{"id":60115,"date":"2013-02-22T13:18:23","date_gmt":"2013-02-22T13:18:23","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/02\/22\/novo-papa-deve-ter-poder-suficiente-para-acabar-com-pecados-que-atingem-a-igreja\/"},"modified":"2013-02-22T13:18:23","modified_gmt":"2013-02-22T13:18:23","slug":"novo-papa-deve-ter-poder-suficiente-para-acabar-com-pecados-que-atingem-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/novo-papa-deve-ter-poder-suficiente-para-acabar-com-pecados-que-atingem-a-igreja\/","title":{"rendered":"Novo Papa deve ter \u00abpoder suficiente\u00bb para acabar com pecados que atingem a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>A poucos dias da ren\u00fancia oficial de Bento XVI e do in\u00edcio do Conclave em Roma para a escolha de um sucessor, Adriano Moreira destaca a \u201chumildade e coragem extraordin\u00e1ria\u201d de Joseph Ratzinger em \u201creconhecer que o seu limite chegou\u201d. <!--more--> <\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA &ndash; O que pensa sobre a ren&uacute;ncia de Bento XVI, quais as consequ&ecirc;ncias para a vida da Igreja, a curto e m&eacute;dio prazo?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Adriano Moreira (AM) &ndash;<\/em> A primeira consequ&ecirc;ncia &eacute; termos de eleger um novo Papa, que &eacute; o sucessor de Pedro mas, apesar disso, passa-se com ele o mesmo que se passa com cada ser humano, &eacute; um fen&oacute;meno que n&atilde;o se repete.<\/p>\n<p>Naturalmente que n&atilde;o se pode esperar o mesmo comportamento ou heran&ccedil;a de cada sucessor. Eu na minha longa vida conheci muitos Papas, aqueles que mais recordo a influ&ecirc;ncia foram Jo&atilde;o XXIII, que se guiava mais pela inspira&ccedil;&atilde;o do que pela erudi&ccedil;&atilde;o, e Jo&atilde;o Paulo II, exemplo de sacrif&iacute;cio, com aquela frase extraordin&aacute;ria &ldquo;Cristo tamb&eacute;m n&atilde;o desceu da Cruz&rdquo;.<\/p>\n<p>Temos de olhar para cada Papa e o exemplo que fica n&atilde;o deve ser identific&aacute;vel em cada um, o que tem de ser &eacute; justificado em cada um, que seja verdadeiramente um enriquecimento para o legado.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o deste Papa &eacute; uma decis&atilde;o corajosa, naturalmente de acordo com a sua personalidade, enquanto ser humano que &eacute; um fen&oacute;meno que n&atilde;o se repete na hist&oacute;ria da humanidade.<\/p>\n<p>E na longa lista de Papas deste quase s&eacute;culo que j&aacute; vivi, Bento XVI era sobretudo guiado pela raz&atilde;o, porque &eacute; um intelectual, um universit&aacute;rio.<\/p>\n<p>Portanto se n&oacute;s podemos achar que &eacute; um legado a atitude de Jo&atilde;o Paulo II, extraordin&aacute;ria, que se percebe perfeitamente vinda de um Papa que &eacute; polaco, que sofreu durante os seus anos de juventude, forma&ccedil;&atilde;o e vida, Bento XVI nasce num pa&iacute;s que &eacute; respons&aacute;vel por uma das maiores calamidades do mundo, que custou pelo menos 50 milh&otilde;es de mortos.<\/p>\n<p>Ele pr&oacute;prio, por for&ccedil;a da organiza&ccedil;&atilde;o do seu pa&iacute;s, serviu como crian&ccedil;a nas for&ccedil;as armadas alem&atilde;s, e um dos atos importantes que praticou durante o seu pontificado foi a visita a Auschwitz, a condena&ccedil;&atilde;o do mal absoluto.<\/p>\n<p>E essa condena&ccedil;&atilde;o, a meu ver, soma-se &agrave; exemplaridade dos que fundaram a Uni&atilde;o Europeia, porque quer o franc&ecirc;s, quer o alem&atilde;o, quer o italiano, foram v&iacute;timas e testemunhas dos sofrimentos enormes dos seus povos, puseram a sabedoria acima do sofrimento com o projeto da unidade europeia.<\/p>\n<p>E isso significa muito na hist&oacute;ria da Europa, que cada pa&iacute;s deixe de considerar o vizinho como inimigo &iacute;ntimo, como era muito tradicional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Essa atitude de reconcilia&ccedil;&atilde;o marca tamb&eacute;m o pontificado de Bento XVI, mesmo a n&iacute;vel interno da Igreja?