{"id":59834,"date":"2013-02-01T11:50:20","date_gmt":"2013-02-01T11:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/02\/01\/pelo-interior-da-igreja\/"},"modified":"2013-02-01T11:50:20","modified_gmt":"2013-02-01T11:50:20","slug":"pelo-interior-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pelo-interior-da-igreja\/","title":{"rendered":"Pelo interior da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>D. Antonino Dias, bispo de Portalegre-Castelo Branco, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA de uma diocese em s\u00ednodo perante o desafio da desertifica\u00e7\u00e3o, que tem a particularidade de englobar territ\u00f3rios do Alentejo, Beira Baixa e Ribatejo <!--more--> <\/p>\n<p>O Seman&aacute;rio ECCLESIA prossegue o seu ciclo de an&aacute;lise &agrave; vida das comunidades cat&oacute;licas em Portugal com um especial dedicado &agrave; Diocese de Portalegre-Castelo Branco, uma regi&atilde;o com cerca de 220 mil habitantes, na sua maior parte cat&oacute;licos.<\/p>\n<p>Em entrevista, D. Antonino Dias, bispo diocesano desde 2008, destaca a unidade deste territ&oacute;rio eclesial e a import&acirc;ncia do s&iacute;nodo, cujas sess&otilde;es inaugurais decorreram no final de 2012<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE)<\/strong> &ndash; Est&aacute; na diocese de Portalegre &#8211; Castelo Branco h&aacute; cerca de 4 anos, j&aacute; existe uma marca pessoal neste territ&oacute;rio eclesial?<\/p>\n<p><strong>D. Antonino Dias (AD)<\/strong> &ndash; Penso que sim. As pessoas j&aacute; me conhecem, visto que j&aacute; fiz a visita pastoral &agrave; diocese e j&aacute; estou na segunda volta das visitas pastorais. J&aacute; n&atilde;o passo despercebido nos lugares da diocese. H&aacute; uma empatia e familiaridade que se vai criando nesta proximidade das visitas que s&atilde;o muito importantes na din&acirc;mica da pastoral. Atendendo que a sede da diocese [Portalegre] est&aacute; numa ponta e se n&atilde;o sa&iacute;mos daqui ent&atilde;o&hellip; J&aacute; existe um conhecimento m&uacute;tuo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O que encontrou nessas suas visitas pastorais feitas aos v&aacute;rios arciprestados?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Encontrei boa gente e com f&eacute;. Pessoas abertas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e amigas da Igreja. Pessoas dispon&iacute;veis para o voluntariado e para se comprometerem numa din&acirc;mica de crescimento. &Eacute; uma cultura que se vai fazendo e as pessoas est&atilde;o alertadas para isso. Gostar&iacute;amos de mais gente, mas tenho encontrado uma abertura e aceita&ccedil;&atilde;o muito grande. Noto nas pessoas uma f&eacute; expressiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Ouve-se com frequ&ecirc;ncia que a descristianiza&ccedil;&atilde;o &eacute; not&oacute;ria no Alentejo. Tem encontrado essa caracteriza&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; N&atilde;o posso falar no Alentejo apenas. Esta diocese implica parte do Alto Alentejo, parte da Beira Baixa e parte do Ribatejo. &Eacute; uma diocese que tem territ&oacute;rios de tr&ecirc;s distritos (Portalegre, Castelo Branco e Santar&eacute;m). A maneira de ser das pessoas &eacute; diferente, mas no fundo existe uma tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e uma f&eacute; enraizada. Nota-se que as pessoas est&atilde;o abertas ao dom da f&eacute;, isso anima os pr&oacute;prios agentes da pastoral e o pr&oacute;prio bispo. &Eacute; mais dif&iacute;cil anunciar o Evangelho em pessoas que est&atilde;o &laquo;um bocadinho vacinadas&raquo; contra o esp&iacute;rito da Igreja porque nunca foram capazes de aprofund&aacute;-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Situada em tr&ecirc;s regi&otilde;es distintas, a diocese de Portalegre &ndash; Castelo Branco &eacute; dif&iacute;cil de caracterizar? Tem mais afinidades com alguma regi&atilde;o especial?