{"id":60586,"date":"2013-03-29T14:10:00","date_gmt":"2013-03-29T14:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/03\/29\/vive-esta-hora\/"},"modified":"2013-03-29T14:10:00","modified_gmt":"2013-03-29T14:10:00","slug":"vive-esta-hora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vive-esta-hora\/","title":{"rendered":"Vive esta hora!"},"content":{"rendered":"<p>Homilia da Missa Crismal de D. Ant\u00f3nio Francisco Santos <!--more--> <\/p>\n<p>&ldquo;Vive esta hora! &laquo;para que esteja em v&oacute;s a minha alegria e a vossa alegria seja perfeita&raquo; (Jo, 15, 11)&rdquo;<\/p>\n<p>Eis-nos reunidos, irm&atilde;os e irm&atilde;s, nesta manh&atilde; de Quinta-feira Santa, em Ano da F&eacute;, como disc&iacute;pulos do Senhor Jesus, que &ldquo;sabendo que tinha chegado a hora de passar deste mundo para Seu Pai, amando os seus que estavam no mundo, amou-os at&eacute; ao fim&rdquo; (Jo 13, 1).<\/p>\n<p>Vivemos esta hora cheia de encanto e de esperan&ccedil;a pela alegria que irrompe agora na Igreja, em comunh&atilde;o com o novo Bispo de Roma e Sucessor de Pedro, o Papa Francisco.<\/p>\n<p>A Igreja vive da bondade de Deus, da ac&ccedil;&atilde;o de Cristo e da for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo Consolador, no meio de sentidas alegrias mas tamb&eacute;m por entre dramas humanos, dolorosas injusti&ccedil;as sociais e incertezas face ao futuro da humanidade.<\/p>\n<p>A Igreja existe para anunciar a boa nova do evangelho e para nos incentivar &agrave; bondade e &agrave; esperan&ccedil;a. E n&oacute;s, povo de ungidos pelo baptismo, pelo crisma e pela ordena&ccedil;&atilde;o queremos assumir este longo e belo caminhar da f&eacute; da Igreja.<\/p>\n<p>O que nos ensina Jesus, nesta hora? Ensina-nos a viver do essencial. Ensina-nos a viver do seu amor que nos faz verdadeiros, felizes e livres.<\/p>\n<p>O mist&eacute;rio da paix&atilde;o, da morte e da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus &eacute; lugar do encontro definitivo e redentor da Humanidade com Deus e apelo a uma vida liberta do mal, do medo e do pecado.<\/p>\n<p>Sem demorar mais, demos na nossa vida tempo ao essencial. Demos tempo a Deus, aos outros e a n&oacute;s mesmos. Assim entraremos na alegria da P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>&Eacute; esta procura do essencial que encontra resposta nos sacramentos da Igreja. Compreendemos, assim, que tenham lugar nesta Missa Crismal a b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o dos &oacute;leos dos catec&uacute;menos e dos enfermos e a consagra&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo do crisma.<\/p>\n<p>Pela un&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo dos catec&uacute;menos, os que v&atilde;o ser baptizados recebem de Deus a for&ccedil;a do &ldquo;combate&rdquo;da f&eacute; e do permanente esfor&ccedil;o de convers&atilde;o. Estes mesmos receber&atilde;o pela un&ccedil;&atilde;o do crisma a configura&ccedil;&atilde;o com Cristo pelo baptismo e mais tarde, ser&atilde;o ungidos pelo mesmo &oacute;leo no sacramento da confirma&ccedil;&atilde;o, sinal indel&eacute;vel que d&aacute; marca divina &agrave; exist&ecirc;ncia humana e nos confere plena inser&ccedil;&atilde;o na vida da comunidade eclesial.<\/p>\n<p>Assim, tamb&eacute;m, os presb&iacute;teros e os bispos ser&atilde;o ungidos pelo &oacute;leo do crisma para servirem o povo de Deus, no minist&eacute;rio ordenado.<\/p>\n<p>E os idosos e doentes recebem pela un&ccedil;&atilde;o do &oacute;leo dos enfermos a for&ccedil;a e a coragem para viverem em comunh&atilde;o com a cruz de Cristo, associando a sua obla&ccedil;&atilde;o &agrave; oferta que Jesus fez da sua pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p>Damos gra&ccedil;as a Deus por esta vitalidade do evangelho e por esta miss&atilde;o da Igreja que continua a abrir a todos as &laquo;portas da vida e da f&eacute;&raquo; (Act. 14, 27).