{"id":60187,"date":"2013-02-28T12:58:28","date_gmt":"2013-02-28T12:58:28","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/02\/28\/as-marcas-de-bento-xvi-em-portugal\/"},"modified":"2013-02-28T12:58:28","modified_gmt":"2013-02-28T12:58:28","slug":"as-marcas-de-bento-xvi-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-marcas-de-bento-xvi-em-portugal\/","title":{"rendered":"As marcas de Bento XVI em Portugal"},"content":{"rendered":"<p>D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, foi o anfitri\u00e3o de Bento XVI em Portugal, entre os dias 11-14 de maio de 2010, na condi\u00e7\u00e3o de presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; Como come&ccedil;ou a visita de Bento XVI a Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga (JO) &#8211;<\/em> Tudo come&ccedil;ou com um ato de coragem e de f&eacute;. Pedimos ao Santo Padre que efetuasse esta visita pastoral situando-a no &acirc;mbito dos 90 anos do Santu&aacute;rio de F&aacute;tima.<\/p>\n<p>Quisemos tamb&eacute;m colocar a Igreja portuguesa em movimento para que se pudesse acolher verdadeiramente o Santo Padre, num per&iacute;odo muito complexo e conturbado da hist&oacute;ria da Igreja mundial.<\/p>\n<p>Pretend&iacute;amos tamb&eacute;m proporcionar-lhe um momento de alegria e at&eacute; de descanso, na oportunidade que iria ter de contactar com multid&otilde;es de fi&eacute;is que o acolhessem com toda a espontaneidade, como de facto veio a acontecer.<\/p>\n<p>O convite surgiu igualmente da convic&ccedil;&atilde;o de que o Santo Padre nos poderia ajudar na aplica&ccedil;&atilde;o de um programa pastoral que v&iacute;nhamos a realizar ap&oacute;s a &uacute;ltima visita &ldquo;ad limina&rdquo; [desloca&ccedil;&atilde;o dos bispos portugueses ao Vaticano para falar com o Papa sobre as dioceses e a Igreja em Portugal, de 3 a 12 de novembro de 2007], o que tamb&eacute;m se concretizou.<\/p>\n<p>No discurso de sauda&ccedil;&atilde;o que proferi na visita &ldquo;ad limina&rdquo;, enquanto presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, fiz uma refer&ecirc;ncia aos 90 anos [das apari&ccedil;&otilde;es da Virgem Maria na Cova da Iria] e disse que a mensagem de F&aacute;tima, entre outras caracter&iacute;sticas, tinha uma dimens&atilde;o de apelo &agrave; convers&atilde;o, que se estende tamb&eacute;m &agrave; Igreja. Na resposta o Santo Padre disse que a Igreja em Portugal teria de se reorganizar e adaptar-se muito mais &agrave; realidade do Conc&iacute;lio Vaticano II [1962-1965]. Recordo que alguma comunica&ccedil;&atilde;o social, na minha maneira de ver, n&atilde;o entendeu bem esta posi&ccedil;&atilde;o de Bento XVI. O que &eacute; certo &eacute; que n&oacute;s a assumimos como uma das consequ&ecirc;ncias a extrair da visita &ldquo;ad limina&rdquo;.<\/p>\n<p>A vinda do Santo Padre ao nosso pa&iacute;s foi muito importante porque constituiu um est&iacute;mulo ao processo &ldquo;Repensar a Pastoral em Portugal&rdquo;, que a Igreja estava a fazer naquela &eacute;poca e que continua atualmente.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Al&eacute;m do processo &ldquo;Repensar a Pastoral da Igreja em Portugal&rdquo; que efeitos da visita de Bento XVI se fazem sentir hoje?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> Creio que as principais coordenadas est&atilde;o no discurso que fez aos bispos de Portugal [F&aacute;tima, 13 de maio de 2010], quando apelou a uma maior consci&ecirc;ncia mission&aacute;ria e nos pediu um laicado adulto, integrado na Igreja e implicado na transforma&ccedil;&atilde;o do mundo.<\/p>\n<p>Em Lisboa o Papa falou da presen&ccedil;a dos crist&atilde;os nas realidades terrestres e no Porto voltou a insistir na mesma quest&atilde;o, sublinhando que n&atilde;o podemos perder a capacidade de estarmos presentes no mundo, n&atilde;o impondo mas propondo com ousadia e coragem.<\/p>\n<p>No encontro no Centro Cultural de Bel&eacute;m [Lisboa, 12 de maio], que foi maravilhoso, o Papa salientou que &eacute; importante n&atilde;o olhar para as coisas pen&uacute;ltimas mas para as &uacute;ltimas, tendo tamb&eacute;m pedido ao mundo da cultura a coragem de n&atilde;o apenas fazer coisas belas mas de fazer da vida uma experi&ecirc;ncia bela. Penso que estes apelos s&atilde;o realidades que n&atilde;o nos deixaram de marcar.<\/p>\n<p>Um aspeto que me impressionou neste Papa foi o sentido de proximidade. Ele, que era considerado uma pessoa muito afastada, soube estar presente e sentiu em Portugal uma experi&ecirc;ncia tranquilizante e de profunda alegria.