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; (Risos). O alentejano &eacute; muito bom e delicado. Nunca encontrei uma raz&atilde;o de queixa da gente alentejana, antes pelo contr&aacute;rio. Gosto imenso de estar no meio deles, mas tamb&eacute;m gosto de estar no meio dos beir&otilde;es. S&atilde;o pessoas com uma f&eacute;, talvez, mais formada porque tiveram mais oportunidade. T&ecirc;m tradi&ccedil;&otilde;es mais enraizadas e diversificadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; E os ribatejanos?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Esta diocese tem 450 anos e tudo se vai globalizando dentro dela. H&aacute; um esp&iacute;rito comum que anima todas as pessoas. Torna &eacute; dif&iacute;cil a mobilidade das pessoas, mas h&aacute; uma interac&ccedil;&atilde;o constante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Nunca pensou na divis&atilde;o da diocese?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Esta diocese j&aacute; n&atilde;o &eacute; a original. A diocese de Portalegre foi criada, por desmembramento da Diocese da Guarda, assumiu em 1881, a diocese de Castelo Branco. A diocese de Castelo Branco s&oacute; durou cem anos e foi unificada a esta. A diocese passou a chamar-se, s&oacute;, de Portalegre, mas, a meados do s&eacute;culo passado, um bispo daqui pediu &agrave; Santa S&eacute; que se acrescentasse ao nome tamb&eacute;m Castelo Branco.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; divis&atilde;o, n&atilde;o vejo que tenha cabimento nesta altura. At&eacute; porque a diocese, no seu todo, tem cerca de duzentas de vinte mil pessoas. &Eacute; muito dispersa e com gente muito envelhecida e pouca juventude. Com as escolas e jardins-de-inf&acirc;ncia a fecharem e a abrirem lares da terceira idade. H&aacute; um conjunto de circunst&acirc;ncias que n&atilde;o aconselham. Pode, num certo esp&iacute;rito de bairrismo, algumas pessoas pensarem nisso, mas as mais sensatas e que olham para a realidade local acabam por concordar como est&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &#8211; Com estas regi&otilde;es espec&iacute;ficas, a pastoral &eacute; diferente de zona para zona?<\/p>\n<p><strong>AD <\/strong>&ndash; Os padres que salpicam a diocese, devido aos encargos que lhe est&atilde;o atribu&iacute;dos, procuram ler os sinais dos tempos e as tradi&ccedil;&otilde;es locais. N&atilde;o t&ecirc;m dificuldade em anunciar a Palavra de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Ent&atilde;o existe sintonia entre albicastrenses e portalegrenses?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Sim. Quando h&aacute; acontecimentos aqui, os do outro lado do rio [Tejo], os de Castelo Branco e do Ribatejo v&ecirc;m c&aacute;. Quando acontece do lado de l&aacute;, os daqui tamb&eacute;m se deslocam. A consci&ecirc;ncia est&aacute; gerada, mas vamos acentuando, cada vez mais, a necessidade de construirmos uma diocese que se sinta unida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Recentemente, disse numa homilia que n&atilde;o queria apenas crist&atilde;os de fim-de-semana.<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Numa romaria muito concorrida, saiu uma not&iacute;cia com o t&iacute;tulo &laquo;Bispo critica crist&atilde;os de fim-de-semana&raquo;. Acho que n&atilde;o disse isso&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas critica ou n&atilde;o critica?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; N&atilde;o. Longe de mim entrar numa linha dessas. As pessoas t&ecirc;m intelig&ecirc;ncia para pensar e vontade para agir. Mas apelo &agrave; santifica&ccedil;&atilde;o do domingo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas prefere ter crist&atilde;os di&aacute;rios?