{"id":59505,"date":"2013-01-03T18:05:38","date_gmt":"2013-01-03T18:05:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/01\/03\/d-jorge-ortiga-25-anos-de-ordenacao-episcopal\/"},"modified":"2013-01-03T18:05:38","modified_gmt":"2013-01-03T18:05:38","slug":"d-jorge-ortiga-25-anos-de-ordenacao-episcopal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-jorge-ortiga-25-anos-de-ordenacao-episcopal\/","title":{"rendered":"D. Jorge Ortiga, 25 anos de ordena\u00e7\u00e3o episcopal"},"content":{"rendered":"<p>O arcebispo de Braga considera que o atual momento do pa\u00eds implica a colabora\u00e7\u00e3o de todos para promover maior igualdade e justi\u00e7a. D. Jorge diz gostar do contacto di\u00e1rio com a popula\u00e7\u00e3o e de participar nos problemas reais das pessoas, sejam sacerdotes ou leigos <!--more--> <\/p>\n<p>D. Jorge Ferreira da Costa Ortiga nasceu a 5 de mar&ccedil;o de 1944, na freguesia de Brufe, Concelho de Vila Nova de Famalic&atilde;o (Diocese de Braga) e uma vez terminados os estudos, foi ordenado padre no dia 9 de julho de 1967, juntamente com 24 colegas, na igreja de Lousado (Famalic&atilde;o).<\/p>\n<p>Com 43 anos, o Papa Jo&atilde;o Paulo II nomeou-o bispo titular de Nova B&aacute;rbara e auxiliar de Braga, a 9 de novembro de 1987. A 3 de janeiro de 1988, foi ordenado bispo pelo ent&atilde;o arcebispo primaz de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, na cripta do Sameiro, escolhendo como lema episcopal a passagem do cap&iacute;tulo 17 do Evangelho segundo S&atilde;o Jo&atilde;o: &lsquo;Ut unum sint&rsquo; (que sejam um).<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; Ainda se recorda do dia em que foi nomeado bispo auxiliar de Braga e titular de Nova B&aacute;rbara? <\/em><\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga (JO) &ndash;<\/em><strong> <\/strong>Recordo plenamente. Aqueles acontecimentos marcados pela surpresa s&atilde;o inesquec&iacute;veis, de perplexidade e de uma certa inquieta&ccedil;&atilde;o interior. Estes acontecimentos marcam de maneira definitiva a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Onde estava quando recebeu a not&iacute;cia?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Estava nos Congregados (Bas&iacute;lica que fica no centro da cidade de Braga). Fui convidado para ir &agrave; Nunciatura (em Lisboa), mas naquela ocasi&atilde;o j&aacute; se ouvia falar e dizer qualquer coisa&hellip; N&atilde;o contei a ningu&eacute;m, mesmo aos amigos mais &iacute;ntimos com quem vivia (com uma equipa sacerdotal) e fiz a viagem at&eacute; Lisboa. A viagem foi uma luta interior, prevendo o que poderia acontecer e, efetivamente, aconteceu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com uma certa dose de ansiedade?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Sim. Foram experi&ecirc;ncias de ordem mais interna que se tornam de dif&iacute;cil explica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Chegou a conhecer a sua diocese de onde era titular Nova B&aacute;rbara?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Nunca tive essa oportunidade. Sei que fica no norte de &Aacute;frica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A nomea&ccedil;&atilde;o deveu-se, essencialmente, ao seu trabalho pastoral ou &agrave; sua disserta&ccedil;&atilde;o em Roma?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Por aquilo que sei hoje e por aquilo que conhe&ccedil;o, acho que n&atilde;o foi tanto pela tese de Roma e o trabalho acad&eacute;mico. Inicialmente, pensava dedicar-me ao ensino (primeiro era o semin&aacute;rio, depois passou a instituto e agora &eacute; a faculdade de teologia), mas terei de reconhecer que se deve mais ao meu trabalho pastoral e entrega aos sacerdotes. Como estudei hist&oacute;ria da Igreja (&eacute;poca antiga) at&eacute; pensei alargar os meus conhecimentos&hellip; N&atilde;o fiz a tese de doutoramento, apesar de ter preparado todos os cursos para o doutoramento. Mas durante o meu tempo de estudo fui-me apaixonando pelo trabalho com os sacerdotes. Quando vinha a Braga e quando regressei, os meus tempos livres eram &laquo;gastos&raquo; em contactos e di&aacute;logos com os sacerdotes, num momento um bocado complicado para a arquidiocese de Braga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quando regressou a Braga?