<\/p>\n<p>Pareceu-me que o Santo Padre estava preocupado quando chegou ao nosso pa&iacute;s. N&atilde;o esque&ccedil;amos que na viagem de avi&atilde;o para Lisboa ele disse que o mal tamb&eacute;m existe dentro da Igreja, uma express&atilde;o maravilhosa que muita gente n&atilde;o entende mas que &eacute; a grande verdade. Por isso ele trazia todo esse peso. Quando partiu de Portugal creio que levou a consola&ccedil;&atilde;o pelo facto de se ter encontrado com um povo que n&atilde;o se envergonhou de dizer &ldquo;N&oacute;s amamos o Sucessor de Pedro, n&oacute;s testemunhamos a nossa f&eacute; e a nossa comunh&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Surpreendeu-o o acolhimento que Bento XVI recebeu em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> Nunca tivemos medo. Ali&aacute;s, tenho de dizer que dentro da organiza&ccedil;&atilde;o nunca fizemos grande publicidade. Claro que procur&aacute;mos mobilizar as nossas comunidades mas n&atilde;o sentimos receio. O povo portugu&ecirc;s sempre teve, e tem, um amor muito grande ao Papa, seja ele qual for. Hoje reconhecemos que Bento XVI foi uma figura &iacute;mpar, que deixou ficar a sua marca na hist&oacute;ria da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como descreve Bento XVI?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> Parece uma pessoa t&iacute;mida mas, no contacto, verificamos que n&atilde;o o &eacute;. Ele &eacute; um intelectual, algo introvertido, mas muito pr&oacute;ximo e muito conhecedor da realidade, n&atilde;o s&oacute; doutrinal mas tamb&eacute;m das dioceses, como pude verificar durante a visita &ldquo;ad limina&rdquo;. Esta conjuga&ccedil;&atilde;o entre o intelectual e a realidade concreta &eacute; fundamental, e o mesmo se diga da s&iacute;ntese entre f&eacute; e ci&ecirc;ncia que Bento XVI procurou realizar. Por isso temos de dar gra&ccedil;as a Deus pelo Papa que tivemos.<\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que momentos mais o sensibilizaram durante a visita de Bento XVI a Portugal?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> Um dos problemas com que nos defront&aacute;mos foi o facto de muita gente ter pretendido que houvesse um encontro espec&iacute;fico para os jovens. Cheg&aacute;mos &agrave; conclus&atilde;o que n&atilde;o era poss&iacute;vel, assim como a ida a Braga, que eu inicialmente pretendia que estivesse no programa. Depois pens&aacute;mos que o encontro em Lisboa poderia ser, de modo muito particular, para a juventude, mas acabou por ser para toda a popula&ccedil;&atilde;o. Mas o que os jovens fizeram na presen&ccedil;a do Santo Padre foi maravilhoso. Recordo especialmente a manifesta&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea junto da Nunciatura e a simplicidade e espontaneidade do Papa, quando pediu, numa linguagem pr&oacute;pria dos jovens, para o deixarem descansar.<\/p>\n<p>Conservo tamb&eacute;m um epis&oacute;dio que manifesta o temperamento de Bento XVI e que significa muito para mim. Quando ele saiu do Centro Cultural de Bel&eacute;m, de carro, deparou-se, junto &agrave; estrada, com um grupo de crian&ccedil;as acompanhado de religiosas e educadoras. O Papa saiu da viatura para estar um pouco com as crian&ccedil;as, deixando-lhes uma palavra de alento e de coragem, num gesto muito espont&acirc;neo e natural que tamb&eacute;m constituiu um sinal para quem pensava que ele era de outro mundo.<\/p>\n<p>Recordo igualmente os encontros em F&aacute;tima com os agentes da Pastoral Social, com os sacerdotes e os padres, bem como com os bispos, a quem deixou uma mensagem marcante. Talvez ainda n&atilde;o tenhamos sido capazes de colher todos os frutos da semente que ele aqui deixou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; D. Jorge Ortiga &eacute; atualmente presidente da Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana; que orienta&ccedil;&otilde;es deixadas por Bento XVI no discurso que fez a este setor continuam a ser hoje prementes? <\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> Bento XVI deixou um apelo &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; Igreja para que mantivessem a preocupa&ccedil;&atilde;o pela excel&ecirc;ncia mas sem perder a sua identidade. Que n&atilde;o fossem uma simples associa&ccedil;&atilde;o filantr&oacute;pica mas uma experi&ecirc;ncia de f&eacute;. S&atilde;o prioridades que a Igreja deve continuar a assumir: procurar empenhar-se na qualidade e na transpar&ecirc;ncia, num servi&ccedil;o que seja sinal do amor de Cristo e n&atilde;o mera assist&ecirc;ncia paternalista de resposta ocasional. N&atilde;o se trata de proselitismo mas da simplicidade e naturalidade de um amor que n&atilde;o se fica pelas obras que se oferecem mas que se expressa, sobretudo, no esp&iacute;rito que se vive.<\/p>\n<p><em>RJM<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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