{"id":604,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-que-a-razao-nao-conhece\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-que-a-razao-nao-conhece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-que-a-razao-nao-conhece\/","title":{"rendered":"O que a raz\u00e3o n\u00e3o conhece"},"content":{"rendered":"<p>Muito antes de se declarar oficialmente a guerra do Iraque foi lan\u00e7ado um pedit\u00f3rio mundial em favor das v\u00edtimas dos efeitos colaterais. Assistimos, assim, a uma discreta distribui\u00e7\u00e3o de tarefas, algumas de teor mais t\u00e9cnico (a reconstru\u00e7\u00e3o de pontes, estradas e aeroportos) outras mais directamente humanit\u00e1rias, como a assist\u00eancia a refugiados, sem esquecer a requisi\u00e7\u00e3o de um pequeno ex\u00e9rcito de psic\u00f3logos para reconfortar espiritualmente as amputa\u00e7\u00f5es decorrentes dos ataques e as perdas de parentes e amigos. Tudo isto pareceria uma ironia se n\u00e3o fosse tr\u00e1gico. Enquadra-se na l\u00f3gica do gesto premeditado e do c\u00e1lculo preciso sobre os estragos provocados. Estamos dentro da l\u00f3gica dura de que mais vale remediar que prevenir, uma vez que a guerra se declara para prevenir \u2013 atacar \u2013 e n\u00e3o para defender. Curioso e complexo \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano que tinge a raz\u00e3o e seus silogismos da cor que melhor lhe conv\u00e9m. Este percurso tenebroso aplica-se a muito mais terrenos do que aquilo que parece. O envolvimento emocional em qualquer causa como que obnubila a clarivid\u00eancia racional do que quer que seja. Quantas vezes a defesa apaixonada de teses cient\u00edficas, t\u00e9cnicas, filos\u00f3ficas ou religiosas serpenteia pelos contornos das experi\u00eancias pessoais, das cumplicidades secretas, dos afectos impl\u00edcitos, bem distantes dessa frieza intelectual e serena que t\u00e3o vigorosamente se proclama. Complexo ser \u00e9 o homem que, n\u00e3o apenas se n\u00e3o conhece em plenitude, como n\u00e3o d\u00e1 a conhecer o pouco que de si mesmo sabe. Somos uma esp\u00e9cie de fantasmas que usamos vestes como capa de frio ou pudor mas, em \u00faltima an\u00e1lise, escondidos em sobreposi\u00e7\u00f5es de camadas e camuflados no nosso ego pessoal ou colectivo. Descren\u00e7a total na humanidade? Nem por isso. Mas s\u00f3 conhece o ser humano quem percebe as capas e sub capas que maquilham as grandes encena\u00e7\u00f5es dos pequenos e grandes acontecimentos do mundo. Por muito que expliquem os analistas, estrategas, pol\u00edticos, pacifistas, belicistas e moralistas \u2013 como se v\u00ea n\u00e3o falta gente a sentenciar \u2013 as \u00faltimas raz\u00f5es da invas\u00e3o flutuam no olhar ba\u00e7o e indefinido dos que, \u00e0 porta fechada, escondem o desenho e o circuito da guerra e da paz. Em plena democracia, em total inunda\u00e7\u00e3o informativa, pouco se sabe, afinal. Parece que as \u00faltimas raz\u00f5es do que quer que seja est\u00e3o ocultas, envoltas em neblinas por dissipar. Esperemos que n\u00e3o estejam perdidas em qualquer cardume de enguias as raz\u00f5es \u00faltimas de viver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito antes de se declarar oficialmente a guerra do Iraque foi lan\u00e7ado um pedit\u00f3rio mundial em favor das v\u00edtimas dos efeitos colaterais. 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