&aacute;logo integrador, de aut&ecirc;ntica abertura, que tem de ser cr&iacute;tica a esta muta&ccedil;&atilde;o cultural. A opini&atilde;o p&uacute;blica e a forma&ccedil;&atilde;o das consci&ecirc;ncias individuais &eacute; hoje influenciada e plasmada por esta nova realidade. A comunica&ccedil;&atilde;o &eacute;, hoje, a charneira da evolu&ccedil;&atilde;o cultural. A Igreja tem de investir em pessoas e estruturas que, com compet&ecirc;ncia, enfrentem esta realidade. A mensagem crist&atilde;, que abre o homem para horizontes novos da vida, n&atilde;o est&aacute; prisioneira de nenhuma cultura, embora tenha ajudado a formar as culturas. Qual ser&aacute; o futuro da evangeliza&ccedil;&atilde;o no contexto destas novas linguagens? &Eacute; uma miss&atilde;o que exige mais ousadia do que percorrer oceanos e continentes.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ponto de partida &eacute; sempre o homem. &Eacute; preciso construir, sempre de novo, o ideal do di&aacute;logo e do amor, vencer individualismos, n&atilde;o se fechar &agrave; beleza, n&atilde;o considerar as linguagens que, em cada momento, nos invadem, como a Palavra da vida que, em qualquer linguagem, nos abre para a esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 19 de junho de 2013<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; da Cruz Policarpo, administrador apost&oacute;lico do Patriarcado de Lisboa<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>NOTAS:<\/p>\n<p><strong>1 -Gaudium et Spes<\/strong>, n&ordm; 53<\/p>\n<p>2 &#8211; Ibidem<\/p>\n<p>3 &#8211; cf. Ibidem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A evolu\u00e7\u00e3o cultural e a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,146,161,168],"class_list":["post-61503","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-concordata","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61503\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}