{"id":60584,"date":"2013-03-29T16:54:19","date_gmt":"2013-03-29T16:54:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/03\/29\/a-actualidade-da-cruz\/"},"modified":"2013-03-29T16:54:19","modified_gmt":"2013-03-29T16:54:19","slug":"a-actualidade-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-actualidade-da-cruz\/","title":{"rendered":"\u00abA actualidade da Cruz\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na Paix\u00e3o do Senhor por D. Jos\u00e9 Policarpo <!--more--> <\/p>\n<p>1. A actualidade da Cruz de Cristo significa a actualidade da reden&ccedil;&atilde;o. Porque o Senhor ressuscitou, vencendo a morte, n&atilde;o podemos considerar a Cruz do Senhor como um facto ultrapassado. Ela tem a actualidade da reden&ccedil;&atilde;o, de cada um de n&oacute;s e de toda a humanidade e o acto redentor sup&otilde;e sempre a morte e a ressurrei&ccedil;&atilde;o para uma vida nova.<\/p>\n<p>Depois do pecado, o homem n&atilde;o poderia redimir-se s&oacute; com as suas for&ccedil;as. Foi por isso que Ele, verdadeiro Homem, puro e santo, que re&uacute;ne em Si toda a humanidade, &ldquo;suportou as nossas enfermidades e tomou sobre Si as nossas dores&rdquo; (Is. 53,4); &ldquo;Caiu sobre Ele o castigo que nos salva&rdquo; (Is. 53,6).<\/p>\n<p>A reden&ccedil;&atilde;o do homem pecador exige morrer para o pecado, isto &eacute;, deixar apagar na humildade toda a nossa vida natural, mesmo nos aspectos belos que ela tem e que s&atilde;o apenas sementes anunciadoras da verdadeira vida. Deixar-se morrer, para viver, &eacute; o dinamismo da reden&ccedil;&atilde;o e isso tornou-se poss&iacute;vel ao homem porque Ele nos substituiu nesse morrer para viver. A nossa reden&ccedil;&atilde;o est&aacute; agora a acontecer e n&oacute;s precisamos tanto da morte de Cristo como da Sua ressurrei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>2. A Igreja confronta-se com a actualidade da Cruz de Cristo na celebra&ccedil;&atilde;o de todos os sacramentos. Mas &eacute;, sobretudo, na Eucaristia, que a Igreja se confronta com esta actualidade da Cruz. O sacrif&iacute;cio que Cristo, Sumo Sacerdote da nova Alian&ccedil;a, oferece ao Pai em cada Eucaristia, &eacute; o sacrif&iacute;cio que redime o mundo, a oferta da Sua vida por todos n&oacute;s. A Sua ressurrei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o anulou a oferta da Sua Vida; revelou-lhe a dimens&atilde;o perene. Na Eucaristia a Sua vit&oacute;ria sobre a morte exprime-se nos frutos do Seu sacrif&iacute;cio numa humanidade resgatada. A Igreja, na sua uni&atilde;o a Cristo, torna-se povo sacerdotal, oferece com Cristo o sacrif&iacute;cio total. A Cruz floresce em frutos de vida eterna, revelando a fecundidade do sofrimento redentor. A ressurrei&ccedil;&atilde;o, de que n&oacute;s j&aacute; participamos, n&atilde;o anula o sofrimento e a morte; revela-lhe o sentido pleno. N&oacute;s temos um Sumo Sacerdote que penetrou os C&eacute;us, Jesus Filho de Deus (cf. Heb. 4,14), escut&aacute;vamos na Carta aos Hebreus.<\/p>\n<p>Na Eucaristia a Cruz preside sempre ao altar do sacrif&iacute;cio e a liturgia d&aacute;-lhe uma centralidade maior do que &agrave; pr&oacute;pria reserva eucar&iacute;stica. Devemos procurar que, na coloca&ccedil;&atilde;o que damos &agrave; Cruz, ela nunca perca essa presid&ecirc;ncia do altar do sacrif&iacute;cio. H&aacute; uma fecundidade salv&iacute;fica, actual, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p>3. Esta fecundidade actual da Cruz de Cristo &eacute; significada pelo Evangelista S&atilde;o Jo&atilde;o, num pormenor da Paix&atilde;o: &ldquo;Os soldados&hellip; ao chegarem a Jesus, vendo-O j&aacute; morto, n&atilde;o lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lan&ccedil;a e logo saiu sangue e &aacute;gua&rdquo; (Jo. 19,35). Os Padres da Igreja e a tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; viram neste cora&ccedil;&atilde;o trespassado a fonte perene da qual, em todos os tempos, jorra a salva&ccedil;&atilde;o. A &aacute;gua que h&aacute;-de transformar os baptizados, unindo-os para sempre &agrave; morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo; o sangue que continua a redimir-nos, o Sangue de Cristo a que se une o sangue do sofrimento de todos os crist&atilde;os que foram capazes de o viver em uni&atilde;o ao sofrimento de Cristo. &Eacute; uma fonte que n&atilde;o secar&aacute;, que continuar&aacute; a purificar-nos dos nossos pecados e a dar-nos a semente da vida nova. Este facto do cora&ccedil;&atilde;o de Cristo trespassado gerou uma espiritualidade centrada neste Cora&ccedil;&atilde;o, fonte de vida e de gra&ccedil;a. Praticamente hoje n&atilde;o h&aacute; Igreja onde, ao lado da Cruz e do altar, n&atilde;o esteja presente este cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, an&uacute;ncio da perenidade com que nos amou na Sua Cruz.<\/p>\n<p>4. Aos p&eacute;s da Cruz, acompanhada das santas mulheres, estava Maria, M&atilde;e de Jesus. Como Sim&atilde;o lhe tinha anunciado (cf. Lc. 2,35), aquela espada que trespassou o cora&ccedil;&atilde;o de seu Filho, trespassou tamb&eacute;m o seu cora&ccedil;&atilde;o, um Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado como o de seu Filho, capaz de dar ao pr&oacute;prio sofrimento um &uacute;nico sentido: a fecundidade da reden&ccedil;&atilde;o. Ao entreg&aacute;-la como M&atilde;e da Igreja, Jesus quer que haja um &uacute;nico cora&ccedil;&atilde;o redentor, o Seu e o de Sua M&atilde;e.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m do seu Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado jorrar&atilde;o rios de &aacute;gua viva. Ela abra&ccedil;a-nos com o seu amor maternal e nesse abra&ccedil;o, ensina-nos a contemplar, na sua actualidade, a Cruz de Cristo, sobre a qual a ressurrei&ccedil;&atilde;o faz brilhar a luz da vida eterna.<\/p>\n<p>Maria &eacute; um caminho seguro para abra&ccedil;armos a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nos louvores que a Liturgia de hoje entoa &agrave; Cruz de Cristo, louvemos tamb&eacute;m o Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado de Maria, trespassado pela mesma espada que fez jorrar desses cora&ccedil;&otilde;es, para todo o sempre, a gra&ccedil;a da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa<br \/>S&eacute; Patriarcal, 29 de Mar&ccedil;o de 2013&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Paix\u00e3o do Senhor por D. 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