{"id":60080,"date":"2013-02-19T13:06:05","date_gmt":"2013-02-19T13:06:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/02\/19\/mensagem-quaresmal-do-bispo-do-algarve-5\/"},"modified":"2013-02-19T13:06:05","modified_gmt":"2013-02-19T13:06:05","slug":"mensagem-quaresmal-do-bispo-do-algarve-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-quaresmal-do-bispo-do-algarve-5\/","title":{"rendered":"Mensagem quaresmal do bispo do Algarve"},"content":{"rendered":"<p><strong>A f&eacute; actua pela caridade (cf Gl 5,6)<\/strong><\/p>\n<p>O tempo da Quaresma constitui, anualmente no caminho para a P&aacute;scoa, um tempo privilegiado para analisarmos a verdade da nossa rela&ccedil;&atilde;o com Deus, a autenticidade das nossas rela&ccedil;&otilde;es fraternas a credibilidade do nosso testemunho crist&atilde;o.<\/p>\n<p>A Mensagem de Bento XVI, em Ano da F&eacute;, sobre a estreita rela&ccedil;&atilde;o entre f&eacute; e caridade, constitui um precioso e oportuno aux&iacute;lio neste caminho, que somos convidados a percorrer.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m desta mensagem habitual, o Papa surpreendeu-nos a todos, dentro e fora da Igreja, com a comunica&ccedil;&atilde;o da sua ren&uacute;ncia ao minist&eacute;rio de Bispo de Roma e sucessor de Pedro, assumida com toda a verdade e liberdade, face &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o das suas for&ccedil;as f&iacute;sicas e consequente incapacidade de poder corresponder &agrave;s exig&ecirc;ncias deste servi&ccedil;o &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>Queremos acolher estas duas mensagens, que se iluminam mutuamente, usufruindo do &ldquo;testamento&rdquo; que Bento XVI quis legar, nesta hora, a toda a Igreja, ao convoc&aacute;-la para, em tempo quaresmal, repensar a sua fidelidade a Cristo, numa aten&ccedil;&atilde;o permanente ao mundo, a que &eacute; enviada a anunciar a Boa Nova da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O mundo em que nos situamos, concretamente esta regi&atilde;o algarvia, continua a apresentar-nos as consequ&ecirc;ncias duma crise econ&oacute;mica e social, que tarda a dar mostras de passar. Ainda que possam surgir alguns ind&iacute;cios neste sentido, mais anunciados do que verific&aacute;veis, o certo &eacute; que o desemprego continua a crescer.<\/p>\n<p>O Algarve continua, invariavelmente, na primeira linha, com a maior taxa de desemprego. Esta situa&ccedil;&atilde;o continua a reclamar a nossa mobiliza&ccedil;&atilde;o, particularmente quando os apelos da Palavra de Deus, neste tempo quaresmal, e das &ldquo;duas mensagens&rdquo; de Bento XVI, nos despertam para a verdade da f&eacute;, unida &agrave; caridade, em resposta ao amor de Deus e no servi&ccedil;o aos mais necessitados.<\/p>\n<p>1. A f&eacute;, recorda-nos Bento XVI, &eacute; acolhimento, ades&atilde;o e resposta ao amor primeiro, gratuito e &ldquo;apaixonado&rdquo; de Deus, manifestado plenamente em Cristo. Resposta de quem est&aacute; continuamente a caminho, e por isso de um amor nunca &ldquo;conclu&iacute;do e completado&rdquo;.<\/p>\n<p>Deus n&atilde;o se contenta com a nossa resposta ao seu amor gratuito; quer atrair-nos para Si e transformar-nos t&atilde;o profundamente, de modo a nos tornarmos participantes da sua pr&oacute;pria caridade.<\/p>\n<p>Acolher o seu amor significa, assim, deixar que Ele viva em n&oacute;s e nos leve a amar com Ele, n&#8217;Ele e como Ele; s&oacute; ent&atilde;o a nossa f&eacute; se torna verdadeiramente uma f&eacute; que actua pelo amor (cf Gl 5, 6).<\/p>\n<p>A f&eacute; faz-nos acolher o mandamento do amor; a caridade d&aacute;-nos a felicidade de o p&ocirc;r em pr&aacute;tica (cf Jo 13,13ss).