{"id":59833,"date":"2013-02-01T11:42:06","date_gmt":"2013-02-01T11:42:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/02\/01\/diocese-de-portalegre-castelo-branco-patrimonio-e-historia\/"},"modified":"2013-02-01T11:42:06","modified_gmt":"2013-02-01T11:42:06","slug":"diocese-de-portalegre-castelo-branco-patrimonio-e-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diocese-de-portalegre-castelo-branco-patrimonio-e-historia\/","title":{"rendered":"Diocese de Portalegre-Castelo Branco, patrim\u00f3nio e hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Ruy Ventura <!--more--> <\/p>\n<p>O territ&oacute;rio atualmente inclu&iacute;do na diocese de Portalegre &ndash; Castelo Branco prov&eacute;m v&aacute;rias entidades distintas que o tempo e as autoridades eclesi&aacute;sticas se encarregaram de aglomerar. Sem recuarmos al&eacute;m da Baixa Idade M&eacute;dia, ou seja, a tempos anteriores &agrave; reconquista crist&atilde; do Portugal a sul do rio Mondego, no s&eacute;culo XII, reconheceremos a heran&ccedil;a da grande e antiqu&iacute;ssima diocese de Egit&acirc;nia (Idanha a Velha), mais tarde sediada na Guarda, e, a rode&aacute;-la, a das zonas administradas pelo mosteiro de Santa Cruz de Coimbra (Arronches), pelos Templ&aacute;rios e pelos Hospital&aacute;rios (Priorado do Crato). S&oacute; em meados do s&eacute;culo XVI, ap&oacute;s a longa fixa&ccedil;&atilde;o a sul do Tejo do bispo da Guarda, D. Jorge de Melo, agastado por ter perdido para um filho do rei a rica abadia de Alcoba&ccedil;a, as influ&ecirc;ncia de D. Jo&atilde;o III e de sua mulher D. Catarina levaram &agrave; separa&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios transtaganos, criando-se o pequeno bispado de Portalegre em 1549, pela bula do papa Paulo III &ldquo;<em>Pro Excellenti Apostolicae Sedis<\/em>&rdquo;. O territ&oacute;rio albicastrense permaneceu, ent&atilde;o, na depend&ecirc;ncia egitaniense. Na segunda metade do s&eacute;culo XVIII (1771), por inst&acirc;ncias do Marqu&ecirc;s de Pombal, &eacute; criada a diocese de Castelo Branco, com os arcediagados sediados na nova cidade, em Abrantes e em Monsanto. Esta nova entidade viria a ser extinta em 1881, integrando-se no territ&oacute;rio portalegrense. A igual dignidade das duas cidades e dos dois territ&oacute;rios ter&aacute; levado o Vaticano a alterar, em 1956, a designa&ccedil;&atilde;o do bispado, que passou a denominar-se &ldquo;Diocese de Portalegre &ndash; Castelo Branco&rdquo;.<\/p>\n<p>Com base nesta estrutura din&acirc;mica, que foi variando ao longo dos s&eacute;culos, at&eacute; chegar &agrave; realidade que hoje podemos vivenciar, a comunidade dos crentes foi edificando um conjunto de edif&iacute;cios e criando um patrim&oacute;nio material e imaterial que &eacute; express&atilde;o de uma f&eacute; com matizes variados. Resulta de uma heran&ccedil;a que cruza o cristianismo gregoriano dos reconquistadores com o mo&ccedil;&aacute;rabe das popula&ccedil;&otilde;es aut&oacute;ctones, que entran&ccedil;a express&otilde;es cat&oacute;licas com outras que provieram do islamismo popular, do juda&iacute;smo e do &ldquo;novo cristianismo&rdquo; dos convertidos &ndash; sincera ou for&ccedil;adamente &ndash; depois do final do s&eacute;culo XV. &Eacute; ainda manifesta&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia de diversas ordens mon&aacute;sticas, militares ou mendicantes, pregadoras ou de clausura, como os Templ&aacute;rios e a Ordem de Cristo, os Hospital&aacute;rios ou Malteses, os Franciscanos, os Dominicanos ou os Jesu&iacute;tas, os eremitas com diversas orienta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;S&atilde;o m&uacute;ltiplas as express&otilde;es materiais que foram geradas ao longo de t&atilde;o longa e diversificada hist&oacute;ria. Da mesquita-catedral de Idanha a Velha &agrave; bela igreja de Santo Ant&oacute;nio dos Assentos, em Portalegre, h&aacute; muito que ver, contemplar e viver no territ&oacute;rio da diocese.