{"id":61399,"date":"2013-06-10T06:04:00","date_gmt":"2013-06-10T06:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/06\/10\/portugal-somos-mais-herdeiros-do-que-construtores\/"},"modified":"2013-06-10T06:04:00","modified_gmt":"2013-06-10T06:04:00","slug":"portugal-somos-mais-herdeiros-do-que-construtores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-somos-mais-herdeiros-do-que-construtores\/","title":{"rendered":"Portugal: Somos mais herdeiros do que construtores"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Matos Ferreira, diretor do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p>O Dia de Portugal &eacute; ocasi&atilde;o para recordar um patrim&oacute;nio cultural, repensar a identidade, definir programas de a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um dia em que o cidad&atilde;o se procura compreender e rever numa comunidade, numa hist&oacute;ria. Tamb&eacute;m para equacionar lamentos diante de normas chegadas de centros de decis&atilde;o, sobretudo internacionais. Quest&otilde;es analisadas por Ant&oacute;nio Matos Ferreira, diretor do Centro de Estudos de Hist&oacute;ria Religiosa da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa.<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &ndash; As atuais circunst&acirc;ncias em que Portugal se encontra colocam-no numa situa&ccedil;&atilde;o de protetorado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Uni&atilde;o Europeia?<\/em><\/p>\n<p>Ant&oacute;nio Matos Ferreira &ndash; N&atilde;o. Portugal sempre conheceu mecanismos de depend&ecirc;ncia. O grande problema &eacute; saber at&eacute; que ponto os cidad&atilde;os portugueses est&atilde;o convencidos da relev&acirc;ncia hist&oacute;rica da constru&ccedil;&atilde;o europeia. A&iacute; reside uma das dificuldades: a Europa foi explicada como um projeto que s&oacute; trairia coisas boas. Agora estamos diante de um problema econ&oacute;mico, que n&atilde;o diz apenas respeito &agrave; Europa&hellip;<\/p>\n<p>H&aacute; tamb&eacute;m o problema da inclus&atilde;o. A Europa foi pensada a partir da articula&ccedil;&atilde;o de nacionalidades e Estados. Mas &eacute; necess&aacute;rio saber que capacidade o projeto tem de se afirmar e qual o grau de inclus&atilde;o e de coes&atilde;o.<\/p>\n<p>As quest&otilde;es que se p&otilde;em a Portugal, a Espanha, a It&aacute;lia, a Gr&eacute;cia, etc., est&atilde;o relacionadas com as limita&ccedil;&otilde;es de cada uma destas sociedades, nomeadamente a portuguesa. Por outro lado, h&aacute; o problema da credibilidade: que homens e mulheres pol&iacute;ticos s&atilde;o capazes de criar credibilidade, confian&ccedil;a? As pessoas banalizaram o que se diz, o que se analisa, nomeadamente na comunica&ccedil;&atilde;o social onde h&aacute; tr&ecirc;s temas que s&atilde;o recorrentes: a pol&iacute;tica &ldquo;politiqueira&rdquo;, a economia e o futebol. A mundivid&ecirc;ncia das pessoas esgota-se a&iacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Que possibilidade existe de constru&ccedil;&atilde;o da credibilidade da classe pol&iacute;tica quando a depend&ecirc;ncia externa, nomeadamente Europeia, &eacute; acentuada?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Penso que temos de ser capazes de construir culturalmente discursos positivos e propositivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E h&aacute; essa possibilidade?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; &Eacute; uma criatividade, como noutras alturas da Hist&oacute;ria da humanidade. N&atilde;o vale a pena dizer que as pessoas ir&atilde;o ser todas ricas. N&atilde;o se pode governar na l&oacute;gica do euromilh&otilde;es nem na l&oacute;gica de retirar horizontes de futuro &agrave;s pessoas.<\/p>\n<p>A governa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser simplesmente um exerc&iacute;cio do poder, quase sequestrado por um conjunto de elites que s&atilde;o rotativamente as mesmas e distantes do quotidiano dos cidad&atilde;os, muitas vezes associado a modelos de vida que n&atilde;o t&ecirc;m consist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Essa &eacute; uma circunst&acirc;ncia de muitas &eacute;pocas da Hist&oacute;ria de Portugal? Como comenta a afirma&ccedil;&atilde;o de D. Manuel Clemente: &ldquo;Vivemos geralmente mal com n&oacute;s mesmos, por nos acharmos sempre aqu&eacute;m do que ter&iacute;amos sido ou do que poder&iacute;amos voltar a ser&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; A realidade de Portugal &eacute; muito complexa. Hoje quando falamos de Portugal n&atilde;o poderemos ver Portugal como h&aacute; 100 anos, onde a coes&atilde;o populacional era feita com outras media&ccedil;&otilde;es. A nossa sociedade, n&atilde;o sendo muito grande, &eacute; complexa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas consolidada no tempo&hellip;<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Consolidada por uma narrativa. Sobre Portugal contam-se coisas&hellip; H&aacute; muitas gera&ccedil;&otilde;es, em Lisboa ou no Porto, por exemplo, que sabem que D. Afonso Henriques existiu e nada mais&hellip;<\/p>\n<p>Somos mais herdeiros do que construtores! Tendemos a dar menos valor ao passado. O grande problema &eacute; n&atilde;o saber o que fazer com o passado que herdamos.