{"id":60453,"date":"2013-03-19T11:50:01","date_gmt":"2013-03-19T11:50:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/03\/19\/papa-francisco-homilia-na-missa-de-inicio-do-ministerio-petrino-do-bispo-de-roma\/"},"modified":"2013-03-19T11:50:01","modified_gmt":"2013-03-19T11:50:01","slug":"papa-francisco-homilia-na-missa-de-inicio-do-ministerio-petrino-do-bispo-de-roma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/papa-francisco-homilia-na-missa-de-inicio-do-ministerio-petrino-do-bispo-de-roma\/","title":{"rendered":"Papa Francisco: homilia na missa de in\u00edcio do minist\u00e9rio petrino do bispo de Roma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Papa Francisco<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Homilia na missa de in&iacute;cio do minist&eacute;rio petrino do bispo de Roma<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Vaticano, 19 de mar&ccedil;o de 2013<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s!<\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de in&iacute;cio do minist&eacute;rio petrino na solenidade de S&atilde;o Jos&eacute;, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: &eacute; uma coincid&ecirc;ncia densa de significado e &eacute; tamb&eacute;m o onom&aacute;stico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a ora&ccedil;&atilde;o, cheia de estima e gratid&atilde;o.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do, com afeto, os Irm&atilde;os Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os di&aacute;conos, os religiosos e as religiosas e todos os fi&eacute;is leigos. Agrade&ccedil;o, pela sua presen&ccedil;a, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial sauda&ccedil;&atilde;o aos Chefes de Estado e de Governo, &agrave;s Delega&ccedil;&otilde;es oficiais de tantos pa&iacute;ses do mundo e ao Corpo Diplom&aacute;tico.<\/p>\n<p>Ouvimos ler, no Evangelho, que &laquo;Jos&eacute; fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;1, 24). Nestas palavras, encerra-se j&aacute; a miss&atilde;o que Deus confia a Jos&eacute;: ser&nbsp;<em>custos<\/em>, guardi&atilde;o. Guardi&atilde;o de quem? De Maria e de Jesus, mas &eacute; uma guarda que depois se alarga &agrave; Igreja, como sublinhou o Beato Jo&atilde;o Paulo II: &laquo;S&atilde;o Jos&eacute;, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo, assim tamb&eacute;m guarda e protege o seu Corpo m&iacute;stico, a Igreja, da qual a Virgem Sant&iacute;ssima &eacute; figura e modelo&raquo; (Exort. ap.&nbsp;<em>Redemptoris Custos<\/em>, 1).<\/p>\n<p>Como realiza Jos&eacute; esta guarda? Com discri&ccedil;&atilde;o, com humildade, no sil&ecirc;ncio, mas com uma presen&ccedil;a constante e uma fidelidade total, mesmo quando n&atilde;o consegue entender. Desde o casamento com Maria at&eacute; ao epis&oacute;dio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusal&eacute;m, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos dif&iacute;ceis da vida, na ida a Bel&eacute;m para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dram&aacute;tico da fuga para o Egito e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazar&eacute;, na carpintaria onde ensinou o of&iacute;cio a Jesus.<\/p>\n<p>Como vive Jos&eacute; a sua voca&ccedil;&atilde;o de guardi&atilde;o de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante aten&ccedil;&atilde;o a Deus, aberto aos seus sinais, dispon&iacute;vel mais ao projeto d&rsquo;Ele que ao seu. E isto mesmo &eacute; o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus n&atilde;o deseja uma casa constru&iacute;da pelo homem, mas quer a fidelidade &agrave; sua Palavra, ao seu des&iacute;gnio; e &eacute; o pr&oacute;prio Deus que constr&oacute;i a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Esp&iacute;rito. E Jos&eacute; &eacute; &laquo;guardi&atilde;o&raquo;, porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sens&iacute;vel com as pessoas que lhe est&atilde;o confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, est&aacute; atento &agrave;quilo que o rodeia, e toma as decis&otilde;es mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde &agrave; voca&ccedil;&atilde;o de Deus: com disponibilidade e prontid&atilde;o; mas vemos tamb&eacute;m qual &eacute; o centro da voca&ccedil;&atilde;o crist&atilde;: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a cria&ccedil;&atilde;o!<\/p>\n<p>Entretanto a voca&ccedil;&atilde;o de guardi&atilde;o n&atilde;o diz respeito apenas a n&oacute;s, crist&atilde;os, mas tem uma dimens&atilde;o antecedente, que &eacute; simplesmente humana e diz respeito a todos: &eacute; a de guardar a cria&ccedil;&atilde;o inteira, a beleza da cria&ccedil;&atilde;o, como se diz no livro de G&eacute;nesis e nos mostrou S&atilde;o Francisco de Assis: &eacute; ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. &Eacute; guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crian&ccedil;as, dos idosos, daqueles que s&atilde;o mais fr&aacute;geis e que muitas vezes est&atilde;o na periferia do nosso cora&ccedil;&atilde;o. &Eacute; cuidar uns dos outros na fam&iacute;lia: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os pr&oacute;prios filhos tornam-se guardi&otilde;es dos pais. &Eacute; viver com sinceridade as amizades, que s&atilde;o um m&uacute;tuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo est&aacute; confiado &agrave; guarda do homem, e &eacute; uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardi&otilde;es dos dons de Deus!