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Cheguei em 1971. Depois de toda aquela inquieta&ccedil;&atilde;o p&oacute;s II Conc&iacute;lio do Vaticano&hellip; Depois da agita&ccedil;&atilde;o do 25 de Abril de 1974 e a cria&ccedil;&atilde;o da diocese de Viana do Castelo. Foi todo um conjunto de pormenores que alteraram as ideias iniciais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Perdeu-se ent&atilde;o um historiador e ganhou-se um apaixonado pela vida sacerdotal?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> N&atilde;o direi que se perdeu um historiador. Hoje, continuo a ter o gosto pela hist&oacute;ria, mas n&atilde;o um especialista das coisas hist&oacute;ricas. O tempo n&atilde;o dava para tudo. No entanto, espero que tenha dado para fazer alguma hist&oacute;ria junto de alguns sacerdotes. A paix&atilde;o pelo presbit&eacute;rio ganhei-a no Movimento dos Focolares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Adaptou-se facilmente ao II Conc&iacute;lio do Vaticano (1962-1965)?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Fui sempre uma pessoa muito inquieta e aberta aos problemas. Um pouco, talvez, insatisfeito, com o modelo da Igreja enquanto estudava teologia. Por isso mesmo, posso dizer que suspirava pelo conc&iacute;lio. Acompanhei-o atrav&eacute;s de livros que saiam, mas, particularmente, atrav&eacute;s de alguns jornais que nos descreviam o que estava a acontecer na sala conciliar. Procurava ler, diariamente, o jornal franc&ecirc;s &laquo;La Croix&raquo;. Exultava com o &laquo;aggiornamento&raquo; e com a renova&ccedil;&atilde;o da Igreja. Segui todos os passos do documento &laquo;Gaudium et Spes&raquo;. Recordo a experi&ecirc;ncia, nos primeiros anos de sacerd&oacute;cio, na Bas&iacute;lica dos Congregados, a oportunidade de dialogar com pessoas de todas as correntes, com as inquieta&ccedil;&otilde;es e irrever&ecirc;ncias da juventude. Dialogar com os movimentos que surgiram naquela altura, mesmo alguns de esquerda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; N&atilde;o teve receio de ser convertido para a ideologia de esquerda?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> N&atilde;o. J&aacute; tinha encontrado um suporte ou alicerce que &eacute;, essencialmente, uma vida de espiritualidade. Mas sempre gostei de dialogar com todas as sensibilidades e correntes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; natural do Minho, de Brufe (Famalic&atilde;o), foi presb&iacute;tero na arquidiocese de Braga e, atualmente, arcebispo neste territ&oacute;rio eclesial. Existe um ad&aacute;gio popular que afirma: &ldquo;Santos da casa n&atilde;o fazem milagres&rdquo;, mas D. Jorge Ortiga tem feitos milagres?<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;JO &ndash;<\/em> N&atilde;o fiz milagres, nem pretendo. Se alguma coisa acontece, n&atilde;o sou eu que fa&ccedil;o. &Eacute;, apenas, deixar-me dispon&iacute;vel para que Deus realize alguma coisa atrav&eacute;s de mim. No entanto, posso dizer que me meteu um pouco mais de medo, primeiro quando fui bispo auxiliar e depois, tamb&eacute;m, arcebispo de Braga. Reconhe&ccedil;o tamb&eacute;m que tive alguma vantagem em ser natural de Braga porque conheci e conhe&ccedil;o a diocese toda. Conhe&ccedil;o n&atilde;o apenas pelo nome, mas a grande maioria delas pela sua localiza&ccedil;&atilde;o e os seus sacerdotes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para al&eacute;m de conhecer a mentalidade espec&iacute;fica do povo minhoto?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> &Eacute; verdade. Conhecer a caracteriza&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria deste povo foi uma vantagem porque temos uma maneira muito original de encarar a vida &ndash; alicer&ccedil;ada muito na fam&iacute;lia -, na alegria, festa e na tradi&ccedil;&atilde;o. Este sentido n&atilde;o &eacute; muito f&aacute;cil de compreender para quem vem de fora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; N&atilde;o teve o per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o porque j&aacute; conhecia o &laquo;modus vivendi&raquo; da sua regi&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> O conhecer &eacute; uma vantagem, mas o ser conhecido pode ser um inconveniente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ao longo dos dez anos em que foi bispo auxiliar de Braga, que tarefas lhe incumbiram?