{"id":59710,"date":"2013-01-22T19:38:00","date_gmt":"2013-01-22T19:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/01\/22\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-de-sao-vicente-padroeiro-principal-do-patriarcado-de-lisboa-3\/"},"modified":"2013-01-22T19:38:00","modified_gmt":"2013-01-22T19:38:00","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-de-sao-vicente-padroeiro-principal-do-patriarcado-de-lisboa-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-solenidade-de-sao-vicente-padroeiro-principal-do-patriarcado-de-lisboa-3\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na Solenidade de S\u00e3o Vicente, padroeiro principal do Patriarcado de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;A Igreja de Lisboa confia no seu Padroeiro&rdquo;<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>1. Celebramos hoje, em solenidade lit&uacute;rgica, S&atilde;o Vicente, Padroeiro da Diocese e Cidade de Lisboa. No momento concreto que vive a nossa sociedade, uma interroga&ccedil;&atilde;o se me p&otilde;e: o que devemos pedir a S&atilde;o Vicente para nos ajudar a todos, Igreja e sociedade, a viver as dificuldades do tempo presente com grandeza e esperan&ccedil;a? S&atilde;o Vicente interceder&aacute; junto de Deus para que a Igreja seja fiel a si mesma e encontre na sua f&eacute; e no amor ao pr&oacute;ximo a maneira de ser for&ccedil;a e luz. Vou tentar responder, convosco e para v&oacute;s, &agrave; pergunta que eu pr&oacute;prio formulei na convic&ccedil;&atilde;o de que encontraremos a resposta, n&atilde;o apenas na hist&oacute;ria do Santo Di&aacute;cono de Sarago&ccedil;a, mas sobretudo na Palavra de Deus que esta liturgia nos convida a escutar e a meditar.<\/p>\n<p>Pedimos, antes de mais, ao nosso Santo Patrono, que nos ajude a acreditar em Deus e no Seu Filho Jesus Cristo. A f&eacute; em Deus e o amor a Jesus Cristo foram a for&ccedil;a de S&atilde;o Vicente que o levaram a fazer da sua vida um dom, no servi&ccedil;o dos irm&atilde;os e do sacrif&iacute;cio da pr&oacute;pria vida no mart&iacute;rio. Quando se chega ao ponto de fazer da pr&oacute;pria vida um dom, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel em Jesus Cristo, atingiu-se o ponto da fecundidade transformadora na comunidade a que se pertence.<\/p>\n<p>Sempre, mas particularmente nos momentos dif&iacute;ceis, acreditar em Deus, confiar na Sua ajuda e prote&ccedil;&atilde;o, &eacute; atitude constitutiva de uma rea&ccedil;&atilde;o ao sofrimento, alicer&ccedil;ada na confian&ccedil;a profunda. Essa &eacute; a interpela&ccedil;&atilde;o do texto do Eclesiastes.<\/p>\n<p>Perante a dureza do sofrimento, o autor sagrado exclama: &ldquo;Lembrei-me ent&atilde;o, Senhor, da Vossa miseric&oacute;rdia (&hellip;). V&oacute;s libertais aqueles que esperam em v&oacute;s&rdquo;. &ldquo;Invoquei o Senhor, para que n&atilde;o me abandonasse nos dias da tribula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Sir. 51,8-17).<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m este o testemunho de S&atilde;o Paulo aos Cor&iacute;ntios: &ldquo;&Eacute; Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos consolou em todas as nossas tribula&ccedil;&otilde;es&rdquo; (2Cor. 1,3-4). Temos assistido a uma sinfonia de vozes que apontam solu&ccedil;&otilde;es para o sofrimento coletivo. N&atilde;o tenho a certeza que ela nos leve a identificar os que s&atilde;o, pessoalmente, atingidos pelo sofrimento. A confian&ccedil;a no aux&iacute;lio divino, que se situa sobretudo no plano pessoal, n&atilde;o exclui a busca das solu&ccedil;&otilde;es humanas, pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas, culturais, para vencermos o sofrimento. Desta confian&ccedil;a no aux&iacute;lio divino deve ser, sobretudo a Igreja, a sua testemunha. Essa &eacute; uma express&atilde;o primeira da nossa f&eacute;. Deus ajuda-nos, &ldquo;para podermos consolar aqueles que sofrem qualquer tribula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (2Cor. 1,5). Esta for&ccedil;a para vencermos o sofrimento vem-nos da nossa uni&atilde;o a Cristo vivo, que deu a vida por n&oacute;s e nos ampara com o Seu amor redentor.<\/p>\n<p>Esse &eacute; um testemunho forte da experi&ecirc;ncia pessoal de S&atilde;o Vicente. Pe&ccedil;amos-lhe que nos ajude a acreditar e a confiar. Demos &agrave; nossa Cidade o testemunho da nossa f&eacute;.