{"id":61370,"date":"2013-06-07T16:01:45","date_gmt":"2013-06-07T16:01:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/06\/07\/queria-tanto-acreditar\/"},"modified":"2013-06-07T16:01:45","modified_gmt":"2013-06-07T16:01:45","slug":"queria-tanto-acreditar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/queria-tanto-acreditar\/","title":{"rendered":"Queria tanto acreditar"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos <!--more--> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">&Agrave;s portas de qualquer &nbsp;importante comemora&ccedil;&atilde;o, dessas que sempre celebramos com discursos e condecora&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; de todo incomum que os analistas antecipem o teor de algumas interven&ccedil;&otilde;es.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Ora vem a&iacute; o Dia de Portugal, de Cam&otilde;es e das Comunidades Portuguesas. Ausente durante os &uacute;ltimos dias, ignoro se a tradi&ccedil;&atilde;o se manteve; ou, pelo contr&aacute;rio, se as habituais pitonisas se abstiveram, desta vez, de adivinhar para quem vai falar o Presidente. Uma coisa sei, por&eacute;m: os minutos imediatos &agrave; sess&atilde;o solene de Elvas, esses ser&atilde;o todos eles mediaticamente &nbsp;preenchidos pelas vozes partid&aacute;rias, avaliando palavras, requebros da voz ou meros sil&ecirc;ncios e omiss&otilde;es.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Os jornalistas repetir&atilde;o, para tanto e exaustivamente, a profunda quest&atilde;o: &#8220;que coment&aacute;rio lhe merece o discurso que ouviu?&#8221;&#8230; Horas mais tarde, no ser&atilde;o televisivo, o presidencial &nbsp;pronunciamento ser&aacute; analisado pelos especialistas da ordem, que se tornaram s&aacute;bios no momento seguinte a terem fracassado em seu devido tempo.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Ou seja, creio que o pr&oacute;ximo 10 de Junho nos assegura o costume dos calendarizados massacres em que v&ecirc;m redundando as nossas festas nacionais; que de festa j&aacute; s&oacute; t&ecirc;m os arredores de algum bairro ou aldeia onde a boa vizinhan&ccedil;a foge &agrave; programa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&#8230;<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Podem julgar-me &aacute;cido e acusar-me desamor p&aacute;trio. O que acontece, no que me diz respeito, &nbsp;&eacute; que me venho sentindo expropriado de momentos que cheguei a considerar significativos, nas suas componentes de homenagem e projec&ccedil;&atilde;o. E de tal modo que apenas o respeito pelo Poeta, por esta terra que amo e pelos irm&atilde;os que escrevem o nome de Portugal em cada canto do mundo me proibem o completo alheamento da efem&eacute;ride. Bom, em boa verdade acrescento um outro motivo: o respeito pelos condecorados, cujos m&eacute;ritos bem dispensavam, contudo, a desconsidera&ccedil;&atilde;o de serem, no minuto seguinte, totalmente ignorados.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Portugal vive um momento &nbsp;de desertifica&ccedil;&atilde;o mental, a que corresponde &#8211; como em qualquer campo inculto &#8211; a multiplica&ccedil;&atilde;o dos code&ccedil;ais e silvados. As vagens de uns e as ra&iacute;zes de outros &nbsp;encontram tradu&ccedil;&atilde;o em decis&otilde;es canhestras e propostas desviadas; umas &nbsp;assumidas com presun&ccedil;&atilde;o ofensiva e outras com um ar que nenhum anjo seria capaz de apresentar.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Entendo, por isso, que faria sentido um 10 de Junho refrescado e refrescante. Nas f&oacute;rmulas e nas inten&ccedil;&otilde;es.E, &nbsp;claro, na direc&ccedil;&atilde;o dos olhares &#8211; definitivamente desconcentrados de umbigos ideol&oacute;gicos, para se fixarem no exemplo de gente que, as mais das vezes sem ru&iacute;do, cava com a mesma enxada o presente e o futuro.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Pode ser que o facto de as comemora&ccedil;oes deste ano se realizarem em Elvas -ou seja, pela segunda vez no interior o pa&iacute;s &#8211; queira dizer alguma coisa, para al&eacute;m de coincidirem com os 500 anos da sua eleva&ccedil;&atilde;o a cidade e comemorar a classifica&ccedil;&atilde;o, pela Unesco, de Elvas Patrim&oacute;nio Mundial.