{"id":59748,"date":"2013-01-25T13:09:52","date_gmt":"2013-01-25T13:09:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/01\/25\/cinema-django-libertado\/"},"modified":"2013-01-25T13:09:52","modified_gmt":"2013-01-25T13:09:52","slug":"cinema-django-libertado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cinema-django-libertado\/","title":{"rendered":"Cinema: Django Libertado"},"content":{"rendered":"<p>Passam 30 anos desde que Quentin Tarantino encetou a sua carreira de realizador. E quem tenha visto &lsquo;My Best Friend&rsquo;s Birthday&rsquo;, sua primeira obra (curta), com as limita&ccedil;&otilde;es de um iniciado, depressa se aperceberia do olhar peculiar sobre as pessoas que somos, a forma de as expressar no cinema e de tirar partido das suas potencialidades. Pequena amostra, a que chamou sua &lsquo;escola de cinema&rsquo; dum potencial que se revelaria n&atilde;o pelo academismo mas pela cultura popular, com cunho pr&oacute;prio.<\/p>\n<p>A partir de &lsquo;C&atilde;es Danados&rsquo; (1992) e de &lsquo;Pulp Fiction&rsquo; (1994) j&aacute; n&atilde;o se dissocia o nome de Tarantino da ironia crua, da viol&ecirc;ncia desconcertante por ser simultanea e explicitamente inaudita e, no entanto, estranhamente c&oacute;mica, o que a destaca da realidade &ndash; sem significar que a legitime.<\/p>\n<p>&lsquo;Django Libertado&rsquo;, o ansiado filme que agora estreia, poderia ser s&oacute; uma homenagem ao western americano e ao &lsquo;Django&rsquo; de Sergio Corbucci (1966), &nbsp;mas &eacute; evidentemente muito mais que isso: uma reinterpreta&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o da escravatura e de um Oeste Selvagem que sem grandes pretens&otilde;es intelectuais ou filos&oacute;ficas n&atilde;o deixa de desbravar vasto terreno sobre a condi&ccedil;&atilde;o humana, a liberdade interior, o valor da vida e, inerente a este, o do amor e da amizade como cumprimento, ou n&atilde;o, desse &lsquo;estar ou ser vivo&rsquo;.<\/p>\n<p>Django &eacute; um escravo negro separado da sua mulher que acaba resgatado por um ca&ccedil;ador de pr&eacute;mios, Dr. Schulz, um americano de origem alem&atilde;, amante da literatura. Unidos por objetivos que se encontram, sendo o de Django a liberta&ccedil;&atilde;o da mulher que ama e o de Schulz um pr&eacute;mio avultado pelos corpos, vivos ou mortos, de um gangue, os dois homens seguem rumo ao Mississipi. No caminho, ganham a amizade e o respeito m&uacute;tuo, numa cumplicidade que lhes pode custar a vida.<\/p>\n<p>Porventura um dos seus filmes mais lineares, Tarantino escusa aqui as &lsquo;deambula&ccedil;&otilde;es&rsquo; (nunca in&uacute;teis) por diversos caminhos e personagens, centrando na cumplicidade de dois homens quest&otilde;es suficientes para nos despertar a todos e, sobretudo, uma sociedade americana de uma aparente &lsquo;dorm&ecirc;ncia&rsquo; sobre temas que poderiam parecer letargicamente repousados nos antigos westerns. E, no entanto, continuam latentes: racismo, o reconhecimento da liberdade individual e coletiva, respeito pelo outro&#8230;<\/p>\n<p>Um argumento inteligente, di&aacute;logos &uacute;nicos, magnificamente filmado e interpretado e servido por uma ecl&eacute;tica e pertinente banda sonora, eis um acutilante olhar sobre &lsquo;os vivos e os mortos&rsquo; que somos onde a crueza de algumas sequ&ecirc;ncias nada tem de gratuito.<\/p>\n<p><em><a href=\"..\/..\/semanario\/revista\/#\/page\/39\" target=\"_blank\">Margarida Ata&iacute;de<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passam 30 anos desde que Quentin Tarantino encetou a sua carreira de realizador. 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