{"id":61183,"date":"2013-05-21T12:32:40","date_gmt":"2013-05-21T12:32:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/05\/21\/do-imperador-constantino-ao-ii-concilio-do-vaticano\/"},"modified":"2013-05-21T12:32:40","modified_gmt":"2013-05-21T12:32:40","slug":"do-imperador-constantino-ao-ii-concilio-do-vaticano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/do-imperador-constantino-ao-ii-concilio-do-vaticano\/","title":{"rendered":"Do imperador Constantino ao II Conc\u00edlio do Vaticano"},"content":{"rendered":"<p>Quando teve o seu in\u00edcio, em outubro de 1962, o II Concilio do Vaticano foi saudado como o fim da \u00e9poca constantiniana. <!--more--> <\/p>\n<p>O Papa Francisco apelou, dia 15 de maio, ao respeito pelo direito &agrave; &ldquo;express&atilde;o p&uacute;blica&rdquo; da f&eacute; de cada pessoa, numa mensagem que assinalou o 1700.&ordm; anivers&aacute;rio do &Eacute;dito de Mil&atilde;o, que trouxe liberdade religiosa aos crist&atilde;os. Num texto dirigido ao cardeal Angelo Scola, arcebispo de Mil&atilde;o (It&aacute;lia), o Papa argentino pediu para que seja respeitado &ldquo;em todos os lugares o direito &agrave; express&atilde;o p&uacute;blica da pr&oacute;pria f&eacute; e seja acolhido sem preconceitos o contributo que o Cristianismo continua a oferecer &agrave; cultura e &agrave; sociedade do nosso tempo&rdquo;, l&ecirc;-se no texto que o Papa eleito, no &uacute;ltimo m&ecirc;s de mar&ccedil;o, escreveu ao arcebispo milan&ecirc;s. O &eacute;dito que decretou a &ldquo;liberdade religiosa para os crist&atilde;os&rdquo; foi assinado pelo imperador romano Constantino, que nasceu em 274 e faleceu em 337.<\/p>\n<p>Quando teve o seu in&iacute;cio, em outubro de 1962, o II Concilio do Vaticano foi saudado como o fim da &eacute;poca constantiniana. Para o te&oacute;logo Chenu este era um objetivo do conc&iacute;lio, formulado em confer&ecirc;ncia das jornadas de estudo das &laquo;Informations Catholiques&raquo;, de 1961. (Ver: CONGAR, Y. &ndash; Un Concile pour notre temps. Paris : Cerf, 1961, 59.)<\/p>\n<p>O cardeal e te&oacute;logo Walter Kasper, no seu recente tratado de eclesiologia, antecipa esse decl&iacute;nio, ao afirmar: &ldquo;a longa &eacute;poca constantiniana (IV-XVIII) e os efeitos produzidos na &eacute;poca burguesa, [&hellip;] acabaram com a primeira e depois, em medida completa, com a segunda Guerra mundial. Acaba assim tamb&eacute;m a &eacute;poca &ldquo;crist&atilde;&rdquo; da Europa. O fim da &eacute;poca constantiniana significa o fim do Corpus Christianum, da &eacute;poca na qual o cristianismo era claramente maiorit&aacute;rio na Europa, podia contar com o poder pol&iacute;tico como bra&ccedil;o secular e podia influenciar em larga medida a vida social&rdquo;. Considera Kasper que a Igreja de velho estilo est&aacute; definitivamente no passado, com o &ldquo;fim da era constantiniana&rdquo;.<\/p>\n<p>Numa confer&ecirc;ncia proferida na Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, em Lisboa, o bispo e historiador portugu&ecirc;s, D. Carlos Azevedo, sublinhou que o II Concilio do Vaticano &eacute;, &ldquo;depois do pr&eacute;-primeiro aberto por s&atilde;o Pedro, de facto o primeiro concilio fora do ritmo constantiniano, pois o Papa do tempo do I Concilio do Vaticano ainda dependeu, na sua elei&ccedil;&atilde;o, do veto das pot&ecirc;ncias&rdquo;.<\/p>\n<p>Um observador &ldquo;atento do processo conciliar&rdquo;, como D. Ant&oacute;nio Ferreira Gomes, bispo do Porto e um dos padres conciliares, comentava, nos anos 60, que &ldquo;os progressistas podiam ser acusados de querer matar a idade constantiniana da cristandade. Mas n&atilde;o. Apenas verificam que essa morte aconteceu, &ldquo;superficialmente contra a Igreja &laquo;encarnada&raquo;, mas sem grande pena nem gl&oacute;ria do cristianismo&rdquo;. (Ver: &laquo;Pareceu ao Esp&iacute;rito Santo&hellip; e a n&oacute;s?!&raquo; Porto, Funda&ccedil;&atilde;o Spes, 2000.)<\/p>\n<p>&ldquo;Apesar da certid&atilde;o de &oacute;bito passada pelo Conc&iacute;lio, o modelo da cristandade constantiniana &eacute; como ente querido, que, mesmo morto, alguns guardam no cora&ccedil;&atilde;o. Mas o que &eacute; doentio &eacute; querer ressuscit&aacute;-lo para morrer de susto, definitivamente&rdquo;, disse D. Carlos Azevedo na sua interven&ccedil;&atilde;o sobre &laquo;Constantino: persist&ecirc;ncia de um paradigma na Igreja de hoje&raquo; na UCP a 11 de maio de 2012 (In: Didaskalia 42:2 (2012) 177-193)<\/p>\n<p>A mensagem do Papa Francisco fala numa &ldquo;decis&atilde;o hist&oacute;rica&rdquo; (o &Eacute;dito de Mil&atilde;o) que abriu caminho &ldquo;de forma decisiva ao nascimento da civiliza&ccedil;&atilde;o europeia&rdquo;.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando teve o seu in\u00edcio, em outubro de 1962, o II Concilio do Vaticano foi saudado como o fim da \u00e9poca constantiniana.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,187,203,274,321],"class_list":["post-61183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-papa-francisco","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61183","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61183"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61183\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}