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Continuei com o mesmo trabalho que tinha porque, antes de 1981 (ainda era presb&iacute;tero novo), fui nomeado vig&aacute;rio episcopal para o clero. Continuei com essa responsabilidade e essa alegria de poder servir os padres. A maior parte do meu tempo era para visitar os sacerdotes e ir ao encontro deles. Esse mesmo amor aos sacerdotes procurava faz&ecirc;-lo naquele trabalho que me foi confiado, atrav&eacute;s das visitas pastorais. Passava alguns dias nas comunidades onde ia fazer a visita pastoral. Entrava nas realidades da comunidade, tanto eclesiais como sociais. As visitas a f&aacute;bricas foram de uma riqueza muito grande porque tive oportunidade de entrar no realismo de um trabalhador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; N&atilde;o conhecia essa realidade dos seus tempos juvenis?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em> Conhecia alguma coisa at&eacute; porque o meu pai tamb&eacute;m era oper&aacute;rio. No entanto, confesso que algumas delas n&atilde;o conhecia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Teve uma inf&acirc;ncia privilegiada&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Trabalhei sempre. Desde que nasci&hellip; (risos). Os meus pais eram agricultores e recordo quando os meus colegas no final da escola iam brincar, eu ia para o campo fazer aquilo que podia conforme a idade de que tinha. Coisas simples, mas a maior parte do tempo ocupado com essa ajuda &agrave; fam&iacute;lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Ent&atilde;o sabe o que custa a vida? <\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Sei o que custa a vida e sei fazer as coisas. O trabalho da agricultura n&atilde;o me preocupa nada. Apesar das coisas, na &aacute;rea agr&iacute;cola e tamb&eacute;m noutras &aacute;reas, ser feito de modo diferente. Por outro lado, o facto de ter vivido em comum com outros sacerdotes, tamb&eacute;m me permite saber o que custa a vida de casa. N&atilde;o tenho problema nenhum entrar numa cozinha e saber mexer com todos os utens&iacute;lios&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; E fazer alguns pratos da gastronomia minhota&hellip;<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Muita coisa. A culin&aacute;ria minhota &eacute; t&atilde;o rica que n&atilde;o d&aacute; para dizer em poucas palavras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Teve alguns dissabores enquanto bispo auxiliar de Braga?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> A vida &eacute; feita de tudo, mas confesso que n&atilde;o recordo nenhum. Tenho um princ&iacute;pio que orienta a minha vida: procurar viver o momento presente e o que est&aacute; para tr&aacute;s entreg&aacute;-lo &agrave; benignidade de Deus. Mas se notava alguma divis&atilde;o entre o clero, ficava preocupado. O mesmo acontecia com a situa&ccedil;&atilde;o social das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; O seu trabalho tem sido reconhecido na regi&atilde;o minhota, a tal forma que aparece na topon&iacute;mia de Famalic&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Atos contra o meu gosto, mas &eacute; sinal de simpatia e de amizade. Gosto de trabalhar &ndash; de dia e de noite -, mas no sil&ecirc;ncio e n&atilde;o estar &agrave; espera de qualquer tipo de recompensa. Gosto do cristianismo como festa, mas n&atilde;o gosto de ser objeto da festa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Trabalha de dia e de noite? Levanta-se muito cedo?