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Um bispo &ndash; suponho que era de Viseu &ndash; disse: &ldquo;A religi&atilde;o &eacute; como o sal na comida, nem de mais nem de menos&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A desertifica&ccedil;&atilde;o humana e o encerramento de empresas nesta regi&atilde;o s&atilde;o dados not&oacute;rios. Como analisa a realidade social na diocese?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; &Eacute; uma regi&atilde;o do interior&hellip; Est&aacute; a desertificar-se e a ficar sem ind&uacute;stria. Isto faz com que os jovens fujam para outras paragens. Se n&atilde;o se deita olhos a isto, esta regi&atilde;o vai desaparecendo aos poucos. A diocese tem vinte e tal concelhos, mas nove t&ecirc;m menos de quatro mil pessoas, sendo a maioria delas idosas. A maior parte das escolas fecharam. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que nos devia incomodar. Quando desaparecerem algumas estruturas aut&aacute;rquicas, as pessoas v&atilde;o sentir-se menos seguras. Mas vamos procurar que a Igreja permane&ccedil;a presente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O que a Igreja local tem feito para estancar esta desertifica&ccedil;&atilde;o humana?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; A Igreja n&atilde;o tem muitos campos para agir nesse sentido. Agora, as pessoas que est&atilde;o fixadas no &acirc;mbito da diocese, a maior parte delas est&atilde;o na &aacute;rea dos servi&ccedil;os. A Igreja ainda tem um campo vasto de iniciativas e estruturas que ocupam muita gente: as IPSS, miseric&oacute;rdias, lares&hellip; A Igreja n&atilde;o pode fundar f&aacute;bricas, mas sente pena da regi&atilde;o. Se n&atilde;o estiv&eacute;ssemos ligados a Espanha, com tanta gente do lado do mar j&aacute; t&iacute;nhamos virado para o outro lado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Acha que este &laquo;barco&raquo; est&aacute; desequilibrado?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Acho que est&aacute; um bocadinho&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Os pol&iacute;ticos esqueceram o interior do pa&iacute;s?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; N&atilde;o sei se esqueceram ou se &eacute; de prop&oacute;sito que n&atilde;o querem fazer nada ou ent&atilde;o n&atilde;o podem fazer nada. D&aacute; pena ver o interior do pa&iacute;s a ficar despovoado. Ficam apenas os idosos e os filhos destes v&ecirc;m c&aacute;, de vez em vez, para animar as festas da aldeia e assistir &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es que d&atilde;o vida &agrave;s comunidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Tal como d&aacute; pena ver uma empresa encerrar&hellip;<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; A cidade de Portalegre j&aacute; pouca vida tem. D&aacute; pena passar pelas ruas e ver os com&eacute;rcios sem ningu&eacute;m. As grandes superf&iacute;cies comerciais deslocaram a gente da cidade. O com&eacute;rcio tradicional est&aacute; a desaparecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O turismo rural &eacute; uma das sa&iacute;das deste povo? O sil&ecirc;ncio dos montes alentejanos &eacute; atraente&hellip;<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; O turismo regional tem apostado nisso e tem procurado que isso aconte&ccedil;a. No entanto, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil porque Portalegre n&atilde;o tem uma via r&aacute;pida e o comboio fica a grande dist&acirc;ncia daqui. Os meios de transporte p&uacute;blico s&atilde;o raros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas tem p&oacute;los universit&aacute;rios?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Na diocese existem tr&ecirc;s institutos polit&eacute;cnicos: Portalegre, Castelo Branco e Tomar, com uma extens&atilde;o em Abrantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Estas institui&ccedil;&otilde;es d&atilde;o uma certa vitalidade a estas cidades?