{"id":60579,"date":"2013-03-28T20:00:00","date_gmt":"2013-03-28T20:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/03\/28\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-da-ceia-do-senhor-3\/"},"modified":"2013-03-28T20:00:00","modified_gmt":"2013-03-28T20:00:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-da-ceia-do-senhor-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-missa-da-ceia-do-senhor-3\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><strong>&nbsp;&ldquo;Eucaristia: s&iacute;mbolo e realidade&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>1. N&atilde;o &eacute; por acaso que a morte de Jesus acontece na prepara&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa Judaica. A ordem do Senhor a Mois&eacute;s era clara: &ldquo;Esse dia ser&aacute; para v&oacute;s uma data memor&aacute;vel, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Festej&aacute;-la-eis de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o, como institui&ccedil;&atilde;o perp&eacute;tua&rdquo; (Ex. 12, 13-14). Jesus n&atilde;o podia, apesar da densidade que estava a viver, deixar de celebrar a P&aacute;scoa com os disc&iacute;pulos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas s&oacute; Ele sabia que aquela P&aacute;scoa era a primeira da etapa definitiva da humanidade. Em Cristo o tempo atingiu a sua plenitude. Quer se goste ou n&atilde;o, a hist&oacute;ria da humanidade e a do pr&oacute;prio Povo de Deus tem um <strong>antes <\/strong>e um <strong>depois<\/strong>. Cristo encerra um tempo e abre um tempo novo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de Cristo toda a longa caminhada do Povo de Deus &eacute; um an&uacute;ncio, uma prepara&ccedil;&atilde;o, o suscitar da esperan&ccedil;a, o anunciar um futuro que s&oacute; Deus conhece. Cristo &eacute; a realidade definitiva, todas as promessas se cumprem n&rsquo;Ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, acaba a promessa? N&atilde;o. Ele &eacute; a promessa, j&aacute; realizada e sempre a realizar na medida em que O seguirmos e nos identificamos com Ele, com a Sua P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. H&aacute; um aspeto, hoje muito presente nesta celebra&ccedil;&atilde;o da Ceia do Senhor, que &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre s&iacute;mbolo e realidade. Os s&iacute;mbolos sempre existiram na linguagem do Antigo Testamento, como promessa, anunciando o futuro: o cordeiro pascal, o sinal do sangue que liberta, o p&atilde;o &aacute;zimo, alimento de um povo peregrino, a oferta das prim&iacute;cias, o bode carregado dos pecados do povo, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; imposs&iacute;vel ler a Sagrada Escritura sem estar atento a esta linguagem simb&oacute;lica. Mas no Antigo Testamento os s&iacute;mbolos n&atilde;o comunicam toda a realidade que anunciam; eles s&atilde;o promessa de algo que s&oacute; Deus conhece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela Ceia Pascal est&atilde;o presentes os s&iacute;mbolos lit&uacute;rgicos da ceia pascal judaica: o cordeiro pascal, o p&atilde;o repartido, a ta&ccedil;a de vinho partilhada em sinal de comunh&atilde;o na esperan&ccedil;a. Mas d&aacute;-se algo de completamente novo e inesperado nesta linguagem dos s&iacute;mbolos: eles tornam presente realisticamente a realidade que anunciam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela noite, este realismo dos s&iacute;mbolos s&oacute; o Senhor o conhece e vive intensamente. E n&atilde;o &eacute; figura de estilo: naquela ceia pascal Jesus est&aacute; j&aacute; a viver a Sua entrega total para a salva&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H&aacute; s&iacute;mbolos? Sim! Ele &eacute; o novo Cordeiro Pascal, aquele p&atilde;o partilhado &eacute; o seu Corpo oferecido por n&oacute;s, aquela ta&ccedil;a de vinho &eacute; o seu Sangue derramado por n&oacute;s. Ele n&atilde;o esqueceu a profecia do &ecirc;xodo: &ldquo;O sangue ser&aacute; para v&oacute;s um sinal&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando o s&iacute;mbolo daquele p&atilde;o se torna na realidade do seu Corpo, entregue por n&oacute;s, &eacute; poss&iacute;vel, a partir daquela P&aacute;scoa, comer o novo Cordeiro Pascal. Quando aquela ta&ccedil;a de vinho se tornou no seu Sangue, &eacute; poss&iacute;vel, em cada dia da nossa vida, perceber que o Sangue &eacute; para n&oacute;s um sinal da salva&ccedil;&atilde;o. Cristo vive naquela Ceia toda a densidade da Sua entrega.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando os homens decidem mat&aacute;-l&rsquo;O, Ele j&aacute; tinha vivido a Sua morte, ao oferecer a vida por n&oacute;s. Na Eucaristia a realidade n&atilde;o se afirma na verifica&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica, mas na densidade da significa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica em que o s&iacute;mbolo se torna realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. O Evangelho narra-nos um gesto de Jesus durante aquela Ceia Pascal com os seus disc&iacute;pulos que explicita a realidade totalmente presente nos s&iacute;mbolos: a Eucaristia ser&aacute; sempre o momento do amor radical de Jesus pela Sua Igreja e pela humanidade, e quando a Igreja a celebra &eacute; convidada a amar como Jesus amou. A atualidade do amor redentor &eacute; sempre o desafio de cada Eucaristia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O s&iacute;mbolo: as liba&ccedil;&otilde;es rituais. Antes de oferecer um sacrif&iacute;cio no templo, antes de uma refei&ccedil;&atilde;o festiva. As liba&ccedil;&otilde;es, al&eacute;m de serem necessidade f&iacute;sica, anunciavam algo de futuro: s&oacute; se pode louvar a Deus e participar na fraternidade de uma refei&ccedil;&atilde;o, estando limpos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pureza legal anunciava a pureza radical do homem novo. No templo havia estruturas permanentes para essas liba&ccedil;&otilde;es. Numa casa de fam&iacute;lia o dono da casa que recebia preparava essas estruturas necess&aacute;rias para que os convidados pudessem purificar-se antes de entrarem no conv&iacute;vio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o era o dono da casa que lavava os p&eacute;s aos convidados. A verdade radical do s&iacute;mbolo: a Eucaristia como conv&iacute;vio exige uma pureza da ordem nova da reden&ccedil;&atilde;o, e s&oacute; Cristo, atrav&eacute;s do seu Esp&iacute;rito de amor, a pode realizar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele dia, em que a realidade da Eucaristia est&aacute; toda significada nos s&iacute;mbolos, s&oacute; Cristo podia lavar os p&eacute;s aos disc&iacute;pulos. Nesse gesto Ele exprime a radicalidade do Seu amor redentor: &ldquo;Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os at&eacute; ao fim&rdquo; (Jo. 13,1). Jesus sabia que tinha chegado a sua hora; aquela radicalidade &eacute; a do seu amor redentor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Participar na Ceia Pascal, com Cristo, &eacute; deixar-se devorar por esse amor. Em cada Eucaristia o mundo &eacute; redimido por esse amor radical, de Cristo e daqueles que, com Ele, celebram a P&aacute;scoa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A novidade do gesto significa a novidade da participa&ccedil;&atilde;o dos disc&iacute;pulos no amor redentor de Cristo: &ldquo;Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, v&oacute;s fa&ccedil;ais tamb&eacute;m&rdquo; (Jo. 13,15). Em cada Eucaristia a Igreja que celebra, se se deixou purificar, realiza em uni&atilde;o com Cristo, a reden&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 28 de mar&ccedil;o de 2013<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&ldquo;Eucaristia: s&iacute;mbolo e realidade&rdquo; &nbsp; 1. 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