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Gosto de uma vida met&oacute;dica e organizada com os hor&aacute;rios definidos. No entanto procuro reservar sete horas para descansar porque nem todas as noites d&atilde;o para dormir. Tenho um ritmo de trabalho &#8211; procuro n&atilde;o ser agitado &ndash; mas com uma agenda preenchida e que produz sempre muitas coisas. Algu&eacute;m diz que sou como um vulc&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Considera-se mesmo um vulc&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> N&atilde;o, mas reconhe&ccedil;o que as ideias surgem com relativa facilidade. Sou capaz de ver os acontecimentos, mas n&atilde;o os ver passivamente. Os acontecimentos provocam, imediatamente, uma resposta ou rea&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Em 1999, Jo&atilde;o Paulo II nomeou-o arcebispo titular de Braga. Na carta de nomea&ccedil;&atilde;o, o Papa escrevia: &ldquo;Te consideramos id&oacute;neo para a reger, sobretudo tendo em conta os altos dotes de intelig&ecirc;ncia e de cora&ccedil;&atilde;o evidenciados durante as fun&ccedil;&otilde;es de bispo auxiliar que at&eacute; aqui superiormente desempenhaste&rdquo;. Recorda este momento?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Perfeitamente. Tive conhecimento alguns dias antes, mas a not&iacute;cia tornou-se p&uacute;blica no dia 05 de junho. Eu queria &ndash; em termos de gosto &#8211; que fosse no dia 06 desse m&ecirc;s, porque era o dia de anivers&aacute;rio do meu pai. A not&iacute;cia foi divulgada quando est&aacute;vamos para proceder ao encerramento do congresso eucar&iacute;stico, realizado em Braga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Desde que &eacute; titular de Braga, o seu m&uacute;nus episcopal tem-se pautado por que &aacute;reas espec&iacute;ficas?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Continuei com a preocupa&ccedil;&atilde;o pelos sacerdotes e tamb&eacute;m pelo laicado. Uma das alegrias maiores que tive como bispo auxiliar foi o ter sido secret&aacute;rio-geral do s&iacute;nodo diocesano bracarense que decorreu de 1994 a 1997. Juntamente com uma equipa, procurei ser o dinamizador, tanto que D. Eurico Dias Nogueira (arcebispo em&eacute;rito de Braga) me chamou o cabouqueiro do s&iacute;nodo. Tudo se orientava para uma pastoral voltada para o futuro onde se colocava a evangeliza&ccedil;&atilde;o em primeiro lugar. &Eacute; fundamental trabalhar sempre em ambiente de unidade, di&aacute;logo e comunh&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A diocese tem sabido aproveitar os ex-seminaristas e os padres que pediram a redu&ccedil;&atilde;o ao estado laical?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Procurei dar vida nova &agrave; associa&ccedil;&atilde;o dos antigos alunos do semin&aacute;rio. No entanto reconhe&ccedil;o que n&atilde;o temos conseguido grandes resultados porque h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o mais concreta dos padres e dos ex-seminaristas do pr&oacute;prio ano. Quase todos os anos, os colegas se encontram naquilo a que chamam a reuni&atilde;o de curso. Este particular vence sobre o coletivo. Em rela&ccedil;&atilde;o aos padres que pediram a redu&ccedil;&atilde;o ao estado laical vamos acompanhando. Muitos deles est&atilde;o em lugares de trabalho na diocese. Temos um n&uacute;mero muito significativo daqueles que deixaram, mas muitos deles est&atilde;o ao servi&ccedil;o da comunidade diocesana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; mais um bispo de gabinete ou do contacto di&aacute;rio com as pessoas?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Gosto mais de ser bispo de contacto di&aacute;rio. De ir ao encontro para participar nos problemas reais das pessoas, sejam sacerdotes ou leigos. A aten&ccedil;&atilde;o aos mais carenciados &eacute; um aspeto que n&atilde;o posso, de maneira nenhuma, esquecer. Mas tamb&eacute;m tenho o meu trabalho de gabinete porque &eacute; fundamental refletir, estudar e pensar nas realidades concretas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; &Eacute; um peregrino na cidade?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Gosto imenso de andar pelas ruas da cidade. Habitualmente, sou eu que conduzo o carro e, desta forma, posso contactar com as pessoas. Nos trabalhos oficiais, procuro dialogar com tudo e com todos. Sinto-me mergulhado no meio das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Nas f&eacute;rias sente-se incomodado quando &eacute; reconhecido?