{"id":59477,"date":"2013-01-02T11:33:17","date_gmt":"2013-01-02T11:33:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2013\/01\/02\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-missa-de-ano-novo\/"},"modified":"2013-01-02T11:33:17","modified_gmt":"2013-01-02T11:33:17","slug":"homilia-do-bispo-de-santarem-na-missa-de-ano-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-missa-de-ano-novo\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Santar\u00e9m na missa de Ano Novo"},"content":{"rendered":"<p><strong>1. Acreditar e preparar um futuro melhor<\/strong>. Reunimo-nos para celebrar o primeiro dia do novo ano que a igreja dedica a Santa Maria M&atilde;e de Deus. Confiamos &agrave; sua prote&ccedil;&atilde;o maternal as dificuldades que vamos enfrentar no novo ano e pedimos ao Senhor que nos aben&ccedil;oe e fa&ccedil;a brilhar sobre n&oacute;s a luz do Seu rosto nestes momentos de muitas preocupa&ccedil;&otilde;es e receios que amea&ccedil;am o novo ano 2013.<\/p>\n<p>Cada ano que come&ccedil;a &eacute; sempre encarado como uma nova oportunidade na qual projetamos a aspira&ccedil;&atilde;o de uma vida melhor, de um futuro mais risonho. Todo o ser humano, &eacute; animado pela esperan&ccedil;a. Todos aspiramos a uma vida com mais qualidade, ventura, plenitude. &Eacute; um anseio humano profundo. Vivemos da esperan&ccedil;a. Um ano que come&ccedil;a &eacute; um reacender da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Para n&oacute;s, crentes em Jesus Cristo, a esperan&ccedil;a est&aacute; profundamente associada &agrave; f&eacute;. Deste modo, o &ldquo;ano da f&eacute;&rdquo; que estamos a celebrar, deve ser entendido como um ano para fortalecer a esperan&ccedil;a. Mas, no meio de tantas nuvens negras da crise, teremos raz&otilde;es para viver com esperan&ccedil;a? Ou estamos a criar uma ilus&atilde;o para nos esquecermos das dificuldades da crise? Que reaz&otilde;es temos para viver com esperan&ccedil;a?<\/p>\n<p>Para preparar um mundo melhor n&atilde;o podemos exigir as solu&ccedil;&otilde;es perfeitas ou as melhores condi&ccedil;&otilde;es j&aacute; no imediato ou a curto prazo mas devemos ter em perspetiva o amanh&atilde; e olhar para o futuro. A esperan&ccedil;a leva-nos a ver a longo prazo, a confiar em Deus, na vida e nas capacidades humanas de rever e refazer percursos e comportamentos. A esperan&ccedil;a traduz-se, portanto, em prever, programar e p&ocirc;r em pr&aacute;tica, com coragem e esfor&ccedil;o, um caminho progressivo para um futuro melhor. N&atilde;o deixamos condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es de amanh&atilde;, se n&atilde;o nos sacrificarmos no presente. Se quisermos tudo em fun&ccedil;&atilde;o do nosso proveito imediato podemos tornar-nos uma gera&ccedil;&atilde;o egoista, sem sentido de solidariedade com a sociedade que h&atilde;o de vir.&nbsp;<\/p>\n<p>Praparar o futuro n&atilde;o &eacute; cuidar s&oacute;mente da economia. Nem s&oacute; de p&atilde;o vive o homem. Todos precisamos de p&atilde;o, todos t&ecirc;m direito ao trabalho e todos sofremos quando o p&atilde;o n&atilde;o chega ou o desemprego atinge muita gente, como agora. Mas a felicidade, o sentido e a realiza&ccedil;&atilde;o da vida humana, n&atilde;o dependem s&oacute; do bem estar econ&oacute;mico, sobretudo n&atilde;o dependem s&oacute; do luxo, do consumismo, do estilo de vida acima das nossas posses. Preparar um futuro melhor, n&atilde;o &eacute; apenas pagar as d&iacute;vidas econ&oacute;micas mas procurar tamb&eacute;m mais justi&ccedil;a, mais fraternidade e solidariedade, mais paz e alegria. Esse &eacute; o sentido da nossa esperan&ccedil;a que tem como conte&uacute;do os valores do reino de Deus, reino de paz, justi&ccedil;a e alegria no Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p><strong>2. Um novo modelo de desenvolvimento. <\/strong>Deste modo, uma quest&atilde;o fundamental para construir um futuro melhor, que o Papa Bento XVI aborda na sua mensagem de ano novo