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Marca. Numa das suas obras, o Papa fala sobre a necessidade de prestar aten&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade dos outros e isso &eacute; muito importante porque, por muito que neste momento o desapego a Igrejas institucionalizadas seja crescente na Europa e no Ocidente, eu n&atilde;o esque&ccedil;o que no edif&iacute;cio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, por iniciativa do grande secret&aacute;rio-geral Dag Hammarskj&ouml;ld, assassinado no exerc&iacute;cio do cargo, h&aacute; uma sala despida com uma pedra transl&uacute;cida, como se fosse um altar, sobre o qual cai um raio de luz que vem do c&eacute;u, e que se chama Sala de Medita&ccedil;&atilde;o para todas as religi&otilde;es.<\/p>\n<p>Portanto, o apelo &agrave; transcend&ecirc;ncia, ao contr&aacute;rio do desapego a religi&otilde;es institucionalizadas, est&aacute; a crescer no mundo inteiro, com muitas divis&otilde;es, o que naturalmente exige um esfor&ccedil;o enorme para o encontro das religi&otilde;es.<\/p>\n<p>E os escritos que o Papa deixou v&atilde;o contribuir para isso, e n&atilde;o ser&aacute; diminu&iacute;do esse legado por algumas interven&ccedil;&otilde;es mal interpretadas, designadamente o coment&aacute;rio que foi feito a respeito dos mu&ccedil;ulmanos e que ele pr&oacute;prio se justificou, procurando dar sentido correto &agrave; express&atilde;o dele mas, como &eacute; t&atilde;o frequente, a comunica&ccedil;&atilde;o social insistiu muito na interpreta&ccedil;&atilde;o mais desadequada das palavras.<\/p>\n<p>As palavras eram de uma excelente inten&ccedil;&atilde;o, que n&oacute;s precisamos, cada vez cresce mais a ideia de que um conv&iacute;vio pac&iacute;fico entre as religi&otilde;es &eacute; fundamental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Bento XVI deu passos fundamentais nesse sentido?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &#8211;<\/em> Sim, a frase que ele disse &eacute; uma atitude de compreens&atilde;o, n&atilde;o &eacute; toler&acirc;ncia, &eacute; respeito, s&atilde;o coisas completamente diferentes. &Eacute; mais necess&aacute;rio o respeito do que a toler&acirc;ncia, ele contribuiu efetivamente para isso.<\/p>\n<p>Naturalmente Bento XVI foi afetado durante o seu exerc&iacute;cio por acontecimentos externos, e a impress&atilde;o que tenho, seguindo ensinamentos que n&atilde;o chegam da minha medita&ccedil;&atilde;o, &eacute; que h&aacute; uma diferen&ccedil;a constante entre o Cristo da f&eacute;, o Cristo da hist&oacute;ria e o Cristo da Igreja. De vez em quando h&aacute; um conflito entre estas perce&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&nbsp;AE &ndash; E este Papa quis contribuir para esse debate&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Quis contribuir para isso porque justamente neste momento, sem podermos esquecer a decad&ecirc;ncia da ades&atilde;o &agrave;s Igrejas institucionalizadas no Ocidente, &eacute; o terceiro elemento desta trilogia, o Cristo da Igreja, que est&aacute; mais em crise e ele enfrentou dificuldades tremendas, designadamente a pedofilia.<\/p>\n<p>Eu separo isso naturalmente da f&eacute; e do Cristo da hist&oacute;ria, mas ele teve de enfrentar isso e naturalmente para um homem com a sua forma&ccedil;&atilde;o intelectual, universit&aacute;ria, deve ter sido uma tens&atilde;o tremenda, ele que condenou o mal absoluto, ter de enfrentar este ataque devastador em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja em muitos pa&iacute;ses, designadamente na Am&eacute;rica do Norte e na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Foi um dos problemas que marcaram este pontificado de Bento XVI, a par de outros, de ordem econ&oacute;mica, disciplinar at&eacute;, na pr&oacute;pria estrutura do Vaticano.