{"id":6117,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/qual-e-a-imagem-dos-religiosos-na-opiniao-publica\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"qual-e-a-imagem-dos-religiosos-na-opiniao-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/qual-e-a-imagem-dos-religiosos-na-opiniao-publica\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 a imagem dos religiosos na opini\u00e3o p\u00fablica?"},"content":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Marinho Antunes apresenta aos leitores da Ag\u00eancia ECCLESIA os resultados dum inqu\u00e9rito do Centro de estudos e sondagens de opini\u00e3o Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, com o objectivo de conhecer o que pensa o povo portugu\u00eas dos religiosos\/as. <!--more--> Pergunta 11: <i>Tem conhecimento da exist\u00eancia de religiosos na Igreja Cat\u00f3lica, isto \u00e9, irm\u00e3s ou freiras, e irm\u00e3os ou frades, que pertencem a Ordens, Congrega\u00e7\u00f5es ou Institutos Religiosos?<\/i> SIM \u2013 58% (863 respostas) N\u00c3O \u2013 42% (626 respostas)  Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Que influ\u00eancia teve na realiza\u00e7\u00e3o deste estudo o facto de 42% dos inquiridos n\u00e3o ter conhecimento da exist\u00eancia de religiosos na Igreja Cat\u00f3lica? Marinho Antunes \u2013 Isto teve um efeito importante, dado que quase metade das perguntas do question\u00e1rio pressupunham que as pessoas conhecessem a exist\u00eancia de religiosos em Portugal. S\u00f3 assim fazia sentido fazer perguntas sobre os contactos com eles, se conhecem pessoalmente alguns religiosos, etc. Aconteceu, de facto, que boa parte das perguntas do question\u00e1rio n\u00e3o foram feitas a uma percentagem de inquiridos que, para mim, era imprevista. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum estudo publicado com esta informa\u00e7\u00e3o (que 42% dos portugueses n\u00e3o tem conhecimento da exist\u00eancia de religiosos na Igreja Cat\u00f3lica), pelo que o inqu\u00e9rito foi um risco, que teve de se correr, tendo resultado nesta percentagem elevada de pessoas que n\u00e3o responderam a cerca de metade das perguntas. N\u00f3s temos informa\u00e7\u00e3o interessante, sobre muitos outros aspectos: comportamentos, factos, opini\u00f5es, expectativas e atitudes face aos religiosos. Claro que eles s\u00f3 resultam da opini\u00e3o de quem conhece os religiosos.  AE \u2013 Os dados recolhidos permitem concluir que quem conhece os religiosos os conhece bem? MA \u2013 Conhecem bem, mas tamb\u00e9m h\u00e1 sinais de que as pessoas, perante os religiosos, est\u00e3o numa atitude algo instrumental. No fundo, est\u00e3o muito interessadas em que esta realidade se mantenha na Igreja, bem entendido, e percebe-se que nos diferentes campos de trabalho dos religiosos \u00e9 reconhecida a sua import\u00e2ncia \u2013 at\u00e9 porque em muitos deles h\u00e1 uma grande utilidade para as pessoas, em especial na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o. Mesmo nos trabalhos para o interior da Igreja, como a Catequese, estamos a falar de situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas s\u00e3o tocadas pelos religiosos.  Eu penso que muitos est\u00e3o perante os religiosos na expectativa de encontrarem pessoas com uma capacidade de fazerem coisas boas e \u00fateis para si.  