{"id":60582,"date":"2013-03-29T16:20:14","date_gmt":"2013-03-29T16:20:14","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/03\/29\/ungidos-para-servir\/"},"modified":"2013-03-29T16:20:14","modified_gmt":"2013-03-29T16:20:14","slug":"ungidos-para-servir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ungidos-para-servir\/","title":{"rendered":"Ungidos para Servir"},"content":{"rendered":"<p>Homilia da Missa Crismal do bispo de Santar\u00e9m <!--more--> <\/p>\n<p>1.Todos participamos na Un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito<\/p>\n<p>Na missa crismal concelebrada pelo bispo com o seu presbit&eacute;rio e dentro da qual consagramos o santo Crisma e benzemos os outros santos &oacute;leos, manifestamos a unidade do nosso minist&eacute;rio sacerdotal e a comunh&atilde;o fraterna do presbit&eacute;rio. As leituras da missa apresentam-nos o Senhor Jesus Cristo como o &ldquo;Ungido pelo Esp&iacute;rito Santo&rdquo;. O nome Cristo significa mesmo &ldquo;Ungido&rdquo; e a palavra crist&atilde;o deriva de Cristo. Ou seja, consideramo-nos crist&atilde;os porque acreditamos que Jesus Cristo, que recebeu o Esp&iacute;rito Santo em plenitude, faz participantes da un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito todos os membros do Seu Corpo, a Igreja. Foi o pedido feito a Deus na ora&ccedil;&atilde;o colecta. Deste modo, celebramos na Missa Crismal uma dimens&atilde;o fundamental da nossa identidade crist&atilde;, comum a todos os fi&eacute;is, anterior, portanto, &agrave;s diferentes fun&ccedil;&otilde;es e responsabilidades. Todos &ndash; bispo, presb&iacute;teros, di&aacute;conos, religiosos, leigos &#8211; todos somos ungidos pelo Esp&iacute;rito Santo, cada qual na sua medida. Todos n&oacute;s aqui presentes podemos dizer como o Senhor Jesus no evangelho que ouvimos: &ldquo;O Esp&iacute;rito do Senhor est&aacute; sobre Mim. Ele me ungiu&rdquo;.<\/p>\n<p>Unido a todos v&oacute;s na consagra&ccedil;&atilde;o comum ao Senhor e no testemunho do seu evangelho, que decorre da Un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, sa&uacute;do cordialmente todos os presentes irm&atilde;os e irm&atilde;s. Manifesto aos presb&iacute;teros a minha amizade fraterna e gratid&atilde;o pela colabora&ccedil;&atilde;o dedicada nas responsabilidades pastorais; aos di&aacute;conos o apre&ccedil;o pela entrega generosa ao servi&ccedil;o dos fi&eacute;is; aos religiosos a grande estima e admira&ccedil;&atilde;o pelo testemunho de santidade; sa&uacute;do tamb&eacute;m os seminaristas e novi&ccedil;os pela vontade de se entregar ao servi&ccedil;o do evangelho; os rapazes do Pr&eacute;-semin&aacute;rio, os ac&oacute;litos e todos os fi&eacute;is que procuram seguir a luz do Esp&iacute;rito Santo e oram ao Senhor pela fidelidade dos sacerdotes e para que nos envie oper&aacute;rios suficientes para a Sua messe.<\/p>\n<p>Dentro do contexto do ano da f&eacute; e das leituras da missa crismal, acho oportuno meditar convosco duas situa&ccedil;&otilde;es: viver a un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo comum a todos n&oacute;s, como um estilo de vida; exercer a miss&atilde;o sacerdotal como um servi&ccedil;o &agrave; santidade da igreja.<\/p>\n<p>2. Un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo como estilo de vida.<\/p>\n<p>Com o Santo Crisma s&atilde;o ungidos os rec&eacute;m baptizados e os confirmados, s&atilde;o ungidas as m&atilde;os dos presb&iacute;teros e a cabe&ccedil;a dos bispos, bem como a igreja e os altares na sua dedica&ccedil;&atilde;o; com o &oacute;leo dos catec&uacute;menos preparam-se estes para o baptismo; o &oacute;leo dos enfermos alivia e pode curar os doentes.