<\/p>\n<p>Na cidade de Abrantes, destacam-se as matrizes dedicadas a S&atilde;o Vicente (s&eacute;c. XIII) e a S&atilde;o Jo&atilde;o Batista (s&eacute;c. XVI), bem como o templo dedicado a Santa Maria do Castelo, hoje museu regional, ainda g&oacute;tico. Na fidalga Alter do Ch&atilde;o, deve-se sublinhar o santu&aacute;rio do Senhor Jesus do Outeiro (s&eacute;c. XVIII); na sua freguesia de Cabe&ccedil;o de Vide, merece refer&ecirc;ncia a ermida do Esp&iacute;rito Santo (s&eacute;c. XVI). Em Arronches destaca-se, sem d&uacute;vida, a imponente igreja matriz, reconstru&iacute;da no s&eacute;culo XVI num estilo de transi&ccedil;&atilde;o entre o manuelino e a renascen&ccedil;a. Em Castelo Branco, entre o muito que h&aacute; para ver, t&ecirc;m preponder&acirc;ncia a concatedral de S&atilde;o Miguel e o jardim do Pa&ccedil;o Episcopal dos bispos da Guarda, bem como o santu&aacute;rio de Nossa Senhora de M&eacute;rcules, j&aacute; nos arredores; nas suas freguesias, destacam-se a matriz de Alcains e a igreja paroquial de Tinalhas. Na vila de Castelo de Vide, onde marca presen&ccedil;a o bairro judaico com a antiga sinagoga, &eacute; imponente a igreja de Santa Maria da Devesa, inaugurada j&aacute; no s&eacute;culo XIX, mas tamb&eacute;m merece visita a capela da Senhora da Penha, de onde se beneficia de um panorama sublime. Const&acirc;ncia &eacute; coroada pela bela igreja de Nossa Senhora dos M&aacute;rtires. No concelho do Crato o ponto cimeiro &eacute; o mosteiro de Santa Maria da Flor de Rosa, sede nacional dos Hospital&aacute;rios e da Ordem de Malta, fundado ou refundado no s&eacute;culo XIV pelo pai de S&atilde;o Nuno de Santa Maria (que a&iacute; pode ter nascido). No munic&iacute;pio de Gavi&atilde;o, a discreta ermida de S&atilde;o Br&aacute;s, em Belver, &eacute; um dos pontos cimeiros, com as suas rel&iacute;quias vindas da Terra Santa. Em terras de Idanha, al&eacute;m da singular matriz, deve destacar-se o santu&aacute;rio da Senhora do Almort&atilde;o; nelas se situam algumas das igrejas mais antigas da diocese: a mesquita-catedral de Idanha a Velha, que remonta ao s&eacute;culo VI; as arruinadas igrejas rom&acirc;nicas de Monsanto e, nos seus arredores, a rom&acirc;nica capela de Vir-a-Cor&ccedil;a, vizinha de vest&iacute;gios de antigo eremitismo. No termo de Ma&ccedil;&atilde;o, tem relevo a igreja matriz de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o. Na vila de Marv&atilde;o, merece visita a igreja do convento da Estrela, onde s&atilde;o ainda observ&aacute;veis bons exemplos de arquitetura g&oacute;tica. Em Nisa, al&eacute;m da matriz, deve-se contemplar a capela da Senhora da Redonda, em Alpalh&atilde;o, bem como o Calv&aacute;rio de Amieira e a igreja paroquial de Montalv&atilde;o, ainda medieval. Em Oleiros &eacute; a matriz que nos merece aten&ccedil;&atilde;o. Nos arredores de Ponte de Sor, tem import&acirc;ncia simb&oacute;lica a capela da Senhora dos Prazeres. Em Proen&ccedil;a a Nova, o viajante deve deslocar-se &agrave; igreja paroquial, dedicada &agrave; Assun&ccedil;&atilde;o de Maria. J&aacute; no Sardoal, n&atilde;o podemos ignorar a matriz de Sant&rsquo; Iago e S&atilde;o Mateus nem a capela da Miseric&oacute;rdia. Quanto &agrave; Sert&atilde;, &eacute; imprescind&iacute;vel a igreja de S&atilde;o Pedro (matriz), que remonta aos tempos da reconquista, bem como a capela de S&atilde;o Jo&atilde;o Batista, integrada no castelo. Em Vila de Rei, a igreja matriz &eacute; um templo moderno que o tempo poder&aacute; vir a valorizar. J&aacute; na regi&atilde;o de Vila Velha de R&oacute;d&atilde;o, ganha relevo a igreja da Senhora do Castelo, pela proximidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fortaleza templ&aacute;ria do R&oacute;d&atilde;o. No concelho de Portalegre, por fim, tem primazia da catedral, constru&iacute;da na segunda metade do s&eacute;culo XVI, onde existe um dos maiores conjuntos de pintura maneirista do pa&iacute;s; al&eacute;m dela, merecem o nosso tempo os santu&aacute;rios barrocos do Senhor do Bonfim, da Senhora da Penha e de Sant&rsquo; Ana, bem como os conventos de S&atilde;o Francisco (s&eacute;c. XIII), de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o (s&eacute;c. XVI)&nbsp;e de Santa Clara (s&eacute;c. XIV) e a igreja dos Assentos, projeto contempor&acirc;neo de Carrilho da Gra&ccedil;a; faz ainda parte do patrim&oacute;nio religioso o esp&oacute;lio impressionante da Casa-Museu Jos&eacute; R&eacute;gio.<\/p>\n<p><em>Ruy Ventura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ruy Ventura<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[168,174,179,190,213,285,317],"class_list":["post-59833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-dominicanos","tag-franciscanos","tag-patrimonio","tag-terra-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}