<\/p>\n<p>Momento de renova&ccedil;&atilde;o para a Igreja e aurora de alento para o mundo<\/p>\n<p>Foi para celebrar a alegria da f&eacute; e nos implicar neste dinamismo mission&aacute;rio da Igreja que convoquei a Diocese para a Miss&atilde;o Jubilar. O objectivo &eacute; o de nos chamar a professar a f&eacute; com alegria e vincular a nossa vida crist&atilde;, de que a Eucaristia &eacute; o centro, &agrave; miss&atilde;o da Igreja no mundo, como insistentemente nos diz o Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p>Urge dar testemunho de Cristo ressuscitado em todos os dom&iacute;nios da exist&ecirc;ncia humana, como campo natural da miss&atilde;o dos crist&atilde;os. Sentimos j&aacute; abundantes frutos deste ano de gra&ccedil;a e de b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o da parte de Deus, que a Miss&atilde;o Jubilar nos traz. Tocamos de perto muitas alegrias vividas pelas pessoas, pelas fam&iacute;lias, pelos movimentos apost&oacute;licos e pelas comunidades e saboreadas em espa&ccedil;os novos de di&aacute;logo com o mundo, onde se espelha o rosto mission&aacute;rio da Igreja.<\/p>\n<p>N&atilde;o podemos ser crist&atilde;os sem Igreja, sem esta Igreja conciliar, renovada e mission&aacute;ria. Percebemos, igualmente, que n&atilde;o podemos ser crist&atilde;os sozinhos e fora do mundo que Deus ama.<\/p>\n<p>&Eacute; esta a miss&atilde;o da Igreja, a que Deus nos chama e envia. N&atilde;o deixemos encerrar a gra&ccedil;a que recebemos: partilhemo-la. N&atilde;o enterremos os talentos que nos foram confiados: fa&ccedil;amo-los frutificar. N&atilde;o permitamos que o medo ou o des&acirc;nimo magoem a nossa vida: reavivemos a alegria.<\/p>\n<p>Testemunho-vos a alegria diariamente encontrada no compromisso pastoral de tantos crist&atilde;os e no dinamismo de novos servidores do evangelho, encorajados pela aud&aacute;cia apost&oacute;lica e pela ousadia da caridade, atentos aos pobres e pr&oacute;ximos daqueles que a nossa sociedade esquece, ignora ou rejeita.<\/p>\n<p>Alegro-me com tantas fam&iacute;lias que assumem a beleza do seu amor fecundo, da sua fidelidade conjugal feliz e do seu compromisso apost&oacute;lico, envolvendo todos os seus membros e alargado a toda a comunidade.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a nesta celebra&ccedil;&atilde;o de muitos crismados ao longo do ano tem particular significado e renovado sentido. Ungidos pelo &oacute;leo do crisma e portadores dos dons do Esp&iacute;rito Santo eles s&atilde;o dom de Deus para todos n&oacute;s.<\/p>\n<p>Partilho com os di&aacute;conos permanentes a alegria deste tempo jubilar aumentada pela celebra&ccedil;&atilde;o dos 25 anos da ordena&ccedil;&atilde;o do primeiro grupo e pela caminhada dos que agora se preparam para a ordena&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vivem este dia com particular sentido de comunh&atilde;o e renovado horizonte de miss&atilde;o as comunidades religiosas e todos os consagrados da nossa Diocese. Agrade&ccedil;o-vos o dom da vossa vida consagrada e a beleza dos vossos diferentes carismas.<\/p>\n<p>Alegria da voca&ccedil;&atilde;o e coragem para a miss&atilde;o<\/p>\n<p>Quero dirigir-me a v&oacute;s, queridos sacerdotes, neste dia que nos &eacute; particularmente dedicado.<\/p>\n<p>Sinto que a santidade de bispos e sacerdotes que nos precederam, ao longo destes 74 anos de vida como diocese, nos fortalece no minist&eacute;rio enos estimula na responsabilidade. Penso com mais afecto naqueles de entre v&oacute;s que est&atilde;o fragilizados pela idade, pela doen&ccedil;a ou por prova&ccedil;&otilde;es dolorosas. Lembro os dois sacerdotes do nosso presbit&eacute;rio que est&atilde;o em miss&atilde;o pastoral fora da Diocese: Padre Rui Barnab&eacute; e Padre Jos&eacute; Manuel Fernandes.<\/p>\n<p>Recordo na gratid&atilde;o e na ora&ccedil;&atilde;o o Padre Miguel Tom&aacute;s Ferreira, que partiu ao encontro de Deus.<\/p>\n<p>Louvo o Senhor nosso Deus pelo minist&eacute;rio presbiteral e pela fidelidade sacerdotal dos nossos irm&atilde;os, Padres Manuel Pinho Ferreira e Jos&eacute; Sardo Fidalgo, na celebra&ccedil;&atilde;o dos 50 anos da sua ordena&ccedil;&atilde;o, e do Padre Silv&eacute;rio Malta, sacerdote comboniano, ordenado presb&iacute;tero, em Calv&atilde;o, sua terra natal, h&aacute; 25 anos.<\/p>\n<p>Acolhamos com alegria fraterna a Comunidade dos Sacerdotes Combonianos, a iniciar a sua presen&ccedil;a e miss&atilde;o na nossa Diocese.