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; D&aacute; sangue jovem. No entanto, vemos as dificuldades que o instituto polit&eacute;cnico desta cidade enfrenta para se aguentar. Vai lutando e vai conseguindo. Temos tamb&eacute;m a escola da GNR em Portalegre, mas, de vez em quando, amea&ccedil;am que vai desaparecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Contacta com frequ&ecirc;ncia com as for&ccedil;as civis e aut&aacute;rquicas da diocese?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Tenho um relacionamento bom. Vamos dialogando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A diocese est&aacute; em s&iacute;nodo, j&aacute; existem resultados desta caminhada?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Sim. Foi uma gra&ccedil;a para a diocese a iniciativa do s&iacute;nodo. Uma decis&atilde;o tomada colegialmente, houve muito entusiasmo e motiva&ccedil;&atilde;o desde o in&iacute;cio. &Eacute; um processo de sensibiliza&ccedil;&atilde;o grande. Lan&ccedil;&aacute;mos cerca de 70 mil inqu&eacute;ritos para ver quais os temas necess&aacute;rios a abordar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; E depois da recolha desses inqu&eacute;ritos?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Fez-se o estudo e a an&aacute;lise factorial. Depois, conclu&iacute;mos optar por tr&ecirc;s temas: evangeliza&ccedil;&atilde;o, f&eacute; e voca&ccedil;&otilde;es e fam&iacute;lia. O lema geral do s&iacute;nodo &eacute;: &laquo;Igreja diocesana o que dizes de ti mesma?&raquo;. Queremos uma din&acirc;mica de crescimento e com a consci&ecirc;ncia de que o mais importante do s&iacute;nodo n&atilde;o &eacute; as conclus&otilde;es &ndash; que ser&atilde;o importantes para tra&ccedil;ar linhas de ac&ccedil;&atilde;o -, mas as pessoas que queremos envolver neste processo de caminhada sinodal. Est&atilde;o milhares de pessoas a reflectir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O II Conc&iacute;lio do Vaticano apela a essa din&acirc;mica sinodal.<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Nesta diocese j&aacute; se realizaram tr&ecirc;s s&iacute;nodos. O &uacute;ltimo foi h&aacute; cerca de 300 anos. &Agrave;s vezes, brinco com as pessoas e digo: &ldquo;n&atilde;o esperem para participar no pr&oacute;ximo s&iacute;nodo porque n&atilde;o sei quando ser&aacute; o pr&oacute;ximo&rdquo; (risos&hellip;) A diocese sabe que est&aacute; em s&iacute;nodo e vamos tendo ecos. As visitas pastorais ajudaram muito &agrave; din&acirc;mica sinodal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; A Igreja est&aacute; a celebrar os 50 anos do II Conc&iacute;lio do Vaticano, a diocese tem actividades programadas para comemorar esta efem&eacute;ride?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Estamos dentro do Ano da F&eacute; e a trabalhar nessa linha. N&atilde;o podemos assumir o Ano da F&eacute; e a celebra&ccedil;&atilde;o do conc&iacute;lio numa forma paralela &agrave; din&acirc;mica do s&iacute;nodo. Seria prejudicar tudo&hellip; mas estamos a integrar o Ano da F&eacute; e a celebra&ccedil;&atilde;o do conc&iacute;lio dentro da caminhada sinodal. Gosto que os arciprestados tenham iniciativas de forma&ccedil;&atilde;o para o povo e alguns j&aacute; fizeram confer&ecirc;ncias sobre o conc&iacute;lio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Os crist&atilde;os conhecem os documentos conciliares?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Os crist&atilde;os v&atilde;o conhecendo a doutrina conciliar. A doutrina vai entrando lentamente, mas &eacute; um processo que nunca est&aacute; acabado. A recep&ccedil;&atilde;o do conc&iacute;lio ainda se est&aacute; a fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Ent&atilde;o os documentos n&atilde;o est&atilde;o ultrapassados?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Eles t&ecirc;m uma actualidade muito grande. Os problemas que existiam e que levaram &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o do conc&iacute;lio, esses mesmos problemas existem hoje e, talvez, de forma mais agravada.