{"id":60394,"date":"2013-03-15T10:59:12","date_gmt":"2013-03-15T10:59:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/03\/15\/cinema-ferrugem-e-osso\/"},"modified":"2013-03-15T10:59:12","modified_gmt":"2013-03-15T10:59:12","slug":"cinema-ferrugem-e-osso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-ferrugem-e-osso\/","title":{"rendered":"Cinema: Ferrugem e osso"},"content":{"rendered":"<p>Inesperadamente, Ali, pai de um filho de quem se tem mantido  distante desde que este nasceu, v&ecirc;-se obrigado a assumir as suas  responsabilidades paternais por inteiro. Pouco habituado a gerir a vida e  espa&ccedil;o interior para al&eacute;m de si pr&oacute;prio, sem casa, com pouco dinheiro e  poucos amigos, decide deixar a B&eacute;lgica e partir com o pequeno Sam para  junto da irm&atilde;, na costa francesa.<\/p>\n<p>Numa das suas deambula&ccedil;&otilde;es noturnas, conhece Stephanie, uma bela e  segura tratadora de baleias que mesmo relutante aceita a possibilidade  de tornarem a encontrar-se.&nbsp; No entanto, num dos seus espet&aacute;culos,  Stephanie sofre um acidente que a deixa parapl&eacute;gica, definitivamente  confinada a uma cadeira de rodas.<\/p>\n<p>Ali, que come&ccedil;a a aprender com o filho a olhar al&eacute;m de si pr&oacute;prio e  a enfrentar os riscos e&nbsp; benef&iacute;cios do amor paternal, ter&aacute; que se  esquecer muito mais de si e aprender muito mais sobre a import&acirc;ncia do  altru&iacute;smo se quer que Stephanie tamb&eacute;m fa&ccedil;a parte da sua vida&#8230;<\/p>\n<p>Passam tr&ecirc;s anos sobre a &uacute;ltima vez que os cinemas portugueses  receberam um filme de Jacques Audiard, &lsquo;Um Profeta&rsquo;, que explorava as  fr&aacute;geis condi&ccedil;&otilde;es de vida de um jovem imigrante de origem &aacute;rabe a  cumprir seis anos de pena numa pris&atilde;o francesa.&nbsp;<\/p>\n<p>O tema, ainda centrado na figura masculina mas num registo  totalmente diferente, mais melodram&aacute;tico, passa agora em &lsquo;Ferrugem e  Osso&rsquo; &agrave; contraposi&ccedil;&atilde;o entre o individualismo e o altru&iacute;smo, abordando os  riscos e benef&iacute;cios da constru&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o, seja ela paternal\/filial  ou amorosa.<\/p>\n<p>Um olhar sobre a sociedade contempor&acirc;nea, focado na quest&atilde;o de um  progenitor ausente, infelizmente n&atilde;o t&atilde;o rara nos nossos dias e no nosso  pa&iacute;s &ndash; sabemo-lo pelo aumento do n&uacute;mero de pedidos de apoio, diversos,  ao Estado, na alimenta&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o a menores de fam&iacute;lias  monoparentais, por incapacidade ou neglig&ecirc;ncia de um dos progenitores -, mas explorado de forma  otimista, na perspetiva de que nenhuma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o cuidada gera um  processo irrevers&iacute;vel.<\/p>\n<p>Mesmo sem escapar aos habituais excessos dram&aacute;ticos e gr&aacute;ficos de  Audiard, &lsquo;Ferrugem e Osso&rsquo; &eacute; uma das boas propostas de cinema desta  semana, com a solidez suficiente para nos fazer pensar sobre a falsa liberdade que o individualismo promete, sobre a import&acirc;ncia da  dedica&ccedil;&atilde;o aos que nos s&atilde;o confiados, sobre o que h&aacute; de surpreendente  para l&aacute; dos obst&aacute;culos e, sobretudo, nos riscos&nbsp; que vale a pena  correr&nbsp;ao sairmos da nossa zona de aparente conforto para assumir a  responsabilidade de nos aproximarmos do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Margarida Ata&iacute;de<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inesperadamente, Ali, pai de um filho de quem se tem mantido distante desde que este nasceu, v&ecirc;-se obrigado a assumir as suas responsabilidades paternais por inteiro. 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