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> As f&eacute;rias, para mim, t&ecirc;m uma dupla dimens&atilde;o: tempo de reflex&atilde;o pessoal para repensar a vida e, por outro lado, tempo para descansar um pouco, mas sempre em contacto com as pessoas. N&atilde;o tenho problema nenhum em andar na praia e encontrar-me com as pessoas. Procuro ser um entre tantos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Tamb&eacute;m se evangeliza na praia?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Muitas vezes. Tenho tido contactos muito interessantes. Recordo um epis&oacute;dio (queda da fal&eacute;sia na praia Maria Lu&iacute;sa, Algarve) e encaminhei-me para aquele lugar e falei com as pessoas. Encontrei-me com o primeiro-ministro (na altura era Jos&eacute; S&oacute;crates) e havia, ali, um grupo significativo de pessoas numa atitude de profunda inquieta&ccedil;&atilde;o interior. O primeiro-ministro disse-me: &ldquo;V&aacute;, neste momento, a sua presen&ccedil;a &eacute; mais importante do que a minha&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com D. Jorge Ortiga ao leme da arquidiocese, Braga recebeu dois novos beatos: Frei Bartolomeu dos M&aacute;rtires e Alexandrina de Balasar. <\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash; <\/em>Dois acontecimentos que me deixaram uma grande consola&ccedil;&atilde;o interior. Efetivamente, Deus concedeu-me essa gra&ccedil;a de poder ter tido duas beatifica&ccedil;&otilde;es que, por acaso, naquela altura, ainda aconteceram em Roma. Foram momentos importantes e estimulantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; A pr&oacute;xima j&aacute; ser&aacute; em Braga. Quem tem o processo mais avan&ccedil;ado? O padre Ab&iacute;lio Correia, frei Bernardo Vasconcelos ou D. Ant&oacute;nio Barroso?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Na carta pastoral que escrevi a prop&oacute;sito do Ano da F&eacute;, chamei-lhes rostos da f&eacute;. O D. Ant&oacute;nio Barroso &eacute; natural da diocese de Braga, mas o processo est&aacute; a ser organizado pela diocese do Porto. Os processos est&atilde;o em situa&ccedil;&otilde;es id&ecirc;nticas. Est&atilde;o devidamente elaborados. Falta surgir o milagre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; As celebra&ccedil;&otilde;es da Semana Santa e tamb&eacute;m as da &eacute;poca natal&iacute;cia t&ecirc;m um grande impacto na diocese. Deixam sementes para o resto do ano ou resumem-se ao lado folcl&oacute;rico?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> O povo minhoto est&aacute; muito marcado pela dimens&atilde;o da festa. Esta tem sempre a dimens&atilde;o mais profana e tamb&eacute;m a dimens&atilde;o religiosa. No ver&atilde;o, estamos sempre em festa. S&atilde;o sinais exteriores que significam muito ao povo, mas manifestam tamb&eacute;m uma f&eacute; interior. &Eacute; uma semente que se lan&ccedil;a &agrave; terra&hellip; H&aacute; muitas pessoas que vivem com intensidade as prociss&otilde;es e aquilo que elas representam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Para quando uma melhor divulga&ccedil;&atilde;o do rito bracarense?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> O rito bracarense &eacute; ainda permitido, n&atilde;o foi extinto. N&atilde;o direi que esteja esquecido porque temos algumas cerim&oacute;nias &ndash; particularmente na Semana Santa &ndash; em rito bracarense, mas a riqueza deste rito est&aacute; em determinadas ora&ccedil;&otilde;es e algumas f&oacute;rmulas que exigiriam uma tradu&ccedil;&atilde;o e uma adapta&ccedil;&atilde;o. Isto n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil. Pessoalmente, gostaria que, de longe a longe, houvesse uma eucaristia em rito bracarense, na S&eacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Com uma vida t&atilde;o ocupada, ainda tem tempo para ver jogos de futebol?