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta voltar a um passado lamurioso e que desenvolva uma consci&ecirc;ncia depressiva: houve um momento de gl&oacute;ria e depois s&oacute; fomos perdendo oportunidades&hellip;<\/p>\n<p>A grande mobiliza&ccedil;&atilde;o tem de ser baseada na credibilidade: por um lado n&atilde;o se pode enganar as pessoas e, por outro, &eacute; necess&aacute;rio possibilitar-lhes, nas diferentes faixas et&aacute;rias, um protagonismo que lhes d&ecirc; realiza&ccedil;&atilde;o pessoal e coletiva.<\/p>\n<p>Analisemos por exemplo o problema do desemprego, transversal a toda a Europa, dram&aacute;tico nalguns pa&iacute;ses. O desemprego n&atilde;o pode ser visto como uma realidade que se tem de aceitar. Porque as pessoas n&atilde;o t&ecirc;m 50 vidas nem sete! T&ecirc;m uma vida! A aus&ecirc;ncia da capacidade de proporcionar o protagonismo a cada pessoa, sentindo-se aptas a fazer alguma coisa, &eacute; um atraso coletivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Esse protagonismo depende s&oacute; de um posto de trabalho?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Sim, porque houve altera&ccedil;&otilde;es profundas na vida das pessoas que genericamente dependem dos rendimentos do seu trabalho. Se h&aacute; umas d&eacute;cadas diz&iacute;amos &ldquo;quem n&atilde;o trabalha n&atilde;o come&rdquo;, hoje percebe-se que n&atilde;o h&aacute; trabalho para todos&hellip;<\/p>\n<p>&Eacute; grave dizer &agrave;s pessoas &ldquo;trabalho n&atilde;o falta&rdquo; porque falta a possibilidade de reconhecimento pessoal pelo trabalho de modo que possam sobreviver.<\/p>\n<p>O problema da sobreviv&ecirc;ncia est&aacute; ligado tamb&eacute;m &agrave;s expectativas que se criam do n&iacute;vel de sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Promover uma sociedade como a nossa, que pretende ser aberta e participativa, tem de ser o resultado de uma grande capacidade de dialogar com as pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Jos&eacute; Mattoso acentuou a ideia de que o progresso n&atilde;o &eacute; infinito. As sociedades ocidentais est&atilde;o ref&eacute;ns dessa falsa certeza?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Estou convencido que tudo isso &eacute; um processo de consci&ecirc;ncia social e individual. As pessoas v&atilde;o percebendo que h&aacute; coisas que n&atilde;o se podem atingir. A pol&iacute;tica deveria ter essa dimens&atilde;o pedag&oacute;gica, que n&atilde;o pode ser remetida &agrave; escola ou &agrave;s fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m penso que o desequil&iacute;brio entre os n&iacute;veis de vida das pessoas n&atilde;o pode ser infinito&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Desequil&iacute;brio que se est&aacute; a agravar em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Claro! Como noutros pa&iacute;ses. Analisando n&atilde;o a economia, mas as consequ&ecirc;ncias antropol&oacute;gicas e culturais que ela pode gerar, temos a consci&ecirc;ncia de n&atilde;o vivemos oficialmente n&atilde;o numa sociedade de escravatura associada a uma determinada redu&ccedil;&atilde;o do ser humano ao objeto. Mas em muitas circunst&acirc;ncias atuais do mundo do trabalho e do que diz respeito ao horizonte de vida das pessoas sente-se alguma aus&ecirc;ncia de liberdade. Isso n&atilde;o significa fazer o que apetece, mas as pessoas poderem sentir que se realizam!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Durante muitos s&eacute;culos, Portugal caracterizou-se por uma religiosidade acentuada, tamb&eacute;m pelo peso institucional de uma religi&atilde;o, o catolicismo. Hoje, o que &eacute; que baliza a sociedade portuguesa?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Provavelmente n&atilde;o ser&aacute; uma institucionaliza&ccedil;&atilde;o t&atilde;o forte do religioso, nomeadamente atrav&eacute;s da Igreja Cat&oacute;lica. Mas na sociedade portuguesa continuam a existir n&iacute;veis elevados de coes&atilde;o fornecidos pela identifica&ccedil;&atilde;o religiosa. Isto &eacute;, n&atilde;o estamos numa sociedade onde o cidad&atilde;o n&atilde;o tenha recursos para dar sentido &agrave; sua vida a n&atilde;o ser pela diminui&ccedil;&atilde;o diante de um todo ou um totalit&aacute;rio ou num atomismo individualista. Seria um perigo muito grande manter-se esse tipo de an&aacute;lise, porque n&atilde;o creio que corresponda &agrave; realidade. Vivemos numa sociedade onde h&aacute; mais referenciais do que se imagina da viv&ecirc;ncia e da cultura de v&aacute;rias tradi&ccedil;&otilde;es religiosas, entre as quais e de maneira relevante o cristianismo. Mas provavelmente n&atilde;o est&aacute; exatamente onde tradicionalmente estava.