<\/p>\n<p>E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando n&atilde;o cuidamos da cria&ccedil;&atilde;o e dos irm&atilde;os, ent&atilde;o encontra lugar a destrui&ccedil;&atilde;o e o cora&ccedil;&atilde;o fica ressequido. Infelizmente, em cada &eacute;poca da hist&oacute;ria, existem &laquo;Herodes&raquo; que tramam des&iacute;gnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.<\/p>\n<p>Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em &acirc;mbito econ&oacute;mico, pol&iacute;tico ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos &laquo;guardi&otilde;es&raquo; da cria&ccedil;&atilde;o, do des&iacute;gnio de Deus inscrito na natureza, guardi&otilde;es do outro, do ambiente; n&atilde;o deixemos que sinais de destrui&ccedil;&atilde;o e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para &laquo;guardar&raquo;, devemos tamb&eacute;m cuidar de n&oacute;s mesmos. Lembremo-nos de que o &oacute;dio, a inveja, o orgulho sujam a vida; ent&atilde;o guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso cora&ccedil;&atilde;o, porque &eacute; dele que saem as boas inten&ccedil;&otilde;es e as m&aacute;s: aquelas que edificam e as que destroem. N&atilde;o devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.<\/p>\n<p>A prop&oacute;sito, deixai-me acrescentar mais uma observa&ccedil;&atilde;o: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, S&atilde;o Jos&eacute; aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu &iacute;ntimo, sobressai uma grande ternura, que n&atilde;o &eacute; a virtude dos fracos, antes pelo contr&aacute;rio denota fortaleza de &acirc;nimo e capacidade de solicitude, de compaix&atilde;o, de verdadeira abertura ao outro, de amor. N&atilde;o devemos ter medo da bondade, da ternura!<\/p>\n<p>Hoje, juntamente com a festa de S&atilde;o Jos&eacute;, celebramos o in&iacute;cio do minist&eacute;rio do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui tamb&eacute;m um poder. &Eacute; certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? &Agrave; tr&iacute;plice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tr&iacute;plice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. N&atilde;o esque&ccedil;amos jamais que o verdadeiro poder &eacute; o servi&ccedil;o, e que o pr&oacute;prio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele servi&ccedil;o que tem o seu v&eacute;rtice luminoso na Cruz; deve olhar para o servi&ccedil;o humilde, concreto, rico de f&eacute;, de S&atilde;o Jos&eacute; e, como ele, abrir os bra&ccedil;os para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Ju&iacute;zo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, &eacute; estrangeiro, est&aacute; nu, doente, na pris&atilde;o (cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.<\/p>\n<p>Na segunda Leitura, S&atilde;o Paulo fala de Abra&atilde;o, que acreditou &laquo;com uma esperan&ccedil;a, para al&eacute;m do que se podia esperar&raquo; (<em>Rm<\/em>&nbsp;4, 18). Com uma esperan&ccedil;a, para al&eacute;m do que se podia esperar! Tamb&eacute;m hoje, perante tantos peda&ccedil;os de c&eacute;u cinzento, h&aacute; necessidade de ver a luz da esperan&ccedil;a e de darmos n&oacute;s mesmos esperan&ccedil;a. Guardar a cria&ccedil;&atilde;o, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, &eacute; abrir o horizonte da esperan&ccedil;a, &eacute; abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, &eacute; levar o calor da esperan&ccedil;a! E, para o crente, para n&oacute;s crist&atilde;os, como Abra&atilde;o, como S&atilde;o Jos&eacute;, a esperan&ccedil;a que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, est&aacute; fundada sobre a rocha que &eacute; Deus.<\/p>\n<p>Guardar Jesus com Maria, guardar a cria&ccedil;&atilde;o inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a n&oacute;s mesmos: eis um servi&ccedil;o que o Bispo de Roma est&aacute; chamado a cumprir, mas para o qual todos n&oacute;s estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperan&ccedil;a: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!<\/p>\n<p>Pe&ccedil;o a intercess&atilde;o da Virgem Maria, de S&atilde;o Jos&eacute;, de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo, de S&atilde;o Francisco, para que o Esp&iacute;rito Santo acompanhe o meu minist&eacute;rio, e, a todos v&oacute;s, digo: rezai por mim! Amen.&nbsp;<\/p>\n<p><em>Papa Francisco<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco Homilia na missa de in&iacute;cio do minist&eacute;rio petrino do bispo de Roma Vaticano, 19 de mar&ccedil;o de 2013 &nbsp; Queridos irm&atilde;os e irm&atilde;s! Agrade&ccedil;o ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de in&iacute;cio do minist&eacute;rio petrino na solenidade de S&atilde;o Jos&eacute;, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: &eacute; uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,274],"class_list":["post-60453","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60453\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}