{"id":61132,"date":"2013-05-17T17:18:07","date_gmt":"2013-05-17T17:18:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/05\/17\/cinema-republica-de-mininus\/"},"modified":"2013-05-17T17:18:07","modified_gmt":"2013-05-17T17:18:07","slug":"cinema-republica-de-mininus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-republica-de-mininus\/","title":{"rendered":"Cinema: Rep\u00fablica de Mininus"},"content":{"rendered":"<p>Num futuro incerto, algures em &Aacute;frica, uma reuni&atilde;o do conselho de presid&ecirc;ncia &eacute; subitamente interrompido por um forte tremor de terra. Cada um procura salvar a sua pele, mas o que resta de um cen&aacute;rio apocal&iacute;ptico de decad&ecirc;ncia &eacute; um bando de meninos deixado &agrave; sua sorte.<\/p>\n<p>Ref&eacute;ns de um menino soldado, que subjuga os demais &agrave; sua vontade, o restante grupo consegue organizar-se para finalmente se libertar da sua prepot&ecirc;ncia e da amea&ccedil;a da arma que aquele empunhava. Juntos, seguem um caminho incerto at&eacute; chegarem a uma cidade inteiramente governada por crian&ccedil;as.<\/p>\n<p>Aqui, reinam a paz e a conc&oacute;rdia, com cada um a desempenhar uma tarefa espec&iacute;fica em prol de todos. Exausto, o bando errante &eacute; bem acolhido e tratado, mas para poder permanecer, al&eacute;m dos tr&ecirc;s dias de toler&acirc;ncia concedido a forasteiros, os seus membros devem provar que aprenderam a viver sob a lei do bem comum: cuidar de si e dos outros e manterem-se unidos, como um s&oacute;.&nbsp;<\/p>\n<p>O mais reconhecido cineasta guineense, Flora Gomes est&aacute; de volta com esta sua &lsquo;Rep&uacute;blica de Mininus&rsquo;, dois anos ap&oacute;s termos podido aceder, ainda que apenas no circuito cultural em sala e na RTP, ao document&aacute;rio &lsquo;As Duas Faces da Guerra&rsquo; &#8211; co-realizado com Diana Adringa sobre duas perspetivas, a de luta de liberta&ccedil;&atilde;o para uns, guerra colonial para outros, de uma mesma guerra.<\/p>\n<p>&lsquo;Rep&uacute;blica de Mininus&rsquo; &eacute; um conto de uma ingenuidade tocante que, mesmo aqu&eacute;m do dom&iacute;nio est&eacute;tico de &lsquo;A Minha Voz&rsquo; (Pr&eacute;mios Signis, Cidade de Amiens e Lanterna M&aacute;gica em Veneza), da for&ccedil;a simb&oacute;lica de &lsquo;Pau de Sangue&rsquo; ou da agilidade de &lsquo;Os Olhos Azuis de Yonta&rsquo;, carrega em si a simplicidade e profundidade de uma mensagem de esperan&ccedil;a para &Aacute;frica e para o Mundo colocada nas m&atilde;os da gera&ccedil;&atilde;o do futuro. Aquela a que se n&atilde;o faltassem, ao cabo de um percurso de experi&ecirc;ncia e conhecimento feito, o &iacute;mpeto, a pureza e a simplicidade da inf&acirc;ncia, seria capaz de renovar a face da terra, aplicando com extraordin&aacute;ria facilidade, por meio de um conjunto de regras que observassem o princ&iacute;pio do bem comum, justi&ccedil;a e equidade comunit&aacute;rias.<\/p>\n<p>Em parte, essa aus&ecirc;ncia de experi&ecirc;ncia e dom&iacute;nio cinematogr&aacute;fico j&aacute; comprovado, poderia ser justificado pelo eventual  prop&oacute;sito de conceber uma obra quase &lsquo;de crian&ccedil;as para crian&ccedil;as&rsquo;, o que n&atilde;o deixando de o ser, desde j&aacute; recomendado pelo seu car&aacute;ter pedag&oacute;gico, n&atilde;o se excluiigualmente como cumprimento de um cinema para adultos.<\/p>\n<p>Um cinema que n&atilde;o encher&aacute; o olho pela sua vertente t&eacute;cnica mas capaz de evocar um tempo e um espa&ccedil;o em que n&oacute;s, agora &lsquo;demasiado crescidos&rsquo; e presos &agrave; complexidade dos nossos imposs&iacute;veis, resolv&iacute;amos os males do (nosso) mundo de forma extraordinariamente f&aacute;cil, poss&iacute;vel&#8230; e real.<\/p>\n<p><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num futuro incerto, algures em &Aacute;frica, uma reuni&atilde;o do conselho de presid&ecirc;ncia &eacute; subitamente interrompido por um forte tremor de terra. 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