<\/p>\n<p>Preparemo-nospara a celebra&ccedil;&atilde;o da ordena&ccedil;&atilde;o de di&aacute;cono do H&eacute;lder, do Leonel e do V&iacute;tor, no pr&oacute;ximo dia 7 de Abril, e para a institui&ccedil;&atilde;o do Pedro Barros no minist&eacute;rio de Ac&oacute;lito e do Gustavo no minist&eacute;rio de Leitor, a 21 desse m&ecirc;s. Saudemos com alegria os seminaristas e pr&eacute;-seminaristas que nos incentivam a ver mais longe no tempo e na esperan&ccedil;a de novas voca&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Um minist&eacute;rio de bem-aventuran&ccedil;a<\/p>\n<p>&Eacute; &agrave; luz das bem-aventuran&ccedil;as e sob o seu paradigma, que me quero dirigir a v&oacute;s, caros sacerdotes.<\/p>\n<p>As bem-aventuran&ccedil;as s&atilde;o inesgot&aacute;veis. A cada leitura sentimos vontade de saber mais e de as viver melhor. Elas est&atilde;o habitadas por uma mensagem divina que ilumina e faz feliz a vida humana, que &eacute; luz do mundo e sal da terra. Nelas encontramos horizonte de sentido para a vida, caminho para a miss&atilde;o e for&ccedil;a cont&iacute;nua nas horas mais duras e nos momentos mais dif&iacute;ceis. Elas constituem um dos mais belos textos da humanidade.<\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio reinventar as bem-aventuran&ccedil;as e aplic&aacute;-las, tamb&eacute;m, a n&oacute;s, car&iacute;ssimos sacerdotes:<\/p>\n<p>.Bem-aventurados seremos quando recebermos a vida como um dom e acolhermoso minist&eacute;rio como uma gra&ccedil;a divina a moldar este barro fr&aacute;gil de que todos somos feitos.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados porque caminhamos, desde a nossa ordena&ccedil;&atilde;o, h&aacute; mais ou menos anos, na verdade de cora&ccedil;&atilde;o e na limpidez da alma, despojados de ambi&ccedil;&otilde;es, mas possu&iacute;dos pela imensid&atilde;o dos sonhos de Deus.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados quando olharmos a vida como uma forma de hospitalidade e doa&ccedil;&atilde;o, que de n&oacute;s fa&ccedil;a irm&atilde;os e pr&oacute;ximos de todos.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados sempre que dermos tempo &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e lugar ao encanto pela miss&atilde;o que atrav&eacute;s de n&oacute;s se realiza.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados porque seduzidos pela bondade e pela verdade que nos ensinam a trazer not&iacute;cias de Deus aos pequeninos e aos simples como o devemos fazer, com novo vigor e nova linguagem, aos s&aacute;bios e poderosos.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados ao ajoelharmos diante de Deus, porque o sil&ecirc;ncio se torna o melhor di&aacute;logo, e ao servirmos a Humanidade como testemunhas da bondade e do perd&atilde;o.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados porque nos sabemos disc&iacute;pulos de Cristo e nos sentimos decididos, com acrescentado entusiasmo neste tempo jubilar, a edificar esta Igreja que o Conc&iacute;lio trabalhou e que o Esp&iacute;rito do Senhor diariamente renova.<\/p>\n<p>.Bem-aventurados quando no sofrimento e na dor nos unimos mais &agrave; cruz de Cristo e antevemos e antecipamos o mist&eacute;rio redentor da P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>Vamos fazer agora a renova&ccedil;&atilde;o das nossas promessas sacerdotais. Saboreemos este momento com a alegria reencontrada do dia da nossa ordena&ccedil;&atilde;o, com o entusiasmo renovado do nosso amor &agrave; causa de Jesus e com o ardor da nossa paix&atilde;o pela miss&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>Uma prece confiante<\/p>\n<p>Rezai, irm&atilde;os e irm&atilde;s, pelos nossos sacerdotes e por n&oacute;s bispos. Perdoai as minhas fragilidades, compreendei os meus limites e alavancai o meu louvor a Deus e o meu servi&ccedil;o humilde a esta Igreja que muito amo. Fazei vossa, tamb&eacute;m, a minha gratid&atilde;o pelo bem por todos v&oacute;s realizado ao servi&ccedil;o desta querida Igreja de Aveiro.<\/p>\n<p>A Maria, nossa M&atilde;e, Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o e da Gl&oacute;ria, como aqui a invocamos, pedimos a for&ccedil;a da f&eacute; e a alegria da confian&ccedil;a para amar a Deus e servir os nossos irm&atilde;os.<\/p>\n<p>Que Santa Joana, nossa Padroeira, nos proteja e ajude a viver uma Santa P&aacute;scoa!<\/p>\n<p><em>D. Ant&oacute;nio Francisco dos Santos, bispo de Aveiro<br \/>S&eacute; de Aveiro, 28 de Mar&ccedil;o de 2013&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia da Missa Crismal de D. 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