<\/p>\n<p>Pela f&eacute;, somos gerados como filhos de Deus; a caridade faz-nos perseverar nesta filia&ccedil;&atilde;o divina de modo concreto, produzindo o fruto do Esp&iacute;rito Santo (cf Gl 5, 22).<\/p>\n<p>A f&eacute; faz-nos reconhecer os dons que Deus, pela sua bondade e generosidade, nos confia; a caridade f&aacute;-los frutificar (cf Mt 25, 14-30). Uma f&eacute; sem obras &eacute; como uma &aacute;rvore sem frutos.<\/p>\n<p>A f&eacute; e a caridade est&atilde;o t&atilde;o intimamente unidas que se reclamam e alimentam mutuamente. Este indissol&uacute;vel entrela&ccedil;amento possibilita a integra&ccedil;&atilde;o entre contempla&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o; entre o encontro com<\/p>\n<p>Deus e o servi&ccedil;o aos irm&atilde;os; entre o zelo dos ap&oacute;stolos no an&uacute;ncio do Evangelho e a solicitude no servi&ccedil;o aos pobres.<\/p>\n<p>Limitar a caridade &agrave; solidariedade ou &agrave; ajuda humanit&aacute;ria seria profundamente redutor. A f&eacute;, ao iluminar os nossos gestos e atitudes, indica-nos que a primeira obra de caridade &eacute; repartir o p&atilde;o da Palavra e introduzir no relacionamento com Deus, com a convic&ccedil;&atilde;o de que o an&uacute;ncio de Cristo &eacute; o primeiro e principal fator de desenvolvimento e que o amor de Deus, quando acolhido e correspondido, torna poss&iacute;vel o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem.<\/p>\n<p>Tudo parte do acolhimento humilde da f&eacute;, &ldquo;saber-se amado por Deus&rdquo;, mas deve chegar &agrave; verdade da caridade, &ldquo;saber amar a Deus e ao pr&oacute;ximo&rdquo;, que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf 1Cor 13, 13) (cf Bento XVI, Mensagem Quaresmal, 2013).<\/p>\n<p>2. A decis&atilde;o recente de Bento XVI cont&eacute;m uma mensagem que, pela sua coragem e as motiva&ccedil;&otilde;es pessoais que a sustentam, ultrapassa os limites geogr&aacute;ficos e humanos da Igreja Cat&oacute;lica. Ela aproxima-nos ainda mais de Bento XVI, na comunh&atilde;o e no &#8211; &ldquo;sentire cum Ecclesia&rdquo; &ndash; pensar com a Igreja.<\/p>\n<p>Se a sua fragilidade f&iacute;sica se acentuava, de modo natural e irrevers&iacute;vel, o Papa continuava a cativar-nos pela sua profundidade espiritual e pela lucidez e clarivid&ecirc;ncia do seu pensamento.<\/p>\n<p>Habituados ao estilo peculiar do Beato Jo&atilde;o Paulo II, seu predecessor, Bento XVI foi gradualmente surpreendendo e cativando, mesmo os mais &ldquo;c&eacute;ticos&rdquo; a seu respeito, dentro e fora das fronteiras da Igreja.<\/p>\n<p>Admir&aacute;vamos j&aacute; o seu estilo simples, discreto e profundo; a sua fragilidade f&iacute;sica e o vigor do seu pensamento; a sua frontalidade em assumir e enfrentar as &ldquo;chagas&rdquo; que fragilizam a Igreja, causa principal do seu sofrimento, mais do que ataques exteriores; a sua coragem em promover o di&aacute;logo com todos: conciliador com as fa&ccedil;&otilde;es dentro da Igreja, ecum&eacute;nico e envolvente com as Igrejas crist&atilde;s, inter-religioso e aberto com o islamismo e o juda&iacute;smo.<\/p>\n<p>O seu amor &agrave; verdade aproximou-o de quantos, provenientes de diferentes saberes e culturas, a procuram de modo existencialmente honesto. Fez depender da verdade, apoiada no amor, o desenvolvimento humano integral: um grande desafio para a Igreja num mundo em crescente e incisiva globaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>S&oacute; atrav&eacute;s da caridade, iluminada pela luz da raz&atilde;o e da f&eacute;, &eacute; poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar objetivos de desenvolvimento dotados de uma val&ecirc;ncia mais humana e humanizadora.