<\/p>\n<p>A religi&atilde;o hoje n&atilde;o est&aacute; nas sacristias nem nos lugares de culto. Est&aacute; na possibilidade que as pessoas sentem de dar sentido &agrave; sua vida. O grande problema &eacute; que as institui&ccedil;&otilde;es religiosas, qualquer uma delas, est&atilde;o mais motivadas numa din&acirc;mica tradicional de enquadramento das pessoas do que em potenciar e valorizar a afirma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia dos crentes. O que implicaria a capacidade de dialogar, integrando o que as pessoas vivem e n&atilde;o rejeitando-o &agrave; partida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Isso implicaria reservar a religi&atilde;o para o espa&ccedil;o privado, da consci&ecirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Acho que a religi&atilde;o nunca est&aacute; no espa&ccedil;o privado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Basta que os crentes estejam no espa&ccedil;o p&uacute;blico&hellip;<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Est&aacute; no espa&ccedil;o p&uacute;blico atrav&eacute;s dos cidad&atilde;os&hellip; Outra coisa &eacute; o poder das institui&ccedil;&otilde;es religiosas, a capacidade que t&ecirc;m de institucionaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Claro que &eacute; necess&aacute;rio que as religi&otilde;es nas suas formas institucionais tenham a plena liberdade de se organizarem. Mas n&atilde;o vale a pena fugir a uma quest&atilde;o: a religi&atilde;o e a cren&ccedil;a estar&atilde;o sempre presentes atrav&eacute;s dos indiv&iacute;duos. O que origina alguns problemas na sociedade contempor&acirc;nea: quando se vive numa sociedade de pluralidade religiosa, temos por vezes comportamentos de cidad&atilde;os que, pelas suas motiva&ccedil;&otilde;es religiosas, levantam quest&otilde;es &agrave; sociedade. Como tamb&eacute;m h&aacute; quest&otilde;es da sociedade que se repercutem nos cidad&atilde;os, nomeadamente de ordem moral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Marca a Hist&oacute;ria de Portugal um certo anticlericalismo. Como &eacute; que ele se equaciona atualmente? <\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Por obriga&ccedil;&atilde;o de of&iacute;cio tenho estudado essa problem&aacute;tica. Penso que o item &ldquo;anticlericalismo&rdquo; generalizou-se na historiografia, mas ele &eacute; insuficiente para uma an&aacute;lise s&eacute;ria. Desde logo porque n&atilde;o h&aacute; um anticlericalismo, mas v&aacute;rios. N&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m melhor para ser anticlerical do que algu&eacute;m cujo anticlericalismo parta do interior da institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O anticlericalismo &eacute; um problema da rela&ccedil;&atilde;o com o poder. &Eacute; um problema de rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s formas de exerc&iacute;cio do poder. H&aacute; formas de anticlericalismo no interior das Igrejas.<\/p>\n<p>Se o anticlericalismo que &eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o contra a Igreja e a religi&atilde;o, isso &eacute; outra coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; H&aacute; quem fale mesmo em anticlericalismo muito crist&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Sim, h&aacute; v&aacute;rios estudos&hellip; Se quisermos, o anticlericalismo &eacute; a express&atilde;o de uma tend&ecirc;ncia social mais ampla de natureza maniqueia, relacionada com a contesta&ccedil;&atilde;o da institucionaliza&ccedil;&atilde;o das formas de poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como analisa o futuro pr&oacute;ximo de Portugal e dos portugueses?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Portugal sempre afirmou uma grande unidade, mesmo recorrendo a inimigos. Por outro lado, tem a experi&ecirc;ncia significativa da di&aacute;spora. De tal modo que o dia de Portugal &eacute; da Cam&otilde;es, do poeta l&iacute;rico que cantou a ideia da realidade &uacute;nica dos lusitanos, e ao mesmo tempo de dispers&atilde;o, das comunidades portuguesas.<\/p>\n<p>Nestas circunst&acirc;ncias, Portugal enfrenta a quest&atilde;o de saber como articular a sua participa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios palcos onde se encontra: a Uni&atilde;o Europeia, os Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Oficial Portuguesa e no espa&ccedil;o que ocupa, por v&aacute;rias raz&otilde;es, no &acirc;mbito cultural e diplom&aacute;tico ao n&iacute;vel internacional. O problema &eacute; saber como &eacute; que isso &eacute; percecionado como oportunidade para existir e n&atilde;o unicamente como recurso do falhan&ccedil;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211;&nbsp; E &agrave; Igreja Cat&oacute;lica, que papel lhe cabe no Portugal contempor&acirc;neo?<\/em><\/p>\n<p>AMF &ndash; Ajudar a integrar as pessoas e a desenvolverem a sua consci&ecirc;ncia de sentido para o que vivem. Essa &eacute; a experi&ecirc;ncia da Igreja&hellip;<\/p>\n<p><em>PR<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Matos Ferreira, diretor do Centro de Estudos de Hist\u00f3ria Religiosa da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[187,191,203],"class_list":["post-61399","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61399\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}