{"id":61427,"date":"2013-06-14T10:40:50","date_gmt":"2013-06-14T10:40:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/06\/14\/o-que-nos-esta-a-ser-dito\/"},"modified":"2013-06-14T10:40:50","modified_gmt":"2013-06-14T10:40:50","slug":"o-que-nos-esta-a-ser-dito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-que-nos-esta-a-ser-dito\/","title":{"rendered":"O que nos est\u00e1 a ser dito"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a <!--more--> <\/p>\n<p>A b&uacute;ssola serve para indicar o Norte. A exist&ecirc;ncia de um Norte estabelece uma orienta&ccedil;&atilde;o, um tracejado com o qual passamos a contar. Pode acontecer ao viajante, quando retira a b&uacute;ssola do seu bolso, que esta tenha deixado de funcionar. Mas nesse caso, o viajante sabe que o problema &eacute; da b&uacute;ssola e n&atilde;o lhe passa pela cabe&ccedil;a colocar em causa a exist&ecirc;ncia do Norte. Tomemos agora a b&uacute;ssola como met&aacute;fora da rela&ccedil;&atilde;o que mantemos com o sentido. Houve, de facto, um tempo em que as fontes de sentido (religiosas, pol&iacute;ticas e &eacute;ticas&#8230;) exerciam uma atra&ccedil;&atilde;o capaz de polarizar e de assegurar todas as procuras. Essas fontes tinham o magnetismo assertivo da agulha de uma b&uacute;ssola e as respostas que davam pareciam simples, naturais e inquestion&aacute;veis.<\/p>\n<p>Mas mudan&ccedil;as e ruturas culturais aconteceram. E deu-se uma passagem que podemos descrever assim: na orienta&ccedil;&atilde;o das nossas viagens deix&aacute;mos de recorrer &agrave; b&uacute;ssola e passamos a utilizar o radar. Isto significa o qu&ecirc;? Significa que n&atilde;o estamos mais ligados a uma dire&ccedil;&atilde;o precisa. &Eacute; verdade que o radar vai em busca do seu alvo, mas essa busca implica agora uma abertura indiscriminada, plural, m&oacute;vel. Com a b&uacute;ssola era-nos claramente apontado um Norte, e s&oacute; uma dire&ccedil;&atilde;o: o radar vem potenciar e complexificar a procura. Diversificam-se os sinais e multiplicam-se igualmente os caminhos.<\/p>\n<p>As vias da procura espiritual deixaram de ter sentido &uacute;nico.<\/p>\n<p>Hoje estamos perante uma ulterior mudan&ccedil;a, porque mais do que investirmos na procura de sinais aqui e ali, garantimos agora sobretudo a possibilidade de receb&ecirc;-los. Se antes o radar estava &agrave; procura de um sinal, hoje somos n&oacute;s a procurar um canal de acesso atrav&eacute;s do qual os dados possam passar, sem no entanto termos n&oacute;s necessariamente de fazer a procura. Quando um dado fica dispon&iacute;vel (um e-mail, por exemplo), recebemo-los de forma autom&aacute;tica porque temos aberto um canal de rece&ccedil;&atilde;o. O problema atual n&atilde;o &eacute;, portanto, encontrar a mensagem de sentido mas descodific&aacute;-la. Os tempos est&atilde;o a mudar. E os tempos de mudan&ccedil;a s&atilde;o inspiradores, n&atilde;o o esque&ccedil;amos. O que nos est&aacute; a ser dito? &ndash; &eacute; a pergunta necess&aacute;ria. O que &eacute; que esta avalanche cultural nos revela? De facto, a grande crise, a mais aguda, n&atilde;o &eacute; sequer a dos acontecimentos, decis&otilde;es e deser&ccedil;&otilde;es que nos trouxeram aqui. Dia a dia, sobrep&otilde;e-se um problema maior: a crise da interpreta&ccedil;&atilde;o. Isto &eacute;, a falta de um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicer&ccedil;ar, para cada um enquanto indiv&iacute;duo e para todos enquanto comunidade, os modos poss&iacute;veis de nos reinventarmos.<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-61427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}