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> J&aacute; gostei mais de futebol. Vejo-o mergulhado em determinados meandros que n&atilde;o s&atilde;o muito do meu agrado. Gosto do desporto em geral porque este &eacute; constitutivo da pessoa humana. Quando posso &ndash; s&atilde;o poucas as vezes &ndash; vejo um desafio de futebol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Quando o Futebol Clube do Porto defronta o Sporting Clube de Braga torce por quem?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Depende das ocasi&otilde;es. Nasci em Famalic&atilde;o &ndash; situado entre o Porto e Braga &ndash; a minha cor &eacute; mais azul e branca. Se ao Porto n&atilde;o fizer falta, que ganhe o Braga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; J&aacute; disse que gostava de ver o Sporting Clube de Braga campe&atilde;o nacional de futebol.<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Ficaria extremamente contente. Mas j&aacute; fui s&oacute;cio de v&aacute;rios clubes da regi&atilde;o de Braga que estiveram na primeira divis&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre as duas principais cidades da diocese (Guimar&atilde;es e Braga)?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> J&aacute; n&atilde;o existe a rivalidade que existia antigamente. Elas completam-se. No in&iacute;cio da nacionalidade, D. Afonso Henriques estava em Guimar&atilde;es e os arcebispos em Braga.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Esteve como presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa (CEP) durante dois mandatos (2005-2011). Como encarou o desafio de liderar este organismo?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Com naturalidade, mas com alguma preocupa&ccedil;&atilde;o pela responsabilidade que me foi confiada. A CEP &eacute; apenas um &oacute;rg&atilde;o de comunh&atilde;o entre os bispos. Onde existem di&aacute;logos francos e abertos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Durante os mandatos, os bispos portugueses realizaram a visita &laquo;Ad limina&raquo; a Roma (2007) e, tr&ecirc;s anos depois, Bento XVI visitou Portugal.<\/em><\/p>\n<p><em>JO &ndash;<\/em> Foram momentos importantes para a Igreja portuguesa. Se relermos os discursos de Bento XVI (tanto em Roma como em Portugal) verificamos que eles s&atilde;o program&aacute;ticos. A Igreja portuguesa tem de entrar mais nas realidades humanas e terrestres. Os crist&atilde;os devem estar mais na economia, pol&iacute;tica&hellip;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &ndash; Atualmente, &eacute; presidente da Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e da Mobilidade Humana. Neste momento cr&iacute;tico da sociedade portuguesa como tem sido a sua rela&ccedil;&atilde;o com os pol&iacute;ticos e sindicalistas?<\/em><\/p>\n<p><em>JO &#8211;<\/em><strong> <\/strong>Temos dialogado com base na verdade. Como a situa&ccedil;&atilde;o social &eacute; muito grave, tenho defendido, constantemente, uma maior igualdade entre as pessoas. Ningu&eacute;m pode desistir de construir uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p><em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O arcebispo de Braga considera que o atual momento do pa\u00eds implica a colabora\u00e7\u00e3o de todos para promover maior igualdade e justi\u00e7a. D. Jorge diz gostar do contacto di\u00e1rio com a popula\u00e7\u00e3o e de participar nos problemas reais das pessoas, sejam sacerdotes ou leigos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[92,103,120,172,182,185,187,191,199,212,267,282,308],"class_list":["post-59505","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-25-de-abril","tag-alexandrina-de-balasar","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-algarve","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-espiritualidade","tag-focolares","tag-natal","tag-pastoral-social","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59505","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59505"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59505\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59505"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59505"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59505"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}