<\/p>\n<p>A un&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas um rito exterior nem se limita ao momento do sacramento. Confere aos que a recebem um dom ou for&ccedil;a espiritual que permanece e orienta para um estilo de vida marcado pela inspira&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo. Como diz S&atilde;o Jo&atilde;o na sua primeira carta: &ldquo; A un&ccedil;&atilde;o que dele recebestes permanece em v&oacute;s&hellip; e ensina-vos acerca de todas as coisas&hellip;permanecei nele, de acordo com o que Ele vos ensinou&rdquo; (1Jo 2, 27). S&atilde;o Paulo, por sua vez, refere-se &agrave; un&ccedil;&atilde;o espiritual do crist&atilde;o como um selo ou marca interior que grava no nosso &iacute;ntimo a imagem de Cristo (2Cor 1, 22). Nesse sentido, explicita o Catecismo da igreja cat&oacute;lica: &ldquo;Este selo do Esp&iacute;rito marca a nossa perten&ccedil;a total a Cristo, a entrega para sempre ao seu servi&ccedil;o, mas tamb&eacute;m a promessa da protec&ccedil;&atilde;o divina na grande prova escatol&oacute;gica&rdquo; (C Ig C 1296)<\/p>\n<p>Na celebra&ccedil;&atilde;o do ano da f&eacute;, a missa crismal convida-nos a profundar a nossa identidade crist&atilde; como exist&ecirc;ncia marcada pela un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo que habita em n&oacute;s e nos fortalece com a for&ccedil;a do alto. Ser crist&atilde;o n&atilde;o pode limitar-se a uma tradi&ccedil;&atilde;o cultural, a uma sabedoria doutrinal, a uma moral ou patrim&oacute;nio de valores. Ser crist&atilde;o deve tornar-se o desenvolvimento de uma experi&ecirc;ncia interior de comunh&atilde;o com Deus por Cristo e com for&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo. Nessa perspectiva a carta apost&oacute;lica &ldquo;Porta da F&eacute;&rdquo; refere esta como &ldquo;experi&ecirc;ncia de gra&ccedil;a e de alegria&rdquo;. Realmente o Esp&iacute;rito Santo, quando encontra em n&oacute;s abertura e disponibilidade, produz os frutos espirituais da alegria e da consola&ccedil;&atilde;o da f&eacute;; ilumina-nos com uma luz interior; aumenta o gosto e o zelo pela obra do evangelho; cura-nos e restabelece-nos; impele-nos para a miss&atilde;o. Em resumo, consagra-nos como propriedade do Senhor, fazendo de n&oacute;s um reino de sacerdotes para oferecermos a Deus, atrav&eacute;s das nossas obras, sacrif&iacute;cios espirituais e anunciarmos as maravilhas daquele que nos chamou das trevas para a sua luz admir&aacute;vel (Cf LG 10).<\/p>\n<p>Invoquemos frequentemente o Esp&iacute;rito Santo para que nos ilumine e conduza, escutemos atentamente a sua voz que ressoa nas Escrituras, eliminemos os obst&aacute;culos &agrave; Sua ac&ccedil;&atilde;o, combatendo a tend&ecirc;ncia natural de vivermos para os interesses pessoais, para a nossa grandeza individual ou sucesso ou vaidade. Deixemos de pensar que somos os &uacute;nicos construtores da nossa exist&ecirc;ncia; na verdade, somos apenas criaturas que dependemos de Deus do seu amor e que s&oacute; perdendo a nossa vida n&rsquo; Ele podemos ganh&aacute;-la. (Cf Bento XVI, &uacute;ltimos discursos, p 15)<\/p>\n<p>3. Guardar a f&eacute; e guardar os outros<\/p>\n<p>Pela ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal recebemos um novo selo do Esp&iacute;rito, uma marca mais profunda de perten&ccedil;a a Cristo. De tal modo que, quando celebramos os sacramentos, n&oacute;s sacerdotes agimos e falamos em nome de Cristo. N&atilde;o dizemos &ldquo;tomai e comei todos isto &eacute; o corpo de Cristo&rdquo; Mas sim &ldquo;Isto &eacute; o meu corpo&rdquo;. Damos voz e visibilidade ao pr&oacute;prio Cristo. Realizamos de forma radical o que diz S&atilde;o Paulo na segunda carta aos Cor&iacute;ntios: &ldquo;N&atilde;o vivemos mais para n&oacute;s mesmos mas para aquele que por n&oacute;s morreu e ressuscitou&rdquo; (Cf 2 Cor 5, 15). Somos chamados, portanto, a identificarmo-nos com a entrega de Cristo por todos. Ou seja, vivendo totalmente para o Senhor, colocando-nos inteiramente &agrave; Sua disposi&ccedil;&atilde;o, entregamo-nos por todos, vivemos para cuidar de todos os que nos s&atilde;o confiados.