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Eu guardaria para o fim a parte disciplinar. Agora h&aacute; um problema que deve ter pesado no seu esp&iacute;rito, n&atilde;o apenas agora mas quando exercia fun&ccedil;&otilde;es, como verdadeiramente o bra&ccedil;o direito de Jo&atilde;o Paulo II, e que &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da Europa com os valores crist&atilde;os.<\/p>\n<p>A Europa n&atilde;o tem limites geogr&aacute;ficos, n&atilde;o h&aacute; montanhas, rios, que sejam limite da Europa. Mas ela est&aacute; numa crise de valores extraordin&aacute;ria &ndash; na crise econ&oacute;mica tremenda que estamos a atravessar, o tra&ccedil;o fundamental &eacute;: onde estava o valor das coisas foi colocado o pre&ccedil;o das coisas, as pessoas passaram a ser n&uacute;meros.<\/p>\n<p>Eu acho que a estat&iacute;stica, historicamente, &eacute; a segunda comunica&ccedil;&atilde;o sem fios da hist&oacute;ria da humanidade, o que leva a conclus&otilde;es completamente desumanas.<\/p>\n<p>A enc&iacute;clica do Papa &ldquo;Caritas in Veritate&rdquo; &eacute; uma excelente cr&iacute;tica da situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica europeia e uma grande defesa do Estado social. N&oacute;s temos um paradigma que &eacute; a dignidade humana, e ele &eacute; um dos paradigmas sustentados pelo Estado Social e tamb&eacute;m da Doutrina Social da Igreja, que Bento XVI sustentou com oportunidade, com lucidez, dirigindo-se sobretudo a intelectuais, &eacute; sobretudo esse o legado que nos deixa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ter&aacute; Bento XVI surpreendido ao escrever sobretudo sobre quest&otilde;es sociais? As suas enc&iacute;clicas s&atilde;o sobre a esperan&ccedil;a, a caridade, o amor&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash; <\/em>Julgo que n&atilde;o, porque o poder da palavra &eacute; extraordin&aacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas esperar-se-iam, por exemplo, temas relacionados com a f&eacute;, com a doutrina e a ortodoxia da Igreja.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Esses temas tamb&eacute;m s&atilde;o fundamentais, julgo mesmo que um dos grandes problemas do Cristo da hist&oacute;ria &eacute; a divis&atilde;o entre os crist&atilde;os, um consequencialismo que eu imagino que Lutero n&atilde;o imaginou e que teve consequ&ecirc;ncias enormes.<\/p>\n<p>Portanto, tudo o que seja contribui&ccedil;&atilde;o para mudar isso &eacute; uma grande contribui&ccedil;&atilde;o, mesmo com erros eventuais. Por exemplo, aquela aproxima&ccedil;&atilde;o do Lefebvre trouxe dificuldades &agrave; interven&ccedil;&atilde;o do Papa, porque foi mal entendido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mas acha que Bento XVI fez mal em tentar a reconcilia&ccedil;&atilde;o com os lefebvrianos?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Nunca &eacute; mau tentar a reconcilia&ccedil;&atilde;o, porque temos de p&ocirc;r o di&aacute;logo no lugar do combate, como temos de p&ocirc;r o respeito no lugar da toler&acirc;ncia, o que pode acontecer &eacute; o consequencialismo n&atilde;o ser sempre correspondente a essa inten&ccedil;&atilde;o, como aconteceu neste caso, at&eacute; porque n&atilde;o conseguiu essa reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Embora a Igreja n&atilde;o possa perder o seu sentido universal, de n&atilde;o distinguir povos, etnias, Estados, mas n&atilde;o se pode esquecer que a fonte &eacute; ocidental e neste momento &eacute; o Ocidente que est&aacute; em decad&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; s&oacute; a Europa ou o pa&iacute;s a que pertencemos.<\/p>\n<p>Faltam lideran&ccedil;as carism&aacute;ticas, aquilo que &agrave;s vezes chamo as vozes encantat&oacute;rias que a Europa teve a seguir &agrave; guerra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Faltam essas lideran&ccedil;as tamb&eacute;m na Igreja?