{"id":61209,"date":"2013-05-24T11:06:52","date_gmt":"2013-05-24T11:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/05\/24\/cinema-rugas\/"},"modified":"2013-05-24T11:06:52","modified_gmt":"2013-05-24T11:06:52","slug":"cinema-rugas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-rugas\/","title":{"rendered":"Cinema: Rugas"},"content":{"rendered":"<p>&Eacute; o regresso do desenho animado ao grande ecr&atilde; e a adapta&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica da famosa banda desenhada do espanhol Paco Roca, vencedor, entre outros, do Pr&eacute;mio Nacional de BD 2008.<\/p>\n<p>Inicialmente editada em Fran&ccedil;a, a banda desenhada que origina o filme agora em estreia, partiu de uma ideia mais &lsquo;radical&rsquo; do seu autor, com um grupo de idosos cheios de energia que planeiam assaltar um casino. Apesar de tudo, o seu empenho em focar as preocupa&ccedil;&otilde;es fundamentais da velhice foi grande e Paco Roca, tamb&eacute;m inspirado pelos pr&oacute;prios pais, dedicou-se a aprofund&aacute;-las, designadamente no que respeita &agrave; perda progressiva das capacidades f&iacute;sicas e mentais e ao seu impacto, n&atilde;o s&oacute;&nbsp; no estado de esp&iacute;rito de quem sofre perdas significativas a esses n&iacute;veis, como no dos seus familiares ou cuidadores.<\/p>\n<p>Satisfazendo as exig&ecirc;ncias do editor franc&ecirc;s, o primeiro a interessar-se por esta banda desenhada, Paco Roca viu-se obrigado a eliminar alguns elementos presentes na proposta inicial a fim de facilitar a comercializa&ccedil;&atilde;o da banda desenhada em Fran&ccedil;a. Foi o caso de um crucifixo. Perdas estas mais tarde recuperadas, aquando da sua publica&ccedil;&atilde;o em Espanha, onde a banda desenhada ganha o t&iacute;tulo &lsquo;Rugas&rsquo;, que o filme agora tamb&eacute;m adopta.<\/p>\n<p>&lsquo;Rugas&rsquo; come&ccedil;a por nos contar a hist&oacute;ria de Emilio, que na sua idade avan&ccedil;ada manifesta os primeiros sinais de Alzheimer. O progressivo alheamento perante quem e o que o rodeia, aliado a uma incapacidade para lidar com a situa&ccedil;&atilde;o, levam a fam&iacute;lia a optar por intern&aacute;-lo num lar de terceira idade. A hist&oacute;ria cresce, em dimens&atilde;o e em rela&ccedil;&atilde;o, para o conjunto de personagens que habita o lar, transformando-se aos poucos numa tocante e divertida hist&oacute;ria de constru&ccedil;&atilde;o de comunidade. Nela, cabem as cumplicidades, as zangas, <\/p>\n<p>dificuldades e alegrias pr&oacute;prias dos amigos que se v&atilde;o descobrindo, a todo o tempo na vida. Vencendo o medo de um amanh&atilde; incerto e as contrariedades do dia-a-dia com a capacidade de valorizar o melhor que cada dia lhes traz.<\/p>\n<p>Com um argumento que equilibra bastante bem os aspetos mais duros e mais suaves da fase de vida em quest&atilde;o, &lsquo;Rugas&rsquo; &eacute; uma gentil abordagem cinematogr&aacute;fica capaz de, mesmo sem grande rasgo t&eacute;cnico ou art&iacute;stico, nos sensibilizar para o universo da terceira idade. Mostrando o que este pode significar no contexto de um lar &ndash; quando na fase final da vida e sob vulnerabilidade de ordem diversa, se &eacute; &lsquo;desafiado&rsquo; a tecer novas rela&ccedil;&otilde;es fora da rede afetiva da fam&iacute;lia que at&eacute; a&iacute; se construiu. Mas tamb&eacute;m como este desafio n&atilde;o implica perder patrim&oacute;nio constru&iacute;do, antes integrar tr&ecirc;s tempos indissoci&aacute;veis numa vida: passado, presente e futuro, independentemente da dimens&atilde;o temporal de cada um.<\/p>\n<p>Uma proposta interessante, que conta com vers&atilde;o dobrada em portugu&ecirc;s (com vozes bem conhecidas da televis&atilde;o) e se presta a partilhar, precisamente, em fam&iacute;lia ou comunidade.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; o regresso do desenho animado ao grande ecr&atilde; e a adapta&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica da famosa banda desenhada do espanhol Paco Roca, vencedor, entre outros, do Pr&eacute;mio Nacional de BD 2008. 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