<\/p>\n<p>Como sinal sacramental de Cristo, o sacerdote &eacute;, antes de mais um homem de Deus. Por isso, a sua miss&atilde;o come&ccedil;a pela ora&ccedil;&atilde;o. No encontro &iacute;ntimo com Cristo e na escuta da voz do Esp&iacute;rito, encontra a for&ccedil;a para exercer com gosto e dedica&ccedil;&atilde;o o minist&eacute;rio. Muitas s&atilde;o as solicita&ccedil;&otilde;es e obriga&ccedil;&otilde;es dos padres. Mas a primeira, aquela que d&aacute; vigor e efic&aacute;cia a todas as outras, &eacute; a ora&ccedil;&atilde;o. Ao renovarmos hoje as promessas sacerdotais de nos configurarmos cada vez mais com Cristo, procuremos que os nossos dias sejam ritmados pela ora&ccedil;&atilde;o, vivendo-a intensamente sobretudo na liturgia e tamb&eacute;m na experi&ecirc;ncia pessoal. S&atilde;o os momentos de ora&ccedil;&atilde;o que d&atilde;o fecundidade e luz ao minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Tendo presente que todos os fi&eacute;is participam da un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, devemos considerar que a ordena&ccedil;&atilde;o sacerdotal torna o presb&iacute;tero instrumento do Esp&iacute;rito Santo. Apenas instrumento, porque decisiva e priorit&aacute;ria &eacute; a ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito. Por isso, um padre n&atilde;o deve carregar sozinho a responsabilidade da miss&atilde;o pastoral da comunidade. A miss&atilde;o do minist&eacute;rio ordenado n&atilde;o &eacute; absorver os carismas e servi&ccedil;os pastorais da comunidade mas descobrir os carismas escondidos, chamar colaboradores e delegar responsabilidades. Por vezes a un&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo e os carismas que distribui pelos fi&eacute;is podem estar adormecidos em muitos leigos. &Eacute; miss&atilde;o do presb&iacute;tero despert&aacute;-los e integr&aacute;-los na miss&atilde;o da igreja para que esta se manifeste como o corpo de Cristo unido e bem articulado que realiza o seu crescimento com a colabora&ccedil;&atilde;o de todas as partes para se construir na caridade (Ef 4, 1).<\/p>\n<p>Um padre n&atilde;o pode agir sozinho nem estar s&oacute;. Para exercer com alegria e entusiasmo o minist&eacute;rio e vencer a solid&atilde;o, precisa de cultivar a uni&atilde;o profunda com Deus, a integra&ccedil;&atilde;o na comunidade crist&atilde; e a amizade amadurecida com outros membros do presbit&eacute;rio. Lembrou-nos o Papa Francisco, na homilia de in&iacute;cio do minist&eacute;rio, que o poder da ordem se traduz no servi&ccedil;o: &ldquo; N&atilde;o esque&ccedil;amos que o verdadeiro poder &eacute; o servi&ccedil;o e que o pr&oacute;prio papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele servi&ccedil;o que tem o seu v&eacute;rtice luminoso na cruz&rdquo;. Esclareceu-nos ainda que o nosso minist&eacute;rio ordenado se concretiza em guardar a f&eacute;, guardar Cristo e guardar os outros. Tamb&eacute;m Maria de Nazar&eacute; se apresentou como a serva humilde e dispon&iacute;vel para colaborar no des&iacute;gnio do Alt&iacute;ssimo. Com ela aprendamos a alegria de sermos instrumentos do Esp&iacute;rito Santo para proclamar o ano da gra&ccedil;a do Senhor.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia da Missa Crismal do bispo de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,168,180,246,274,294],"class_list":["post-60582","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-santarem","tag-liturgia","tag-papa-francisco","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60582\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}