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Na Igreja, eu imagino que o Papa deve ter, justamente porque &eacute; um intelectual, porque teve pap&eacute;is de conselheiro &ndash; agora falar ao ouvido do pr&iacute;ncipe, que &eacute; uma atividade tranquila, exige medita&ccedil;&atilde;o e sabedoria mas n&atilde;o exige estar no combate di&aacute;rio.<\/p>\n<p>Ele teve de entrar, deu um passo em frente, deixou de ser a pessoa que fala ao ouvido do pr&iacute;ncipe, foi ele o pr&iacute;ncipe, e naturalmente a&iacute; chegamos ao terceiro termo daquilo que ainda h&aacute; pouco apont&aacute;mos, o Cristo da Igreja.<\/p>\n<p>S&atilde;o p&uacute;blicas constantes conspira&ccedil;&otilde;es e ambi&ccedil;&otilde;es internas, desastres financeiros, desastres de comunica&ccedil;&atilde;o, falta de confian&ccedil;a entre o pessoal, como foi esta crise da comunica&ccedil;&atilde;o dos documentos.<\/p>\n<p>Acho que, para um intelectual como ele, deve ter sido um sacrif&iacute;cio n&atilde;o conseguir um governo pontif&iacute;cio, porque &eacute; um governo &uacute;nico no mundo.<\/p>\n<p>Os l&iacute;deres religiosos s&atilde;o l&iacute;deres por fidelidade, n&atilde;o h&aacute;, como acontece no Estado, o recurso &agrave; for&ccedil;a para a desobedi&ecirc;ncia, h&aacute; sempre a ades&atilde;o e &eacute; necess&aacute;rio carisma, e o carisma, como S&atilde;o Paulo ensinava, ou se tem ou n&atilde;o se tem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E no caso deste Papa?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Eu julgo que para esse governo, ele n&atilde;o conseguiu impor o carisma, e deve ter tido um sofrimento enorme com as quest&otilde;es que dizem respeito j&aacute; n&atilde;o &agrave; f&eacute;, ao Cristo da hist&oacute;ria que ele estudou t&atilde;o profundamente, mas ao governo da institui&ccedil;&atilde;o, o Cristo da Igreja.<\/p>\n<p>Fez efetivamente os tais esfor&ccedil;os de unifica&ccedil;&atilde;o, de aproxima&ccedil;&atilde;o, que explicam o esfor&ccedil;o que fez com Lefebvre, mas n&atilde;o foi bem-sucedido. E imagino a dor com que ele meditou sobre as suas capacidades, ainda de homem vivo, mas que n&atilde;o pode ter mais anos nem mais nada, o sentir que as suas capacidades estavam a diminuir e que tinha de dar o exemplo de coragem de renunciar.<\/p>\n<p>Assim como Jo&atilde;o XXIII deixou o exemplo da import&acirc;ncia da inspira&ccedil;&atilde;o, como Jo&atilde;o Paulo II deixou o exemplo de que Cristo n&atilde;o desceu da cruz, que os sacrif&iacute;cios t&ecirc;m de ser enfrentados, este Papa deixou o exemplo da capacidade de renunciar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Na homilia de Quarta-feira de Cinza, Bento XVI referiu-se &agrave; necessidade de se superar individualismos e rivalidades no interior da Igreja. Que mensagem &eacute; esta?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> &Eacute; a mensagem das dificuldades que ele pr&oacute;prio encontrou e que n&atilde;o conseguiu corrigir. E talvez pense que o seu exemplo possa ajudar a corrigir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A causa da ren&uacute;ncia estar&aacute; nessa capacidade de reconciliar a pr&oacute;pria C&uacute;ria Romana?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Julgo que foi o peso do governo, o peso da Igreja recuperar uma face exemplar que ponha fim aos ataques que neste momento &eacute; objeto e que diminuem a sua influ&ecirc;ncia num trajeto que &eacute; fundamental para a salva&ccedil;&atilde;o do Ocidente, que &eacute; a recupera&ccedil;&atilde;o da escala de valores, da ideia que a dignidade humana n&atilde;o pode ser substitu&iacute;da por valores instrumentais, como &eacute; o valor das coisas, que isso possa servir de exemplo.