de 2013, &eacute; a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento e uma nova vis&atilde;o da economia. A crise, como muita gente esclarecida reconhece e o papa recomenda, deve ser uma ocasi&atilde;o para discernir um novo modelo econ&oacute;mico. De facto, como diz Ratzinger, <em>&ldquo;o modelo que prevaleceu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas,&nbsp; apostava na busca da maximiza&ccedil;&atilde;o do lucro e do consumo, numa &oacute;tica individualista e egoista, que pretendia avaliar as pessoas apenas pela sua capacidade de dar resposta &agrave;s exig&ecirc;ncias da competitividade. (&#8230;) Por&eacute;m o desenvolvimento econ&oacute;mico suport&aacute;vel, isto &eacute;, autenticamente humano, tem necessidade da gratuidade como express&atilde;o da fraternidade e da l&oacute;gica do dom. Concretamente, na atividade econ&oacute;mica, o obreiro da paz cria rela&ccedil;&otilde;es de lealdade e reciprocidade com os colaboradores e os colegas, com os clientes e os usu&aacute;rios. Ele exerce a atividade econ&oacute;mica para o bem comum, vive o seu compromisso como algo que ultrapassa o interesse pr&oacute;prio, beneficiando as gera&ccedil;&otilde;es presentes e futuras. Deste modo, sente-se a trabalhar n&atilde;o s&oacute; para si mesmo, mas tamb&eacute;m para dar aos outros um futuro e um trabalho digno. (Mensagem Ano Novo 2013 n&ordm; 5) <\/em><\/p>\n<p><strong>3. Pedagogia da paz. <\/strong>O apelo a uma vida humana plena, feliz e bem sucedida, que se levanta nos cora&ccedil;&otilde;es de toda a gente, coincide, segundo Bento XVI na referida mensagem, com o anseio de paz. O homem &eacute; feito para a paz, para a harmonia, para o desenvolvimento integral. H&aacute; uma voca&ccedil;&atilde;o natural da humanidade &agrave; paz (n&ordm;1). A este respeito o Papa oferece-nos uma reflex&atilde;o de grande riqueza e atualidade sobre a bem-aventuran&ccedil;a do evangelho: <strong>&ldquo;Bem-aventurados os obreiros da paz&rdquo;.<\/strong><\/p>\n<p>Como bem aventuran&ccedil;a, a paz &eacute; promessa e dom de Deus e, ao mesmo tempo, miss&atilde;o e tarefa dos crentes. Recordando o cinquenten&aacute;rio da Enc&iacute;clica &ldquo;Pacem in terris&rdquo; de Jo&atilde;o XXIII, o atual sumo pont&iacute;fice, lembra que Deus promete a paz a quantos se deixam guiar pelas exig&ecirc;ncias da verdade, da justi&ccedil;a e do amor.<\/p>\n<p>Conclui, nesse sentido, que <em>&ldquo;&eacute; necess&aacute;rio propor e promover uma pedagogia da paz. &Eacute; necess&aacute;rio educar os homens a amarem-se e a educarem-se para a paz, a viverem mais de benevol&ecirc;ncia que de mera toler&acirc;ncia. Incentivo fundamental ser&aacute; dizer n&atilde;o &agrave; vingan&ccedil;a, reconhecer os pr&oacute;prios erros, aceitar as desculpas sem as buscar e, finalmente, perdoar, de modo que os erros e as ofensas posssam ser verdadeiramente reconhecidos a fim de caminhar juntos para a reconcilia&ccedil;&atilde;o. Isto requer uma pedagogia do perd&atilde;o (&#8230;). A pedagogia da paz implica servi&ccedil;o, compaix&atilde;o, solidariedade, coragem e perseveran&ccedil;a&rdquo; (7).<\/em><\/p>\n<p>O nascimento do Senhor &eacute; o nascimento da paz, lembra S&atilde;o Le&atilde;o Magno. Ele veio congregar numa s&oacute; fam&iacute;lia os filhos de Deus dispersos e divididos pelo pecado. Nossa Senhora M&atilde;e de Deus deu ao mundo o Principe da paz e colabora ativamente na difus&atilde;o da Sua mensagem de justi&ccedil;a e fraternidade. Guiados pelo evangelho e sob a prote&ccedil;&atilde;o da rainha da paz entreguemo-nos tamb&eacute;m &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um mundo com mais justi&ccedil;a e conc&oacute;rdia. Amen.<em>&nbsp; <\/em><\/p>\n<p><em>D. Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Acreditar e preparar um futuro melhor. Reunimo-nos para celebrar o primeiro dia do novo ano que a igreja dedica a Santa Maria M&atilde;e de Deus. 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