<\/p>\n<p>2. Em segundo lugar, creio que hoje devemos pedir a S&atilde;o Vicente, que nos ensine e nos d&ecirc; for&ccedil;as para servirmos os nossos irm&atilde;os. Ele foi di&aacute;cono, e a diaconia sempre foi, na Igreja, um minist&eacute;rio de servi&ccedil;o dos irm&atilde;os, de modo particular dos doentes e dos mais pobres. O di&aacute;cono encarna e concretiza a miss&atilde;o da Igreja de servir, de ser serva, como Jesus Cristo foi Servo. Sempre a Igreja viveu desta convic&ccedil;&atilde;o: servir os irm&atilde;os &eacute; servir o pr&oacute;prio Cristo. Ele o afirmou: &ldquo;o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irm&atilde;os &eacute; a Mim que o fazeis&rdquo; (Mt. 25,40). E escut&aacute;mos no Evangelho de S&atilde;o Jo&atilde;o: &ldquo;Se algu&eacute;m estiver ao Meu servi&ccedil;o, que Me siga; e onde Eu estiver, a&iacute; estar&aacute; tamb&eacute;m o Meu servidor&rdquo; (Jo. 12,25-26). Servir os irm&atilde;os &eacute; o caminho para nos identificarmos com Cristo.<\/p>\n<p>Sempre, mas sobretudo nos momentos mais dif&iacute;ceis, as comunidades humanas precisam de ser revitalizadas por esta generosidade do servi&ccedil;o, dando prioridade aos outros nas op&ccedil;&otilde;es da nossa liberdade. &Eacute; o caminho para aprendermos a fazer da nossa vida um dom e a encontrar no amor a for&ccedil;a que transforma a sociedade. Este dom generoso da nossa vida em favor do pr&oacute;ximo, na linguagem crist&atilde; chama-se caridade, uma pureza de amor que s&oacute; se aprende com Jesus Cristo e que sempre que se exprime gera comunh&atilde;o, constr&oacute;i comunidade. S&atilde;o Vicente, com o seu testemunho, pode fazer-nos perceber que a verdade da nossa f&eacute; se exprime na caridade, no dom de si mesmo, a Deus e aos irm&atilde;os. O Santo Padre, ao abrir o Ano da F&eacute;, afirma: &ldquo;A f&eacute; sem caridade n&atilde;o d&aacute; fruto e a caridade sem a f&eacute; seria um sentimento constantemente &agrave; merc&ecirc; da d&uacute;vida. F&eacute; e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente &agrave; outra de realizar o seu caminho&rdquo; (Porta Fidei, n&ordm; 19).<\/p>\n<p>Pe&ccedil;amos a S&atilde;o Vicente que nos ensine a amar generosamente. Esse amor ser&aacute; uma for&ccedil;a decisiva para encontrarmos caminhos de solu&ccedil;&atilde;o. Quando Jesus pede aos disc&iacute;pulos que amem o mais pequenino dos seus irm&atilde;os &ldquo;&eacute; um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de n&oacute;s. &Eacute; a f&eacute; que permite reconhecer Cristo, e &eacute; o Seu pr&oacute;prio amor que nos impele a socorrer aqueles que se tornam nossos pr&oacute;ximos nos caminhos da vida. Sustentados pela f&eacute;, olhamos com esperan&ccedil;a o nosso servi&ccedil;o no mundo, aguardando novos c&eacute;us e uma nova terra onde habite a justi&ccedil;a&rdquo; (PF. n&ordm;14).<\/p>\n<p>3. E finalmente pe&ccedil;amos, hoje, a S&atilde;o Vicente M&aacute;rtir, que nos d&ecirc; coragem de testemunhar a nossa f&eacute; em todas as circunst&acirc;ncias, de vencer todos os medos.<\/p>\n<p>Meditemos nas palavras de Bento XVI: &ldquo;Pela f&eacute; os m&aacute;rtires deram a sua vida para testemunhar a verdade do Evangelho que os transformara, tornando-os capazes de chegar at&eacute; ao dom maior do amor, com o perd&atilde;o dos seus pr&oacute;prios perseguidores&rdquo; (PF. n&ordm;13).<\/p>\n<p>S&atilde;o Vicente foi, durante s&eacute;culos, protetor de comunidades crist&atilde;s perseguidas. Hoje s&atilde;o outras as dificuldades que encontramos para o testemunho coerente da nossa f&eacute;. Que ele nos d&ecirc; for&ccedil;a, nos ajude a vencer os medos e nos d&ecirc; a simplicidade de manifestarmos em p&uacute;blico a nossa fidelidade a Jesus Cristo.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 22 de janeiro de 2013<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A Igreja de Lisboa confia no seu Padroeiro&rdquo;&nbsp; 1. Celebramos hoje, em solenidade lit&uacute;rgica, S&atilde;o Vicente, Padroeiro da Diocese e Cidade de Lisboa. No momento concreto que vive a nossa sociedade, uma interroga&ccedil;&atilde;o se me p&otilde;e: o que devemos pedir a S&atilde;o Vicente para nos ajudar a todos, Igreja e sociedade, a viver as dificuldades [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,161,168,246],"class_list":["post-59710","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59710\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}