<\/p>\n<p>E &eacute; um grande exemplo e uma grande contribui&ccedil;&atilde;o para o legado que se vai avolumando da Igreja Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ent&atilde;o, em que estado deixa este Papa a Igreja Cat&oacute;lica?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> Espero que ele a deixe em medita&ccedil;&atilde;o e que a Igreja seja inspirada realmente pelo Esp&iacute;rito Santo, num momento em que v&atilde;o ter de escolher um Papa que n&atilde;o tenha de dar um exemplo que &eacute; uma esp&eacute;cie de repreens&atilde;o, tamb&eacute;m, para que a Igreja tome consci&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o neste momento.<\/p>\n<p>Que se medite sobre a mudan&ccedil;a no mundo &ndash; n&oacute;s os universit&aacute;rios fomos ensinados por Karl Popper que estamos por vezes convencidos sobre a sabedoria das coisas, do mundo e das pessoas e aparece um cisne negro e j&aacute; n&atilde;o podemos dizer que todos os cisnes s&atilde;o brancos.<\/p>\n<p>Bento XVI talvez possa ter deixado este legado, apareceu um cisne negro e esse cisne negro obriga a Igreja a pensar que nem todos os cisnes s&atilde;o brancos, alguma coisa &eacute; preciso corrigir na atitude do governo e do comportamento da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Isso querer&aacute; dizer que o pr&oacute;ximo Papa ter&aacute; de ser mais disciplinador? Que perfil se dever&aacute; escolher?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> A Igreja, como acontece com as lideran&ccedil;as das outras religi&otilde;es, vive do carisma do condutor, do l&iacute;der, do pastor. E o carisma ou se obt&eacute;m ou n&atilde;o se obt&eacute;m. E o Papa que escolham deve ser um homem que eles reconhe&ccedil;am capaz de ganhar o carisma que leve a Igreja a aceitar a corre&ccedil;&atilde;o dos desvios e das preocupa&ccedil;&otilde;es que o Papa resignat&aacute;rio enunciou, as rivalidades, os individualismos e etecetera, fica um etecetera enorme.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Mais do que os casos de pedofilia, os esc&acirc;ndalos financeiros, ser&aacute; algo que estar&aacute; a minar o sistema?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash;<\/em> H&aacute; um problema que me parece muito claro e muito simples: sem autoridade, isso n&atilde;o ser&aacute; remediado, algo que Bento XVI sentiu que n&atilde;o era capaz nem tinha capacidade de vir a adquirir.<\/p>\n<p>&Eacute; uma grande humildade e uma coragem extraordin&aacute;ria reconhecer que o limite chegou, e isso nem todos s&atilde;o capazes de fazer. &Eacute; um grande legado que nos deixa e uma recomenda&ccedil;&atilde;o evident&iacute;ssima: escolham bem, que tenha o carisma de que decorre o poder suficiente para que acabem todos estes pecados que atingem a Igreja e que ele enumerou.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ter&aacute; de ser um Papa europeu ou italiano?<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>AM &ndash; <\/em>N&atilde;o necessariamente, a Igreja se &eacute; universal tem de aceitar qualquer etnia, &aacute;rea cultural, povo ou regi&atilde;o do mundo onde, como &eacute; a f&oacute;rmula consagrada, pareceu-nos a n&oacute;s e ao Esp&iacute;rito Santo que este &eacute; o sucessor de Pedro, que deve ser escolhido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poucos dias da ren\u00fancia oficial de Bento XVI e do in\u00edcio do Conclave em Roma para a escolha de um sucessor, Adriano Moreira destaca a \u201chumildade e coragem extraordin\u00e1ria\u201d de Joseph Ratzinger em \u201creconhecer que o seu limite chegou\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,145,168,203],"class_list":["post-60115","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-conclave","tag-diocese-da-guarda","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60115\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}