<\/div>\n<div id=\"_mcePaste\" style=\"position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow: hidden;\">Gostava tanto de ser ajudado a acreditar&#8230; Quero tanto acreditar!&#8230;<\/div>\n<p>&Agrave;s portas de qualquer &nbsp;importante comemora&ccedil;&atilde;o, dessas que sempre celebramos com discursos e condecora&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o &eacute; de todo incomum que os analistas antecipem o teor de algumas interven&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Ora vem a&iacute; o Dia de Portugal, de Cam&otilde;es e das Comunidades Portuguesas. Ausente durante os &uacute;ltimos dias, ignoro se a tradi&ccedil;&atilde;o se manteve; ou, pelo contr&aacute;rio, se as habituais pitonisas se abstiveram, desta vez, de adivinhar para quem vai falar o Presidente. Uma coisa sei, por&eacute;m: os minutos imediatos &agrave; sess&atilde;o solene de Elvas, esses ser&atilde;o todos eles mediaticamente &nbsp;preenchidos pelas vozes partid&aacute;rias, avaliando palavras, requebros da voz ou meros sil&ecirc;ncios e omiss&otilde;es.<\/p>\n<p>Os jornalistas repetir&atilde;o, para tanto e exaustivamente, a profunda quest&atilde;o: &#8220;que coment&aacute;rio lhe merece o discurso que ouviu?&#8221;&#8230; Horas mais tarde, no ser&atilde;o televisivo, o presidencial &nbsp;pronunciamento ser&aacute; analisado pelos especialistas da ordem, que se tornaram s&aacute;bios no momento seguinte a terem fracassado em seu devido tempo.<\/p>\n<p>Ou seja, creio que o pr&oacute;ximo 10 de Junho nos assegura o costume dos calendarizados massacres em que v&ecirc;m redundando as nossas festas nacionais; que de festa j&aacute; s&oacute; t&ecirc;m os arredores de algum bairro ou aldeia onde a boa vizinhan&ccedil;a foge &agrave; programa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&#8230;<\/p>\n<p>Podem julgar-me &aacute;cido e acusar-me desamor p&aacute;trio. O que acontece, no que me diz respeito, &nbsp;&eacute; que me venho sentindo expropriado de momentos que cheguei a considerar significativos, nas suas componentes de homenagem e projec&ccedil;&atilde;o. E de tal modo que apenas o respeito pelo Poeta, por esta terra que amo e pelos irm&atilde;os que escrevem o nome de Portugal em cada canto do mundo me proibem o completo alheamento da efem&eacute;ride. Bom, em boa verdade acrescento um outro motivo: o respeito pelos condecorados, cujos m&eacute;ritos bem dispensavam, contudo, a desconsidera&ccedil;&atilde;o de serem, no minuto seguinte, totalmente ignorados.<\/p>\n<p>Portugal vive um momento &nbsp;de desertifica&ccedil;&atilde;o mental, a que corresponde &#8211; como em qualquer campo inculto &#8211; a multiplica&ccedil;&atilde;o dos code&ccedil;ais e silvados. As vagens de uns e as ra&iacute;zes de outros &nbsp;encontram tradu&ccedil;&atilde;o em decis&otilde;es canhestras e propostas desviadas; umas &nbsp;assumidas com presun&ccedil;&atilde;o ofensiva e outras com um ar que nenhum anjo seria capaz de apresentar.<\/p>\n<p>Entendo, por isso, que faria sentido um 10 de Junho refrescado e refrescante. Nas f&oacute;rmulas e nas inten&ccedil;&otilde;es.E, &nbsp;claro, na direc&ccedil;&atilde;o dos olhares &#8211; definitivamente desconcentrados de umbigos ideol&oacute;gicos, para se fixarem no exemplo de gente que, as mais das vezes sem ru&iacute;do, cava com a mesma enxada o presente e o futuro.<\/p>\n<p>Pode ser que o facto de as comemora&ccedil;oes deste ano se realizarem em Elvas -ou seja, pela segunda vez no interior o pa&iacute;s &#8211; queira dizer alguma coisa, para al&eacute;m de coincidirem com os 500 anos da sua eleva&ccedil;&atilde;o a cidade e comemorar a classifica&ccedil;&atilde;o, pela Unesco, de Elvas Patrim&oacute;nio Mundial.<\/p>\n<p>Gostava tanto de ser ajudado a acreditar&#8230; Quero tanto acreditar!&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-61370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}