&nbsp; Quando lemos os textos do conc&iacute;lio ficamos encantados com a beleza e profundidade dos conte&uacute;dos.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; O que fazer ent&atilde;o para que o conc&iacute;lio entre nos lares dos crist&atilde;os da sua diocese?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Vai-se lutando&hellip; N&atilde;o podemos gerar ang&uacute;stia quando as coisas n&atilde;o correm t&atilde;o depressa como gostar&iacute;amos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Sendo natural do Minho, com outra viv&ecirc;ncia da f&eacute;, veio encontrar nesta diocese outro tipo de viv&ecirc;ncias. Adaptou-se com facilidade?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Sou de f&aacute;cil adapta&ccedil;&atilde;o. No Minho h&aacute; mais gente&hellip; Pessoas que dinamizam e que participam muito nas peregrina&ccedil;&otilde;es e prociss&otilde;es. Aqui &eacute; diferente. N&atilde;o h&aacute; tanta gente, nem tantas peregrina&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Mas a religiosidade popular deste povo tamb&eacute;m &eacute; acentuada?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; A piedade popular &eacute; a f&eacute; e a cultura. Por isso, esta piedade exige sempre uma certa vigil&acirc;ncia para que n&atilde;o se meta por caminhos onde haja muitos desvios. &Agrave;s vezes pode entrar por caminhos da irracionalidade ou da supersti&ccedil;&atilde;o. A fonte da piedade popular &eacute; a f&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Ficou surpreendido com os resultados da pr&aacute;tica dominical na sua diocese?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; N&atilde;o. As pessoas daqui n&atilde;o podem ir muito &agrave; Igreja devido &agrave; idade porque a maior parte s&atilde;o idosas. Muitas destas pessoas est&atilde;o em comunh&atilde;o. Passamos pelas aldeias e elas dizem que visualizam as eucaristias na televis&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; Os padres tamb&eacute;m n&atilde;o abundam&hellip;<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; N&atilde;o estou muito preocupado com a falta de padres. &Agrave;s vezes, preocupo-me com o esp&iacute;rito dos padres e da presen&ccedil;a dos padres. Acho que &eacute; bom, mas fomento para que seja cada vez melhor. Tenho cerca de 70 padres a trabalhar na diocese e cerca de 25 comunidades religiosas. Temos tamb&eacute;m umas dezenas largas de ministros extraordin&aacute;rios da palavra. Como n&atilde;o estamos juntos das fontes de forma&ccedil;&atilde;o, as coisas tornam-se mais dif&iacute;ceis. Em muitos s&iacute;tios, as pessoas n&atilde;o dispensam a celebra&ccedil;&atilde;o da palavra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; E a aposta nos novos p&uacute;lpitos como a comunica&ccedil;&atilde;o social?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Temos v&aacute;rios jornais espalhados pela diocese. Gostar&iacute;amos que os nossos jornais tivessem mais qualidade evangelizadora. O jornal &laquo;Distrito de Portalegre&raquo; acabou. Era o jornal diocesano. O bispo que me antecedeu disse-me, logo, que tinha de acabar com o jornal. Ainda fiz uma experi&ecirc;ncia&hellip; mas a solu&ccedil;&atilde;o foi essa. Para al&eacute;m da raz&atilde;o econ&oacute;mica, o t&iacute;tulo n&atilde;o servia muito a diocese. Tinha de ser um t&iacute;tulo neutro. No s&iacute;nodo sugeriram o lan&ccedil;amento de qualquer coisa que nos unisse. Estamos a pensar&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>AE<\/strong> &ndash; E o site da diocese?<\/p>\n<p><strong>AD<\/strong> &ndash; Apost&aacute;mos bastante nele, mas reconhe&ccedil;o que n&atilde;o est&aacute; a funcionar como devia. Como cada secretariado tem um site, o da diocese fica desprovido de muitas coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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