{"id":59986,"date":"2013-02-13T12:24:24","date_gmt":"2013-02-13T12:24:24","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/02\/13\/mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-lamego\/"},"modified":"2013-02-13T12:24:24","modified_gmt":"2013-02-13T12:24:24","slug":"mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-lamego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-quaresma-do-bispo-de-lamego\/","title":{"rendered":"Mensagem de Quaresma do bispo de Lamego"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Responder ao Amor de Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Na sua mensagem para esta Quaresma, vivida em pleno Ano da F&eacute;, o Papa Bento XVI convida-nos a entrela&ccedil;ar a f&eacute; e o amor. Assim: &eacute; de Deus a iniciativa de vir amorosamente ao nosso encontro (<em>Dei Verbum<\/em>, n.<sup>os<\/sup> 2 e 21), e &eacute; dele o primeiro movimento de amor em rela&ccedil;&atilde;o a n&oacute;s (1 Jo&atilde;o 4,10 e 19), quando em n&oacute;s nada havia de am&aacute;vel (Romanos 5,8). Portanto, diz bem o Ap&oacute;stolo: &laquo;o amor vem de Deus&raquo; (1 Jo&atilde;o 4,7a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. A este Deus que toma a iniciativa de vir ao nosso encontro por amor, e a n&oacute;s se entrega por amor, s&oacute; nos compete responder pela f&eacute;, que &eacute; a nossa entrega pessoal a Deus, implicando todas as nossas energias, faculdades e capacidades, tamb&eacute;m o nosso amor (<em>Dei Verbum<\/em>, n.&ordm; 5), que o amor primeiro de Deus em n&oacute;s faz nascer. &Eacute; outra vez verdade o que diz o Ap&oacute;stolo: &laquo;Quem ama, nasceu de Deus&raquo; (Jo&atilde;o 4,7b). E &eacute; assim tamb&eacute;m que a nossa f&eacute; &eacute; verificada pelo amor.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Mas como Deus n&atilde;o veio apenas ao meu encontro para s&oacute; a mim se entregar por amor e s&oacute; em mim fazer nascer o amor, mas veio ao encontro de todos e a todos se entregou por amor, ent&atilde;o a minha f&eacute; &eacute; verificada pelo meu amor a Deus e a todos os meus irm&atilde;os amados por Deus. Diz bem outra vez o Ap&oacute;stolo: &laquo;Quem n&atilde;o ama o seu irm&atilde;o, que bem v&ecirc;, n&atilde;o pode amar a Deus, que n&atilde;o v&ecirc;&raquo; (Jo&atilde;o 4,20).&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. E o Ap&oacute;stolo insiste em p&ocirc;r diante dos nossos olhos esta chave de verifica&ccedil;&atilde;o: &laquo;N&oacute;s sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irm&atilde;os. Quem n&atilde;o ama, permanece na morte&raquo; (1 Jo&atilde;o 3,14). A verdadeira morte n&atilde;o &eacute; ent&atilde;o o termo da vida, mas aquilo que, desde o princ&iacute;pio, impede de nascer: o n&atilde;o acolhimento do Deus que vem por amor, para, por amor, fazer nascer em n&oacute;s o amor e novas e impens&aacute;veis pautas de fraternidade.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Sim, ent&atilde;o o amor ou a caridade n&atilde;o cabe, longe disso, naquilo que habitualmente designamos por solidariedade ou ajuda humanit&aacute;ria. O amor ou a caridade desborda sempre dessas realidades, e impele-nos ao an&uacute;ncio do Evangelho, que &eacute; mostrar Deus que vem por amor ao nosso encontro, para nos servir o amor e fazer nascer em n&oacute;s, como resposta, o servi&ccedil;o humilde, pr&oacute;ximo e dedicado do amor.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Por isso, o tempo da Quaresma &eacute; um tempo diferente. N&atilde;o &eacute; o tempo segmentado de <em>chr&oacute;nos<\/em>, em que se sucedem os dias e as horas, mas um tempo novo e insuspeitado, que a B&iacute;blia chama <em>kair&oacute;s<\/em>, que se mede, n&atilde;o pela quantidade, mas pela qualidade, n&atilde;o pelo que passa, mas pela plenitude: trata-se da enchente da Palavra de Deus que, inundando a nossa vida, reclama a nossa resposta amante e transforma a nossa vida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. Um visitante estrangeiro foi visitar o famoso rabino polaco Hofez Chaim, e ficou espantado quando viu que a casa do rabino era apenas um simples quarto cheio de livros, e os &uacute;nicos m&oacute;veis eram uma mesa e um pequeno banco. &laquo;Mestre, onde est&atilde;o os teus m&oacute;veis?&raquo;, perguntou o visitante. &laquo;E os teus onde est&atilde;o?&raquo;, retorquiu o rabino. &laquo;Os meus? Mas eu sou um visitante; estou aqui apenas de passagem&raquo;, respondeu o visitante. &laquo;Tamb&eacute;m eu&raquo;, retorquiu o rabino.