AE \u2013 Numa primeira parte do inqu\u00e9rito surgem n\u00fameros algo surpreendentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica religiosa dos inquiridos. Muitos deles (12,1%) declaram-se sem religi\u00e3o, indiferentes, agn\u00f3sticos ou ateus: isso teve relev\u00e2ncia nos resultados do inqu\u00e9rito? MA \u2013 Boa parte deles respondeu que n\u00e3o conhecia os religiosos. No que respeita \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre o conhecimento dos religiosos e a posi\u00e7\u00e3o religiosa, a liga\u00e7\u00e3o \u00e9 clara (o conhecimento \u00e9 maior entre os que se declaram praticantes e pertencem a um movimento da Igreja ou desempenham actividades numa par\u00f3quia, ndr). \u00c9 interessante que estes dados n\u00e3o se cruzam com os do grau de instru\u00e7\u00e3o. Este dado \u00e9 muito importante: as pessoas com mais instru\u00e7\u00e3o t\u00eam maior conhecimento dos religiosos. Acontece que estas duas vari\u00e1veis n\u00e3o coincidem, porque as pessoas que t\u00eam mais instru\u00e7\u00e3o, em geral, tendem a uma posi\u00e7\u00e3o de maior afastamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Religi\u00e3o. Como as vari\u00e1veis de posi\u00e7\u00e3o religiosa e de grau de instru\u00e7\u00e3o n\u00e3o coincidem, elas deixam transparecer que, no fundo, nem todos os inquiridos que dizem conhecer os religiosos t\u00eam a mesma capacidade de desenhar o perfil dos religiosos. No que respeita aos cat\u00f3licos, nota-se que h\u00e1 uma certa elite, embora a tend\u00eancia geral seja a de que quanto maior o grau de instru\u00e7\u00e3o, menor a pr\u00e1tica religiosa. Contudo, depois percebe-se um n\u00facleo que est\u00e1 muito bem representado na perten\u00e7a a movimentos ou associa\u00e7\u00f5es de Igreja, bem como no desempenho de fun\u00e7\u00f5es nas paroquias. O inqu\u00e9rito deixa adivinhar a exist\u00eancia de duas realidades que eu penso que existem muito no catolicismo portugu\u00eas: uma grande maioria de crist\u00e3os, pessoas do modelo de Igreja mais tradicional, que abrange sobretudo pessoas de mais idade, mais mulheres, com menor grau de instru\u00e7\u00e3o, com menores rendimentos. Estas pessoas t\u00eam do mundo religioso uma percep\u00e7\u00e3o, um certo tipo de canais e de contactos. H\u00e1 um outro mundo, um outro universo, que se vai desenhando, progressivamente, com mais nitidez, que \u00e9 de facto o dos cat\u00f3licos urbanos, mais instru\u00eddos, com mais jovens, gente que j\u00e1 constr\u00f3i outras representa\u00e7\u00f5es a respeito da religi\u00e3o em geral, da Igreja, e tamb\u00e9m dos religiosos. Eu penso que estes universos est\u00e3o presentes no inqu\u00e9rito e, em muitos casos, est\u00e3o misturados, como na situa\u00e7\u00e3o dos que t\u00eam pr\u00e1tica mais intensa e com inser\u00e7\u00e3o concreta na Igreja. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua opini\u00e3o sobre os religiosos, seria bom distingui-los, porque j\u00e1 h\u00e1 na Igreja em Portugal mundos diferentes.   AE \u2013 Que crit\u00e9rio presidiu \u00e0 escolha das perguntas sobre o conhecimento e reconhecimento dos grandes tra\u00e7os da Vida Religiosa? (Quadros 2 e 3) MA \u2013 Al\u00e9m dos Conselhos Evang\u00e9licos, que s\u00e3o t\u00edpicos e t\u00eam o seu espa\u00e7o consagrado at\u00e9 em termos institucionais, os outros itens s\u00e3o elementos que permitissem perceber melhor quer algumas dimens\u00f5es que apontam j\u00e1 para uma certa funcionalidade e outros que podem ajudar a perceber que ao mundo religioso se associam determinados elementos que podem ter, j\u00e1 eles, a potencialidade de gerar modos de comportamento e modelos de vida. Os religiosos s\u00e3o apresentados enquanto capazes de modelar, propor valores, dar est\u00edmulos para que a vida crist\u00e3 encontre valores que possa depois colocar em pr\u00e1tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O soci\u00f3logo Marinho Antunes apresenta aos leitores da Ag\u00eancia ECCLESIA os resultados dum inqu\u00e9rito do Centro de estudos e sondagens de opini\u00e3o Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, com o objectivo de conhecer o que pensa o povo portugu\u00eas dos religiosos\/as.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127,193],"class_list":["post-6117","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese","tag-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6117\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}