<\/p>\n<p>A partilha dos bens e recursos, da qual deriva o aut&ecirc;ntico desenvolvimento, n&atilde;o &eacute; assegurada pelo simples progresso t&eacute;cnico e por meras rela&ccedil;&otilde;es de conveni&ecirc;ncia, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (cf Rm 12, 21) e abre &agrave; reciprocidade das consci&ecirc;ncias e das liberdades.<\/p>\n<p>A fidelidade ao homem exige a fidelidade &agrave; verdade, a &uacute;nica que &eacute; garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral (cf Caridade na Verdade 9).<\/p>\n<p>Muito nos &ldquo;ensinou&rdquo;, Bento XVI, nestes poucos anos do seu minist&eacute;rio petrino. Mais nos diz agora com esta sua decis&atilde;o corajosa, desprendida, reveladora da procura do &ldquo;melhor&rdquo; no servi&ccedil;o a Cristo, &agrave; Igreja e ao mundo.<\/p>\n<p>Mensagem eloquente que queremos acolher, em tempo de convers&atilde;o quaresmal, empenhados na procura da verdade da nossa condi&ccedil;&atilde;o de disc&iacute;pulos de Cristo e da autenticidade do nosso servi&ccedil;o &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>3. O Conselho Presbiteral, tendo presente as consequ&ecirc;ncias da crise, indicou, &agrave; semelhan&ccedil;a do ano passado, que o contributo penitencial desta Quaresma reverta para o Fundo Diocesano Social.<\/p>\n<p>Em 2012 o Fundo recolheu e distribuiu 36.136,39&euro;, correspondendo 27.352,98&euro; ao contributo penitencial. J&aacute; foi distribu&iacute;da a soma total de 91.196,25&euro;, quantia com algum significado, mas muito &agrave; quem da possibilidade de satisfazer os in&uacute;meros pedidos, chegados de todo o Algarve.<\/p>\n<p>Manifesto o meu reconhecimento a quantos se servem deste meio para a partilha fraterna. Este contributo, &agrave; semelhan&ccedil;a dos outros anos, pode ser prestado nas comunidades paroquiais ou atrav&eacute;s de dep&oacute;sito banc&aacute;rio (NIB 001800000617213600178).<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades conhecidas, renovo o meu apelo a um continuado empenho, sem esmorecermos na generosidade.<\/p>\n<p>Que este tempo da Quaresma, rumo &agrave; celebra&ccedil;&atilde;o do acontecimento da Cruz e da Ressurrei&ccedil;&atilde;o, mist&eacute;rio do Amor de Deus manifestado em Cristo, por n&oacute;s e para n&oacute;s, nos fortale&ccedil;a na f&eacute; e na caridade.<\/p>\n<p>Queremos igualmente intensificar a nossa comunh&atilde;o, como Igreja diocesana do Algarve, na resposta ao pedido que Bento XVI nos dirigiu: rezar por ele, pelo seu sucessor e pela Igreja, inten&ccedil;&atilde;o que deve estar presente nas celebra&ccedil;&otilde;es eucar&iacute;sticas dominicais e, de modo particular, durante o pr&oacute;ximo Conclave.<\/p>\n<p>Possa esta Quaresma contribuir para que a f&eacute; se torne &ldquo;caridade em a&ccedil;&atilde;o&rdquo;, &ldquo;companheira de vida&rdquo;, fazendo de todos &ldquo;sinal vivo da presen&ccedil;a do Ressuscitado no mundo&rdquo; (cf A Porta de F&eacute;, 15).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>+ Manuel Quintas, Bispo do Algarve<\/p>\n<p>Quarta-feira de Cinzas, 13.02.2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A f&eacute; actua pela caridade (cf Gl 5,6) O tempo da Quaresma constitui, anualmente no caminho para a P&aacute;scoa, um tempo privilegiado para analisarmos a verdade da nossa rela&ccedil;&atilde;o com Deus, a autenticidade das nossas rela&ccedil;&otilde;es fraternas a credibilidade do nosso testemunho crist&atilde;o. 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