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Sim, convenhamos que acab&aacute;mos de assistir a uma eloquente li&ccedil;&atilde;o de &laquo;ren&uacute;ncia&raquo; aos bens terrenos. Mas facilmente nos apercebemos que o termo &laquo;ren&uacute;ncia&raquo;, hoje, nesta cultura de &laquo;Laodiceia&raquo; em que vivemos, e que obedece ao refr&atilde;o &laquo;sou rico, enriqueci, e n&atilde;o preciso de nada&raquo; (Apocalipse 3,17), est&aacute; claramente fora de moda e resulta incompreens&iacute;vel. &laquo;Deixar &eacute; perder&raquo;, repetem tranquilamente os maus mestres.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Mas o Mestre mesmo, que &eacute; Jesus, ensina-nos a &laquo;renunciar&raquo; &agrave;s coisas e at&eacute; a n&oacute;s mesmos, &agrave;s nossas gorduras materiais e espirituais. &laquo;Renunciar&raquo; &eacute; &laquo;dizer n&atilde;o&raquo;. Aos pesos que atrapalham a suavidade e a leveza que nos configuram ao Mestre (Mateus 11,28-30). A Quaresma &eacute; este tempo novo, n&atilde;o nosso, de fazer um verdadeiro jejum na nossa vida. Jejuar n&atilde;o &eacute; deixar de comer hoje, para comer amanh&atilde;. De nada nos valeria. Jejuar &eacute; olhar para a nossa vida, para a nossa casa e para a nossa mesa, at&eacute; perceber que tudo &eacute; dom de Deus, n&atilde;o apenas para mim, mas para todos os seus filhos e meus irm&atilde;os, e, agir em consequ&ecirc;ncia, partilhando com todos a minha vida, a minha casa, a minha mesa.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Apelo, portanto, a todos os irm&atilde;os e irm&atilde;s que Deus me deu nesta querida Diocese de Lamego a que, nesta Quaresma, deixemos a enxurrada da Palavra de Deus tomar conta da nossa vida. No meio da enxurrada, perceberemos logo que n&atilde;o salvaremos muitas coisas, e que aquilo que mais queremos encontrar &eacute; uma m&atilde;o segura que nos ajude a salvar a nossa vida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">11. A&iacute; est&aacute; o tempo santo da Quaresma. J&aacute; estamos a sentir a m&atilde;o de Deus (Isa&iacute;as 41,13; 42,6; 45,1; Jeremias 31,32). Demos tamb&eacute;m a nossa m&atilde;o aos nossos irm&atilde;os mais necessitados. Por isso e para isso, proponho que fa&ccedil;amos um verdadeiro caminho de &laquo;ren&uacute;ncia&raquo; quaresmal. Como j&aacute; fizemos o ano passado, convido-vos a olhar por e para os nossos irm&atilde;os de perto e de longe. Vamos destinar uma parte da nossa &laquo;ren&uacute;ncia&raquo; quaresmal para o fundo solid&aacute;rio diocesano, para aliviar as dores dos nossos irm&atilde;os de perto que precisem da nossa ajuda. Olhando para os nossos irm&atilde;os de longe, vamos destinar outra parte do contributo da nossa caridade para as miss&otilde;es dos Padres Vicentinos espalhadas pelas zonas de Ch&oacute;kwe e Cani&ccedil;ado, no Vale do Rio Limpopo, Mo&ccedil;ambique, grandemente devastadas pelas cheias, que ali provocaram dezenas de mortos e mais de 100 mil desalojados, e que deixam as popula&ccedil;&otilde;es pobres &agrave; merc&ecirc; da fome e de doen&ccedil;as v&aacute;rias, como a c&oacute;lera e a mal&aacute;ria. A finalidade da nossa Ren&uacute;ncia Quaresmal ser&aacute; anunciada em todas as Igrejas da nossa Diocese no Domingo I da Quaresma, realizando-se a Colecta no Domingo de Ramos na Paix&atilde;o do Senhor.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">12. Com a ternura de Jesus Cristo, sa&uacute;do todas as crian&ccedil;as, jovens, adultos e idosos, catequistas, ac&oacute;litos, leitores, escuteiros, cantores, ministros da comunh&atilde;o, membros de todas as associa&ccedil;&otilde;es e movimentos, departamentos e servi&ccedil;os, todos os nossos seminaristas, todos os consagrados, todos os di&aacute;conos e sacerdotes que habitam e servem a nossa Diocese de Lamego ou est&atilde;o ao servi&ccedil;o de outras Igrejas. Sa&uacute;do com particular afecto todos os doentes, carenciados e desempregados, e as fam&iacute;lias que atravessam dificuldades. Uma sauda&ccedil;&atilde;o especial aos nossos emigrantes.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na certeza da minha ora&ccedil;&atilde;o e comunh&atilde;o convosco, a todos vos abra&ccedil;a o vosso bispo Ant&oacute;nio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Responder ao Amor de Deus 1. 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